O USO DE REDES SOCIAS E A DEPRESSÃO

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Durante a última década, as Redes Sociais causaram mudanças profundas na maneira como as pessoas se comunicam e interagem, facilitando até mesmo a relação comercial entre empresas e consumidores. Vários estudos indicaram que o uso prolongado de Redes Sociais pode estar relacionado a sinais e sintomas de depressão, como também, que certas atividades podem estar associadas à baixa autoestima, especialmente em crianças e adolescentes. Estes resultados não são definitivos, já que ainda não está claro se algumas dessas mudanças podem afetar certos aspectos normais do comportamento humano e causar transtornos psiquiátricos. Com isso, a relação entre o uso de Redes Sociais e os problemas mentais até hoje permanece controversa, e a pesquisa sobre essa questão enfrenta inúmeros desafios. Este artigo enfoca as descobertas recentes sobre a conexão sugerida entre as Redes Sociais e os problemas de saúde mental, como sintomas depressivos, mudanças na auto-estima e dependência da Internet. 

1 – OS PRIMEIROS ESTUDOS SOBRE O USO DA INTERNET

De acordo com estudos já realizadas, há muitas razões potenciais pelas quais um usuário de Redes Sociais pode ter uma tendência a ficar deprimido. 

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Em 1998, foi publicado um dos primeiros estudos para indicar que o uso da #internet em geral afeta significativamente as relações sociais e a participação na vida da comunidade. Nesta pesquisa, os autores descobriram que o aumento do tempo gasto online está relacionado ao declínio na comunicação com os membros da família, bem como a redução do círculo social do usuário da Internet, o que pode levar a um aumento dos sentimentos de depressão e solidão.

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Posteriormente, este trabalho foi seguido por várias outras publicações, nas quais se sugeriu que o uso de computadores pode ter efeitos negativos sobre o desenvolvimento social das crianças.

No momento em que esses estudos foram realizados, a maioria das #RedesSociais de hoje não existia. Por exemplo, o Facebook foi fundado em 2004 e se tornou popular entre crianças e adolescentes alguns anos depois. Em vez disso, a maioria dos trabalhos estava focada na investigação de possíveis efeitos da navegação na Internet, verificação de e-mails e outros comportamentos online e offline (isto é, videogames violentos) sobre a saúde mental.

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2 – USO DE REDES SOCIAIS E TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS. 

Durante os últimos 10 anos, o rápido desenvolvimento de sites de Redes Sociais como Facebook, Twitter, MySpace e assim por diante, causou várias mudanças profundas na forma como as pessoas se comunicam e interagem. O Facebook, como o maior site de Redes Sociais, tem hoje mais de um bilhão de usuários ativos, e estima-se que, no futuro, esse número aumente significativamente, especialmente nos países em desenvolvimento. O Facebook é usado tanto para comunicação comercial quanto pessoal, e sua aplicação trouxe inúmeras vantagens em termos de aumento de conectividade, compartilhamento de ideias e aprendizado online.

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Também, com o desenvolvimento das Redes Sociais, o tempo que as crianças e os adolescentes passam diante das telas dos computadores aumentou significativamente. Isso levou a uma redução ainda maior da intensidade da comunicação interpessoal, tanto na família quanto no ambiente social mais amplo. Embora, as Redes Sociais permitam que um indivíduo interaja com um grande número de pessoas, essas interações são superficiais e não podem substituir adequadamente a comunicação cara a cara, do dia a dia.

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Uma das razões pelas quais o tempo gasto em Redes Sociais pode estar associado a sintomas depressivos, é o fato de que a comunicação mediada por computador pode levar à impressão alterada (e muitas vezes errada) dos traços físicos e de personalidade de outros usuários. Isso pode levar a conclusões incorretas sobre aparência física, nível educacional, inteligência, integridade moral, bem como muitas outras características dos amigos online.

Recentemente, foi publicado um artigo sobre o impacto potencial do uso de Redes Sociais na percepção dos alunos sobre a vida de outras pessoas. O estudo realizado com 425 estudantes de graduação de uma universidade estadual em Utah, nos EUA, relatou que o uso de Redes Sociais está ligado à impressão dos participantes de que outros usuários são mais felizes, assim como a sensação de que “a vida não é justa”. Percebendo os outros como mais felizes e mais bem sucedido, não resulta necessariamente em depressão. No entanto, em indivíduos que já têm certas predisposições depressivas, bem como outras comorbidades psiquiátricas, isso pode ter um impacto negativo na saúde mental.

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Ao se considerar a possibilidade do uso de Redes Sociais ser um fator que influencia o desenvolvimento de sintomas depressivos, também se assume a possibilidade de que certas características do comportamento online, ser fatores preditivos na identificação e avaliação da depressão.

Hoje, está claro que através das Redes Sociais é possível avaliar sintomas de depressão em indivíduos. Em outras palavras, certas características comportamentais depressivas de um usuário de Rede Social podem ser quantificadas, e essa quantificação tem um valor preditivo, potencialmente alto, para um possível rastreamento futuro da depressão.

Estudos também têm identificado uma relação entre o uso das Redes Sociais e a diminuição da “autoestima”. Esta pode ser definida como “o componente avaliativo do self – o grau em que alguém valoriza, aprova ou gosta de si mesmo”. É um fator importante no desenvolvimento e manutenção da saúde mental e da saúde geral.

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Já a baixa autoestima está associada à patogênese de inúmeras #DoençasMentais, incluindo depressão, distúrbios alimentares e dependência. Uma das possíveis explicações para que isso ocorra é que todas as plataformas de Redes Sociais, onde a auto-apresentação é a principal atividade do usuário, causam ou pelo menos promovem o comportamento narcisista. Numa pesquisa, que envolveu  100 usuários do Facebook da Universidade de Nova York, indicou que os indivíduos com baixa autoestima são mais ativos online, em termos de ter mais conteúdo de auto-promoção em seus perfis. 

De acordo com dados da literatura recente, existem vários modelos / teorias sobre o possível efeito da comunicação mediada por computador na autoestima da população em geral. Uma delas é a Teoria da Autoconsciência que sugere que qualquer estímulo que faça com que o “eu” se torne o objeto (em vez do sujeito) da consciência, levará a uma impressão diminuída do “eu”. É o caso do indivíduo que por vários dias visita sua própria página de perfil do Facebook, durante a qual ele visualizará suas fotografias já postadas, dados biográficos, status de relacionamento e assim por diante. Todos esses eventos, especialmente à luz de dados semelhantes obtidos de perfis de outros usuários, podem levar a uma redução, de curto prazo ou de longo prazo, da autoestima.

É provável, no entanto, que o impacto geral do uso de Redes Sociais na #autoestima seja muito mais complexo. Autoavaliação constante no dia-a-dia, competição e comparação das próprias realizações com as de outros usuários, percepção incorreta das características físicas / emocionais / sociais dos outros, sensação de ciúme e comportamento narcisista – todos esses fatores podem influenciar, positiva ou negativamente, a autoestima. 

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Da mesma forma, estão sendo investigados e discutidos na literatura científica o vício em Redes Sociais, assim como o vício em Internet em geral, de pessoas que passam a negligenciar o seu relacionamento social offline com familiares e amigos. Trata-se de uma questão relativamente nova na pesquisa em psiquiatria e, assim como outros distúrbios potencialmente relacionados, muitas questões permanecem sem resposta. De acordo com as primeiras observações, a cessação súbita do uso das Redes Sociais (isto é, a falta de conexão com a Internet) pode, em alguns usuários crônicos, causar sinais e sintomas que se assemelham, pelo menos parcialmente, aos observados durante a síndrome de abstinência de drogas / álcool / nicotina.

Provavelmente, a questão mais importante é identificar se o vício do uso de Redes Sociais é realmente um transtorno mental, e se deve ser diagnosticado e tratado como tal. A Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças e Problemas de Saúde (ICD-10) definiu vários critérios específicos para a síndrome de dependência, como um forte desejo ou sensação de compulsão, dificuldades no controle do comportamento de consumo, estado fisiológico de abstinência após a redução ou cessação, tolerância e assim por diante. Sendo identificado três ou mais dos critérios acima mencionados, um diagnóstico deve ser feito.

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No entanto, é preciso ter muito cuidado com essa abordagem, já que no futuro pode ser muito difícil distinguir o vício do uso de Redes Sociais do vício em Internet, que é um distúrbio muito mais geral (desordem de dependência da Internet, uso problemático da Internet ou uso compulsivo da Internet).

Também deve-se considerar que nem a dependência da Internet nem do uso de Redes Sociais foram incluídas nos manuais mais recentes de classificação de doenças, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Além disso, os problemas mentais relacionados à Internet são freqüentemente vistos em conjunto com outras doenças mentais diagnosticáveis. Portanto, ainda não está claro se a dependência potencial do uso de Redes Sociais é uma doença independente ou meramente uma manifestação de outras questões mentais, como, por exemplo, transtornos de personalidade.

Em suma, resta saber se o vício do uso de Redes Sociais será reconhecido como um distúrbio mental separado. Pode-se esperar que, no futuro, essa questão seja um ponto focal de muitos estudos de pesquisa e que, nos próximos anos, ela se torne objeto de um amplo debate entre psiquiatras, psicólogos e outros especialistas. Os resultados e conclusões finais terão um impacto substancial na organização futura do sistema de saúde mental, particularmente considerando que as Redes Sociais afetam uma proporção tão grande da população mundial.

3 – PONTOS A CONSIDERAR E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

Pode-se esperar que pesquisas futuras sobre os possíveis efeitos das Redes Sociais sobre a #SaúdeMental sejam enfrentadas com inúmeras dificuldades. Primeiro, até o momento, muitos pesquisadores utilizaram uma abordagem de estudo transversal em sua metodologia, seguida de análise de correlação. Ocorre, que a existência de uma correlação não é necessariamente igual à causalidade. Por exemplo, alguns estudos indicam que o uso de Redes Sociais pode causar uma baixa autoestima, mas isso também pode significar que as pessoas com baixa autoestima usam essas plataformas com mais frequência.

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Em outras palavras, é muito difícil, e algumas vezes impossível, concluir qual variável é a causa e qual é o efeito. No futuro, desenhos longitudinais seriam muito mais úteis para determinar os efeitos do uso de Redes Sociais na saúde mental. Em última análise, os dados obtidos a partir de estudos experimentais nos permitirão tirar conclusões definitivas sobre essa relação.

Deve-se notar que a maioria das pesquisas feitas até agora sobre Redes Sociais e saúde mental, foi feita em uma população saudável (ou seja, estudantes do ensino médio, estudantes universitários, adolescentes em geral). Quando se afirma que, por exemplo, “o tempo gasto em Redes Sociais está relacionado à depressão”, os pesquisadores geralmente dizem que esse tempo se correlaciona com oscilações de humor fisiológicas (medidas com várias escalas psicológicas), ao invés de depressão como uma entidade clínica. De fato, até onde sabemos, nenhuma pesquisa deste tipo foi conduzida até agora em pacientes psiquiátricos. Portanto, uma possível conexão entre as Redes sociais e as questões de saúde mental só pode ser discutida em termos de variações fisiológicas (psicofisiológicas) normais das funções psíquicas.

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Devemos sempre ter em mente que nem todas as Redes Sociais são iguais. A maior e mais popular entre as existentes, sem dúvida, é o Facebook, que é baseado na criação e atualização de perfis pessoais, onde os usuários podem fazer upload de fotos, vídeos, comentários, status e notas. É o mais completo em termos de ferramentas. Outra Rede Social popular é o Twitter, que é baseado em um conceito diferente, onde os usuários postam e leem mensagens de texto curtas, nas quais expressam seus pensamentos e opiniões.

A maioria dos estudos mencionados neste artigo tem sido focada no Facebook, pelo fato de ainda ser a Rede Social mais predominante. Até mesmo nas pesquisas que se referem a “Internet”, na maioria dos casos, o Facebook é o principal alvo de investigação. Não encontramos nenhuma base de pesquisa científica voltada para o Twitter e seu impacto potencial na saúde mental. No futuro, com certeza, tanto o Twitter como as demais Redes Sociais se tornarão objetos de pesquisa, com a implementação de escalas novas e avançadas que serão ajustadas para avaliar potenciais problemas mentais à luz do rápido desenvolvimento da tecnologia da informação.

4 – CONCLUSÃO

Como resultado dos avanços tecnológicos, as Redes  Sociais permitiram novas maneiras das pessoas se comunicarem e interagirem, além de facilitar a interação comercial entre empresas e consumidores. Em decorrência dessas mudanças, surgiram estudos sobre a relação do uso de Redes Sociais com os sintomas de depressão, tendo como base principal de pesquisa, o Facebook, que ainda é a plataforma mais popular e mais completa em termos de ferramentas.

De acordo com os estudiosos,  existe uma correlação direta entre o tempo online, a satisfação com a vida e o vício em Redes Sociais. As pessoas estão tão ligadas à vida virtual que às vezes nem percebe isso. Com isso, certas características do comportamento online podem ser fatores preditivos na identificação e avaliação da doença.

Considerando que ainda não existe um parecer conclusivo desses estudos; que o uso das Redes Sociais pode ser um dos fatores que influenciam o desenvolvimento de sintomas depressivos nos usuários e que a #depressão não se autodestrói, mas é tratável, o mais correto é diminuir a quantidade de tempo gasto nas Redes Sociais e voltar ao mundo real. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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A “INTERNET DAS COISAS” NA VIDA DO CONSUMIDOR

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A Internet é uma das invenções mais importantes do nosso tempo, que foi incorporada ao nosso dia-a-dia, a tal ponto que viver sem ela, é algo totalmente inimaginável.

Durante anos, a Internet foi um espaço apenas de pessoas, com todas as informações, livros, gravações, imagens, etc. Hoje, isso mudou com o surgimento de uma nova internet, conhecida como a Internet das Coisas (IOT), que conecta (com a ajuda de sensores, software e hardware) eletrodomésticos, veículos, máquinas industriais, etc., uns aos outros, formando uma grande rede.

A Internet das Coisas (IOT) é um conceito que não apenas tem o potencial de impactar o modo como vivemos, mas também, o modo como trabalhamos. Em palavras mais simples, é a tecnologia que torna nossas vidas mais eficientes e fáceis. Mas, exatamente, qual o impacto dessa tecnologia na vida do consumidor? Quais os desafios a serem vencidos? Como o feedback do consumidor potencializa a Internet das Coisas (IOT)?

1 – O CRESCIMENTO DA INTERNET DAS COISAS (IOT)

Em breve, todos os dispositivos existentes e quase todos os objetos que se possa imaginar, estarão conectados à Internet. O termostato, o sistema de alarme, o detector de fumaça, a campainha e a geladeira podem já estar “em rede”, mas as mudanças estão começando a capturar nossa imaginação por uma cidade totalmente integrada, inteligente e sustentável, que busca uma melhor gestão de energia, água, transporte e segurança.

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Daqui para frente, a vida parecerá materialmente diferente, à medida que o ritmo da mudança tecnológica acelera, graças, em grande parte, ao próximo boom da Internet das Coisas (IOT). A empresa de consultoria em tecnologia, Gartner Inc., prevê que ainda neste ano, 6,4 bilhões de coisas conectadas estarão em uso em todo o mundo; um aumento de 30% em relação ao ano passado. E esse número deverá crescer mais de três vezes, para quase 21 bilhões, nos próximos  dois anos.

Em breve, mais da metade dos principais processos e sistemas de novos negócios, incorporarão algum elemento da #InternetDasCoisas (IOT). O impacto na vida dos consumidores e nos modelos de negócios corporativos está aumentando rapidamente, à medida que o custo para conectar coisas físicas a sensores, dispositivos, sistemas e pessoas, continua a cair.

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Há muito mais para a Internet das Coisas (IOT) do que meras situações da vida cotidiana. Em todo o mundo, a indústria manufatureira tradicional também está em meio a uma grande mudança, marcando o surgimento da “Manufatura Inteligente”, conhecida como “Indústria 4.0”. Nesse setor, a IOT está tornando as fábricas mais inteligentes, seguras e ambientalmente sustentáveis. Ela permite conectar a fábrica a uma nova gama de soluções de #ManufaturaInteligente que giram em torno da produção. Como resultado, temos a melhoria na produção e a redução de custos, que gerarão bilhões em crescimento de receita e produtividade ao longo da próxima década. A transformação positiva que isso implica é enorme.

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A Internet das Coisas (IOT) dá aos fabricantes a capacidade de rastrear objetos, descobrir como os consumidores estão usando um certo produto, além de determinar quais recursos são proeminentes. Isso cria uma melhor compreensão de quais ajustes devem ser feitos no(s) produto(s) para ajudar a melhorar as taxas de adoção e de compra. Saber o que os #consumidores pensam e fazem com o produto é algo que as marcas devem aproveitar ao máximo e a IOT torna isso prontamente disponível. Num tópico logo abaixo discutiremos melhor como o feedback do #consumidor potencializa a Internet das Coisas (IOT).

De acordo com uma pesquisa global, divulgada pela Gartner Inc. no início deste ano, a adoção da IOT deverá atingir rapidamente 43% das empresas mais pesados, incluindo #empresas das indústrias de petróleo, gás, automotiva e manufatura.

Na #IndústriaAutomotiva a IOT já está direcionando a maneira como as montadoras montam seus veículos, o que acaba nos dando uma ideia de como elas pensam sobre o futuro de seus produtos.

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Igor Demay, presidente da ISO / TC 22, Road vehicles, explica: “A IOT na indústria automotiva surgiu por volta do início do século 21 com os sistemas de navegação, mudando drasticamente a relação entre o motorista e o veículo. Estamos agora no segundo período com “dispositivos de espelho”, como telefones celulares ou unidades de navegação portáteis, conhecidas como dispositivos nômades, cujas telas são usadas por proprietários de carros ou motoristas, enquanto dirigem seus veículos. “

Essa influência da IOT vai aumentar ainda mais, à medida que carros mais conectados entrarem em operação e os consumidores continuarem a exigir mais tecnologia em seus veículos. Segundo Demay, “O terceiro passo consistirá na aplicação da  #iot em todos os sistemas avançados de assistência ao motorista e soluções de condução automatizadas.”

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Sem dúvida, as soluções de IOT fazem parte do futuro da indústria, todavia, os desafios que se avizinham são montanhosos à medida que os níveis de sofisticação continuam a crescer. E um dos desafios é a ausência de padrão nos dispositivos tecnológicos.

2- AUSÊNCIA DE PADRÃO AINDA É UM DESAFIO

Como acontece com qualquer nova tecnologia, a Internet das Coisas (IOT) pode ser confusa e intimidadora, especialmente quando os debates se desenrolam em torno da padronização. Ou seja, apesar dos benefícios, a falta de padrão dos dispositivos é o maior problema enfrentado pela IOT.

Embora, alguns dispositivos de tecnologia da Internet das Coisas (IOT) não tenham padrões, outros têm inúmeros padrões concorrentes, sem nenhum vencedor óbvio. Sem um “método de comunicação comum”, os dispositivos só poderão se comunicar com suas próprias marcas e limitar severamente a utilidade das máquinas conectadas.

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Para entender como a falta de padrões uniformes pode complicar o desenvolvimento de produtos e o crescimento do setor, considere os problemas de conectividade. Por exemplo, se uma empresa que desenvolve roupas inteligentes é diferente de uma empresa que desenvolve #tecnologia de casa inteligente, as chances dos seus produtos se comunicarem são mínimas. Isso ocorre com frequência porque os variados dispositivos existentes usam protocolos de comunicação diferentes, resultando em falta de interoperabilidade e uma experiência que está longe de ser perfeita para os consumidores. No entanto, se as diversas empresas usassem o mesmo padrão para conectividade, a interoperabilidade seria muito mais provável.

Não é de admirar, portanto, que a IOT seja um tema importante na comunidade de padrões. O comitê técnico conjunto da ISO formou um grupo de trabalho sobre a Internet das Coisas (IOT) para desenvolver um modelo de arquitetura para a interoperabilidade desse sistema. Muitos dos padrões que são necessários, provavelmente existem, mas sua importância relativa, implantação e aplicação ainda não estão claros.

