O GOLPE BAIXO DA BONECA LOL

 
“Golpe baixo” significa jogada desleal, fora das regras não permitidas. No caso da BONECA LOL, produzida pela empresa CANDIDE (CNPJ Nº 62.434.436/0001-46), o golpe baixo se refere ao método de marketing que vem sendo utilizado para implantar em nossas crianças o espírito consumista voraz em série.

1. AS YOUTUBERS MIRINS
A estratégia de #propaganda consiste em recrutar crianças como profissionais de marketing de guerrilha (as youtubers mirins) para que, através de pequenos vídeos inseridos em jogos e desenhos, elas convençam o telespectador infantil de que um determinado #produto é necessário para a sua sobrevivência social.

2. OS VÍDEOS PUBLICITÁRIOS DA BONECA LOL

Nesses vídeos publicitários, as crianças assistem outras #crianças mais sortudas (que compram muitos brinquedos caros, e brincam sem ter que se preocupar com a escola) abrirem saquinhos, que contêm minúsculos acessórios, que certamente serão triturados sob muitos pés de #pais, para encontrarem uma pequena #boneca de plástico quase nua, com olhos gigantes de Bette Davis, que mede apenas alguns centímetros de altura.
 
Por detrás desse mecanismo publicitário estão pesquisadores de mercado, especialistas em #psicologia infantil e estrategistas de #mídia social. Todos eles, sendo financiados por empresas do ramo de brinquedos infantis, para transformar seus filhos em #consumidores cativos.
Essas empresas não estão interessadas no que é melhor para seus filhos. Elas querem é faturar, direcionando as crianças para desejarem o que elas têm para vender. Nada mais é, que uma prática de comunicação mercadológica.

3. CONSEQUÊNCIAS RUINS DA PUBLICIDADE INFANTIL

Num recente estudo feito na Grã Bretanha, foi constatado que crianças menores de 12 anos influenciam os gastos de 700 bilhões de dólares por ano, ao redor do mundo. Essa influencia vai desde a escolha da marca de macarrão com queijo, até a escolha do local para passar as férias. Assim, não é de admirar que as empresas estejam focadas nelas.
Como resultado desse impacto de #marketing na formação dos hábitos das crianças, a BONECA LOL se tornou um fenômeno de vendas. O #brinquedo mais desejado entre as crianças.
Essa onda de consumo agora recai sobre os ombros dos pais, que querendo sempre ver seus #filhos felizes, se sentem pressionados a comprar a BONECA LOL, que custa de R$ 80,00 a R$ 150,00. Alguns pais chegam a pagar até R$ 2.000,00 para ter a coleção completa da #bonecalol
É o caso do médico neuropsiquiatra, Dr. Paulo André Fernandes (CRM5277288-7), que se indignou
e fez um post em sua página na rede social, questionando o preço da boneca #lol e a influência negativa da mídia sobre as crianças:
 
“Amigos sou psiquiatra, estudo o comportamento e o funcionamento do cérebro humano.
Fiquei assustado neste Natal com a influência que os canais infantis como o Discovery Kids, Gloob,  Nick Jr, Disney, Cartoon Network e canais do YouTube têm sobre as nossa crianças.
Me foi pedido como presente de Natal, um brinquedo chamado LOL. Pedi para comprarem, não sabia do que se tratava e me assustei com o preço mediante o tamanho do brinquedo, 80 reais.
Minha surpresa maior foi quando dei o presente e vi o tamanho e a simplicidade do objeto. Na foto vocês podem observar: uma bonequinha minúscula, que não faz absolutamente nada, não acende nenhuma luz, não emite som algum, não mexe nem um braço ou perna.
E sabe a pior parte da história? A criança que presenteei ficou deslumbrada de ter ganho. Encantada com um objeto 0% interessante. Só porque viu repetidamente na TV ou YouTube.
Outro fato que chama atenção: o caixa da loja disse que o outro modelo de 100 reais se esgotou em 3 horas!
Amigos, estão fazendo lavagem cerebral em nossas crianças. Como pode um item tão simples causar tamanho frisson em uma criança e virar uma febre.
Antigamente já existia propaganda de brinquedo na TV, mas era em meio a programação comum, agora com os canais exclusivos de desenhos, as crianças ficam expostas a uma repetição que pode levar a comportamentos estranhos como o encantamento por objetos que simplesmente não tem qualquer valor. Enquanto os adultos estão pagando caro pelas propagandas repetidas e abusivas.
Errei em comprar sem pesquisar. Não cometam o mesmo erro. Fiquem atentos. E não compre a LOL somente pelo prazer passageiro de abrir sua embalagem. Seu filho merece muito mais que isso.
OBS: Pessoas vieram relatar sobre os canais do YouTube onde #meninas e suas #mães ficam abrindo #presentes e colecionando esses itens e nossas crianças ficam assistindo. Nós país devemos supervisionar o que está sendo visto nos tablets e celulares. Que fique a lição: vamos pesquisar sobre o que se trata antes de comprar”
Dr. Paulo André Fernandes Issa
Médico Psiquiatra Neuropsiquiatra
CRM5277288-7
 
4. A PRÁTICA ABUSIVA

Fica plenamente evidente que as crianças estão se tornando receptoras de publicidade, disfarçada de programação de entretenimento, o que configura a PRÁTICA ABUSIVA, prevista no §2º do artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) e no art. 2º da Resolução CONANDA nº 163/2014:
 
Art. 37. É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva.
 
§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança.
Art. 2º Considera-se abusiva, em razão da política nacional de atendimento da criança e do adolescente, a prática do direcionamento de #publicidade e de comunicação mercadológica à criança, com a intenção de persuadi-la para o #consumo de qualquer produto ou serviço e utilizando-se, dentre outros, dos seguintes aspectos:
I – linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores;
II – trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança;
III – representação de criança;
IV – pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil;
V – personagens ou apresentadores infantis;
VI – #desenho animado ou de animação;
VII – bonecos ou similares;
VIII – promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e
IX – promoção com competições ou jogos com apelo ao público #infantil
 
5. CONCLUSÃO

É claro que não devemos impedir a relação das crianças com a tecnologia, a internet e as mídias sociais, mas não podemos, jamais, aceitar que as empresas continuem se aproveitando da vulnerabilidade das crianças para expô-las às publicidades mercadológicas abusivas.
(Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)      

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.
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