Arquivos Mensais: abril 2019

O FUTURO DO CONSUMIDOR BANCÁRIO

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Até pouco tempo, os Bancos com o maior número de metros quadrados dominavam o mercado, reunindo uma enorme base de clientes em cada local físico. Olhando para o futuro, essa infraestrutura física não será o fator determinante para um novo consumidor bancário, considerando que hoje a inovação tecnológica é de fundamental importância para o setor bancário e o ritmo da mudança está destinado a aumentar. Com isso, os profissionais de marketing financeiro precisam responder às expectativas dos consumidores e tornar a atividade bancária, parte do seu estilo de vida digital.

1 – O IMPACTO DO VAREJO NO SETOR BANCÁRIO

O consumidor bancário está aprendendo, cada vez mais, sobre os benefícios de um estilo de vida conectado à web, à medida que as grandes marcas, como Amazon, Facebook, Walmart, Apple e Google estão buscando maneiras de envolver as pessoas, além das interações comerciais tradicionais, com adoção de medidas que facilitem e tornem mais cômoda a vida delas no setor varejista, por meio de novas tecnologias, como dispositivos ativados por voz, compras com base em resultados de pesquisa e uso de aparelhos móveis em todos os estágios do processo de compra.

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Essa evolução, que se consolida no setor varejista, está impactando as demandas do consumidor bancário, que se sente cada vez mais frustrado com o “atrito” existente no processo de contratação de serviços. Isso inclui formulários longos, falta de transparência das informações, cláusulas contratuais confusas e a incapacidade de concluir procedimento inteiramente digital.

Dessa forma, a expectativa do #ConsumidorBancário têm sido por rapidez na prestação de serviços, engajamento personalizado, simplicidade dos procedimentos e a remoção do atrito no processo de contratação. Como exemplo de “rapidez e remoção de atrito”, citarei o fornecimento de recursos pelas instituições financeiras para abertura de contas de ponta a ponta, via internet, sem exigência de comparecimento a uma filial. E como exemplo de “engajamento personalizado e simplicidade de procedimentos”, citarei a contratação de #serviços financeiros por meio de canais de mídia social, que resultem em satisfação quase imediata.

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2 – OS BENEFÍCIOS DA TECNOLOGIA NO SETOR BANCÁRIO

O Big data (volume crescente de dados armazenados) pode ser aplicado no setor bancário para impulsionar a personalização dos serviços prestados aos clientes. Se grande parte da saúde financeira de um consumidor bancário gira em torno do seu histórico de crédito, à medida que os #bancos avançarem no sentido de utilizar seu imenso volume de dados, será possível avaliar melhor os riscos das operações financeiras, como também fornecer serviços mais personalizados aos clientes. Por exemplo, ao acessar informações das redes sociais, um Banco será capaz de prever comportamentos de clientes, identificar seus interesses e necessidades, permitindo  fornecer a eles incentivos específicos ou ofertas que lhes ajudem no processo orçamentário. Deste modo, o Big Data não apenas permite que os Bancos avaliem o risco, mas também forneça um serviço melhor ao cliente.

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Acredito que o futuro dos Bancos girará em torno dos serviços de personalização descritos acima, sendo disponibilizadas mais ofertas que melhor atendam seus clientes individuais e suas necessidades. Para os consumidores bancários da geração do milênio (que representa os nascidos entre o período da década de 80 até o começo dos anos 2000), isso pode significar “ofertas a la carte”, já que esses clientes estão mais abertos a experimentarem novas ferramentas e soluções.

Acompanhar as demandas do cliente por meio da tecnologia é de extrema importância. É o caso da população idosa – com 60 anos ou mais – cuja demanda por novas formas de interação pode aumentar à medida que esses consumidores bancários, grande parte deles já aposentados, reduzem suas idas às agências bancárias, muitas vezes até por limitações físicas decorrentes de problemas de saúde. Daí, então, os Bancos precisarão utilizar ferramentas como videoconferência, em vez de exigir que eles se desloquem a uma filial. Isso, também, significa ajudar os clientes envelhecidos a planejar a sucessão patrimonial.

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Os clientes esperam uma experiência de Banco multicanal, tendo como referência a  evolução tecnológica que acontece no setor varejista. Eles querem que a eles sejam disponibilizadas ferramentas, como aplicativos móveis que lhes permitam acessar, monitorar e movimentar seu dinheiro com o toque de um dedo; inclusive a avaliar o crédito e fazer transações bancárias por meio das mídias sociais.

3 – POR QUE OS BANCOS PRECISAM ACELERAR A TRANSIÇÃO DIGITAL?