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Para resolver essa situação, a ISO estabeleceu um Grupo Consultivo Estratégico (SAG) na #indústria4.0. Seu presidente, Kai Rannenberg, acredita que a conectividade de rede, que permite que esses objetos coletem e troquem dados, é fundamental. “A IOT abre grandes oportunidades e aplicativos jamais imaginados, mas também pode criar grandes riscos, por exemplo, quando a coleta de dados é exagerada ou quando os dispositivos conectados à Internet não foram projetados para lidar com esse desafio”, disse Kai.

Rammenberg vê esses padrões alavancando as tecnologias de IOT para criar sistemas de produção sob encomenda, mais eficientes e responsivos. “Haverá cada vez mais interfaces, assim, são necessários padrões para evitar que essas interfaces se tornem gargalos para levar os produtos ao mercado. E certamente há um grande papel para os padrões no projeto arquitetônico da Indústria 4.0 de manufatura inteligente, para coordenar fluxos de trabalho e processos. ”

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Para Rannenberg, o ponto culminante do trabalho do SAG é um conjunto de padrões que garante que todos os dispositivos conectados à Internet possam se comunicar perfeitamente entre si, não importa o chip, o sistema operacional ou o fabricante do dispositivo.

3 – A INTERNET DAS COISAS (IOT) E O MARKETING 

A Internet das Coisas (IOT) está afetando praticamente todos os setores. Tem um tremendo impacto no volume de dados e no tráfego de rede. E é cada vez mais popular no contexto do consumidor.

Ela também está revolucionando as operações de negócios, da logística ao marketing, que talvez sejam menos atraentes para os consumidores, mas muito reais e tangíveis, já que com a interconectividade de nossos dispositivos digitais, são oferecidas infinitas oportunidades para as marcas ouvirem e responderem às necessidades de seus clientes, com a mensagem certa, no momento certo, no dispositivo certo.

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Naturalmente, a Internet das Coisas (IOT) também afetará a experiência do cliente, a quantidade de dados obtida através de dispositivos conectados e análises. Em um contexto de consumidor e marketing, o Big Data e a análise (preditiva) nunca estão longe.

Com a Internet das Coisas (IOT) será possível o #marketing conectado a dados dos consumidores em tempo real para serviços, publicidade e muito mais. Com isso, os profissionais de marketing poderão:

  • Analisar o hábito de compra dos consumidores nas plataformas utilizadas por eles;
  • Obter informações sobre as formas como os consumidores interagem com dispositivos conectados e produtos;
  • Obter uma visão melhor sobre a jornada de compra do consumidor e em que fase ele está;
  • Realizar interações em tempo real, notificações de PDV e, claro, anúncios segmentados (e até mesmo totalmente contextuais);
  • Fazer uso de um campo de atendimento ao consumidor, por meio do qual os problemas podem ser resolvidos rapidamente.

4 – COMO O FEEDBACK DO CONSUMIDOR POTENCIALIZA A INTERNET DAS COISAS (IOT)

Muitas empresas de bens de consumo estão investindo recursos nesse mercado de internet das Coisas (IOT), sem ter uma visão clara das opiniões e atitudes dos consumidores, o que torna um grande risco  para elas. 

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As empresas não podem lançar programas conectados sem um plano e ferramentas para entender seus consumidores. Há pelo menos três maneiras pelas quais o feedback do consumidor pode ajudar as empresas a inovar e dominar o mercado da Internet das Coisas:

4.1. Lançar produtos úteis e realmente inteligentes – Apesar do burburinho em torno da IOT, a maioria dos consumidores não está convencida de que precisa de dispositivos conectados. Uma pesquisa da Accenture Digital Consumer Survey descobriu que a adoção de dispositivos de Inteligência Artificial é muito mais lenta do que as empresas de bens de consumo esperam. A intenção de compra de termostatos inteligentes, por exemplo, estagnou significativamente entre os anos de 2016 a 2017.

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Joel Hruska, um colaborador do site de tecnologia Extreme Tech, diz que parte do problema é que as empresas estão lançando #produtos que ninguém realmente precisa. “O maior problema da Internet das Coisas”, escreve Hruska, “é que ninguém descobriu como construir produtos que realmente façam algo útil, o suficiente, para justificar o interesse do consumidor”.

Isso é uma crítica dura, mas estudos recentes sugerem que Hruska está com razão. Num destes estudos realizado pela empresa de mídia Scripps Networks, mostra que 75% dos consumidores entrevistados querem dispositivos inteligentes para residências, principalmente, aqueles que ajudem a manter suas famílias seguras e confortáveis. 

As possibilidades são infinitas em IOT, porque praticamente qualquer coisa pode ser conectada à internet com a tecnologia certa. As empresas precisam tomar decisões difíceis em torno de onde e quanto investir, respondendo à pergunta: Quais dispositivos conectados fornecem valor real aos consumidores, e quais são meramente de boa qualidade? Em vez de adivinhar ou confiar em sua intuição, as empresas precisam da inteligência do consumidor para validar e inspirar a direção da inovação.

4.2. Melhorar os produtos atuais – Alguns adotantes iniciais começaram a abandonar seus dispositivos de casa inteligente. O estudo da Accenture, por exemplo, descobriu que 18% dos consumidores, usuários de IOT, pararam de usar seus dispositivos devido a preocupações com segurança de dados. Da mesma forma, um estudo da Gartner descobriu que quase um terço dos consumidores, usuários de tecnologia wearable, já abandonaram seus fitness trackers e smartphones.

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Angela McIntyre, diretora de pesquisa do Gartner, diz que a alta taxa de abandono é porque as pessoas não acham seus gadgets úteis o suficiente. As empresas, de acordo com McIntyre, ainda precisam definir a proposição de valor exclusiva dos dispositivos IOT.

A alta taxa de abandono é preocupante porque o espaço da IOT ainda está engatinhando. As empresas não podem perder os clientes que já possuem e o terreno que cobriram. Criar lealdade e definir claramente o valor real nesse estágio é fundamental para a longevidade de muitos produtos IOT.

É importante detectar possíveis problemas e oferecer soluções, antes que os consumidores considerem abandonar o produto conectado. Como os desenvolvedores de produtos testam conceitos e avaliam produtos, eles precisam de feedback contínuo dos consumidores. Os usuários atuais podem fornecer feedback, sobre o que eles gostam e não gostam sobre o produto e o que está faltando. Como os atuais consumidores de IOT são os primeiros a adotar esse espaço, eles também podem gerar um boca a boca positivo se as marcas excederem suas expectativas.

4.3. Direcionar as mensagens de marketing e vendas – De acordo com a Accenture, 62% dos consumidores consideram os dispositivos IOT muito caros. Essa percepção é consistente em todas as faixas etárias e países, sugerindo que as empresas de bens de consumo não estão fazendo um ótimo trabalho de comunicação de valor latente aos consumidores.

Uma abordagem estratégica de marketing pode ajudar a mudar a percepção em torno dos dispositivos conectados, mas somente se as empresas entenderem seus clientes. Mais do que tudo, as marcas precisam ter uma compreensão firme do que impulsiona percepções de valor. Abaixar o preço não é necessariamente a resposta. O valor, afinal, é definido como a troca entre os benefícios que um cliente percebe e o preço que ele acha que vale a pena. Para aumentar o valor, as empresas precisam identificar de fato maneiras pelas quais os dispositivos inteligentes podem facilitar e tornar mais conveniente a vida dos consumidores.

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Uma abordagem estratégica de marketing pode ajudar a mudar a percepção em torno dos dispositivos conectados, mas somente se as empresas entenderem seus clientes.

A percepção do consumidor pode ajudar as empresas a criar estratégias eficazes de mensagens e vendas. Aproveitando sua comunidade de clientes, por exemplo, as empresas podem obter ideias sobre táticas de promoção. Solicitar feedback aos clientes sobre duas ideias de campanha de marketing pode ser uma maneira eficaz de enviar mensagens de entrada no mercado para testes A / B.

O feedback dos clientes também pode ajudar a impulsionar o ROI de marketing, informando quais canais as empresas devem usar para atingir seu mercado-alvo. Um estudo recente do Interactive Advertising Bureau e da empresa de pesquisa Maru / Matchbox sugere que os consumidores aprendam sobre dispositivos conectados por meio de comerciais de TV, boca a boca e artigos on-line. Mas, à medida que o comportamento do consumidor muda, cada vez mais rapidamente as empresas precisam usar, em tempo hábil, a inteligência do cliente, enquanto decidem quais táticas e canais seguir.

4.4. Desenvolver um relacionamento de longo prazo com os consumidores de IOT – A Internet das Coisas está em meio a um alto crescimento, mas, a menos que as empresas ofereçam o que os consumidores querem e precisam, o ímpeto desse espaço será atrofiado. À medida que o mercado amadurece e se torna mais competitivo, é importante desenvolver uma relação próxima com os consumidores de IOT.

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Em última análise, o sucesso no espaço da IOT não será necessariamente determinado por ter a melhor tecnologia, mas ao casar efetivamente a tecnologia inovadora com a compreensão contínua e profunda do consumidor.

5 – CONCLUSÃO

Estamos sendo testemunhas de mais uma revolução tecnológica, chamada de Internet das Coisas (IOT), cujo mercado pode ultrapassar rapidamente o montante de US $ 470 bilhões. Enquanto isso, os investimentos no setor industrial da IOT devem superar US $ 60 trilhões nos próximos 15 anos. Ela abrange tudo o que é tecnologicamente inteligente e capaz de se comunicar com outros dispositivos, redes, sistemas e coisas.

Essa tecnologia está sendo incorporada a uma variedade de produtos que estão disponíveis hoje e que foram desenvolvidos com o objetivo de facilitar a vida das pessoas. O resultado foi o surgimento de cidades inteligentes, fábricas conectadas, carros conectados, etc. Tudo isso, são provas de como o mundo está se adaptando à Internet das Coisas (IOT).

A ideia dessa tecnologia é ter dispositivos físicos, eletrodomésticos, veículos e outros itens incorporados à eletrônica e conectados a uma configuração de rede local ou à Internet, habilitados para coletar, processar e trocar dados. O propósito é torná-los mais úteis e convenientes e, para isso, tem que haver algum tipo de interação ou comunicação com os consumidores. Somente através do conhecimento das opiniões e atitudes dos  consumidores é que as empresas conseguirão inovar e dominar o mercado da Internet das Coisas. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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OS CONSUMIDORES MILLENNIALS E A TRANSPARÊNCIA NAS EMPRESAS DE CPG

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A geração do milênio, geração da internet, milênicos ou millennials (nascidos entre 1980 e 1995) logo estará superando, em quantidade, a geração Boomer (nascidos entre 1946 e 1964). Os consumidores millennials gastam em compras, cerca de US $ 600 bilhões por ano, o que os coloca em uma posição ainda mais influente como consumidores no mercado.

Enquanto outros consumidores preferem o preço, o sabor e a conveniência ao fazer compras, os consumidores millennials tomam suas decisões de compra com base nos princípios do self, da sociedade e do planeta. Por essa razão, as empresas de bens de consumo embalados (CPG) estão prestando muita atenção em seus hábitos de consumo e nas suas preferências de mídia social. Isso cria um forte impulso para a transparência da marca.

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1 – OS CONSUMIDORES MILLENNIALS E SUA DEMANDA POR TRANSPARÊNCIA

A transparência tornou-se cada vez mais importante para os consumidores, e isso se deve principalmente ao enorme crescimento da população milenar.

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Estes preferem que os #varejistas sejam mais abertos em relação aos seus esforços de sustentabilidade, na mesma proporção que decidem gastar mais dinheiro em marcas que apoiam causas que consideram importantes.

Eles também esperam ter informações prontamente disponíveis, quando e onde precisarem. De fato, grande parte dos consumidores millennials dizem que, enquanto estão fazendo compras na loja, buscam informações sobre produtos e #marcas em seus smartphones e tablets, antes de tomar uma decisão de compra.

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Esse público tem potencial para influenciar as empresas de bens de consumo embalados (CPG), e é exatamente isso que está acontecendo. Nos últimos anos essas #empresas passaram a ajustar a forma como comercializam produtos para os consumidores millennials – dando a eles a transparência que tanto buscam.

2 – AS EMPRESAS DE BENS DE CONSUMO EMBALADOS (CPG)

Os bens de consumo embalados (CPG) são um termo usado pela #indústria para identificar aquelas mercadorias que os #consumidores usam e substituem com frequência. Exemplos de bens de consumo embalados incluem alimentos, bebidas, cosméticos e produtos de limpeza.

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O CPG pode ser contrastado com bens duráveis ​​(DG), um termo da #indústria para mercadorias que não são consumidas ou destruídas em uso e geralmente não são substituídas, até que a #mercadoria tenha um problema. Exemplos de bens duráveis ​​incluem eletrodomésticos, móveis e automóveis.

Tipicamente, o CPG é vendido por #varejistas em lojas físicas e a embalagem é projetada para diferenciar os produtos, entre os concorrentes, nas prateleiras de farmácia, mercearia ou grande loja. O mercado de CPG é altamente competitivo.

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Até recentemente, tem sido difícil para os #fabricantes aproveitarem a internet e venderem CPG por meio de canais de comércio eletrônico. Mais notavelmente, uma tentativa na #indústria de alimentos para animais de estimação, durante o apogeu da internet, ilustrou as limitações do comércio eletrônico para produtos de CPG. O desaparecimento da Pets.com não apenas colocou um rosto na bolha das empresas pontocom, mas também colocou em evidência a falha da infraestrutura em apoiar a venda e a entrega de produtos embalados ao consumidor.

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Avanços significativos em tecnologia móvel, gerenciamento automatizado da cadeia de suprimentos, aprendizado de máquina e análise de dados acabaram contribuindo para tornar em realidade a promessa de usar a #internet para vender produtos embalados ao consumidor, através de canais de comércio eletrônico.

Agora, que a infraestrutura está pronta para oferecer suporte ao e-commerce de CPG, muitas lojas de varejo e restaurantes implementaram modelos de entrega “clique e colete”. Esse modelo permite que os clientes peçam e paguem por um produto ou refeição online e recebam uma mensagem de texto, quando o pedido estiver pronto para ser coletado.

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A Amazon Prime, conhecida por seus serviços online, implementou o Prime Pantry, um serviço CPG que permite que os membros do Amazon Prime comprem mantimentos no #varejo e produtos domésticos online, para receberem em suas casas no dia seguinte.

A Amazon também está experimentando o Prime Now (um serviço CPG para clientes urbanos, que entrega bens de consumo em duas horas) e o Amazon Dash (que permite que dispositivos conectados, como smartphones, aparelhos inteligentes e o assistente digital Alexa, solicitem e reordenem mercadorias de CPG por meio de reconhecimento de voz e comandos de toque único).

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Essas mudanças nos modelos de entrega, definiram a forma como a #mercadoria CPG está sendo comercializada. Cupons e programas de cartões de fidelidade são projetados com usuários finais móveis em mente e iniciativas de marketing são omnicanal (estratégia de conteúdo entre canais que as organizações usam para melhorar sua experiência de usuário), proporcionando ao cliente uma experiência de compra perfeita para produtos comprados com frequência.

Diversos fornecedores, incluindo Oracle, SAP e Siebel Systems, oferecem aos profissionais de #marketing programas de software para facilitar o marketing de CPG. Geralmente, o software ajuda esses profissionais a unir dados de vários fluxos, melhorar os esforços de segmentação geográfica e responder de maneira oportuna às mudanças demográficas.

3 – COMO AS GRANDES MARCAS CPG ESTÃO ALCANÇANDO A TRANSPARÊNCIA

Os consumidores millennials estão moldando as tendências do mercado, levando as marcas a adotarem uma abordagem diferente para o marketing. Para competir e atrair esses consumidores, as marcas precisam se preparar e se adaptar às atitudes e comportamentos milenares. Sendo assim, precisam saber onde eles compram, como pesquisam produtos e quais selecionam.

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A maioria dos consumidores #millennials não está interessada em marcas que só se preocupam com seus resultados. Eles migram para marcas que atendem a um propósito maior, que abordam questões socioeconômicas e ambientais em sua comunidade e no mundo, e fazem com que sintam que cada vez que compram um produto, estão contribuindo para algo importante.

A geração do milênio não é apenas a maior, mas é também a primeira a realmente levar as #marcas a pensarem em como elas se conectam com seus clientes. E como os #ConsumidoresMillennials são muito experientes em tecnologia, o cenário digital apresenta novas oportunidades para as marcas de CPG os alcançarem e se envolverem com eles.

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À medida que os consumidores millennials começam a redefinir o termo “saudável”, é mais provável que busquem e comprem produtos que contenham rótulos como não-OGM, Orgânicos Certificados e sem hormônios. Eles querem entender o que está incluído nos alimentos que estão consumindo e esperam encontrar essas informações nas embalagens dos produtos.

A Hellmann’s, por exemplo, respondeu a essa chamada anunciando que todos os seus produtos, incluindo maionese, molhos e compotas, agora são feitos exclusivamente com ovos sem gaiola (produção de ovos de galinhas, livres de gaiolas) e lembraram aos #consumidores dessa transição, por meio da rotulagem nos produtos.

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Além do acesso a informações sobre ingredientes por meio dos rótulos nos produtos, os consumidores da #GeraçãoMilenar também querem saber como os #produtos são adquiridos e se são obtidos de maneira responsável.

A sustentabilidade é uma área que apresenta uma grande oportunidade para as marcas da CPG alcançarem e engajarem a geração do milênio. É também um importante impulsionador de compras, já que a sustentabilidade se tornou uma prioridade de compras para esse público-alvo. E, como indicam tendências crescentes, os consumidores millennials são atraídos por marcas que compartilham esses valores.

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Agora, empresas se preocupam em adicionar uma página de responsabilidade social ao seu site, detalhando sua política com relação ao fornecimento ético e também descrevendo o código de conduta que a marca exige que seus #fornecedores sigam.

Muitas marcas estão capitalizando essa mudança de comportamento, adotando práticas sustentáveis e concentrando suas mensagens de marketing para reforçar seu compromisso de ajudar – e não prejudicar – o meio ambiente. A Coca-Cola, por exemplo, prometeu coletar e reciclar 100% das embalagens que vende até 2030. Isso respalda a meta de proteger a terra, reduzindo a quantidade de resíduos plásticos que afetam o meio ambiente natural.

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A Unilever também está indo nesse sentido, ao lançar uma nova marca de salgadinhosorgânicos à base de vegetais, que ajudará a financiar iniciativas de agricultura urbana.

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Outras áreas de engajamento da geração do milênio são a filantropia e o voluntariado. Em um nível pessoal, eles estão se tornando mais engajados em causas sociais e estão buscando marcas que compartilham seu foco.

Quando se trata de autenticidade nas alegações da posição de uma empresa sobre questões ambientais ou sociais, geralmente os consumidores millennials buscam fazer pesquisas para garantir que a #marca seja genuína.

A Tide, por exemplo, é uma marca que encontrou grande popularidade entre os consumidores millennials devido, em parte, a seus esforços filantrópicos, para fornecer a transparência que esses consumidores desejam. Por meio de seu programa “Cargas de Esperança”, a marca de detergentes se oferece para fornecer serviços gratuitos de lavanderia para as vítimas em áreas afetadas por desastres, incluindo tornados, furacões e incêndios florestais na Califórnia.

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A Tide, não apenas coloca ação real por trás das palavras, mas também dedica uma página em seu website para que os visitantes aprendam mais sobre o programa, bem como participem de doações de dinheiro ou de roupas.

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Muitas marcas da CPG têm apoiado causas sociais e ambientais ao longo dos anos, mas essa demanda por transparência – especialmente da geração do milênio – está fazendo com que elas mudem sua abordagem. A fim de atrair novos consumidores e engajar os já existentes, as marcas devem estar dispostas a dar a eles uma visão dos bastidores sobre como estão sendo fabricados seus produtos, como também, mostrar seus esforços para fazer #negócios de maneira ética e responsável.

