O DOCE AMARGO DA STÉVIA

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O açúcar é um dos ingredientes mais perigosos do mercado. Adicionado a quase todos os alimentos processados, ele deixa as pessoas com excesso de peso e doente, se for comido em demasia. No mundo, o consumo médio de açúcar é de 4 vezes mais do que a dose diária recomendada, provavelmente porque seja tão viciante. É por isso que muitos buscam alternativas de adoçantes para substituí-lo, como a STÉVIA, que é conhecida como um excelente produto natural para ajudar na perda de peso. Mas será que o uso da stévia é verdadeiramente saudável?

1 – A PLANTA STÉVIA

Para aqueles que estão ouvindo falar da stévia pela primeira vez, trata-se de uma planta que faz parte da família Asteraceae, relacionada com a margarida e a artemísia. Várias espécies de stévia chamadas candyleaf são nativas do Novo México, Arizona e Texas, mas a espécie premiada, chama-se Stevia rebaudiana (Bertoni), que cresce no Paraguai e no Brasil, onde o povo Guarani vem usando suas folhas para adoçar a comida, por centenas de anos.

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Moises Santiago Bertoni, um botânico italiano, é frequentemente citado como o descobridor da stévia no final do século XIX, apesar do povo Guarani já fazer uso da planta por séculos. Conhecida como kaa-he (ou erva doce) por esses nativos da América do Sul, eles adoram usá-la como adoçante em seu chá de erva-mate; e também como remédio tradicional para queimaduras, problemas estomacais, cólicas e até mesmo como uma forma de contracepção. Ou seja, em sua forma natural a stévia oferece uma variedade enorme de benefícios à saúde.

O interesse comercial e seu uso pela indústria de alimentos e bebidas, colocaram a stévia em posição de destaque no cenário agrícola internacional, devido à demanda social por alimentos saudáveis ​​e naturais. E quando cresce o interesse comercial, já é de se esperar que alterações em laboratório aconteçam, para tornar seus derivados mais agradáveis ao paladar dos consumidores, como forma de impulsionar as vendas e o seu valor comercial. Desde então, viralizou o uso da stévia nos produtos! Produto com stévia passou a ser indicador de “produto saudável”. Nada mais, que uma estratégia de marketing das empresas.

doce-amargo-da-stéviaA partir de 1990, um grande número de países foram incluídos como produtores da stévia: China, Índia, Brasil, Coréia, México, Estados Unidos, Indonésia, Tanzânia e Canadá.

2 – USO DA STÉVIA NA INDÚSTRIA

Em 1931, os químicos M. Bridel e R. Lavielle isolaram em laboratório os dois glicosídeos (compostos) que tornam as folhas de stévia doces: o esteviosídeo e o rebaudiosídeo (com cinco variações: A, C, D, E e F). O esteviosídeo é doce, mas também tem um sabor amargo que muitos reclamam quando o usam, enquanto o rebaudiosídeo isolado é doce sem amargor.

No produto de stévia crua, sem mistura química (aquela mais próxima do natural), menos processado, ​​a planta stévia é secada, desidratada e depois moída, até se transformar num pó. É como tirar a erva do seu próprio jardim e usá-la em uma receita. Nenhum processamento envolvido. É muito utilizada na Ásia, como adoçante natural e planta medicinal.

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Já no produto de stévia altamente processado, conhecido como “extrato de stévia”, contém muito pouco da própria planta. Nele é encontrado apenas um dos compostos produzidos em laboratório: ou o rebaudiosídeo, que é a parte mais doce da folha; ou o esteviosídeo, que proporciona um gosto ligeiramente amargo, mas que adoça. O extrato de Stévia geralmente contêm uma alta porcentagem de glicosídeos do esteviol diterpeno. A transformação é tanta, que não é exagero considerar que não se trata mais de uma stévia.

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Chama a atenção que a stévia crua (aquela mais próxima do natural), apesar de ser a mais indicada para uso, ela não é permitida como ingrediente alimentar convencional ou aditivo, com função de adoçante, nos Estados Unidos, e nem é considerada aceitável ​​para tal uso pela Comissão Européia. Sem dúvida, um absurdo!

Como pode nos E.U.A e na União Européia, compostos ou extratos de stévia (rebaudiosídeo e esteviosídeo), quimicamente derivados da planta stévia, serem considerados seguros em alimentos processados, ​​e a planta stévia não? Para entender isso, teremos que voltar no tempo.

Em 1991, o Food and Drug Administration (FDA) se recusou a aprovar o uso comercial da planta stévia, mesmo diante da pressão de fabricantes de adoçantes artificiais, como Sweet n’ Low e Equal (uma indústria de um bilhão de dólares), que clamava por sua aprovação.

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Mas em 2008, a pedido da empresa Cargill (maior empresa do mundo de capital fechado, presente em 5 continentes), o FDA decidiu aprovar o uso comercial apenas do composto produzido quimicamente em laboratório, o rebaudiosídeo, a parte mais doce da folha. Isso, sem realizar qualquer estudo a fim de analisar o impacto do seu uso sobre a saúde humana a longo prazo.

