CONSUMIDORES TEMEM VOAR NO BOEING 737 MAX 8

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O Boeing 737 MAX 8 é um moderno avião comercial, com as qualificações de ser econômico, silencioso e dispondo de tecnologia de última geração. Um sucesso de vendas que gerou 1/3 dos lucros da Boeing em 2018, mas que agora está causando um sentimento de insegurança e medo, após os dois desastres, ocorridos em apenas cinco meses, ocasionando a morte de 346 passageiros. No momento, países e operadoras decidiram aterrar (manter no solo) todos os aviões 737 MAX 8, aguardando um parecer técnico conclusivo da fabricante Boeing. Segundo a Agence France-Presse (AFP), a Boeing vai apresentar uma solução para o problema em 10 dias e cada avião levará 2 dias para ser reparado. A previsão é que a partir do mês de abril eles retornem às suas atividade. Enquanto isso, cresce o número de consumidores expressando preocupação com toda essa situação, incluindo brasileiros que utilizam os serviços da GOL Linhas Aéreas – única empresa brasileira que possui 7 aeronaves Boeing 737 Max 8.

1- A ASCENSÃO E QUEDA DO BOEING 737 MAX 8

O 737 MAX 8 faz parte de uma série de aeronaves de corpo estreito da Boeing. Ele representa a mais recente tecnologia para o jato mais popular de todos os tempos, o 737. A linha é de fato a quarta geração do Boeing 737, sucedendo o Boeing 737 Next Generation (737NG) . Existem quatro planos na série, o 7, 8, 9 e 10. O MAX 8 foi criado para substituir o 737-800, que é considerado o modelo de maior duração da série.

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A nova linha foi lançada em 30 de agosto de 2011, mas somente obteve a certificação da Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA em 8 de março de 2017. Desde então, se tornou um sucesso de vendas, gerando 1/3 dos lucros da Boeing em 2018.

Seu enorme motor LEAP-1B, equipado com pás de fibra de carbono com ponta de titânio, foi considerado 12% mais eficiente que o anterior CFM56-7B do 737NG. A Boeing sinalizou que tinha grandes esperanças para este motor. “Acho que a coisa mais empolgante, é que o motor da LEAP-1B vai definir o mercado de motores de corredor único, pelos próximos 20 a 40 anos, então, fazer parte disso é muito emocionante”, disse Steve Crane, piloto de testes da CFM International. 

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A Boeing ostenta o winglet do 737 MAX 8 como o que há de mais moderno em tecnologia avançada.Além dos componentes de elevação para dentro, para cima e levemente para frente, do aerofólio superior, o novo aerofólio inferior gera um componente de levantamento vertical, que é retirado da fuselagem e também levemente para frente. Trabalhando juntos, eles fornecem o winglet perfeitamente equilibrado, que maximiza a eficiência geral da asa”, informou um representante da empresa.

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As informações que constam na página oficial da Boeing são de que a fuselagem do 737 MAX 8 é super reforçada para acomodar seus enormes motores; que o cone da cauda expandido, oferece uma vantagem de 8% por assento, em comparação a outras #aeronaves no segmento de corredor único, além de melhorar a estabilidade do fluxo de ar e a eficiência no consumo de combustível.

O interior possui paredes laterais esculpidas de forma moderna; uma cabine ampla com mais espaço para cabeça; caixas de arrumação giratórias, sendo que as caixas maiores fornecem mais espaço para os passageiros guardarem as bagagens de mão; e um sistema de iluminação LED. Sem dúvida, uma aeronave super moderna.

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Ocorre, que toda essa modernidade não foi capaz de impedir dois acidentes trágicos num prazo de 5 meses: o primeiro acidente, ocorreu em 29/10/2018 na Indonésia, quando um #avião da empresa Lion Air, caiu no Mar de Java, logo após decolar de Jakarta, com 189 pessoas a bordo. Todos morreram.