4 – CONCLUSÃO

Os mercados tiveram que evoluir para atender às necessidades dos consumidores millennials, e as empresas de bens de consumo embalados (CPG) não são exceções. A geração milenar busca marcas que tenham como política a transparência necessária para tornar o mundo cada vez melhor, que comercializem produtos de qualidade que não agridem o meio ambiente e que sejam comprometidas com ações filantrópicas. Isso vem causando mudanças positivas nas estratégias de marketing e até mesmo no foco corporativo de vários setores comerciais. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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OS BENEFÍCIOS DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) PARA VAREJISTAS E CONSUMIDORES

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O setor varejista tem visto uma enorme mudança em sua base de operações nos últimos tempos, com muitas grandes #marcas optando por reduzir o número de ofertas no local físico, em favor do serviço online. A razão para isso é simples, os consumidores agora buscam o caminho de menor resistência quando fazem suas compras, e isso é melhor atendido pela internet. Assim, para os varejistas permanecerem viáveis, eles precisam se alinhar às expectativas dos seus cliente e agir de acordo ou arriscar perder a lealdade deles. Para tornar isso uma realidade, é essencial que os varejistas adotem o uso de tecnologias em expansão, como por exemplo a Inteligência Artificial (IA). Abaixo estão algumas das maneiras pelas quais a IA está transformando o varejo.

1 – A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (IA) NO VAREJO É MAIS QUE UMA TENDÊNCIA

A Inteligência Artificial (IA) não é apenas um “chavão” ou a última tendência no varejo. Ela está sendo aplicada em todo o processo de varejo, inclusive em áreas que podem melhorar as relações entre #fornecedores e varejistas e, assim, atender às expectativas dos consumidores.

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Quando usada no varejo, a Inteligência Artificial (IA) pode aprender com os hábitos dos consumidores e usar essas informações para melhor prever e segmentar o que eles querem. Como resultado, os varejistas podem trabalhar de perto com os fornecedores para, efetivamente, comercializar e gerenciar o estoque.

Mais varejistas estão aproveitando o poder da Inteligência Artificial (IA) para economizar custos, aumentar a produtividade e a receita. A Business Insider prevê que os varejistas gastarão US $ 5 bilhões em Inteligência Artificial (IA) até 2022, enquanto a meta é aumentar a lucratividade no varejo e atacado em quase 60% até 2035.

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Além disso, o uso da Inteligência Artificial (IA) no setor varejista mostra o seu maior potencial em três áreas principais: personalização, pesquisa e chatbots (programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas, de tal forma, que as pessoas tenham a impressão de estarem conversando com outra pessoa e não com um programa de computador). Ambos, sendo aperfeiçoados coletivamente, contribuem para otimizar o processo de compra e venda.

Usando essa tecnologia, os varejistas podem avaliar com eficiência as demandas e as tendências de mudança, com base nos dados colhidos dos consumidores, e agir de acordo. Feito corretamente, aumentará a transparência; otimizará as operações comerciais e melhorará a lucratividade. Para saber sobre o que realmente pensam os consumidores sobre a Inteligência Artificial (IA), clique aqui para ler nosso artigo.

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2 – BENEFÍCIOS GERADOS PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

2.1. Previsão de demanda

Isso é importante para fornecedores e varejistas, permitindo uma previsão avançada e precisa do comportamento dos consumidores. De acordo com uma pesquisa recente, 34% dos líderes da cadeia de fornecimento de #varejo indicaram que um dos principais desafios da cadeia de fornecimento é a falta de precisão do comportamento dos consumidores. Isso se deve em parte, às tecnologias anteriores que não levaram em conta vários fatores, como os atributos do consumidor, para prever com precisão a demanda.

inteligência-artificial-varejistas-consumidoresA Inteligência Artificial (IA) pode fornecer suporte nessa área por meio do Aprendizado de Máquina (AM), que é um ramo da Inteligência Artificial (IA) ​​que coleta grandes conjuntos de dados para identificar padrões que podem ser usados ​​na previsão de tendências e comportamentos de consumidores.

Na verdade, o #AprendizadoDeMáquina (AM) permite aos varejistas a previsão contínua e os ajustes necessários, com base na análise de dados históricos e em tempo real, possibilitando antecipar e atender as demandas dos consumidores.

2.2. Otimizar o gerenciamento de estoque

Uma vez que os varejistas e #fornecedores obtenham um melhor entendimento da demanda dos consumidores, eles devem garantir que os produtos permaneçam em estoque – especialmente os produtos certos – para gerar vendas e satisfação.

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A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar, impulsionando o gerenciamento de estoque em tempo real. Este avanço não apenas aumenta a produtividade da cadeia de suprimentos, mas pode maximizar a eficiência do estoque e reduzir o seu esgotamento. Com o gerenciamento aprimorado de estoques, os fornecedores podem apoiar melhor as iniciativas de varejo, o que levará a melhores relações entre as duas partes.

A Coca-Cola integrou a Inteligência Artificial (IA) no seu gerenciamento da cadeia de suprimentos, automatizando todos os distribuidores, permitindo em tempo real, a identificação da quantidade de garrafas em exposição, e também, diferenciar seus tamanhos e variedades. De acordo com o diretor de informações da empresa, com 16 milhões de expositores em todo o mundo, a Inteligência Artificial (IA) ajudará a otimizar o gerenciamento e as vendas de #estoque e apoiará o crescimento em escala global.

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2.3. Melhorar as estratégias de comunicação e vendas

Os #consumidores usam vários canais para comprar produtos, incluindo sites, mercados on-line, lojas e muito mais, o que torna difícil aos varejistas atenderem seus pedidos, com a exatidão de 100%.

O desafio é que os consumidores não estão cientes da enorme operação de atendimento omnicanal (vários canais de comunicação e recursos de suporte, projetados e sincronizados, usados para melhorar a experiência de compra dos consumidores) que acontece quando eles fazem uma compra.

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Quer façam compras on-line ou na loja física, os consumidores esperam disponibilidade imediata, transporte rápido e uma experiência de compra perfeita. Deixar de atender às suas expectativas pode levar os varejistas à perda de #vendas e à diminuição da lealdade, gerando um efeito prejudicial até na relação fornecedor-varejista. Daí, que para superar esses desafios, os varejistas devem implementar estratégias, e uma delas é o uso da Inteligência Artificial (IA), que pode ser favorável das seguintes maneiras:

  • Minimizar o custo para servir, enquanto atende às expectativas;
  • Simular fluxos de fornecimento e atendimento para apoiar a tomada de decisão;
  • Maximizar a capacidade de atendimento omnicanal;
  • Utilizar o estoque em seu ponto de preço mais lucrativo;
  • Fazer ajustes dinâmicos na sua rede de atendimento;

O Walmart está utilizando um robô com tecnologia IA, chamado Alphabot, que recupera itens dos pedidos de #compras dos consumidores. Trata-se de uma #tecnologia automatizada, que já foi instalada em um super-centro em Salem, New Hampshire.

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Esse experimento ajudará a determinar como sistemas similares podem acelerar o cumprimento dos pedidos dos clientes. Em última análise, o objetivo é satisfazer o #consumidor – e a integração da Inteligência Artificial (IA) ​​pode ajudar, tornando o processo de atendimento mais eficiente.

2.4. . Otimização da jornada de compra

No e-commerce, particularmente nos grandes mercados on-line, a jornada de compra pode ser um desafio para os consumidores. Uma pesquisa simples num site de vendas pode não produzir o resultado desejado por um consumidor, fazendo com que ele feche aquela página e  passe para o próximo site.

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Isso, geralmente ocorre quando um #varejista dispõe de uma equipe que classifica, filtra e padroniza manualmente as informações dos produto em um catálogo, junto com uma variedade de imagens, o que pode levar a erros de classificação, afetando a forma como os consumidores encontram itens e consequentemente afetando as vendas.

Mas, feito corretamente, pode aumentar a personalização; melhorar a experiência do #consumidor durante o procedimento de compra e ajudar a aumentar as taxas de conversão. A Inteligência Artificial (IA) pode ajudar nesse processo de vária maneiras.
Um dos usos mais notáveis ​​é através do Natural Language Processing (NLP), um tipo de inteligência artificial que melhora os resultados da pesquisa no site, mapeando itens para palavras e frases de conversão.

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A integração da NLP em um site de #ComércioEletrônico pode melhorar os resultados de pesquisa para os consumidores; fornecer acesso a mais dados e recomendações personalizadas com base no histórico de pesquisas anteriores. Esse nível de otimização é benéfico, tanto para os varejistas como para os consumidores, o que provavelmente terá um efeito positivo no relacionamento entre ambos.

3 -EXEMPLOS DE USO DA IA NO VAREJO

O Alibaba incorporou o conceito Fashion-IA em seu novo modelo de varejo, no qual espera conectar o comércio off-line e online, por meio do uso de dados e inteligência artificial (IA).
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O gigante do comércio eletrônico, Alibaba Group Holding, e a marca de estilo de vida, Guess, mostraram um novo conceito de Inteligência Artificial (IA) para futuras lojas de moda, enquanto os varejistas incorporam essa tecnologia às compras off-line para melhorar a experiência do cliente e impulsionar as vendas.

Uma loja de artigos de moda, que exibe a tecnologia Inteligência Artificial (IA), foi criada no campus da Universidade Politécnica de Hong Kong. Dentro da loja, cada item, seja um vestido ou um par de sapatos, vem com uma etiqueta RFID (Identificação por radiofrequência). Quando um cliente pega um produto, o espelho inteligente mais próximo ao usuário, registra a tag e exibe uma imagem do item, bem como os detalhes do produto na tela.

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O espelho inteligente também pode fornecer sugestões de combinação e correspondência para itens na loja e sugestões de estilo, com base em compras anteriores feitas pelo usuário.

Os clientes da loja também podem selecionar as roupas que gostariam de experimentar, que serão preparadas para eles no provador. Os provadores também estão equipados com espelhos inteligentes que permitem aos usuários escolher um tamanho diferente ou até mesmo novos itens para experimentar, sem sair do local.

Depois de decidir quais itens comprar, o processo de pagamento pode ser concluído em seus smartphones, através do aplicativo Taobao.

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“Em parceria com a Alibaba, líder de tecnologia dominante, estamos mudando a experiência de varejo, à medida que nossos #clientes também evoluem. É importante investir continuamente em novas tecnologias e plataformas. Na Guess, acreditamos na necessidade de inovar em tempo real. Este é o futuro do varejo ”, disse José Blanco, executivo-chefe da Guess, na Grande China.

Através da implantação desse sistema Fashion-IA, os clientes também podem escolher frutos do mar frescos no Hema e ter chefs preparando-os no local para uma refeição.

Outros, como a varejista on-line JD.com, seguiram o exemplo, lançando supermercados da New Retail, como a linha de lojas de alimentos frescos 7Fresh, semelhante à Hema. O 7Fresh lojas, também vêm com carrinhos inteligentes que podem orientar os compradores para os corredores desejados.

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Na Tailândia, a Pomelo Fashion, com sede em Bangcoc, também quer abrir sua primeira loja de micro-varejo em Cingapura, onde os compradores podem restringir as opções de produtos on-line e enviar suas peças escolhidas para um provador físico, e lá experimentar. A gigante do e-commerce Amazon, sediada em Seattle, também se mudou para integrar suas várias ofertas online à sua rede de lojas Whole Foods nos EUA.

4 – CONCLUSÃO

À medida que os consumidores começam a buscar uma experiência de varejo mais rica, com facilidades de acesso online, eles passam a descartar os métodos tradicionais. Sendo assim, quanto mais cedo as empresas de varejo entenderem isso, mais cedo elas conseguirão aumentar as taxas de lucratividade e retenção.  Uma das formas, é fazer uso da tecnologia de Inteligência Artificial (IA), que surge como uma solução viável para otimizar a jornada de compras online e produzir resultados mensuráveis, além de melhorar significativamente suas relações com os consumidores. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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USO DO “BLOCKCHAIN” MELHORA A TRANSPARÊNCIA NO VAREJO

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A mudança mais significativa do avanço tecnológico é a crescente demanda por máxima transparência em todas as fases do varejo. Ao investir na tecnologia blockchain, as empresas varejistas estão fornecendo as informações que os consumidores desejam, como qualidade, segurança, ética, impacto ambiental e muito mais. Isso, acaba promovendo relacionamentos mais fortes e mais autênticos, entre varejistas e clientes, melhorando a experiência de compra.

1 – O QUE É A TECNOLOGIA BLOCKCHAIN?

O blockchain é, nos mais simples termos, uma série de registros de #dados (informações) imutáveis que são gerenciados por grupos de #computadores que não pertencem a qualquer entidade. Utilizando princípios criptográficos, cada um destes blocos de dados são seguros e ligados uns aos outros, formando uma grande rede de informações.

blockchain-transparência-no-varejoA rede blockchain não tem autoridade central – ela é a própria definição de um sistema democratizado, já que as informações registradas são imutáveis e podem ser compartilhadas, ou seja,  estão disponibilizadas para qualquer pessoa e todos podem ver. Portanto, tudo o que é construído no #blockchain é, por sua própria natureza, transparente e todos os envolvidos são responsáveis por suas ações.

O blockchain é uma maneira simples, porém engenhosa, de passar informações de A para B, de forma totalmente automatizada e segura. Uma parte de uma transação inicia o processo criando um bloco. Esse bloco é verificado por milhares, talvez milhões de computadores distribuídos pela rede.

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O bloco verificado é adicionado a uma cadeia, que é armazenado na rede, criando um registro exclusivo. Falsificar um único registro, significaria falsificar toda a cadeia em milhões de instâncias. Isso é virtualmente impossível. O #bitcoin usa essa tecnologia para transações monetárias, mas pode ser implantada em muitos outros setores, incluindo o varejista. (O Bitcoin e suas implicações para o consumidor – Leia este artigo, clicando aqui).

A razão pela qual o blockchain ganhou tanta admiração no mercado, é que ele não pertence a uma única entidade;  ele é descentralizado; nele, os dados são armazenados criptograficamente; ele é imutável, já que ninguém pode alterar os #dados lá inseridos; ele é transparente, já que qualquer pessoa pode ter acesso às #informações nele existentes.

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Uma cadeia de suprimentos engloba todas as etapas do ciclo de vida de um produto, desde a  sua produção até a entrega ao #consumidor final. Fazem parte dessas etapas: os fornecedores de matéria prima; os fabricantes; os distribuidores; os varejistas e os consumidores. O recente aumento do #consumismo ético e o interesse pelas origens dos produtos estão frequentemente em desacordo com o desenvolvimento da cadeia de suprimentos, que vem se tornando cada vez mais complexa, e difícil de ser acompanhada pelos consumidores. Mas, através do blockchain é possível suprir essa falha, já que ele permite aos #consumidores rastrearem as #mercadorias em todas as fases da cadeia de suprimentos, desde as matérias-primas utilizadas na produção até a chegada do produto na prateleira.

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É o caso de um #supermercado que vende bolo de banana. Os dados do blockchain incluem informações sobre os ingredientes utilizados na sua fabricação. Isso, permite ao consumidor identificar se os #fabricantes estão usando banana e açúcar orgânicos; se os alérgenos (substâncias de origem natural, que provocam uma reação exagerada do sistema imunológico e causam a inflamação) foram incluídos e, também, se os ingredientes estavam frescos.

Essas informações não só podem adicionar um novo nível de confiança no relacionamento entre empresas e consumidores, como também, um registro digital inalterável de cada estágio do processo da cadeia de suprimentos, o que ajudará a garantir autenticidade, segurança e reduzir o risco de falsificação. Daí, muitas #empresas já estarem oferecendo a tecnologia blockchain com o fim de ajudar o consumidor a rastrear a cadeia de suprimentos, tornando o processo completamente mais seguro e sem necessidade do uso de registros em papel.

2 – USO DO BLOCKCHAIN NO SETOR VAREJISTA

Embora o setor financeiro venha, há anos, utilizado com sucesso o blockchain, é no setor #varejista que essa tecnologia promete muitos benefícios. Experimentos recentes com o blockchain, feitos por grandes varejistas, como Walmart, Amazon e Alibaba, identificou muitas possibilidades dessa #tecnologia resolver os antigos desafios do setor de varejo, como ajudar as empresas a melhorar a forma de armazenar informações sobre seus fornecedores; facilitar a execução de pagamentos e contratos e até mesmo reforçar a autenticidade do produto, para evitar a falsificação de mercadorias.

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Como as vendas no varejo estão cada vez mais online, os varejistas estão buscando fazer uso do blockchain, desde o gerenciamento da cadeia de suprimentos até a melhoria dos programas de fidelidade do cliente. A seguir, estão quatro benefícios garantidos com o uso do blockchain no varejo.

2.1. Impedir o comércio de produtos falsificados

Em 2017, as perdas no #varejo mundial, devido às fraudes, foram estimadas em US $ 23 bilhões. Os varejistas do setor de bens de #consumo de luxo, são os mais vulneráveis a fraudes, com uma média de 20 a 30% de prejuízos, devido às suas margens de lucro, excepcionalmente altas.

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Com os falsificadores e a fraude no varejo em ascensão em todo o mundo, a tecnologia blockchain oferece às empresas uma maneira de atribuir um código criptografado para cada #produto e permitir que seus #clientes acessem, com total segurança, todo o histórico desse produto: do #fabricante ao consumidor final.

A IBM desenvolveu recentemente a TrustChain, um blockchain que prova a autenticidade das joias,  ao permitir que os consumidores acompanhem todos os passos da cadeia de fornecimento, da mina à loja.

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2.2. Rastrear o produto em todas as fases da cadeia de suprimentos

A capacidade de rastrear produtos através da cadeia de suprimentos é um dos usos mais populares da tecnologia blockchain no varejo até hoje. Além de ajudar a verificar a origem e eliminar os produtos falsificados, também está causando impacto na segurança alimentar.

A Walmart é pioneira no uso da tecnologia blockchain na cadeia de fornecimento de alimentos para reduzir o desperdício, reduzir os tempos de rastreamento e melhorar o gerenciamento e a transparência da contaminação. Essa gigante do varejo registrou várias patentes relacionadas à tecnologia blockchain, incluindo uma para um sistema “Smart Package”, ou dispositivos que contêm informações sobre o conteúdo de um pacote, suas condições ambientais, sua localização e muito mais.

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A empresa Starbucks também está explorando a tecnologia blockchain com programas piloto na Colômbia, Costa Rica e Ruanda que ajudam a rastrear seu café e #compartilhar informações, em tempo real, sobre sua cadeia de suprimentos.

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A grande rede de supermercados francesa Carrefour também lançou o primeiro “blockchain de alimentos” da Europa, que usa a tecnologia para rastrear suas linhas de #produtos animais e vegetais. Os consumidores poderão digitalizar um código QR com seus smartphones e visualizar toda a jornada de um #produto até a prateleira.

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Espera-se que o #mercado de tecnologia de rastreabilidade de alimentos continue crescendo a 7,15% anualmente e atinja os 20,95 bilhões de dólares em 2026. À medida que os consumidores se preocupam mais com a origem dos produtos, varejistas de todas as #indústrias adotam práticas mais éticas de suprimento e usam blockchain para fornecer mais transparência em suas cadeias de suprimentos.

2.3. Permitir o pagamento com moedas criptografadas

Em 2014, a Overstock tornou-se um dos primeiros varejistas online a aceitar pagamentos com Bitcoin. Hoje, varejistas on-line de todos os tamanhos começaram a aceitar #moedas criptografadas como uma das forma de pagamento. No entanto, ainda vai levar algum tempo para que as carteiras digitais e os pagamentos com #criptomoeda alcancem posição de predominância no varejo.

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A grande maioria dos varejistas on-line ainda prefere oferecer métodos tradicionais de pagamento, principalmente devido às drásticas flutuações nos valores de criptomoeda, enquanto outros consideram a sua implantação muito complicada. No entanto, isso também significa que o espaço de pagamentos online ainda está praticamente inexplorado.

Os varejistas que estiverem dispostos a experimentar pagamentos com criptomoeda, podem aproveitar um fluxo de receita adicional e alcançar mais clientes em todo o mundo. Além disso, a tecnologia blockchain também fornece aos varejistas mais controle sobre como eles distribuem cupons ou descontos e como os clientes os resgatam. A Mastercard, por exemplo, registrou uma patente para um sistema que usa a tecnologia blockchain para autenticar cupons. O sistema fornece uma maneira para os varejistas reduzirem a fraude de cupons e emitir descontos altamente direcionados, de maneira mais eficaz.