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Essa aprovação, a pedido da empresa Cargill,  soou muito suspeito no mercado mundial, dando a entender que poderosas indústrias exercem grande influência sobre o que é aprovado no FDA. Influenciam decisões da FDA que não fazem sentido. Com certeza! Como pode, aprovar derivados da planta stévia, manipulados em laboratório, e proibir o uso da planta in natura!?

3 – PRODUTOS DE STÉVIA NO MERCADO BRASILEIRO

A cada ano, cresce o consumo de stévia no Brasil. Embora o real benefício da stévia para a nossa saúde seja obtido em sua forma mais crua, existem no mercado diversas marcas anunciando se tratar de stévia natural. Puro engano!

Para quem quer fazer uso da planta de stévia crua, buscando a liberação de toda a potência do doce da planta, você terá que comprar a #stévia de folhas inteiras em pó. Basicamente é a  stévia em pó (crua, seca e moída), que contém todo o espectro de glicosídeos e tem um sabor ligeiramente amargo.

Por outro lado, existe a stévia  processada pela indústria (extrato de stévia), que tem acréscimo de várias substâncias em sua composição.  É principalmente uma extração do rebaudiosídeo – a parte mais doce e menos amarga da folha de stévia, legalmente permitido pela FDA, e que pode ser comercialmente rotulado como “adoçante”. É muito mais doce do que o açúcar e sem aquele sabor amargo, mas também sem os benefícios de saúde. Da mesma forma, o produto de stévia com o esteviosídeo.

Vendido no Brasil como #adoçante natural à base de stévia, temos a Trúvia, desenvolvida pela Coca-Cola e pela Cargill. É distribuído e comercializado pela Cargill como um adoçante de mesa, bem como um ingrediente alimentar. A Trúvia, de natural não tem nada. Ela é feita do extrato de stévia, acrescido de eritritol e sabores naturais.

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O eritritol é um #açúcar de álcool, derivado da glicose do amido de milho. Apesar de ser um derivado natural, encontrado em várias frutas e vegetais, o eritritol resulta de processos químicos que alteram a sua composição para ser usado como adoçante. O uso do eritritol promove aumento de glicemia, sendo arriscado para diabéticos; causa cólicas, náuseas e fezes aquosas, etc.

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Já os sabores naturais, nada mais são, que ingredientes químicos muito utilizados no extrato de stévia, para camuflar o sabor metálico que surge após todo o processo de industrialização. Os “Sabores naturais” estão contribuindo para o que David Kessler (ex-chefe da FDA) chama de “carnaval de comida” em sua boca. Isso torna difícil parar de comer ou beber, porque os sabores que eles sintetizaram vão levar sua mente a querer mais e mais. Quando as empresas usam esses sabores manufaturados, elas estão literalmente “seqüestrando” suas papilas gustativas, uma a uma.

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Na Trúvia, a stévia é processada com ingredientes adicionados ou “sabores naturais”. Para sua fabricação são 42 etapas, que incluem a extração do rebaudiosídeo e o adicionamento de substâncias químicas, como o acetonitrila, que é tóxico e carcinogênico do fígado; e o eritritol, que é à base de milho.

Outro produto vendido no Brasil, comercializado como sendo #natural, é a Stévia 100% da Línea. Mas isso não é verdade.  Como “100% natural” se o extrato de folha de stevia é de fato processado? O processamento da stévia não permite que ela seja chamada de natural.

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Na mesma linha de stévia processada, mas se declarando “100% natural”, temos a Finn 100% Stévia:

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“Natural’ significa que  nada de artificial ou sintético (incluindo todos os aditivos de cor e sabor, independentemente da fonte) foi incluído, ou adicionado a um determinado produto alimentício.  

Um exemplo clássico, é o xarope de milho rico em frutose, que apesar de ser processado a partir de uma fonte natural (o milho), ele não é considerado um adoçante natural pela FDA. E por que no Brasil se permite que empresas divulguem a stévia processada, como natural?

Se uma planta foi processada, ela deixa de ser natural. Se não se encontra em seu estado natural, ela não é natural. É a lógica!

Também podemos usar como exemplo o café, que consumimos diariamente. Se você come grãos de café cru, você não os reconhece como café, apesar dele se encontrar no seu estado “natural”. Para ele produzir o sabor que você espera e conhece, ele precisa ser fermentado, seco e torrado. A partir daí ele deixa de ser “natural”, pois a sua torrefação pirolisa gorduras, proteínas e açúcares, produzindo dezenas de pirazinas (composto orgânico heterocíclico e aromático com a fórmula C₄H₄N₂) e outras substâncias químicas aromáticas que agradam o nosso paladar quando o consumimos.

Podemos então concluir que “natural” é a stévia crua, sem mistura química,  sem processamento; aquela que é secada, desidratada e depois moída, até se transformar num pó. Os demais, estão longe de estarem em sua forma in natura ou mais nutritiva, devendo ser evitados. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. Nº 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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