COMO O GOOGLE ESTÁ CORROENDO A LIBERDADE DE ESCOLHA DOS CONSUMIDORES

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A pesquisa do Google, se tornou a porta de entrada para a Internet. Está em todos os dispositivos que os consumidores colocam em suas casas, bolsos ou escritórios. O domínio do Google no mercado de buscas é incomparável. É o serviço mais popular da Internet, sendo o ponto de entrada para muitas outras partes da web. Mas, afinal, se as pessoas gostam e usam os serviços do Google, onde estão os danos que ele causa aos consumidores? Simplesmente, o dano é evidente e resulta do seu comportamento anticompetitivo que afeta diretamente os consumidores, ao minar a liberdade deles de escolherem entre uma variedade maior de empresas e produtos. Ou seja, os consumidores são prejudicados porque não podem obter os resultados mais relevantes, mas sim aqueles que são de interesse do Google.

1 – O DOMÍNIO DAS EMPRESAS AMERICANAS 

Os EUA é a maior economia do mundo, tem a mais poderosa força militar do planeta, e possui as maiores empresas transnacionais, dominando os setores da #informação (Google), da #mídia (Facebook); do #varejo (Amazon, E-Bay);  e da #tecnologia (Apple, Microsoft).

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Essas empresas são as meninas dos olhos do governo norte-americano que se empenha, através de acordos comerciais internacionais para: (1) estabelecer regras que as ajudem  a obter maiores lucros da economia global; (2) limitar a capacidade dos governos de  regular a atuação delas no interesse público, muitas vezes de forma que não poderiam conseguir através dos canais democráticos normais; (3) bloquear outros futuros concorrentes (por exemplo, querem minar o projeto da China – “Made in China 2025” – que já investe bilhões de dólares para se tornar uma  das grandes potencias no setor de alta tecnologia.

Tais empresas buscam impor suas regras no mundo, para garantir seu atual domínio tecnológico. Neste momento, eu poderia fazer uma análise de cada uma delas, mas vou me ater apenas à atuação da empresa Google.

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2 – CORROENDO A LIBERDADE DE ESCOLHA DOS CONSUMIDORES

Confiando no Google para dar a eles um resultado que corresponda à realidade do mercado, os consumidores encontrarão, de fato, apenas as empresas e produtos que estão dentro da caixa do Google Shopping. Muitos desses #consumidores não sabem é que pode haver outros sites de comparação que ofereçam outras empresas, produtos e preços que possam ser melhores ou mais relevantes para eles do que os exibidos no próprio serviço do Google, o que acaba corrompendo a sua liberdade de escolha.

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Isso é o que acontece se compararmos as ofertas disponíveis no Google Shopping e nos outros sites de comparação dos concorrentes, como o Bondfaro, Kelkoo, que acabam sendo prejudicados pelo comportamento anticompetitivo do Google.

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Se, por exemplo, você for pesquisar no Google “uma câmera digital”, somente obterá com destaque os resultados veiculados pelo #GoogleShopping que exibem as maiores empresas que operam no mercado brasileiro. No entanto, não há visão de qualquer outro site de comparação (Bondfaro, Kelkoo, etc). Portanto, para as empresas que estão de fora do Google Shopping, é quase impossível atingir os consumidores e competir com as maiores empresas de varejo.

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O Google abusa de seu domínio em um mercado (mecanismos de busca) para afastar seus concorrentes em outro mercado (sites de comparação). Como resultado, nega-se aos consumidores a possibilidade de encontrar ofertas que possam refletir melhor o que eles procuram do que os que aparecem nos sites do Google.

Uma coisa é certa, o #google está favorecendo injustamente seus serviços verticais em todos os tipos de mercados, incluindo compras, pesquisa local e viagens. É como caminhar por uma via comercial, e encontrar bloqueadas algumas ruas e calçadas que dão acesso às lojas, com exceção das lojas aprovadas pelo Google.