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De todos os usos atuais da tecnologia blockchain, a capacidade de ajudar os varejistas a simplificar os #pagamentos on-line e reduzir as fraudes é uma das mais promissoras.

2.4. Garantir segurança no uso dos programas de fidelidade

Da coleta de pontos de supermercado a milhas aéreas, os programas de fidelidade e recompensa são uma forma fundamental dos varejistas engajarem seus clientes e se manterem competitivos. No ano passado, apenas nos EUA, havia 3,8 bilhões de usuários de programas de fidelidade de consumidores. A American Express também está experimentando a tecnologia blockchain para renovar seu programa de recompensas por fidelidade.

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Os programas existentes costumam ser propensos a uso incorreto ou fraude e podem causar uma série de desafios e prejuízos para os varejistas, se não forem implementados ou mantidos corretamente. Do lado do consumidor, muitos usuários (57%) sentem-se insatisfeitos com os programas de fidelidade ou os abandonam rapidamente, principalmente porque acham o processo de inscrição excessivamente complicado ou porque demoram demais para ganhar pontos.

O blockchain está lidando com vários desses problemas, oferecendo novas maneiras de gerenciar, proteger e, por fim, centralizar os dados do programa de fidelidade. Ele não só permite o resgate seguro e imediato de pontos de recompensa de fidelidade, mas também simplifica o desenvolvimento e a troca de pontos entre varejistas e programas. Com um banco de dados de transações à prova de adulterações e com registro de data e hora, os varejistas podem proteger e rastrear transações de programas de fidelidade, de maneira fácil e transparente. Em última análise, isso pode reduzir os custos associados a programas complexos de fidelidade e evitar erros e fraudes.

2.5. Permitir o uso dos Contratos inteligentes

O Blockchain permite o uso dos chamados contratos inteligentes, que ajudam a facilitar as dificuldades associadas à cobrança e ao cumprimento das estruturas de transação tradicionais. Por exemplo, coleta e pagamento instantâneos; reembolsos automatizados; liquidação de seguro automatizada e pagamento, e assim por diante.

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Enfim, o potencial no setor varejista é notavelmente evidente, à medida que o uso do  blockchain continua a ganhar a confiança de grandes empresas em todo o mundo, o que fará aumentar a demanda por essa tecnologia nos próximos anos.

3 – CONCLUSÃO

Todo mundo está falando sobre blockchain nos dias de hoje, e alguns até o rotularam como a próxima tecnologia disruptiva que mudará fundamentalmente o setor de varejo. No entanto, muitos varejistas ainda não tomaram as medidas necessárias para entender como essa tecnologia pode ajudar seus negócios e o que será necessário para adotá-lo em toda a sua extensão.

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Estudos sugerem que o público em geral aceitará completamente essa nova tecnologia até 2025. Isso torna ainda mais necessário usá-lo nos diversos setores industriais. Um desses setores proeminentes é o setor de varejo, que está em plena expansão, devido às #compras online.

O blockchain oferece aos varejistas a oportunidade de aumentar a eficiência, manter a autenticidade dos produtos, criar confiança com os clientes, minimizar a burocracia e aumentar a transparência em todas as fases da cadeia de suprimentos. Já, aos consumidores oferece possibilidades voltadas para melhorar a experiência de compra. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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CONSUMIDORES “NÃO USUÁRIOS” NAS COMUNIDADES DE MARCA

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Existe uma infinidade de pesquisas sobre as Comunidades de Marca e seus membros, formados, geralmente, por aqueles consumidores que estão ligados diretamente à marca, em decorrência do uso regular de um produto. Todavia, pouco se fala sobre aqueles consumidores que fazem parte dessas comunidades, sem jamais terem consumido o produto em questão. Ao olhar para eles, este artigo procura analisar e  responder às seguintes perguntas: Por que um consumidor “não usuário” de um produto, pode  ficar tão envolvido e investido em uma marca, sem qualquer apego ou experiência direta com ela? Quais são os motivos subjacentes para esses consumidores se engajarem e se comprometerem com as Comunidades de Marca?”

1 – AS COMUNIDADES DE MARCA

As marcas estão se tornando cada vez mais importantes no dia a dia dos consumidores. No passado, elas eram apenas um puro símbolo de qualidade, mas hoje, são, em grande medida, usadas como forma de expressão, de status, de exclusividade. (Leia aqui o artigo sobre este tema)

A forma como os admiradores e defensores de uma #marca se envolvem com ela, faz surgir as Comunidades de Marca. É neste ambiente que eles conseguem se conectar e se identificar uns com os outros; onde postam itens relacionados aos produtos da marca, que eles consomem ou usam. Por exemplo, eles escrevem sobre sua experiência de voar com uma companhia aérea ou sobre o uso de um novo produto lançado no mercado. Além de, simplesmente, escrever e compartilhar sua experiência de marca, esses #consumidores também usam aquele espaço para buscar das empresas, as informações do seu interesse.

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Grandes empresas corporativas estão levando a palavra comunidade bastante a sério e não é difícil adivinhar o porquê. Para as empresas, ter uma Comunidade de Marca online, onde as pessoas têm algo em comum, é muito positivo, já que elas podem usa-la como instrumento para interagir com seus clientes. É por esses e outros motivos que, hoje, as comunidades e as marcas andam juntas.

2 – EXEMPLOS EXCEPCIONAIS DE COMUNIDADES DE MARCA

Uma Comunidade de Marcas, ativa e engajada, pode impulsionar a inovação, aumentar receitas e assegurar a fidelidade do cliente. Daí muitas empresas estarem, cada vez mais, intensificado seus esforços para envolver os consumidores e construir #ComunidadesDeMarca de sucesso, como essas abaixo relacionadas:

2.1. A Rede da Comunidade SAP (SCN)

Com mais de 2,5 milhões de membros engajados, o SCN tem sido chamado de “o uso mais extensivo até hoje das mídias sociais por uma corporação”, por Richard Adler, do Instituto Aspen. A SAP Community Network é a comunidade de usuários oficiais do SAP SE. Usuários, desenvolvedores, consultores, mentores e estudantes de software SAP usam a SAP Community Network para obter ajuda, compartilhar ideias, aprender, inovar e se conectar com outras pessoas.

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Os membros dessa Comunidade de Marca vão desde grandes multinacionais, como Disney e Bose, até inúmeras pequenas e médias empresas, todas capazes de se conectarem e se beneficiarem mutuamente através do SCN. O verdadeiro sucesso dessa comunidades reside no fato de que muitos membros são altamente engajados e dispostos a contribuir com tempo e experiência para aumentar a força da rede. A comunidade é enorme, diversificada e altamente engajada. Os usuários ganham reputação pelas contribuições da comunidade e há muitos incentivos para os usuários continuarem envolvidos.

2.2. Comunidade Playstation (Sony)

A Comunidade Playstation fez um trabalho excepcional em fornecer um espaço on-line para os jogadores se conectarem. Estes podem se concentrar em seus interesses específicos, seja por jogo ou por suporte de que precisam. Isso deixa claro que a comunidade atende aos pilares de feedback, defesa e suporte.

comunidades-de-marcaEssa comunidade está intimamente ligada aos canais de mídia social, como no #YouTube e no Twitter, sendo uma das suas grandes forças a criação de conteúdo gerado pelo usuário, acrescida ainda da possibilidade dos seus integrantes  fazerem upload de clipes no jogo ,diretamente on-line por meio dos novos recursos no console PS4. A comunidade garante capacidade e escalabilidade virtualmente ilimitadas em conteúdo gerado pelo usuário, que entretém e agrega valor na conscientização e nos pontos de contato do consumidor.

2.3. BeingGirl

A Comunidade de Marca da BeingGirl é voltada para meninas adolescentes e tem como finalidade, fornecer informações e conselhos a elas sobre questões relacionadas à adolescência, como menstruação, distúrbios alimentares, acne e namoro.

comunidades-de-marcaA BeingGirl foi expandida para 46 países, permitindo que garotas em todo o mundo se relacionem umas com as outras nos testes de crescimento. A comunidade tem alcance global e fidelidade à marca entre clientes em potencial.

2.4. Figment 

A comunidade de marca da Figment atende a adolescentes que gostam de ler e escrever Fan fiction. A Figment tem mais de 300.000 membros que podem compartilhar, criar e moderar conteúdo, além de criar reconhecimento, recomendando produtos.

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Indivíduos altamente engajados tornam-se defensores da marca, dando opiniões sinceras e sérias sobre os produtos de que gostam e isso preenche múltiplos pontos de contato para outros membros da comunidade. Ele mostra como todas as marcas voltadas para o consumidor podem gerar engajamento com a comunidade, concentrando-se em nichos específicos e altamente engajados em seus públicos. O foco do laser é um nicho de público-alvo da marca, que garante altos níveis de engajamento e uma fantástica experiência mútua na comunidade.

2.5. H & R Block

A H & R Block criou uma comunidade que conecta os usuários a um profissional de impostos para respostas rápidas a perguntas relacionadas a impostos, por meio da seção “Como obter respostas”.

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A verdadeira força dessa Comunidade de Marca está em conectar os usuários, permitindo que eles aprendam e compartilhem suas experiências com outras pessoas, integrantes do grupo. Essa comunidade já respondeu a 1 milhão de perguntas, gerando um aumento de 15% nos negócios. Trata-se de uma comunidade que adiciona valor genuíno e altamente útil à vida dos consumidores. 

2.6. Harley-Davidson

A Harley-Davidson tem uma comunidade especial. Os entusiastas da Harley-Davidson compartilham mais do que sua lealdade a uma marca. Para eles, representa um modo de vida, uma cultura e é algo que pode ser encontrado em todo o mundo. Desde a década de 1980, a Harley-Davidson tem desenvolvido, diligentemente, uma comunidade baseada no compartilhamento de estilo de vida, gosto e admiração.

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Essa comunidade nasceu como uma forma dos consumidores, altamente apaixonados pela marca, se conectarem e interagirem on-line. Com mais de 1 milhão de membros ativos, a força dessa comunidade reside na qualidade de seus integrantes apaixonados, que ela tenta promover e servir. Sem dúvida, trata-se de uma comunidade incrivelmente forte e apaixonada, que se estende além da comunidade online. Ela atua como um conector para entusiastas em todo o mundo.

2.7. Lugnet 

A Lugnet é a maior comunidade não oficial de fãs da Lego. Ela é composta principalmente por homens adultos, que constroem projetos elaborados Lego, compartilhando notícias e imagens de suas criações.

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Como um grupo focado e de nicho de usuários, a comunidade Lugnet foi até reconhecida pela marca Lego como sendo uma valiosa fonte de informação. A Lugnet oferece insights incrivelmente valiosos em hardware, software, design, usabilidade e feedback que informa o desenvolvimento de produtos, marketing e muito mais. Uma comunidade altamente entusiasta e capaz, que é receptiva a trabalhar de perto com a marca para fornecer uma fonte de feedback que possa informar as decisões de produtos e negócios.

2.8. Starbucks Idea

A Starbucks Idea trabalha com o mesmo princípio da antiga “caixa de sugestões” de clientes para os mais de 150.000 membros da cadeia global de café. Nos últimos seis anos, sugestões dos membros da Comunidade de Marca Starbucks Idea levaram à implementação de quase 300 inovações – desde a gorjeta digital, limonada com chá verde de pêssego, até a capacidade imensamente popular de aproveitar o Wi-Fi gratuito.

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Seus clientes e parceiros apaixonados compartilham suas ideias na comunidade, permitindo à empresa agir com base em muitas inovações surpreendentes que dali surgem. A implementação real e o acompanhamento de ideias populares mostram que a marca ouve os consumidores, que inspiram níveis cada vez maiores de inovação e ideias. Um ativo real para a progressão contínua da marca.

2.9. Oracle 

A Comunidade Oracle conecta os milhões de usuários em todo o mundo que usam a plataforma, seja para fins pessoais ou empresariais. Ela permite que os usuários façam perguntas em fóruns dedicados e resolvam problemas juntos.

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Os membros podem compartilhar histórias pessoais, formar grupos independentes e até construir suas próprias redes e agendar reuniões. É um ótimo recurso técnico, que visa ajudar os usuários a resolver problemas de qualquer maneira que puderem. Muito popular entre o seu público-alvo.

2.10. Nordstrom

Enquanto muitas marcas se sentem confortáveis ​​em plataformas de mídia social como o #twitter ou #instagram, onde são capazes de manter um nível de controle do conteúdo em seus canais, a maioria parece relutante em abrir um canal no Reddit, adiando talvez a versão integral. A Nordstrom, no entanto, sentiu-se pronta para enfrentar o desafio, a primeira de uma marca de luxo.

comunidades-de-marcaA marca valoriza a genuína autenticidade, o que lhes dá coragem para facilitar a conversa aberta com os clientes através do Reddit. Todos os sinais iniciais apontam para que seja um movimento altamente positivo para a marca. Ao participar do Reddit, a Nordstrom se compromete com a genuína autenticidade, o foco no consumidor e os valores sociais, o que garante que o sentimento da marca tenha uma resposta altamente positiva. 

Ao se envolverem com os consumidores que integram suas Comunidades de Marca e fazem uso dos seus produtos, as empresas obtém sugestões ou ideias para melhorar a qualidade deles, especialmente porque ali os consumidores costumam compartilhar suas opiniões, positivas ou negativas, o que contribui, quando feito adequadamente, para construir um bom relacionamento, que levará à lealdade e à confiança. Portanto, manter um bom relacionamento com os consumidores dessas comunidade é tão importante quanto manter a imagem da marca.

3 – CONSUMIDORES “NÃO USUÁRIOS”

Para se tornar membro de uma Comunidade de Marca, o “consumo em si” não é necessariamente um requisito, daí ser possível a presença nessas comunidades de consumidores, que irei defini-los como “não usuários”. Estes, são aqueles que não têm qualquer experiência direta com a marca; que não fazem uso de produtos.

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Se não fazem uso dos produtos de uma marca, por que, então, integram a Comunidade de Marca? Qual é a motivação desse comportamento? Eles geram algum benefício para as empresas e para a marca, em si?

Para entendermos melhor esse fenômeno, é preciso ter uma noção inicial de que as marcas servem a outros propósitos, além de benefícios puramente funcionais, já que elas carregam significados sociais e simbólicos que são transmitidos aos consumidores. Daí a razão da maioria dos consumidores buscarem cercar-se de marcas que irão melhorar seu status social, sua autoimagem. Isso, inclui aqueles consumidores que não fazem uso dos produtos de uma marca. É o que acontece na Comunidade de Marca da Rolex.

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Os relógios Rolex são de altíssimo valor e têm o poder de gerar admiração e desejo nas pessoas, ao ponto de levá-las a comprar, por outras razões que não os  benefícios funcionais do objeto. Geralmente, os dois drivers de compra desse relógio, são a busca por status e a satisfação do ego. É o que se percebe claramente em sua Comunidade de Marca. Inclusive, a maioria dos seus membros, não são usuários dos relógios da marca Rolex. 

Não ser usuário e estar dentro dessa comunidade pode não ser muito chocante, considerando que, para se tornar um consumidor dessa marca, seria necessário fazer um alto investimento financeiro. Para os consumidores “não usuários”, o fato de serem membros da comunidade Rolex, expressa  o desejo deles de estarem ligados à marca, que irá lhe atribuir valor à sua imagem pessoal.

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É o que se constata nos seus comentários:

“O meu sonho, é ter um Rolex um dia”; “Terei um deste modelo, se um dia for magnata de Wall Street”; “Eu uso ouro como um investimento, por isso eu posso me ver usando um #rolex todos os dias!

Essas citações apresentadas ilustram o desejo deles de um dia se tornarem proprietários de um Rolex. A coisa interessante sobre a segunda citação é que o membro da comunidade faz uma distinção entre ele e o que ele considera os membros da comunidade. Isso talvez possa ser explicado pelo sentimento de não cumprir os requisitos de pertencer e, mais ainda, pelo desejo de um dia se tornar um deles.

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Outros comentários evidenciam que eles olham para a marca Rolex, atribuindo-lhe valores quase sacrossantos: “Se você aspirasse dominar o mundo, usaria um Rolex”; “É a melhor peça de tempo no mundo para manter um tempo preciso”.

Enfim, são comentário que ilustram o mais alto nível de admiração, vinculando a marca a sucesso, poder e riqueza. Isso acaba sendo positivo, tanto para o #consumidor “não usuário” que se sente realizado em ser membro da comunidade, como para a própria empresa, já que quanto mais elevado forem a confiança e o compromisso desses consumidores com a marca, mais empenhado eles estarão em promovê-la e defendê-la, abrindo oportunidades para o crescimento da comunidade e também da empresa, em si. 

4 – CONCLUSÃO

Recentemente, várias marcas têm intensificado seus esforços para envolver os consumidores e construir Comunidades de Marca. Cada uma dessas comunidades oferece diferentes oportunidades e incentivos para os consumidores participarem e se envolverem, o que acaba gerando para as empresas, não apenas maior alcance, mas também agregando valor a outros pontos, como incentivar conversões ou melhorar os relacionamentos existentes com os clientes.

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Como o “consumo em si” não é necessariamente um requisito para ser membro de uma Comunidade de Marca, é cada vez mais crescente a possibilidade de encontrarmos nelas, consumidores “não usuários” dos produtos da marca. Para entender esse fenômeno, nada melhor que analisar a Comunidade de Marca da Rolex. É neste ambiente onde estão concentrados, em grande quantidade, consumidores que não usam relógios Rolex, mas que têm a satisfação de defender e promover a marca. Talvez a motivação desses comportamentos não sejam as mesmas de integrantes de outras comunidades, mas uma coisa é certa, o mini-case da Rolex representa uma Comunidade de Marca que é em grande parte simbolizada pela extravagância e hedonismo, o que faz com que os seus membros busquem o engajamento com a marca com o fim de melhorar suas habilidades sociais. status e auto-imagem.

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Além disso, deve-se considerar que o que parece ser o maior impulsionador da lealdade e compromisso com a marca, na realidade é o desejo das pessoas de consumir, o desejo de possuir, que parece ser o que envolve os consumidores a participar ativamente. Este mini-case serve para provar que as empresas podem se beneficiar da criação de marcas desejáveis, porque mesmo assim o consumidor ou não consumidor, o engajamento e o comprometimento alimentam a prosperidade. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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PERSONALIDADE DE MARCA QUE ATRAI CONSUMIDORES

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No passado, as marcas representavam apenas um símbolo de qualidade. Hoje, elas possuem Personalidade de Marca, carregando significados sociais e valores que são transmitidos aos seus usuários. Por isso, os consumidores tendem a cercar-se de marcas que tenham ligação direta com a sua identidade; que irão lhe proporcionar status social;  melhorar a sua autoimagem e destacar o seu estilo de vida.

1 – O QUE É PERSONALIDADE DE MARCA?

A Personalidade de Marca refere-se à personificação da marca. É o conjunto de características ou traços humanos atribuídos à marca. Uma Personalidade de Marca passa a existir quando adjetivos humanos como exclusivos, sérios, engraçados, confiáveis, criativos, extravagantes, rebeldes, etc., são atribuídos a ela. É o conjunto de atributos com o qual o #consumidor pode se relacionar. Dessa maneira, uma #marca pode se tornar eficaz, aumentando seu valor de mercado, se tiver um conjunto consistente de características que um segmento de consumidor específico desfruta.

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A Personalidade de Marca não deve ser confundida com as imagens de uma empresa. Estas, são uma série de ativos criativos que comunicam os benefícios tangíveis de sua marca, ao contrário da #PersonalidadeDeMarca que cria diretamente uma associação emocional na mente de um grupo ideal de consumidores. Daí a importância das empresas definirem com precisão sua Personalidade de Marca para que ressoe no consumidor correto.

2 – TIPOS DE PERSONALIDADE DE MARCA

É a Personalidade de Marca que define a atitude da marca no mercado. É também o fator chave de qualquer campanha de #marketing bem sucedida. Existem 5 tipos de Personalidade de Marca. São elas:

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Para escolher a Personalidade de Marca, as empresas consideram esses cinco tipos de personalidade e selecionam aquela que deseja transmitir aos consumidores.