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O segundo acidente, ocorreu no dia 10/03/2019 com um avião da empresa Ethiopean Airlines, com 157 pessoas a bordo. Nenhum sobrevivente. Era um domingo pela manhã, com céu limpo e condições calmas de voo. O piloto lutou para   ganhar altitude, mas a aeronave bateu no chão em seis minutos,  depois da decolagem. 

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A Boeing divulgou um comunicado dizendo que a empresa estava profundamente entristecida pelos acidentes e acrescentou que se juntaria aos esforços de investigação.

Até agora, a Boeing recebeu, aproximadamente, 5.000 pedidos para aviões 737 MAX 8, de mais de 100 clientes em todo o mundo, como: Norwegian Air; Air China; SpiceJet; Southwest Airlines; Icelandair; Flydubai; Air Italy; TUI; LOT Polish Airlines; AeroMexico; Oman Air; SmartWings; Aerolineas Argentinas; Lion Air; Corendon Airlines; China Southern; Ethiopean Airlines; Air Canada; Garuda Indonesia; United Airlines; American Airlines; Xiamen Airlines; WestJet; Turkish Airlines; SCAT Airlines; Chian EasternShenzhen Airlines; Jet Airways, OK Airways; GOL Linhas Aéreas Inteligentes; SilkAir; S7 Siberia Airlines; Copa Airlines; Lucky Air; Sunwing Airlines; Hainan Airlines; Mauritânia Airlines International; Shandong Airlines; Fiji Air; Hahn Air; Cayman Airways e Comair.

Neste momento, países e operadoras decidiram aterrar (manter no solo) todos os aviões 737 MAX 8, aguardando um parecer técnico conclusivo da fabricante Boeing. Segundo a Agence France-Presse (AFP), a Boeing vai apresentar uma solução para o problema em 10 dias e cada avião levará 2 dias para ser reparado. A previsão é que a partir do mês de abril eles retornem às suas atividade. 

2 – REAÇÕES IMEDIATAS

Após os acidentes, os pilotos e a tripulação de voo demonstram estarem bastante cautelosos. A Associação de Atendentes de Voos Profissionais (APFA), que representa os funcionários da American Airlines, disse aos seus membros para não embarcarem em um 737 MAX 8 se não se sentirem seguros.

A Associação de Comissários de Bordo (AFACWA) solicitou, formalmente, uma investigação pela Administração Federal de Aviação (FAA) dos EUA. “Na sequência de um segundo acidente, os reguladores, fabricantes e companhias aéreas devem tomar medidas para resolver as preocupações, imediatamente”, disse.

A senadora Elizabeth Warren disse: “A FAA deve seguir sua liderança, reverter sua decisão e, imediatamente, aterrar os aviões nos Estados Unidos, até que a segurança seja assegurada”.

E o senador Mitt Romney disse no Twitter: “De uma abundância de cautela para o público voador, a FAA deve aterrar o 737 MAX 8 até investigarmos as causas de acidentes recentes e garantirmos a aeronavegabilidade do avião”.

O presidente Donald Trump opinou com um tweet inflamado, dizendo que “os aviões estão se tornando complexos demais para voar”.

Lori Bassani,  presidente nacional da Associação dos Comissários de Voos Profissionais, disse aos funcionários da American Airlines que eles tinham a opção de evitar voar nos aviões Boeing 737 MAX 8. Em uma carta dirigida aos 27.000 comissários de bordo representados, ela escreveu: “É importante que vocês saibam que, se acharem que é inseguro trabalhar com o 737 Max, vocês não serão forçados a voar”.

A FAA informou na terça-feira, que a investigação do último acidente continuará, e tomará decisões sobre quaisquer outras medidas baseadas nas evidências. Ela também ordenou que a Boeing atualizasse até o mês de abril, seus requisitos de treinamento e manuais, e concluísse os aprimoramentos no controle de voo, inclusive em seus sistemas de prevenção de estol (velocidade abaixo da qual o avião perde a sustentação, por não haver sucção em cima das asas e pressão embaixo).