Se o Google continuar favorecendo seus próprios serviços de comparação, os concorrentes, como a Kelkoo, que dependem da Pesquisa do Google para alcançar seus clientes, acabarão sendo eliminados do mercado. A conseqüência será menos inovação e menos competição nessa área. E é exatamente isso que prejudica o consumidor!

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A prática de favorecimento do Google não está dando oportunidades iguais às #empresas que desejam competir com base nos méritos e oferecer bons produtos inovadores aos consumidores. Com menos #sites de comparação, as empresas acabam tendo o Google como o único canal que elas podem usar para alcançar os consumidores, através do mecanismo de pesquisa.

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O Google, com sua posição dominante na pesquisa geral, tem a responsabilidade especial de não interromper a concorrência, tanto nos serviços de #pesquisa geral e local, quanto nos serviços de comparação.

Alguns dizem até que o Google não seria capaz de monetizar o espaço publicitário em seus resultados de mecanismos de busca, caso fosse forçado a tratar igualmente todos os sites de comparação. Considero isso uma falácia, mas não vou me aprofundar nesse tema, porque não estamos tratando aqui sobre a capacidade do Google de ganhar dinheiro com o espaço publicitário em seu mecanismo de pesquisa ou através do #serviço que oferece às empresas no Google Shopping. O que estou querendo mostrar e esclarecer neste artigo é que, havendo monetização ou não dos #serviços do Google, mas sendo garantido a todos os sites de comparação a mesma possibilidade de aparecerem nos resultados de busca quando os consumidores fizerem sua consulta na pesquisa do Google, se estaria promovendo uma competitividade justa que beneficiaria a todos nós.

A situação é tão preocupante, que nem mesmo o mecanismo de leilão do Google anula a sua conduta anticompetitiva. Esse modelo, no qual os “sites de comparação” fazem lances um contra o outro e contra o Google, para aparecer na Caixa de Compras, não garante que os consumidores obterão resultados com base no mérito, mas sim no poder de #compra dos concorrentes, arriscando-se, portanto, a mostrar apenas as maiores empresas de comércio eletrônico. Ou seja, esse modelo de #leilão do Google, tal como está, também acaba impedindo a competitividade e prejudicando os consumidores.

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3 – GOOGLE É MULTADO

A Comissão da União Europeia já se posicionou contra o comportamento anticompetitivo do Google, inclusive acusando-o de alterar deliberadamente seus algoritmos para que seus próprios serviços de comparação apareçam sempre no topo, e os resultados dos concorrentes obtenham automaticamente uma classificação mais baixa, às vezes até desaparecendo de vista. A consequência foi uma multa aplicada no gigante de tecnologia, no valor de € 2,42 bilhões por violar as regras antitruste da União Europeia.

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4 – E QUANTO ÀS OUTRAS ÁREAS, NAS QUAIS O GOOGLE USA ESTRATEGICAMENTE SUA POSIÇÃO DOMINANTE?

Também não é diferente. O caso do Google Shopping é apenas uma peça de um quebra-cabeças maior. Assim como os consumidores usam a pesquisa do Google para procurar câmeras ou sapatos, eles também a usam para procurar restaurantes, dentistas e hotéis. Nesta área (tecnicamente chamada de “Busca Local”), o Google faz praticamente a mesma coisa: aumenta seus próprios serviços de revisão rebaixando seus concorrentes.

5 – CONCLUSÃO

O comportamento anticompetitivo do Google acaba afetando diretamente os consumidores, ao minar a liberdade deles de escolherem entre uma variedade maior de #produtos e empresas. E esta realidade exige que as autoridades brasileiras ajam para impedir que o Google continue abusando do seu domínio no mecanismo de busca, para prejudicar os seus concorrentes. É importante que o Google garanta a liberdade de escolha aos consumidores e dê oportunidades iguais a todos os participantes do #mercado para competir com base em seu próprio mérito e conquistar a confiança da população em pé de igualdade. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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