Se, por exemplo, uma nova #empresa de vestuário ao ar livre quiser entrar em ressonância com os consumidores, a tendência natural é criar uma personalidade de marca que seja “robusta”. No entanto, é possível que o concorrente da empresa já tenha se posicionado como a marca de roupas esportivas ao ar livre. Em vez disso, a nova empresa de vestuário pode posicionar-se exclusivamente na mente do cliente, adotando uma personalidade de marca de “sofisticação”. Isso diferencia a marca, como uma opção sofisticada e de alto nível para o vestuário de exterior, que atrai um tipo específico de consumidor.

A Dove, por exemplo, escolhe a “sinceridade” como sua personalidade de marca, para atrair #consumidores femininos. Marcas de luxo, como Michael Kors e Chanel, buscam a “sofisticação”. Sua personalidade de marca se concentra em um estilo de vida de classe alta, glamorosa e moderna, que atrai uma base de consumidores de alto consumo. REI, a loja de recreação ao ar livre, tem uma personalidade de marca “robusta”. Ela se concentra em inspirar seu público – que geralmente é gente ao ar livre e aventureira – a ser forte e resiliente.

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3 – EXEMPLOS DE PERSONALIDADE DE MARCA

Aqui estão alguns exemplos de marcas com Personalidades de Marca, prontas para uso:

3.1. Woodland

A Woodland adquiriu a Personalidade de Marca do tipo “robustez” – ar livre, áspero, resistente e atlético – o que a torna ideal e pronta para a personalidade de aventura por meio de seus produtos (botas pesadas – destinadas à aventura) e estratégias inteligentes de marketing. Eles também usam a cor verde, que representa a natureza, para construir uma personalidade de estar ao ar livre.

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3.2. MTV

A MTV tentou se posicionar, para ser diferente do habitual canal de vídeos musicais. Para isso, adotou a Personalidade de Marca do tipo “competência”. O conceito de VJs (sigla para ‘video jockey’) seguido por logos e slogans bacanas, como ‘Quero minha MTV’ e ‘MTV está aqui’, os ajudou a se destacar.

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3.3. Harley Davidson

A Harley Davidson tem a Personalidade de Marca do tipo “robustez” – rebelde – desde o começo. As campanhas promocionais (nomeando motocicletas como máquinas malvadas), o logotipo e o uso de cores brilhantes e dinâmicas os ajudaram a construir essa personalidade.

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3.4. Marlboro

A Marlboro sempre teve uma Personalidade de Marca do tipo “robustez” – dureza – por meio de suas diferentes estratégias de marketing, que incluíam “The Tattooed Man”, “Marlboro Cowboy” e “The Marlboro Man”.

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3.5. Rolex

A Rolex dispõe de Personalidade de Marca do tipo “sofisticação” com produtos altamente valiosos para um público exclusivamente seleto.

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4 – CONSUMIDORES EM BUSCA DE MARCAS QUE LHES PROPORCIONEM DESTAQUE,  STATUS E EXCLUSIVIDADE

A internet tem facilitado as empresas a entenderem individualmente os consumidores: o que compram, o que gostam, o que pretendem, seus anseios, desejos, etc. Isso, hoje em dia, vale ouro, já que tais informações lhes darão uma direção para definir com exatidão a Personalidade de Marca, que atrairá aquela classe específica de consumidores que lhes interessa.

As empresas sabem que em um mundo cada vez mais competitivo, com uma infinidade de informações sobre produtos colocados à venda, o consumidor tende a avaliar certos atributos do produto de maneira holística e não, caso a caso. Nessas circunstâncias, os fatores psicológicos, sociológicos e econômicos dos consumidores passaram a desempenhar papéis importantes no seu comportamento de escolha. E a grande maioria deles, busca produtos que lhes proporcionem destaque, status e exclusividade.

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Por exemplo, na atualidade quase todo mundo pode possuir um relógio, um terno, uma caneta ou um carro, mas são as marcas específicas de relógios, ternos, canetas ou carros que irão atrair aqueles consumidores que estão em busca de status, de destaque social, de exclusividade. Daí, o porquê dessa classe de consumidores, decidir pela escolha daquela marca que considera congruente com sua autoimagem, que reflita a sua própria identidade, o seu estilo de vida e os seus anseios. 

Na sociedade antiga, cada pessoa tinha um “lugar” bem estabelecido na hierarquia social, que era atingido através do seu nascimento ou através da riqueza que possuía. Agora, se fala de um papel simbólico de posses na vida dos consumidores, quando as pessoas tendem a fazer inferências sobre os outros, com base em suas posses e comportamentos. E isso tem sido bastante destacado com o crescimento das Redes Sociais, onde as pessoas, cada vez mais em busca de reconhecimento e de status, exibem suas posses, suas conquistas. São nessas circunstâncias, que as marcas se tornam instrumentos de sinalização de status, que satisfazem a prevalência do consumidor de uma necessidade de destaque social.

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Cada vez mais os indivíduos se esforçam para criar uma identidade única, baseada em suas escolhas, em suas experiências pessoais. Por isso, as empresas se empenham ainda mais em reforçar ou complementar essa identidade, fazendo uso dos 5 tipos de Personalidade de Marca para adicionar adjetivos aos produtos, que sinalizam aos outros que tipo de pessoa ela é.

É o caso, por exemplo, do Relógio Rolex, que como já foi informado acima, trata-se de um produto com Personalidade de Marca do tipo “sofisticação”. Geralmente quem compra um #rolex não está interessado na sua utilidade, mas sim no status que ele pode proporcionar. E é isso mesmo que acontece! Quem paga por um relógio desse tipo, adquire destaque, exclusividade perante as pessoas.

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Assim também acontece com pessoas que viajam na classe executiva de um voo de curta distância. No momento de contratar o serviço, com certeza o consumidor irá escolher aquela empresa que lhe impactou com uma Personalidade de Marca do tipo “sofisticação”. Além de ser uma escolha orientada pelo estilo de vida, acaba servindo como sinal externo, que confirma sua identidade única e exclusiva.

Esse comportamento do consumidor é a constante necessidade das pessoas de serem felizes e terem uma vida positiva. Consequentemente, os consumidores irão preferir marcas com Personalidades de Marca que “se encaixam” em seu estilo de vida e descartarão aquelas que não reforçam sua autoimagem de maneira positiva.

5 – CONCLUSÃO

A Personalidade de Marca é o modo como uma marca fala e se comporta. Significa atribuir traços e características de personalidade humana a uma marca para alcançar diferenciação e atrair categorias específicas de consumidores. É o caso da marca Dove, que apresenta Personalidades de Marca do tipo “honesta”; e da marca Chanel que apresenta Personalidade de Marca do tipo “sofisticação”.

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Em um mundo onde a marca tende a ser um grande fator decisivo nas opções de compra, as empresas estão se empenhando em fornecer marcas fortes às quais os consumidores gostariam de estar associados, geralmente, marcas que lhes promovam destaque, status e exclusividade. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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GENÔMICA DO CONSUMIDOR – UM MERCADO BILIONÁRIO E VIOLÁVEL

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Muitos consumidores, em troca de informações sobre seus ancestrais e sobre possíveis doenças, estão enviando um frasco de saliva para a empresa 23andme ou para a empresa MyHeritage, que já atua no mercado brasileiro. Eles sabem que estão compartilhando dados de seu DNA com uma empresa de genômica, mas não têm conhecimento da dimensão desse mercado bilionário de Genômica do Consumidor e nem de que as informações coletadas poderão ser revendidas a preço de ouro a outras empresas, inclusive às farmacêuticas ou irem parar  nas mãos de hackers. O que não faltam são interessados ​​nas informações de DNA: pesquisadores, que querem dados genéticos para estudos científicos; companhias de seguros, que usam essas informações para ajudá-los a calcular o custo da saúde e o seguro de vida; a polícia, que usa para rastrear criminosos, como no caso recente do Golden State Killer, etc. Hoje, a violação de dados de DNA acaba sendo muito pior, do que a violação de dados de cartão de crédito.

1 – MERCADO DE GENÔMICA DO CONSUMIDOR

Vários anos atrás, um pequeno número de empresas começou a vender kits de testes de DNA diretamente aos consumidores (conhecidos como DTC) via Internet. O surgimento desse mercado, conhecido como “Mercado de Genômica do Consumidor” ou “Mercado de Genética do Consumidor” somente foi possível, em parte, pelos custos decrescentes da análise do genoma humano.

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Inicialmente, as empresas de Genômica do Consumidor não produziam uma sequência completa do genoma, mas apenas examinavam os locais no genoma, que comumente diferem entre os indivíduos, conhecidos como ‘polimorfismos de nucleotídeo único’ (SNPs). No entanto, com o custo cada vez menor de sequenciamento de DNA e análise genética, a partir de 2016 essas #empresas se expandiram, passando então a oferecer uma ampla gama de serviços de sequenciamento de genoma completo aos consumidores, que informam sobre a ascendência e a saúde de uma pessoa, além de várias outras características. Os exemplos vão desde a capacidade de uma pessoa para provar sabores amargos ou o reflexo do espirro fótico (espirros incontroláveis ​​quando expostos a luz intensa), ao risco de desenvolver doenças cardíacas ou diabetes, a quão bem eles podem responder a certos medicamentos.

Até 2025, o valor de mercado de Genômica do Consumidor atingirá US $ 4,6 bilhões. Além do custo cada vez menor de  sequenciamento de DNA e análise genética, outro fator que contribui para a expansão desse mercado inclui a crescente conscientização de como os testes genômicos podem ser usados ​​para ajudar a determinar a probabilidade de pessoas desenvolverem uma doença em particular e com a devida orientação.

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Apesar das preocupações em torno da regulamentação e do papel dos profissionais de saúde em ajudar os indivíduos a interpretar os resultados dos testes, a #GenômicaDoConsumidor é uma indústria em rápido crescimento e empresas líderes, como a 23andMe e a Ancestry.com, estão se tornando nomes conhecidos.

A empresa 23andMe combinou, recentemente, dados de 600.000 participantes de pesquisa para desenvolver um modelo para um relatório de Peso Genético. Este relatório foi projetado para fornecer análises personalizadas, de como o material genético de um indivíduo pode afetar seu peso. Para tanto, foram analisados fatores exclusivos de indivíduos, determinados a partir de informações genéticas, que incluíram o genótipo, o sexo, a idade e ancestralidade primária auto identificada.

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Fundada em 2006 e com mais de 2 milhões de clientes até hoje, a 23andMe somente com este relatório, conseguiu impactar economicamente, os hábitos de vida das pessoas, o setor de perda de peso em geral e grandes empresas de variados setores, ao ponto de conseguir levantar US $ 232,97 milhões de 16 investidores, entre eles a Johnson & Johnson, o Google e a Illumina.

O mercado de Genômica do Consumidor já ultrapassou 10 milhões de #consumidores genotipados (já submetidos a processo de laboratório para identificação de pequenas regiões do DNA). Entre o final de 2013 e 2016 houve um crescimento constante no número de consumidores, mas após 2016 o setor começou a crescer exponencialmente.

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Olhando para o futuro, poderíamos projetar outro aumento de dez vezes até 2021, com mais de 100 milhões de consumidores genotipados. Esse enorme número de consumidores genotipados gerará retornos massivos em escala, permitindo maior inovação e insight.

É provável que a taxa de crescimento ultrapasse essa projeção, devido ao aumento dos gastos com publicidade de empresas líderes de mercado e à diminuição dos custos de genotipagem e sequenciamento, como já foi explicado acima. Nos próximos anos, mais empresas entrarão no mercado direto ao #consumidor (varejo) para a genômica. No entanto, se está muito longe da saturação da curva de crescimento em forma de S, especialmente com a realização de novas oportunidades de mercado, que abrangem a previsão de riscos médicos, reconstruções genealógicas precisas e até a solução de crimes.

2 – GENÔMICA DO CONSUMIDOR NO BRASIL

Aqui no Brasil a empresa MyHeritage já oferece diretamente ao consumidor, via internet, o serviço de #genômica para diversas finalidades. O cliente efetua o pagamento de uma taxa e envia à empresa uma amostra de coleta da bochecha (sem sangue ou saliva) para exame laboratorial.

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Esse Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC), usa variações genéticas  para fazer previsões sobre a saúde, fornecer informações sobre traços comuns e oferecer pistas sobre a  ascendência de uma pessoa, sem necessariamente envolver um provedor de assistência médica ou uma companhia de seguros de saúde no processo, como é exigido nos E.U.A..

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O número de empresas que fornecem o Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC) está crescendo em todo o mundo, e no Brasil não será diferente, já que a Genealogia provou ser um setor com uma base de consumidores afluentes e apaixonados, como evidenciado pela avaliação multibilionária do banco de dados on-line da Ancestry, que constatou milhões de assinaturas discricionárias.

Atualmente, por aqui, não há uma legislação específica que regule o Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC) , o que torna importante para consumidor avaliar a qualidade dos serviços disponíveis, antes de contratar.

3 – NECESSIDADE DE FISCALIZAÇÃO DO GOVERNO

Enquanto no Brasil não há legislação específica que regule o “Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC)”, nos E.U.A. onde esses serviços são prestados há muitos anos, o governo americano empreende fiscalização constante, através da Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos (FDA).

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Nos últimos 10 anos, o escopo, o volume e a complexidade dos #TestesGenéticos foram aumentados dramaticamente nos Estados Unidos, gerando uma mudança na ênfase para a previsão de doenças, especialmente as complexas. Essa avanço somente foi possível, principalmente, com a chegada no mercado do Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC), oferecido via internet.

A primeira incursão pública da FDA na supervisão do Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC) ocorreu em maio de 2010, depois que a Pathway Genomics, uma empresa de TDC, baseada em San Diego, anunciou a disponibilidade de seus “kits de testes genéticos” nas farmácias da Walgreens (a segunda maior empresa que opera farmácias dos Estados Unidos, atrás somente do grupo CVS Health) em todo o país.

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Após o anúncio da Pathway, a FDA prontamente enviou uma carta de execução para a empresa, informando que o “kit de teste genético” da Pathway seria considerado um dispositivo médico, e que passaria a supervisionar os laboratórios que realizavam os testes. Na mesma carta a FDA pediu à  Pathway para explicar, dentro do prazo de 15 dias, o por quê seu teste não deveria requerer acompanhamento médico. Nos meses seguintes a FDA enviou cartas semelhantes para outras 19 empresas.

Posteriormente, a FDA realizou durante dois dias uma “Reunião Pública de Supervisão de Testes Laboratoriais Desenvolvidos”, na qual participaram muitas empresas de testes genéticos e organizações de genética, e informou que apenas a supervisão dos #laboratórios já não era suficiente para proteger o público.

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Além das atividades do FDA, o Congresso dos E.U.A. realizou uma audiência pública em julho de 2010, com o seguinte tema: “Teste Genético Direto ao Consumidor e as Consequências Para a Saúde Pública”. O destaque dessa audiência, foi o relatório do órgão responsável pelas auditorias, avaliações e investigações do Congresso dos Estados Unidos (GAO) sobre o #TesteGenéticoDiretoAoConsumidor (TDC), resultado de uma investigação de um ano pelo GAO sobre a validade científica, a segurança e a utilidade do Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC).

O relatório do GAO concluiu que o fato dos resultados de TDC não serem mediados por um profissional de saúde, geram insegurança para os consumidores, o que exige um maior escrutínio sobre sua utilidade clínica e implicações. Esse parecer técnico contribuiu para intensificar, ainda mais, as atividades da FDA, incluindo a aplicação de leis já existentes, relativas à propaganda enganosa.

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Enquanto, várias empresas de Teste Genéticos Direto ao Consumidor (TDC) têm criticado publicamente as táticas usadas pelo GAO e pelo FDA, a maioria delas também têm manifestado disposição de trabalhar com o governo americano para ajudar nos processos regulatórios. Uma dessas empresas é a Pathway Genomics, que modificou a forma como seus produtos estão sendo oferecidos no mercado de TDC.

Com o passar dos anos, essas regulamentações governamentais se estenderam também a todas as #empresas de testes genéticos, incluindo aquelas que fornecem serviços de genômica ​​através de profissionais de saúde, permitindo assim, que padrões específicos sejam atendidos, especialmente naquelas áreas com utilidade clínica questionável.

4 – ATUALIDADE E APLICAÇÕES FUTURAS

O Teste Genético Direto ao Consumidor (TDC) está se tornando cada vez mais complexo, tanto em termos de inovação quanto de interpretação de resultados. Tudo isso nos leva a melhorias emergentes em tecnologias de análise e plataformas para Genômica do Consumidor.

Na atualidade, um dos novos destaques é a Helix, uma startup de #genômica focada no consumidor, apoiada pela Illumina (empresa americana que desenvolve, fabrica e comercializa sistemas integrados para análise de variação #genética e função biológica).

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Utilizando o “Sequenciamento de Exoma” (fração do genoma que codifica os genes), complementado com posições de “Polimorfismo de Nucleotídeo Único – SNP” (trocas ocorridas no DNA onde um nucleotídeo é trocado por outro qualquer e vice-versa) que abrangem o genoma, o Helix tem como objetivo ir além do paradigma SNP-Chip (pequeno pedaço de vidro de silício, que pode ser usado ​​para detectar sequências de #dna que diferem por Polimorfismos de Nucleotídeo Único – SNPs) defendido por líderes de mercado atuais como Ancestry e 23andMe. O chip acaba sendo um sofisticado dispositivo feito de silício, cuja tecnologia impulsiona as matrizes de genotipagem.

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Enquanto isso, a Veritas Genetics, uma startup bem financiada de Cambridge, MA, pretende levar o “Sequenciamento do Genoma Inteiro (WGS)” ao público. Quinze anos após o Projeto Genoma Humano, que custou cerca de US $ 3 bilhões, a Veritas está comercializando um produto de #varejo que fornece uma sequência de alta qualidade por US $ 1.000.

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A Gencove, outra startup de base tecnológica, com sede em Nova York, tem um meio termo entre as matrizes de SNP e o sequenciamento completo do genoma. Essa empresa desenvolveu um ensaio de “Sequenciamento do Genoma Inteiro (WGS)”, acessível e de baixa cobertura, que representa uma melhoria em relação à tecnologia atual de matriz SNP. Esse ensaio de sequenciamento objetiva fornecer um produto que não seja apenas competitivo, mas que tenha vantagens sobre as matrizes de SNP em termos de custo e para evitar o viés de verificação. A expectativa, é que a era da matriz SNP dos anos 2010 seja superada pela década de sequenciamento dos anos 2020. O futuro parece brilhante, se ainda não totalmente certo.

Empresas menores, como a Promethease, que adquirem dados brutos gerados pela 23andMe, Ancestry e de outras empresas, continuam a ocupar um nicho na análise de informações genéticas. Utilizando dados públicos e unindo-os em uma interface de usuário simples e básica, a Promethease e outras #empresas desse tipo, buscam eliminar os intermediários entre o consumidor e os dados. Em vez de uma instituição ou geneticista servindo de guia, essas empresas visam educar o público de maneira crua e direta, embora com alguma controvérsia.

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As empresas Helix e Gencove fazem uma terceira abordagem. Em vez de fornecerem a pilha completa de #serviços ou aproveitarem os dados brutos fornecidos por terceiros, elas preferem ser plataformas de #tecnologia para outros players independentes e fomentar um ecossistema de aplicativos de análise para os consumidores.

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A Helix parece estar modelando seus ecossistemas na loja iTunes, onde a Apple hospeda e aprova aplicativos para consumidores que já confiam em sua marca e utilizam sua plataforma de hardware. A diferença aqui é que a Helix não é uma marca estabelecida e ainda não possui uma base de clientes dedicada. Mas isso não é impedimento para o seu crescimento no mercado; basta lembrarmos que quando a iTunes Store estreou em 2008 (estando a Apple já presente no mercado), ela vendeu mais de 5 milhões de computadores e mais de 50 milhões de iPods.

