HIGENAMINE. ALERTA DE RISCO

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Produtos com higenamine contém doses, extremamente altas, de um estimulante com segurança desconhecida e potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos, alertaram os pesquisadores da organização mundial de saúde pública, NSF International; da Harvard Medical School; e do National Institute for Public Health and the Environment (RIVM).

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1 – O QUE DIZEM OS CIENTISTAS SOBRE A HIGENAMINE

Menos de dois anos depois, que a Agência Mundial Antidoping (WADA) adicionou a higenamine à sua lista de substâncias proibidas no esporte, uma equipe internacional de pesquisadores de saúde pública, divulgou o mais recente estudo sobre essa substância, que é muito utilizada como suplemento esportivo, energético, e para perda de peso.

De acordo com os pesquisadores, foram identificadas doses imprevisíveis, e imprecisamente rotuladas desse estimulante cardiovascular, potencialmente prejudicial. Com base neste resultado, os pesquisadores estão pedindo aos consumidores que tenham cautela ao consumir suplementos, contendo higenamine. A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Toxicology.

“Estamos incentivando os atletas amadores e competidores, assim como os consumidores em geral, a pensar duas vezes antes de consumir um produto que contenha higenamine“, disse John Travis, cientista da NSF International.

Segundo ele, “além do risco de doping para atletas, estes produtos contêm doses extremamente altas do estimulante, cuja segurança é completamente desconhecida e com potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos. O que descobrimos com o estudo, é que muitas vezes não há como o consumidor saber quanto de #higenamine está inserido naquele produto que está usando. Aí está o perigo”.

Na pesquisa, foram analisados  24 produtos que contém higenamine na sua composição. Foram encontradas quantidades imprevisíveis e potencialmente prejudiciais do estimulante, variando de níveis de rastreamento a 62 mg por porção. Dos 24 produtos testados, apenas cinco listaram uma quantidade específica de higenamine no rótulo, e nenhuma dessas cinco quantidades foram precisas.

O uso da higenamine já foi proibido no esporte pela Agência Mundial Antidoping (WADA), por representar um risco para as carreiras de atletas competidores.

“Algumas plantas, como a efedrina, contêm estimulantes. Se você tomar muitos dos estimulantes encontrados na efedrina, pode ter consequências fatais. Da mesma forma, a higenamine, que também é um estimulante encontrado nas plantas. Quando se trata de higenamine, ainda não sabemos ao certo quais os reais efeitos que as altas dosagens terão no corpo humano, mas uma série de estudos preliminares sugerem que podem ter efeitos profundos no coração e outros órgãos.”, disse o Dr. Pieter Cohen, professor de Medicina na Harvard Medical School, e integrante da Cambridge Health Alliance.

Importante destacar, que nos EUA o uso de suplementos dietéticos e esportivos, levam 23.000 pessoas por ano ao setor de emergência dos hospitais. É um índice muito alto e preocupante, quando se verifica que essa situação foi causada por produtos comercializados e taxados como “produtos naturais, benéficos para a saúde”.

“A higenamine é um constituinte natural de vários remédios botânicos tradicionais, como a raiz de acônito e Aristolochia brasiliensis. Embora a higenamine seja considerada um ingrediente dietético legal quando presente como componente de plantas, nossa pesquisa identificou os níveis do estimulante e informações de dosagem e rotulagem altamente imprecisas. E, como substância proibida pela WADA, qualquer quantidade de higenamine em um #suplemento dietético deve ser motivo de preocupação para o atleta.”, disse Travis.

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A NSF International desenvolveu um único Padrão Nacional Americano para suplementos alimentares (NSF / ANSI 173), que se tornou a base do programa de certificação de suplementos dietéticos da NSF em 2001. Para obter a certificação da NSF, os produtos são testados quanto à formulação; reivindicações de rótulos e níveis prejudiciais de contaminantes específicos; e ingredientes potencialmente perigosos. Além disso, #suplementosdietéticos certificados pela NSF devem ser produzidos em uma instalação própria que é inspecionada duas vezes por ano para cumprir os requisitos das Boas Práticas de Fabricação (BPF) dos EUA.

O atendimento a essas exigências, é determinante para que os produtos utilizados na #perdadepeso, em #suplementosesportivos e #energéticos sejam comercializados no mercado norte americano; devendo importadores, distribuidores e lojistas, como também autoridades governamentais de todo o mundo, ficarem atentos às informações, publicadas em revistas e jornais científicos, sobre o resultado das análises destes produtos. Infelizmente isso não acontece, e muitas empresas estrangeiras acabam importando esses produtos, colocando em risco a saúde da população.

Alguns produtos com higenamine:

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2 – USO DO HIGENAMINE NO BRASIL

No Brasil, os produtos contendo higenamine são muito utilizados, como #suplemento natural, com a promessa de ajudar no aumento da energia, a ganhar massa muscular e a queimar gordura. A maioria deles, são importados dos EUA.

A procura por estes produtos tem aumentado no país, mas nenhuma informação (de importadores, distribuidores, lojistas, órgãos de saúde, etc) é transmitida à população sobre os potenciais riscos cardiovasculares; e nem sobre  a inclusão da higenamine na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial #Antidoping.

Essa omissão de informação é uma grave erro, já que o artigo 9º do nosso Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que os fornecedores de produtos, potencialmente nocivos ou perigosos à saúde, deverão informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis.

Infelizmente, o que se vê é muita propaganda anunciando dezenas de benefícios resultantes do seu uso:

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Se renomados pesquisadores identificaram riscos à saúde da população, o mínimo que poderíamos esperar das autoridades competentes, seria a proibição de sua comercialização, já que o Código de Defesa do Consumidor é claro, quando estabelece no art.10 que o fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo, produto que sabe ou deveria saber, que apresenta alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde.

Diante da ausência de medidas preventivas ou coercitivas para impedir a comercialização da higenamine no Brasil, caberá a cada um de nós, decidir ou não, pelo uso dos produtos.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. Nº 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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