O chefe da Boeing, Dennis Muilenburg, lamentou a última tragédia, mas não teve dúvidas sobre a segurança do avião. “Estamos confiantes na segurança do 737 MAX 8”, disse ele em um email a funcionários da Boeing.

3 – GOL LINHAS AÉREAS INTELIGENTES

Por aqui, a GOL Linhas Aéreas Inteligentes é a única empresa brasileira que utiliza, desde agosto/2018, o Boeing 737 MAX 8. São 7 (sete) unidades já em atividade, enquanto aguardam a entrega de mais 127 aeronaves encomendadas.

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Em decorrência dos acidentes, a GOL aterrou as 7 (sete) aeronaves e divulgou uma nota pública informando que “reitera a confiança na segurança de suas operações e na Boeing, parceira exclusiva desde o início da companhia em 2001; que está acompanhando de forma intensiva todos os fatos, que permitam o retorno das aeronaves às operações regulares da companhia, no menor espaço de tempo possível”.

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4 – O MEDO DE VOAR NO BOEING 737 MAX 8

Depois de duas tragédias na aviação comercial com um mesmo modelo de avião, já era esperado que os consumidores expressassem os seus sentimentos de medo e insegurança.

“Eu fiquei apavorada”, disse a gerente sênior de projeto, Laurice Figuera, à Revista Fortune, depois de perceber que seu voo de #viagem, programado de Los Angeles para a Jamaica, seria num Boeing 737 MAX 8.

“Os passageiros estão se voltando para as mídias sociais para expressar seus medos sobre a segurança do avião e buscar a garantia das companhias aéreas que utilizam o jato. Estamos respondendo a algumas perguntas de clientes perguntando se a empresa continuará operando com o Boeing 737 MAX 8. Nossa equipe de relações com clientes está respondendo a eles, individualmente”, disse Brian Parrish, um porta-voz da Southwest Airlines.

Mesmo tendo as companhias de aviação aterradas suas aeronaves, até que a #boeing  apresente uma solução para o problema, uma coisa é certa: os consumidores irão continuar inseguros para #viajar num 737 MAX 8. Com isso, os prejuízos financeiro para as empresas de #aviação serão incalculáveis, tendo que pagar centenas, se não milhares, de dólares. Sendo até provável,  que muitas das encomendas do #737max8 à Boeing, já estejam sendo canceladas.

As companhias aéreas se recusam a informar quantos #passageiros pediram mudança de voo e cancelamento de passagem, mas dá para se ter uma ideia da quantidade quando se verifica que nessas últimas semanas, muitas pessoas usaram as redes sociais para tirar dúvidas e dizer que estão dispostas a cancelar suas passagens aéreas, pedir mudança de voo e falar que não têm coragem de embarcar num 737 MAX 8.

Esse clima tenso, obrigou as operadoras a providenciarem serviços especiais de atendimento aos consumidores, para atender  uma enxurrada de telefonemas, buscando todo tipo de informações, dentre as quais: como saber em que tipo de avião estão agendados; em quais rotas voam o 737 MAX 8; se um Boeing 737-800 é o mesmo que um 737 MAX 8; como saber quais os tipos de avião estarão disponíveis no momento da reserva; se as companhias aéreas podem mudar de avião no último minuto. São perguntas que refletem o medo de viajar no 737 MAX 8.

Essa reação dos consumidores levou a presidente da AFA, Sara Nelson, a emitir um comunicado, reconhecendo a importância da segurança, mental e física, dos consumidores americanos: “Trata-se da confiança do público na segurança das viagens aéreas. Os Estados Unidos têm o sistema de aviação mais seguro do mundo, mas os americanos estão buscando confiança neste momento de incerteza. A Administração Federal de Aviação deve agir de forma decisiva para restaurar a fé pública no sistema. Mais uma vez, alertamos a todos para não tirar conclusões precipitadas e não interromper a integridade das investigações”.

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Diante da gravidade dos fatos, a restauração da confiança dos #consumidores para viajar num Boeing 737 MAX 8, vai exigir tempo para que aconteça. Talvez, nunca aconteça. Vamos aguardar!  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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