A necessidade de uma marca forte é provavelmente uma das razões pelas quais a Helix se associou à National Geographic, cujo legado remonta há mais de um século. Além disso, é parceira de instituições de primeira linha, como a Clínica Mayo e empresas inovadoras como a Invitae. No entanto, estabelecer uma marca e uma base de clientes é apenas parte do desafio de desenvolver uma loja de aplicativos de sucesso.

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Há coisas quase infinitas que se pode fazer com um computador móvel, uma câmera e uma variedade de sensores. Há muito menos aplicativos que podem ser construídos em cima de uma sequência genética, pelo menos no presente.

Embora o espaço da genômica seja, de certa forma, menos flexível do que a engenharia aplicada que impulsionou a inovação no Vale do Silício, também é um território inexplorado. Ainda há muitas variantes a serem descobertas, características estruturais no genoma a serem mapeadas e partes de um #GenomaHumano genuinamente completo a ser sequenciado.

À medida que essas incertezas forem resolvidas, novos aplicativos aparecerão sem dúvida. Afinal, a ciência aplicada depende da descoberta na #ciência básica. Talvez o aspecto mais empolgante seja a possibilidade de descobrir novas aplicações que não foram antecipadas.

Até o momento, as empresas de Genômica do Consumidor existentes, têm aplicativos que segmentam naturalmente em três classes: #ancestralidade, entretenimento e medicina.

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As aplicações médicas geralmente têm o lado positivo de serem acionáveis, mas também estão sujeitas à supervisão regulatória. Além disso, há insights médicos limitados a serem obtidos, hoje, por meio de genotipagem ou sequenciamento isolados.

Entretenimento, ascendência e genealogia são regulados de forma mais imprecisa, mas sofrem com a percepção de que eles não são um aspecto essencial do estilo de vida de uma pessoa. Aplicativos de entretenimento geralmente parecem triviais ou frívolos. Mas o entretenimento é importante para nos permitir florescer e estabelecer conexões. É algo que as pessoas estão dispostas a gastar dinheiro porque é profundamente gratificante.

A chave não é minar a credibilidade da ciência, enquanto se cria algo divertido e envolvente. Nem todos os aplicativos precisam fornecer uma interpretação do genoma. Apps que alavancam a #genética podem resultar em uma florescência de possibilidades culturais e de entretenimento antes não imagináveis. Por exemplo, roupas que indicam o status genético ou a linhagem estão se tornando mais comuns.

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O “Haplotee” oferecido pelo DNAGeeks.com é um exemplo de vestuário inspirado na genética. A camiseta apresenta seu haplogrupo Y-DNA ou MT-DNA, juntamente com um mapa do padrão de migração “Out of Africa” ​​relacionado ao haplogroup. Além disso, a Helix App Store possui itens de vestuário adicionais, incluindo lenços personalizados que permitem aos clientes mostrar sua individualidade através de roupas e acessórios. São muitas novidades tecnológicas que surgem a todo momento.

Mais recentemente, a prisão do suposto serial killer do Estado Dourado na Califórnia somente foi possível com o uso de métodos da genealogia genética. Isso nos mostra como resultados surpreendentes e novos podem ser frutos de movimentos tecnológicos díspares, que ocorrem em paralelo aos métodos tradicionais, ainda utilizados. A partir de agora, a comunidade de policiais está ciente dessas possibilidades tecnológicas, o que contribuirá para termos um grande aumento na resolução, bem-sucedida, de casos criminais.

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Vemos o futuro através de um espelho escuro, mas a previsão atual para o “Sequenciamento do Genoma Inteiro (WGS)” é que muitos milhões de pessoas sejam sequenciadas até 2025. Juntamente com os dados do SNP-Chip, esse sequenciamento contribuirá para a formação de um enorme #BancoDeDados que pode ser usado para fornecer valor aos consumidores.

Até lá, a matriz de “Polimorfismo de Nucleotídeo Único (SNP)” e as empresas baseadas no “Sequenciamento de Exoma” expandirão seus mercados, pelo menos geometricamente, e talvez até exponencialmente, se houver mais inovação tecnológica.

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Essas previsões determinam os parâmetros do mercado mundial de Genômica do Consumidor. Mas o que vende e o que não; bem, isso deve ser determinado. Os produtos e serviços que as #EmpresasDeGenômica de consumo semearam na era da matriz de “Polimorfismo de Nucleotídeo Único (SNP)”, provavelmente serão os alicerces da revolução do “Sequenciamento do Genoma Inteiro (WGS)” que será revelada na década de 2020.

5 UM MERCADO VULNERÁVEL A CIBERATAQUES

Apesar do crescente interesse de empresários e governos pela tecnologia da genômica, os riscos para os consumidores ainda são elevados. Não existe segurança 100% online e uma violação de dados de DNA é muito pior do que um vazamento de cartão de crédito.

Recentemente, o serviço de testes de DNA da MyHeritage (empresa que já atua no Brasil) revelou que hackers violaram 92 milhões de dados de suas contas. Embora os hackers tenham acessado apenas os e-mails e as senhas criptografados, e não tenham chegado aos dados genéticos reais, não há dúvida de que esse tipo de invasão ocorrerá com mais frequência à medida que os Testes Genéticos de Consumo se tornarem cada vez mais populares. Então, por que os #hackers querem informações de DNA especificamente? E quais são as implicações de uma grande violação do DNA? Sobre a ação de hackers, leia esse nosso artigo.

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“Uma das implicações, é que os hackers podem querer chantagear suas vítimas, ameaçado revogar o acesso ou postar informações confidenciais on-line, caso não seja pago um resgate em dinheiro”, diz Giovanni Vigna, professor de ciência da computação na UC Santa Barbara e co-fundador da empresa de segurança cibernética Lastline. Foi o que aconteceu  com um hospital de Indiana, nos E.U.A. que precisou pagar US $ 55 mil a um hacker para recuperar seus dados de DNA. 

Mas existem outras razões pelas quais os dados genéticos podem ser lucrativos. Esses dados podem ser vendidos para as seguradoras, com o fim de servir de base para avaliar futuros clientes. Por exemplo, um cliente que queira contrair um empréstimo de longo prazo, pode ter seu pedido rejeitado, pelo fato da empresa ter informações de DNA que indicam ser muito provável dele sofrer de Alzheimer e morrer antes de  pagar o empréstimo.

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O que não faltam são interessados em informações de DNA, que vai desde pesquisadores a criminosos. Dessa forma, torna-se preocupante, ainda mais sabendo que nós não temos proteções robustas quando se trata de privacidade genética. Assim, uma violação de #DadosGenéticos pode ser um pesadelo. 

Os testes genéticos são tesouros de informações confidenciais. Alguns sites oferecem aos usuários a opção de fazer o download de uma cópia do código genético completo, enquanto outros não. Mas o #CódigoGenético completo não é a informação mais valiosa para os hackers. Para eles, são mais úteis as páginas da conta de fácil acesso, com interpretações de integridade.

6 – OS 5 (CINCO) MAIORES MOTIVOS PARA NÃO SE COMPARTILHAR INFORMAÇÕES DE DNA COM EMPRESAS DE GENÔMICA

6.1. Hackers

Obviamente, este não é um risco que apenas as #EmpresasDeGenômica enfrentam, mas neste campo, elas acabam tendo em seu poder um conjunto único de informações muito importantes sobre consumidores, que interessam a todo mundo, o que as tornam um alvo de preferência de criminosos. Dessa maneira, o que não faltam são casos de violação de dados, o que torna prioridade para essas empresas, fazeres investimentos contínuos para fortalecer suas medidas de segurança;

6.2. Terceiros lucram com o seu DNA

Quem lucra com o seu DNA? Com certeza, não é você.
Um dos sinais mais convincentes, de que os consumidores têm uma visão positiva dessas Empresas de Genômica, é que a maioria deles concorda em deixá-las compartilhar as informações de seu DNA com parceiros de pesquisa.

Todas essas empresas deixam claro que não compartilharão tais informações com terceiros, a menos que o cliente consinta explicitamente, mas, como mostram os dados da 23andMe, a grande maioria (mais de 80%) opta pela concordância.

Por exemplo, a 23andMe oferece aos consumidores a opção de optar por pesquisas conduzidas em nome de organizações acadêmicas, sem fins lucrativos e industriais. Eles também oferecem uma opção para consentir a realização de estudos específicos de doenças, nos quais as informações de DNA são usadas em conjunto com empresas farmacêuticas com fins lucrativos, como ocorre com a pesquisa sobre a doença de Parkinson, conduzida com a Genentech e a pesquisa sobre lúpus e IBD, realizada com a Pfizer.

genômica-do-consumidor“Se os clientes não consentirem, nenhum dos seus dados será compartilhado”, disse uma porta-voz da 23andMe.

Os consumidores parecem ter tomado a decisão de que o altruísmo é o curso adequado de ação: se o seu DNA pode ajudar a encontrar uma causa ou cura para uma doença, eles querem fazer parte desse processo. Mas isso também significa que um dia uma empresa farmacêutica pode estar trazendo uma droga para o mercado com base, em parte, no seu DNA.

As pessoas acham que estão ajudando o mundo, ajudando a sociedade, mas precisam entender que se as informações de DNA ajudam a desenvolver um medicamento para uma empresa farmacêutica, não há nada que controle o que eles fazem. Pode ser uma droga que eles vendem com alto lucro, e que não contribui em nada para tornar o mundo um lugar melhor.

Numa entrevista, Marcy Darnovsky, diretora executiva do Centro de Genética e Sociedade dos E.U.A., esclareceu o seguinte: “no processo de pesquisa com DNA, os dados são compartilhados e passam por muitos parceiros, assim, não importa o que as empresas de genômica dizem para seus clientes, pois elas são incapazes de prever o que os parceiros estão fazendo com as informações de DNA que a elas foram repassadas.

Sabe-se que a decisão de compartilhar DNA para pesquisa não é irrevogável, e os consumidores podem solicitar a revogação dessa permissão a qualquer momento por meio de suas configurações de conta. No entanto, para o consumidor verificar o cancelamento desses serviços, não é tão simples quanto clicar em Excluir.

Como o consumidor vai verificar se a empresa realmente excluiu seu perfil genético ou destruiu uma amostra física? É quase impossível ter a certeza de que o procedimento de cancelamento foi concluído com êxito, e de que inexiste qualquer informação de DNA circulando entre as empresas.

6.3. Inexistência de leis específicas que garantam 100% a privacidade genética

Muitos especialistas em privacidade estão preocupados que a única lei que atualmente cobre a privacidade genética, a Lei de Não Discriminação de Informações Genéticas (também conhecida como GINA), é muito vaga. O pior é que além da GINA, realmente não há nada, não há uma norma específica regulamentando as atividades das Empresas de Genômica, assim como, estabelecendo responsabilidades administrativas e jurídicas de forma clara. Essa realidade promove uma insegurança e prejuízo para o consumidor, que é a parte mais frágil numa relação de consumo.

A realidade é que o espaço da informação genética é, em muitos aspectos, território legislativo ainda não mapeado, e os consumidores estão aceitando facilmente o que as  empresas de genômica estão declarando: “que é sua prioridade proteger 100% a privacidade dos seus clientes; e que garante a exclusão, a qualquer momento, dos dados genéticos e da conta do cliente”.

6.4. As informações de DNA podem ser solicitadas às Empresas de Genômica pela polícia, pela justiça e pelo governo

A polícia, os órgão do governo, o Ministério Público, etc., sabem que essas empresas  de genômica têm informações de DNA, e elas podem querer isso. Até mesmo a solicitação dessas informações podem ser feitas pela Justiça, por intimação.

Um caso que nos dá uma dimensão dessas possibilidades, é o do “Golden State Killer” cuja autoria dos crimes em série  foi descoberta depois de décadas, graças às informações de DNA de parentes do assassino, que estavam em poder de uma empresa de genealogia. Neste processo, a Justiça permitiu o uso do DNA desses parentes como prova técnica.

Sobre isso há uma lição para os consumidores. Quando você fornece suas informações genéticas para uma Empresa Genômica, você também está fornecendo informações sobre aquelas pessoas relacionadas a você – seus parentes, incluindo primos distantes. Quando seus parentes, incluindo os distantes que você nem conhece, fornecem seu DNA, eles também estão fornecendo #InformaçãoGenética sobre você.

Outra lição é que as Empresas de Genômica não dizem a verdade quando enfatizam que as informações ou dados de DNA são “desidentificados” para proteger a privacidade. Como vimos acima, as informações de DNA compartilhadas com essas empresas podem ser re-identificadas em muitos casos de interesse público.

Sob certas circunstâncias, as informações pessoais podem estar sujeitas a “quebra de sigilo” por determinação judicial, como já aconteceu no Brasil nos anos de 2016 e 2017, quando o “whatsapp” foi notificado pela Justiça Federal para fornecer diálogos trocados entre traficantes de drogas. Em um desses casos, o serviço do whatsapp chegou a ser suspenso, como medida judicial para forçar a empresa a cumprir a referida determinação do juíz.

6.5. Mudanças nas Políticas de Uso e de Privacidade das empresas

Mudanças nas Empresas de Genômica também são inerentes aos riscos desse modelo de negócio. Qualquer empresa está sujeita a isso, já que elas podem ser vendidas ou até mesmo saírem do ramo de teste de DNA.

E o que acontece com as informações de DNA dos clientes? Ninguém sabe, já que analisando os Termos de Privacidade das Empresas de Genômica, verifica-se que elas não tratam da possibilidade de serem vendidas ou terem suas atividades encerradas.

É mais uma preocupação para os consumidores, que infelizmente têm uma visão otimista dessas empresas, e não buscam se informar sobre os potenciais riscos existentes.

7 – CONCLUSÃO

Os cromossomos são organizados em segmentos de DNA chamados genes que produzem ou codificam proteínas. A soma dos #genes que um organismo possui, é chamada de genoma. Os humanos têm aproximadamente 20.000 genes e 3 bilhões de pares de bases (letras). Curiosamente, apenas cerca de 2% do genoma humano codifica proteínas e esta é uma área chave na pesquisa e no negócio da genômica, que nada mais é que o estudo de todo genoma, incluindo o seu funcionamento.

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O Projeto Genoma Humano sequenciou todo o genoma humano pela primeira vez em 1990, a um custo de US $ 3 bilhões e levou treze anos para ser concluído. Em 2007, foi introduzida uma nova tecnologia que aumentou a produção de sequenciamento de DNA em 70 vezes, em um ano.

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Com essa evolução, mais de 70.000 testes individuais de DNA tornaram-se disponíveis para a população. Em 2007, a 23andMe lançou o primeiro teste de DNA direto ao consumidor, com o preço inicial de US $ 999,00 por teste, e em seguida, no ano de 2013, introduziu no mercado um serviço de #genoma pessoal, por apenas US $ 99,00. Em 2015, a empresa atingiu seu milionésimo cliente sequenciado, tornando-se a líder nesse setor.

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Na última década, mais de US $ 1 bilhão foi investido no mercado de  genômica humana. As cinco Empresas de Genômica do Consumidor mais financiadas, entre as quais a 23andMe, a Pathway Genomics, a Counsyl, a Helix e a Color Genomics, captaram US $ 50 milhões a US $ 300 milhões em capital.

Apesar do crescente interesse de empresários e governos pela tecnologia da genômica, os riscos para os consumidores ainda são muito elevados, diante da possibilidade de violação de dados de DNA, que é muito pior do que um vazamento de cartão de crédito.

Alguns casos de violação de dados de DNA já foram registrados nos últimos anos, sendo o mais recente, a violação de 92 milhões de contas da Empresa de Genômica MyHeritage, que atua no Brasil. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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A INFORMAÇÃO É A MOEDA DO SÉCULO XXI

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A tecnologia digital acionou uma explosão na quantidade, profundidade e valorização da informação de todos os tipos. O Google processa 40.000 pesquisas por segundo; 456.000 tweets são enviados a cada minuto; 16 milhões de mensagens de texto são enviadas a cada minuto; 1,5 bilhão de pessoas estão ativas no Facebook todos os dias, compartilhando informações. Nos próximos anos, espera-se que o volume global de informações se multiplique por 40 vezes ou mais.

Nesse cenário, a informação é a moeda do século XXI, como evidenciado pelas cinco empresas mais valiosas do mundo atualmente – Apple, #amazon, Facebook, Microsoft e a empresa-mãe do Google, a Alphabet. À medida que usamos suas plataformas (que parecem ser de graça, mas na verdade não são, pois nós os pagamos com nossos dados pessoais) esses gigantes corporativos estão coletando informações sobre todos os aspectos da nossa vida, nosso comportamento e nossa tomada de decisões – onde estivemos; que produtos compramos; que filmes gostamos e que candidatos apoiamos – a lista é quase infinita. Até mesmo cada foto de nós mesmos, nossos parentes ou amigos, dão a eles informações sobre nós.

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Todos esses eventos que tornamos públicos, fornecem dados valiosos de maneira comercial, política e militar. São informações que dão às corporações mais poder e mais lucro. Se por um lado, esses dados podem ser usados ​​para melhorar suas ferramentas e serviços, o que é bom para os consumidores; por outro lado, acabam sendo vendidos para os órgãos de governo e para empresas terceirizadas, das quais somos clientes em potencial, ou para empresas chamadas de data brokers, que agregam dados de várias fontes, tornando-as ainda mais valiosas.

1 – AS INFORMAÇÕES, SÃO REALMENTE MOEDAS?

Quando as pessoas se referem a moedas, elas tendem a pensar em notas de papel – dólares americanos, ienes japoneses ou euros. O dinheiro impresso, no entanto, é apenas um tipo de moeda. Ao longo da história, as moedas apareceram em muitas formas, desde as célebres rodas de pedra dos ilhéus, Yap até os cowries, as conchas de moluscos, que se tornaram um meio popular de troca na China há mais de três milênios.

As moedas evoluíram ao longo do tempo; de pedras e conchas para as sofisticadas formas de #moeda legal, que permitem as transações financeiras globais de hoje, como por exemplo, o bitcoin e o pó sagrado do World of Warcraft.

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Para entender como as informações se encaixam nessa evolução, precisamos repensar nossa concepção de moedas. Moeda é a forma como criamos e trocamos valor econômico em toda a geografia e ao longo do tempo. É qualquer coisa que possa servir como meio de troca, algo que possa ser “sacado” para bens e serviços, ou usado para pagar dívidas ou para armazenar valor para uso futuro.

As informações pessoais têm cada uma dessas características essenciais, já que em muitas transações comerciais on line, que envolvem compra e venda, elas servem como meio de troca. É o caso do setor varejista. De acordo com o Aite Group, os varejistas americanos pagaram até o ano de 2018 a quantia de US $ 1,7 bilhão aos principais bancos dos Estados Unidos para que enviassem ofertas de desconto direcionadas aos clientes, com base em informações pessoais sobre os hábitos de compra com cartão de crédito.

Como se vê, as empresas estão trabalhando duro para lucrar com o mercado de informações pessoais. Elas variam de empresas iniciantes, como a Personal.com, que ajuda indivíduos a controlar e fazer uso de seus próprios dados pessoais a empresas  gigantes, como a Rapleaf e a Acxiom, que detêm informações sobre até 500 milhões de consumidores em todo o mundo.

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No mundo digital nada é gratuito. Quando usamos serviços como Facebook, Twitter ou Google, pagamos pelo privilégio fornecendo a eles nossas informações pessoais. Dentre eles, o Facebook é talvez o mais prolífico “coletor de informações pessoais”, para emprega-las em modelos de negócios publicitários que geram de US $ 55 bilhões a US $ 116,3 bilhões de lucro. Isso não quer dizer que a Apple, a Microsoft e a Amazon também não estejam se beneficiando de informações pessoais coletadas dos consumidores. A Amazon, em particular, “é líder na coleta, armazenamento, processamento e análise de informações pessoais de milhões de consumidores” e usa esses dados para alimentar sua abordagem centrada no cliente, apresentando produtos que são personalizados de acordo com suas preferências. E esse é apenas o lado certo do modelo de negócios deles. As operações e a logística da Amazon também contam com informações. Em 2018, eles faturaram US $ 123 bilhões em vendas on-line, resultados desse mecanismo criado em torno da coleta de informações.

As informações pessoais dos consumidores se tornaram um recurso tão valioso, que até algumas empresas de marketing constroem, hoje, vastos bancos de dados com informações sobre preferências e comportamentos dos consumidores. Combinando essas informações com aquelas informações de registros públicos, junto com o escape digital coletado de mídias sociais, transmissões móveis e outras fontes, essas empresas faturam milhares de dólares, fornecendo aos anunciantes novos insights sobre o público-alvo.

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Você já se perguntou como alguém entra na televisão? Netflix certamente fez. Quando os executivos da empresa decidiram que era hora da Netflix começar a oferecer conteúdo original, eles aumentaram sua chance de sucesso, usando sua ferramenta mais poderosa: as informações pessoais dos clientes. Com esses dados em mãos, a empresa descobriu quais produtores, atores e shows seus espectadores mais gostavam. Com este relatório, a Netflix definiu a sua primeira produção: House of Cards. Essa série se tornou o programa mais popular já produzido. Usando essas informações, a Netflix passou a desenvolver novas estratégias de negócios bem-sucedida, para atrair clientes.

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Essa realidade nos dá a certeza de que, cada vez mais, as informações pessoais estão sendo utilizadas como moedas de troca.

2 – COMO AS INFORMAÇÕES ESTÃO SEGMENTANDO OS CONSUMIDORES

Como foi demonstrado acima, as informações são a moeda do século 21 e, no entanto, o valor delas depende muito de como as empresas a exploram, peneiram, interpretam e agem, com base na grande quantidade de dados oriundas de um número crescente de fontes digitais.

Com a chegada, há alguns anos, do que hoje conhecemos como Big Data (se refere às bases de dados, com grande volume de informações) é possível as empresas cruzarem essas informações de maneira rápida e eficiente, para definirem uma imagem mais clara de quem são seus clientes e o que os motiva. Além disso, informações cristalizadas ajudam as empresas a tomarem decisões estratégicas futuras, criar produtos e serviços mais relevantes, como também, proteger-se de riscos futuros.

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“A explosão de dados disponibilizados pelo mundo, cada vez mais conectado, está trazendo mudanças sem precedentes para as empresas”, diz Roy Jubraj, diretor de digital e inovação da Accenture.

Nos próximos anos, espera-se que mais de 50 bilhões de dispositivos estejam conectados à internet. Com bilhões de sensores e dispositivos conectados ao mundo digital, as empresas estão começando a usar as informações coletadas para fazer três coisas: administrar-se de maneira mais eficaz, preparar seus negócios para o futuro e reformar o relacionamento com seus clientes.

Para agrupar tantas informações e extrair resultados concretos, as empresas estão analisando toda a jornada ou ciclo dos consumidores na sua interação com órgãos do governo, sites, redes sociais, etc. Ao combinar esses conjuntos, é possível entender mais sobre como os consumidores interagem com os negócios, em todas as etapas do caminho.

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“Estamos preocupados com a jornada do cliente, de ponta a ponta, em vários canais e dispositivos digitais. Extraímos informações de várias fontes para obtermos uma visão mais holística do comportamento do cliente e da sua interação com a empresa.”, explica Jason Ryan, sócio-fundador da agência de marketing para clientes, Brilliant Noise.

Aprender sobre os consumidores, a quem se quer vender, não é novidade. Muitas décadas atrás, os executivos de desenvolvimento de negócios, passaram a pesquisar as histórias que existiam por trás de suas vendas, para entender o que os fazia funcionar e quais as necessidades dos clientes que eles poderiam suprir.

Mas a era digital criou um sistema no qual esse processo pode ser automatizado e executado em escala industrial. Há cinquenta anos, os vendedores economizavam energia para suas maiores perspectivas de gastos, agora é rentável fazer descobertas sobre pessoas que gastam com moderação também.

“Conhecer os clientes de dentro para fora, sempre foi vital para o sucesso nos negócios. Este princípio se aplica, mesmo que você esteja lidando com uma pessoa ou mil pessoas. A disponibilidade de informações, hoje, nos permite entender melhor os clientes e criar relacionamentos lucrativos com eles.”, informou Jon Cano-Lopez, diretor executivo de uma empresa independente de comunicação de dados.

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Então, que tipo de informação está sendo mais coletada agora? Sem dúvida, são as informações transacionais, de estilo de vida e comportamentais. Estas representam os três principais conjuntos de informações que são mais comumente registrados e usados ​​para insight.

  • Informações transacionais – Estão relacionadas ao que as pessoas gastam, onde gastam, com que frequência e quanto;
  • Informações de estilo de vida – Referem-se a quem são as pessoas, onde moram, quais são seus interesses e o que é importante para elas;
  • Informações comportamentais – Estão relacionadas à atividade das pessoas, tanto on-line quanto off-line; o que elas fazem e por meio de quais canais.

Com o passar dos anos, a quantidade de informações disponíveis aumentou, de modo que as empresas precisam se adaptar e evoluir para acompanhar esse imenso fluxo de dados. Elas vêm adotando novos sistemas de captura de informações e novos softwares analíticos, bem como novos incentivos para os consumidores compartilhem suas informações pessoais, sem medo, sem desconfiança.

Podemos apontar como exemplo dessa estratégia, a criação do “cartão fidelidade” pelos supermercados,  que foi uma das primeiras inovações bem-sucedidas para capturar informações dos consumidores na era digital emergente. Na realidade, essa estratégia configura uma “troca de valor” oferecida aos clientes: estes fornecem suas informações pessoais em troca de pontos para trocar por prêmios. É mais uma confirmação de que a informação é a moeda do século XXI.

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Essa estratégia revolucionou a forma como os supermercados vendiam seus produtos – eles deixaram de operar no escuro e se tornaram capazes de atingir o coração dos clientes, estimulando estes a comprarem qualquer produto que eles quisessem vender mais.

Ao longo dos anos, isso foi se aperfeiçoando. E como as pessoas gastam, cada vez mais tempo on-line e em smartphones, a adição de informações digitais se tornou uma necessidade fundamental, com fontes demográficas, psicográficas, comportamentais e outras fontes de informações, capazes de enriquecer o entendimento sobre o comportamento dos consumidores.

3 – O ALTO VALOR DAS INFORMAÇÕES PESSOAIS. UM MERCADO LUCRATIVO

Na internet, as informações pessoais que os consumidores dão de graça, são transformadas em um bem precioso. As perguntas que fazem ao Google revelam os sentimentos mais profundos da humanidade. E suas histórias e experiências compartilhadas dirão aos investidores, quais lojas atraem mais compradores. Até mesmo aquelas atividades aparentemente benignas, como ficar em casa e assistir a um filme, geram montanhas de informações. Um tesouro a ser aproveitado, mais tarde, por empresas de todos os tipos. Esse mercado é muito lucrativo.

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As informações pessoais costumam ser comparadas ao petróleo, pois elas fornecem energia às empresas mais lucrativas da atualidade, assim como os combustíveis fósseis energizaram as corporações do passado. Mas, infelizmente, os consumidores dos quais elas são extraídas, pouco sabem sobre o quanto de suas informações são coletadas, quem irão ter acesso a elas e o quanto elas valem.

Registros de saúde, números de seguridade social e detalhes bancários, compõem as informações online armazenadas, mais confidenciais e mais valorizadas, no entanto, as mensagens de mídia social, os dados de localização e consultas de mecanismos de pesquisa podem ser tão reveladores, que se tornam muito valiosas para pesquisadores acadêmicos, hackers, agentes da lei e nações estrangeiras – assim como, para muitas empresas que tentam lhe vender coisas.

A internet pode parecer um grande pesadelo para a privacidade, mas todas essas #informações são coletadas em um amplo espectro de consentimento, já que elas são bifurcadas conscientemente (fica claro para todos nós, que algo está sendo coletado), apesar que muitas vezes, os detalhes estão ocultos em acordos de termos de serviço, difíceis de analisar.

Considere o que acontece quando alguém envia um frasco de saliva para a empresa 23andme ou para a empresa MyHeritage. A pessoa sabe que está compartilhando seu DNA com uma empresa de genômica, mas pode não perceber que as informações coletadas serão revendidas a empresas farmacêuticas. São suas informações que estarão sendo comercializadas, sem você saber.

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Muitos aplicativos exibem anúncios personalizados, mas eles não deixam claro para as pessoas que elas estão sendo rastreadas; que estão registrando não apenas seus cliques, mas também os movimentos exatos do mouse. As informações de localização colhidas, servirão para identificar quais lojas de varejo (e-commerce) são mais acessadas. São informações muito valiosas, que serão vendidas a outras empresas.

Em cada um desses cenários, o consumidor, usuário de internet, recebe algo em troca (direito a acessos; comodidade; prêmios, descontos, etc) para permitir que uma empresa monetizasse suas informações pessoais. Esse é o mesmo tipo de barganha oferecida pelo Facebook e pelo Google. Seus principais produtos, incluindo Instagram, Messenger, Gmail e Google Maps, não custam dinheiro, mas as pessoas pagam com suas informações pessoais, usadas ​​para segmentá-lo com anúncios.

As informações que os #consumidores dão e os serviços que eles recebem, pode ou não valer a pena, mas para os corretores de dados, qualquer informação tem seu valor. São eles que coletam, analisam, compram e vendem informações, sem dar absolutamente nada aos consumidores.

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Os corretores de dados compilam informações de fontes disponíveis publicamente, como registros de propriedade, licenças de casamento e casos judiciais. Eles também podem coletar seus registros médicos, histórico de navegação, conexões de mídia social e compras on-line. Dependendo de onde você mora, os corretores de dados podem até mesmo comprar suas informações no Departamento de Veículos Motorizados. Não tem carteira de motorista? As lojas de varejo também vendem informações aos corretores de dados.

O mercado mundial de informações é amplo e cresce a cada dia. As informações coletadas podem ser imprecisas ou desatualizadas, ainda assim, podem ser incrivelmente valiosas para corporações, profissionais de marketing, investidores e até para pessoas físicas. Somente nos E.U.A., estima-se que as empresas americanas gastaram mais de US $ 19 bilhões em 2018, somente adquirindo e analisando dados de consumidores, de acordo com o Interactive Advertising Bureau (IAB).

Até as pesquisas feitas no #google e nas redes sociais têm importância, já que suas informações são capazes de indicar o nível de interesse das pessoas por determinados assuntos. Dessa maneira, com base em muitas informações aleatórias sobre viagens, as empresas conseguem identificar que uma determinada pessoa é um viajante frequente.  Esses dados, então, poderão ser vendidos para empresas do setor turístico.

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Em seu livro “Everybody Lies: Big Data, Novos Dados e O que a Internet pode nos dizer sobre quem realmente somos”, Seth Stephens-Davidowitz argumenta que há muitos cenários em que os humanos são mais honestos com sites, como o Google, do que em pesquisas tradicionais. Por exemplo, diz ele, menos de 20% das pessoas admitem que assistem a pornografia, mas há mais pesquisas no Google por “pornografia” do que por “clima”.

Há algo chamado “cookies” em todos os sites, incluindo plataformas de mídia social. Os cookies são instalados em nossos dispositivos e são responsáveis por rastrear o que fazemos online. Mesmo que os excluamos com frequência, eles continuam a funcionar. Às vezes, os cookies são ativados aleatoriamente e podem acessar nossas fotos e vídeos pessoais. Quando aceitamos cookies, basicamente estamos afirmando que estamos bem com tudo isso.

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Dados pessoais, também são usados ​​por pesquisadores de inteligência artificial (IA) para treinar seus programas automatizados. Sobre a importância da Inteligência Artificial (IA), já tratamos em um artigo específico (veja aqui). Todos os dias, usuários em todo o mundo enviam bilhões de fotos, vídeos, postagens de texto e clipes de áudio para sites como #youtube, Facebook, #instagram e Twitter. Essa mídia, é então alimentada para algoritmos de aprendizado de máquina, para que eles possam aprender a “ver” o que está em uma fotografia ou determinar, automaticamente, se uma postagem viola a Política de Uso do Facebook. São mecanismos e procedimentos que estão literalmente tornando os robôs mais inteligentes.

4 – A HISTÓRIA DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Por milhares de anos, foram usados dispositivos tecnológicos para coletar e processar dados sobre o mundo. Cientistas gregos desenvolveram o “primeiro computador” – um complexo sistema de engrenagens chamado “Mecanismo Antikythera”, para traçar padrões astrológicos em 150 aC. Dois milênios depois, no final da década de 1880, Herman Hollerith inventou a “máquina de tabulação” – um dispositivo de cartões perfurados, que ajudou a processar dados do Censo dos Estados Unidos de 1890. Hollerith criou uma empresa para comercializar sua invenção, que mais tarde se transformou na poderosa IBM.
Na década de 1960, o governo dos EUA passou a usar poderosos computadores mainframe para armazenar e processar uma enorme quantidade de informações dos cidadãos americanos. As corporações, então passaram a usar essas máquinas para analisar informações confidenciais, incluindo os hábitos de compra dos consumidores.

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Não havia leis que ditassem que tipo de informações poderiam ser coletados. Preocupações com a vigilância logo surgiram, especialmente em 1964 após a publicação do livro “The Naked Society” de Vance Packard, que argumentava que a mudança tecnológica estava causando a erosão sem precedentes da privacidade. A partir daí, surgiram vários regulamentos exigindo transparência, mas nada impediu que os governos e as empresas coletassem informações pessoais.

No final da década de 1960, alguns acadêmicos, incluindo o cientista político do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Ithiel de Sola Pool, previram que novas tecnologias de computação continuariam a facilitar a coleta de informações pessoais, de forma ainda mais invasiva. Essa previsão começou a tomar forma em meados da década de 1990, quando muitos americanos começaram a usar a internet.

Quando a maioria das pessoas já estava on-line, uma das primeiras batalhas de privacidade sobre corretores de dados digitais já havia sido travada: em 1990, a Lotus Corporation e a agência de crédito Equifax se uniram para criar o Lotus MarketPlace, um produto de marketing em CD-ROM que seria usado para garantir a privacidade de informações sobre nomes, rendas, endereços e outros dados sobre mais de 120 milhões de americanos. Isso causou um alvoroço entre os defensores da privacidade, levando mais de 30.000 pessoas a contratarem a Lotus para sair do banco de dados do governo e das grandes corporações. Infelizmente, esse movimento em “defesa da privacidade das informações” não impediu que a coleta de informações dos consumidores continuassem sendo feitas.

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As preocupações dos defensores da “privacidade” acabaram se tornando realidade. Em 2008, o Google adquiriu oficialmente a DoubleClick (gigante de anúncios digitais) e, em 2016, revisou sua Política de Privacidade para permitir a identificação e o rastreamento de pessoas, via Web. Antes disso, o Google mantinha os dados de navegação da DoubleClick separados das informações pessoais, coletadas de serviços como o Gmail. Hoje, o Google e o #facebook podem segmentar anúncios com base no nome das pessoas, exatamente o que as pessoas temiam que a DoubleClick fizesse duas décadas atrás. E isso não é tudo: como a maioria das pessoas carrega dispositivos de rastreamento em seus bolsos na forma de smartphones, essas empresas e muitas outras também podem nos seguir onde quer que formos.

5 – O FUTURO DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Atualmente, as informações pessoais são coletadas principalmente por meio de telas, quando as pessoas usam computadores e smartphones. Os próximos anos trarão a adoção generalizada de novos dispositivos que consomem dados, como alto-falantes inteligentes, vestimentas embutidas na censura e monitores de saúde vestíveis. Mesmo aqueles que se abstêm de usar esses dispositivos, provavelmente terão seus dados reunidos por meio de câmeras de vigilância, habilitadas para reconhecimento facial, instaladas nas esquinas das ruas.

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À medida que os cientistas ultrapassam os limites do que é possível com a inteligência artificial, também precisamos aprender a compreender os dados pessoais que não são reais, pelo menos porque não vieram de seres humanos. Por exemplo, os algoritmos já estão gerando dados “falsos”. A chamada tecnologia deepfake permite que os propagandistas e fraudadores aproveitem as fotos das mídias sociais para criar vídeos, que mostram eventos que nunca aconteceram. A Inteligência Artificial (IA) agora pode criar milhões de rostos sintéticos que não pertencem a ninguém, alterando o significado da identidade roubada. Esses dados fraudulentos podem distorcer ainda mais as mídias sociais e outras partes da Internet. Imagine, tentar discernir se um jogo do Tinder ou a pessoa que você seguiu no Instagram, realmente existe.

Quer as informações sejam fabricadas por computadores ou criadas por pessoas reais, uma das maiores preocupações será a forma como elas são analisadas. Não importa apenas que informação é coletada, mas também quais inferências e previsões são feitas com base nela. As informações pessoais são usadas ​​por algoritmos para tomar decisões incrivelmente importantes, como por exemplo, se alguém deve manter seus benefícios de assistência médica ou ser liberado sob fiança. Essas decisões podem ser facilmente tendenciosas, e pesquisadores e empresas como o Google estão trabalhando para tornar os algoritmos mais transparentes e justos.

As empresas de tecnologia também estão começando a reconhecer que a coleta de informações pessoais precisa ser regulamentada. A #microsoft pediu a regulamentação federal do reconhecimento facial, enquanto o CEO da Apple, Tim Cook, argumentou que a FTC deveria intervir e criar uma câmara de compensação onde todos os corretores de dados precisem se registrar. No entanto, nem todas as declarações da Big Tech podem ser de boa fé.

Em 2018, nos E.U.A. foi aprovada uma “lei de privacidade estrita”, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020, a menos que uma lei federal a substitua. Empresas como Amazon, #apple, Facebook e Google estão pressionando o Congresso Americano para aprovar uma nova legislação de privacidade, menos rigorosa,  antes que a “lei de privacidade estrita” entre em vigor.

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Algumas empresas e pesquisadores argumentam que não é suficiente para o governo, simplesmente proteger informações pessoais, porque segundo eles, consumidores precisam possuir suas informações e serem compensados ​​quando usados. É o que ocorre com as Redes sociais, Minds e Steemit, que experimentaram recompensar os usuários com criptomoedas, quando compartilharem conteúdo ou gastarem tempo, usando suas plataformas. Já outras empresas, decidiram pagar pelo compartilhamento de informações e transações bancárias, feitas com elas.

Uma coisa é certa, antes que se possa descobrir o futuro da coleta de informações pessoais, é preciso entender mais sobre o seu presente. A grande quantidade de escândalos de privacidade que surgiram nos últimos anos, que inclusive, já foram discutido num artigo publicado (veja aqui), demonstra que os consumidores ainda não sabem de que maneira suas informações pessoais estão sendo vendidas, comercializadas e compartilhadas. Até que os consumidores realmente entendam esse ecossistema do qual eles, inconscientemente, se tornaram parte, não será possível frear o avanço das ações de coleta de informações.

6 – CONCLUSÃO

A partir do momento em que acessamos a internet, existem sistemas que reúnem todas as informações sobre o que fazemos. Eles praticamente coletam todas as informações sobre como nos comportamos. Eles fazem isso porque nossas informações têm um valor comercial, sendo geralmente vendidas para determinadas empresas das quais somos clientes em potencial. Em seguida, implementam estratégias de marketing específicas, dependendo dos interesses que temos. 

A informação é a moeda do século XXI. Ela é tão valiosa que, em troca, as empresas nos oferecem um conjunto completo de serviços que parecem ser gratuitos. Por exemplo, mecanismos de pesquisa. Qualquer um pode usá-las “de graça”, mas na verdade não é esse o caso. Na realidade, nós pagamos o seu acesso com nossos dados pessoais. O mesmo vale para as plataformas de mídia social: Facebook, #twitter e Instagram, que não cobram um centavo para usarmos suas plataformas, no entanto, eles estão sempre nos lembrando de fornecer informações, incluindo as particulares. E eles não fazem isso apenas por curiosidade. A razão, é que nossos dados pessoais têm um alto valor comercial, que irão lhes proporcionar lucros com suas vendas.

Para concluir, devemos começar a ser mais cuidadosos quando se trata de compartilhar nossas informações pessoais. Vamos aceitar #cookies apenas em sites seguros. Além disso, não devemos compartilhar tudo sobre nossas vidas nas plataformas de mídia social. Eles são uma ótima maneira de se comunicar com outras pessoas, mas não devemos expor dados confidenciais. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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A IMPORTÂNCIA DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

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Quantas empresas realmente entendem os insights do consumidor, quando se trata de desenvolver novos produtos e serviços, ou comercializar esses produtos para clientes em potencial? Isso não se refere apenas a entender os consumidores no sentido tradicional, de como um produto atrai um grupo demográfico específico. Significa, realmente, chegar ao âmago da questão, de entender por que os consumidores agem de determinada maneira; como eles compartilham informações uns com os outros e quais influências culturais estão atuando na formação de suas percepções e entendimentos. Os insights permitem que as marcas se conectem com seus consumidores em um nível emocional mais profundo.

1 – ENTENDER O CONSUMIDOR É CRUCIAL PARA QUALQUER NEGÓCIO

Os consumidores de hoje mudaram drasticamente na forma como optam por seguir as empresas e marcas que usam. Eles têm diferentes origens e fundações culturais; recebem e processam informações de novas maneiras e querem interagir em um nível mais pessoal.

Assim sendo, as empresas e os profissionais de marketing que não pesquisam insights dos consumidores ou que não entendem seu histórico antropológico, não poderão se conectar ou se envolver com clientes em potencial e nem motivá-los a se tornarem clientes.

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A abordagem antropológica do marketing é toda sobre a compreensão da cultura. Em vez de tentar mudar comportamentos, os profissionais de marketing podem aprender a usá-los e utilizá-los em seu benefício. Dessa forma, a construção de uma marca passa a ser baseada no estabelecimento de um relacionamento intelectual e emocional.

Planejadores de negócios, desenvolvedores de produtos e profissionais de marketing devem levar em consideração o contexto cultural. Todavia, observando que “Cultura” não é apenas linguagem, mas uma combinação de caracterizações históricas, tribais e mitológicas. Enfim, uma maior compreensão de insights culturais e fatores antropológicos aumentará a capacidade do profissional de marketing de motivar ações e efetuar mudanças comportamentais dos consumidores.

2 – O QUE SÃO INSIGHTS DO CONSUMIDOR?

Insights se referem ao comportamento dos consumidores, em uma dimensão mais aprofundada:  suas mentalidades, humores, motivações, desejos, aspirações subjacentes, que motivam e acionam suas atitudes e ações. O porquê eles se identificam com uma marca.

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Podemos então definir “insights” como “um entendimento não óbvio sobre os consumidores, que, se aplicado, tem o potencial de alterar o comportamento deles para benefício mútuo”. Esta definição aponta quatro elementos:

1º elemento – Os insights “não são óbvios”, ou seja, normalmente não vem apenas de uma fonte de informação; apenas da análise ou da pesquisa. Daí a necessidade de convergir várias evidências,  para coletar insights; 

É importante notar que há certos fatos ou até mesmo suposições sobre determinados mercados-alvo, que podem ser óbvios, mas jamais darão uma verdadeira compreensão do consumidor.

2º elemento – Os insights verdadeiros precisam ser “capazes de agir”. Aquelas hipóteses que permanecem teóricas e não podem ser testadas na prática não são insights; 

3º elemento – As percepções dos consumidores devem ser poderosas o suficiente para que quando elas sejam postas em prática, os consumidores possam ser persuadidos a “mudar seu comportamento”. Apenas se baseando na análise do comportamento passado do consumidor e considerando que eles são criaturas de hábitos, não revelará qualquer profundidade de compreensão deles, e consequentemente, não contribuirá para mudança de seus comportamentos.

4º elemento – Para ser sustentável, o objetivo de mudança dos comportamentos dos consumidores deve ser para “benefício mútuo”, logo, um entendimento não óbvio sobre os consumidores, sendo considerado, tem o potencial de mudar o comportamento deles para benefício mútuo.

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Estes quatro elementos, unidos, dão uma direção de avaliação às empresas para que prevejam o comportamento futuro dos clientes, com base em ações anteriores e ajuda elas a entenderem a probabilidade de um cliente se comportar de determinada maneira.

3 – POR QUE A AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE?

Sem insights do consumidor, os fabricantes, produtores e marqueteiros mal conseguirão entender o que seus consumidores estão procurando em um produto. Isso geralmente leva a produtos mal direcionados que são projetados sem um público específico em mente.

No entanto, quando os insights dos consumidores são utilizados e gerenciados adequadamente, eles podem encontrar produtos que atendam perfeitamente às suas necessidades, gostos e desejos. Essas percepções podem ser usadas desde a concepção do produto, da sua formulação, indo até o design da embalagem.

Por exemplo, uma empresa que fabrica sobremesas pode descobrir, através do uso de insights, que um número de seus consumidores está preocupado com a adequação de um ingrediente em particular ou prefere que o produto tenha menos calorias. Se a empresa optar por agir de acordo com isso e divulgar a mudança em sua publicidade e embalagem, ela estará segmentando ativamente esses consumidores, oferecendo a eles um benefício mútuo.

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Uma maneira de usar os insights é prever como os consumidores se comportarão no futuro. Isso pode ser uma previsão de comportamentos durante um determinado período de tempo, como no decorrer de um mês ou no decorrer de um ano, ou pode até prever o comportamento deles ao longo da vida.

Por exemplo, na moderna indústria de alimentos, percebe-se que os consumidores estão tendo um interesse maior em conhecer e entender os produtos que compram. Esta necessidade de transparência indica que mais consumidores desejam ver rotulagem e certificações precisas, listadas na embalagem de alimentos. Isso significa, que os fabricantes que atenderem a esse interesse, com transparência e integridade, terão a vantagem de impulsionarem suas vendas.

Outra maneira, é segmentar a base de consumidores e pesquisar os atributos de um grupo específico. Empregando os insights do consumidor, as empresas descobrirão que tem uma melhor compreensão do seu mercado-alvo e que é capaz de criar uma situação vantajosa para ela e para seus clientes.

Todas essas estratégias trarão benefícios, tanto para as empresas como para os consumidores de um modo geral.

4 – AS FORÇAS POR TRÁS DA ASCENSÃO DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

À medida que os negócios crescem e evoluem, os profissionais de marketing sabem muito bem que não podem mais tentar dar aos consumidores “a cor que quiserem, desde que sejam pretos”, como Henry Ford gostava tanto de dizer.

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Atualmente, as empresas entendem que precisam oferecer uma ampla variedade de produtos, serviços, cores e modelos para atrair uma base de clientes, que estão em constante mudança de comportamento. Mas por que alguns produtos saltam das prateleiras, enquanto outros definham na obscuridade? Cada empresa pode afirmar que fez uma pesquisa de mercado aprofundada, capaz de tornar seu produto mais desejável?

A composição do público comprador mudou drasticamente na última década. Agora, todos os consumidores competem pela atenção dos planejadores corporativos. Cada grupo de consumidores tem suas próprias necessidades e desejos específicos. Sem obter insights sobre esses grupos, as empresas nunca poderão desenvolver produtos que eles desejam ou promovê-los de maneira a ganhar sua atenção. 

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Mesmo dentro desses grupos, pode haver uma ampla diversidade de características, o que exigirá delas a buscarem entender o porquê de cada grupo ser diferente.

Nesta diversidade, inclui o complexo quebra-cabeça demográfico em que se encontra a nova economia global, onde os consumidores podem virtualmente vir de qualquer parte do mundo que tenha uma conexão com a Internet. Isso levará a uma compreensão mais maciça sobre os insights do consumidor, que moldam os padrões de compra em vários países.

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Por exemplo, enquanto os consumidores americanos podem valorizar certas características, os europeus podem ter diferentes necessidades e desejos.

Se formos restringir essa avaliação, constataremos que mesmo a Europa não pode ser vista como um mercado gigante, já que antropólogos serão necessários para estudar as diferenças, de país para país, e até mesmo dentro das várias regiões de cada país europeu.

Fica evidente, que as empresas precisam buscar entender como cada grupo de consumidores (seja ele, local, regional ou continental) se relaciona com os produtos e serviços usados, ​​antes que os planos de marketing possam ser implantados. O que estava acontecendo enquanto cada geração de consumidores crescia? O que moldou seus valores morais? Como os consumidores interagem uns com os outros e corporações?

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Com tantas mudanças, é bem provável que embora uma geração mais velha de consumidores possa ter sido mais aberta a aceitar a avaliação brusca de Ford, os consumidores mais jovens certamente não consentirão em tal arranjo.

Todas essas avaliações devem ser realizadas num “piscar de olhos virtuais”, porque o universo da mídia social se tornou o ponto de encontro dos implacáveis consumidores, que estão sempre em busca de respostas rápidas sobre produtos, serviços e empresas.

5 – CONCLUSÃO

Os insights buscam ler e interpretar tendências no comportamento dos consumidores, com o objetivo final de ajustar as operações, usando essas observações para aumentar as vendas. Eles ligam a pesquisa e o marketing para conectar os interesses e as características dos consumidores aos recursos ou benefícios que uma marca tem a oferecer. 

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O marketing centrado no consumidor é mais do que apenas um chavão. O mundo mudou drasticamente e continua a evoluir rapidamente. O que atrai os consumidores um dia, pode não funcionar no dia seguinte. Compreender as suas necessidades e desejos, se tornou uma das coisas mais importantes, antes mesmo de se criar produtos de consumo. Portanto, as empresas precisam despertar para esse fato e melhorar suas percepções sobre o comportamento do consumidor. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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O BITCOIN E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CONSUMIDOR

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Bitcoin tem sido descrito como uma versão descentralizada (de pessoa para pessoa) de movimentação financeira com uso de dinheiro eletrônico, que facilita a compra de bens e serviços on-line sem uma instituição financeira intermediária. Essa definição destaca as principais diferenças entre a moeda digital e as moedas tradicionais ( dólar americano, real, euro, etc.) e as formas comumente usadas de pagamento on-line, como cartões de crédito e débito. Ele pode ser diretamente trocado entre as partes, sem a necessidade de um banco intermediário ou uma câmara de compensação para validar a transferência. Além disso, ele não está vinculado a nenhum governo, ou seja, ele não é criado, controlado ou regulado por um órgão central.

O Bitcoin atrai os consumidores porque a sua característica descentralizada (de pessoa para pessoa) elimina o pagamento de taxas, reduzindo, assim,  os custos da operação. Além disso, os consumidores são atraídos a investir nessa moeda digital devido à possibilidade de maior retorno sobre o investimento, à medida que o tempo avança. Mas, afinal, como funciona esse mercado? O lucro é realmente garantido para o consumidor, ou há riscos na operação?

1 – USANDO O BITCOIN

O Bitcoin tem sido utilizado principalmente como moeda de troca em compras online. Para começar a usá-lo, o consumidor deve primeiro criar uma carteira virtual (é o que o termo significa – carteira para guardar algo, neste caso, a moeda Bitcoin). 

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Depois que a carteira virtual for criada, ele já pode iniciar o processo de aquisição de bitcoin. Uma vez que os bitcoins estejam na carteira virtual – o equivalente a dinheiro em uma conta – o consumidor pode comprar bens ou serviços on-line ou em qualquer local físico, que aceite a referida moeda como método de pagamento.

2 – CRIANDO UMA CARTEIRA VIRTUAL

É útil pensar em uma carteira virtual como uma combinação de uma carteira tradicional e um endereço de e-mail. Semelhante a uma carteira tradicional, a carteira virtual armazena os bitcoins do consumidor e permite que ele mantenha o controle do seu saldo. Assim, como um endereço de e-mail, as carteiras virtuais permitirão, que através delas, os consumidores enviem e recebam bitcoins. 

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Cada carteira vem com uma chave privada (que está disponível apenas para o dono da carteira virtual) e um número infinito de chaves públicas, que são usadas para enviar e registrar a transferência de bitcoins. A “chave pública” criptografa a moeda, para garantir a sua chegada ao destinatário, de forma segura, enquanto a “chave privada” descriptografa os bitcoins quando eles atingem a carteira virtual pretendida. Vejamos um exemplo deste processo:

Um consumidor (B) compra um produto da Seller (S) pelo preço de dois bitcoins. A Seller (S) dá ao consumidor (B) a sua chave pública, o que permitirá ao consumidor (B) enviar dois bitcoins criptografados para pagar pelo produto. A Seller (S) então aceita os dois bitcoins inserindo sua chave privada, que descriptografa a transação e coloca os bitcoins em sua carteira virtual. Todos os usuários de Bitcoin verão essa transação, mas somente a Seller (S) será capaz de aceitar os bitcoins, por causa de sua única chave privada.

3 – ADQUIRINDO BITCOIN

Após a criação de uma carteira virtual, um consumidor pode começar a aquisição de bitcoins, usando qualquer um dos seguintes métodos: mineração; compra usando moeda tradicional, através de sites de troca; venda de produtos e serviços.

3.1. MINERAÇÃO É a parte integrante do Bitcoin e serve a vários propósitos. O processo de mineração cria bitcoins adicionais, valida as transações e mantém o registro de transações dentro do Bitcoin. O processo de mineração é melhor explicado com o seguinte cenário:

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Um consumidor (B) compra um produto da Seller (S) pelo preço de dois bitcoins. Para completar esta transação, um minerador deve garantir que o consumidor (B) possua dois bitcoins no momento da compra. Para isso, o minerador utiliza um software de programação para resolver um algoritmo Bitcoin complexo. Se o consumidor (B) tem os bitcoins, o minerador registra a transação entre o consumidor (B) e a Seller (S) num sistema conhecido como uma “cadeia de blocos”.

A “cadeia de blocos” nada mais é que o registro de todas as transações que ocorreram na rede Bitcoin. Depois que o minerador validou a transação e a transação foi concluída, o minerador é recompensado por seu trabalho recebendo bitcoins recém-produzidos.

O ato de mineração é bastante competitivo, porque os mineiros, dentro do Bitcoin, estão essencialmente “correndo” para resolver o algoritmo e receber os bitcoins. Quanto mais poder de processamento, maior a probabilidade de resolver o algoritmo e registrar a transação.

Em resposta aos mineradores que adquirem mais poder de processamento e resolvem os algoritmos mais rapidamente, o algoritmo Bitcoin torna-se mais difícil em um esforço para estabilizar a quantidade de bitcoins criados e premiados. A quantidade de #bitcoins concedidos aos mineiros, diminui ao longo do tempo, semelhante ao ouro que está sendo extraído. Assim como o suprimento de ouro é limitado, o número de Bitcoins é limitado a 21 milhões; os últimos bitcoins serão extraídos em 2140.

3.2. COMPRANDO BITCOIN – Um consumidor pode comprar bitcoins através de uma troca on-line. Essas trocas on-line operam da mesma forma que as trocas de moedas tradicionais. A taxa atual de bitcoins, que flutua dramaticamente, é trocada por uma moeda tradicional. O site de troca recebe uma comissão pelo serviço de conversão da moeda tradicional em bitcoins e o consumidor recebe bitcoins pela carteira virtual.

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3.3. VENDA DE BENS E SERVIÇOS – O consumidor também pode adquirir bitcoins, aceitando a moeda em troca de bens e serviços. Em troca de um bem ou serviço, seja on-line ou pessoalmente, o vendedor é compensado com bitcoins que são transferidos para sua carteira virtual. Além das transações on-line, um número crescente de estabelecimentos comerciais e profissionais liberais vêm aceitando essa #MoedaCriptografada como forma de pagamento.

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4 – RISCOS PARA O CONSUMIDOR

Bitcoin representa vários riscos para o consumidor. Os riscos mais notáveis, incluem: ações de hackers em carteiras virtuais ou plataformas Bitcoin; o valor flutuante do Bitcoin; transações fraudulentas; a falta de proteção legal e recurso para o consumidor.

4.1. AÇÕES DE HACKERS Como acontece com muitos sistemas que operam online, a rede Bitcoin é suscetível a hackers. Os hackers podem roubar os bitcoins dos consumidores, por meio de acesso às plataformas ou comprometendo as carteiras virtuais do consumidor. Sobre o ataque de hachers, já tratamos num artigo específico (acesso ao artigo).

Esta ameaça se atualizou várias vezes, desde o surgimento do Bitcoin. Um dos exemplos mais notáveis ​​dessa ameaça é o Monte. Gox.  (uma bolsa baseada em Tóquio) que já foi a plataforma dominante para a troca de Bitcoin., e que em fevereiro de 2014 pediu proteção contra falência, depois que hackers obtiveram acesso à plataforma e roubaram quase US $ 480 milhões em bitcoins.

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Os bitcoins roubados pertenciam a centenas de  consumidores, que dependiam do site de troca para armazenamento e conversão de sua moeda. Além da invasão de carteiras virtuais e plataformas de troca, o malware foi distribuído para os computadores dos consumidores.

Também houve casos em que os consumidores excluíram, acidentalmente, suas carteiras virtuais armazenadas em seus computadores.

4.2. VALOR FLUTUANTE O Bitcoin não é apoiado por um governo e não é baseado em qualquer commodity do mundo real, como ouro ou banco central, o que faz com que o seu valor flutua constantemente.

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O Bitcoin não é uma oferta legal – nenhuma lei exige que empresas ou indivíduos a aceitem – assim, ela se torna inútil se nenhuma entidade a aceitar como forma de pagamento. Além disso, o #bitcoin acabou se tornando uma moeda de escolha para transações ilegais.

Em um esforço para combater transações ilegais, a aplicação da lei poderia interromper ou restringir o uso de plataformas e trocas a qualquer momento. Tal ação limitaria a capacidade do #consumidor de gastar bitcoins, diminuiria o valor dessa moeda digital ou faria com que o consumidor perdesse bitcoins.

Este tipo de ação foi recentemente adotada na China. O Banco Central daquele país, ordenou que processadores de pagamentos terceirizados, encerrassem transações envolvendo moedas digitais, logo após proibir as instituições financeiras de aceitar o Bitcoin. O Banco Central da China argumentou que o uso ilegal da moeda poderia prejudicar a maioria dos consumidores chineses.

Os consumidores são frequentemente atraídos para investir no Bitcoin devido à percepção de que ele irá espelhar outras oportunidades inovadoras de investimento, aumentando em valor ao longo do tempo. Há pouco tempo atrás, após a cobertura positiva da mídia Bitcoin, o valor dos bitcoins saltou de US $ 1 para US $ 28. No entanto, o valor drasticamente flutuante do Bitcoin torna-o especialmente perigoso para potenciais investidores. Por exemplo, depois que a China anunciou que as transações do Bitcoin não seriam toleradas por suas instituições financeiras, o valor da #MoedaDigital caiu quase 40% em menos de 24 horas. Em suma, os lucros ou perdas associados ao investimento em Bitcoin são virtualmente impossíveis de prever devido ao seu valor volátil.

4.3. TRANSAÇÕES FRAUDULENTAS A novidade do Bitcoin o torna atraente para os fraudadores, devido à natureza evolutiva do sistema. Essa característica atrai fraudadores porque eles são capazes de se apresentar facilmente como entidades legítimas de Bitcoin em meio a mudanças e crescimento. Os fraudadores são capazes de se apresentar como um intermediário de troca ou um operador de Bitcoin, em um esforço para atrair consumidores e induzi-los a enviar dinheiro.

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O anonimato do Bitcoin e a irreversibilidade das transações, resultam em uma perda permanente para os consumidores e pouca ou nenhuma consequência para os fraudadores. Ainda mais que não existe uma legislação específica para regular o uso dessa moeda digital. Geralmente os governos utilizam as leis que regulam o mercado financeiro tradicional, permitindo a existência de lacunas ou brechas que facilitam essas ações fraudulentas. Com isso, os fraudadores perpetuaram esquemas de investimento ilícitos, que prometem aos consumidores o acesso a oportunidades de ponta, com retornos garantidos, através de investimentos elevados.

Nos Estados Unidos, a Comissão de Valores Mobiliários tomou medidas para combater essas oportunidades de investimento fraudulentas. Foi identificado um suposto esquema que prometia a investidores, um retorno de 7% em seus investimentos, e que estes recursos seriam usados ​​para promover as atividades do Bitcoin. No entanto, esses fraudadores usaram os fund