A tecnologia em si é uma plataforma em rápida mudança, que é imprevisível e evolui a um ritmo inacreditável. Competição agressiva, inovação rápida e expectativas extremas do usuário, tornam o desenvolvimento de aplicativos em plataformas modernas, um trabalho extremamente difícil. A volatilidade sempre ameaça, que um aplicativo se torne obsoleto em pouco tempo, logo, as organizações não podem ter sucesso apenas seguindo as tendências. Elas precisam criar estratégias e recursos de aplicação muito antes das inovações técnicas serem introduzidas no mundo. E no setor bancário não é diferente!

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Todos esses desafios valem a pena, já que as possibilidades de negócios que a inovação tecnológica traz aos Bancos, são infinitas. Para os Bancos permanecerem relevantes, ganharem participação de mercado e apelo ao consumidor, eles precisam transformar-se completamente em uma entidade diferente, aproveitando os avanços modernos da computação, como nuvem; análise de dados; automação; inteligência artificial, etc., para construir soluções sustentáveis ​​centradas no cliente.

O modelo bancário tradicional está perdendo relevância e precisa de uma atualização rápida. Os Bancos não podem confiar mais nos negócios habituais para crescimento e lucratividade sustentáveis ​​a longo prazo, e necessitam se transformar radicalmente em organizações mais eficientes e centradas no cliente. Para conseguir isso, eles devem investir em inovação; alinhar o digital às estratégias de negócios e começar a explorar soluções de múltiplos provedores.

Aqui, reitero que um Banco não pode ser inovador, se sua tecnologia estiver ancorada no passado. As mudanças precisam ser aprimoradas, continuamente, para oferecer melhores serviços e experiências aos clientes. Embora, a lentidão em relação a mudanças, o alto custo em investimento tecnológico e a complexidade, tornem o processo inovador em Bancos tradicionais, uma tarefa onerosa – a modernidade é fundamental para reduzir os custos de manutenção de TI e alocar mais recursos para criar inovação real, ofertas digitais convincentes e melhorar a lucratividade. 

4 – CONCLUSÃO

O setor de serviços financeiros está passando por mudanças drásticas como consequência da mudança do comportamento do consumidor bancário, aumento das expectativas, proliferação de canais, interrupção, uso inovador e adoção de novas tecnologias e a digitalização dos negócios e da sociedade em geral. Reduções de custos, aumento de receita e redução de risco continuam sendo os principais fatores, inclusive no varejo.

Com muita frequência, os Bancos tradicionais retransmitem processos manuais de aplicação, baseados em papel. Isso não é mais aceitável, em um mundo onde as expectativas dos clientes estão sendo elevadas por outros setores, como tecnologia e comércio eletrônico de varejo. Nestes setores, os #consumidores são cada vez mais capazes de fazer compras, onde e quando quiserem, durante suas atividades cotidianas, com apenas um clique de um botão. À medida que os consumidores se acostumam com essas inovações tecnológicas no setor varejista, eles esperam dos Bancos uma disponibilidade comparável, como recursos digitais em tempo real, capazes de fornecer soluções financeiras personalizadas. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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A COMERCIALIZAÇÃO DA INFÂNCIA

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A comercialização da infância é uma realidade. Sem nenhuma supervisão do governo ou clamor público, a indústria multibilionária de marketing infantil tem usado os avanços mais recentes em psicologia, antropologia e neurociência para transformar as crianças na rede de consumidores mais poderosa e lucrativa do mundo, impactando em seus valores, aspirações, saúde e também no seu psicológico. Então, quem estão à frente da formação dos nossos filhos? São os pais,  guardiões, amigos, familiares, professores ou um exército de psicólogos, branding gurus, especialistas em marketing e anunciantes, que gastam bilhões de dólares para moldar mentes jovens em nome do lucro? Será que, diante dessa realidade, as crianças ainda podem ser crianças, antes de serem consumidoras?

1 – COMO A INFÂNCIA ESTÁ SENDO COMERCIALIZADA

Os profissionais de marketing estão criando métodos cada vez mais engenhosos para infundir a vida das crianças com mensagens publicitárias, e introduzi-las no mundo das marcas e rótulos. E está funcionando! Mais do que nunca, elas estão indo às compras.

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A pesquisa da National Consumer Council (NCC) mostrou que aos dez anos de idade, 78% das crianças dizem que gostam de fazer compras; e aos três anos, 70% delas já reconhecem o símbolo do McDonaldsMcDonalds, enquanto apenas metade delas conhecem o próprio sobrenome.

O que favorece a ação dos profissionais de #marketing é o fato das crianças passarem cada vez mais tempo dentro de casa, em frente às telas de TV, monitores de computador, e fazendo uso de celulares.

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A TV, que antes era vista como um instrumento auxiliar na formação das visões das crianças sobre o mundo desde os anos 50, com programas muito amados e respeitados, que  proporcionavam a elas oportunidades de aprendizado, tratando de questões sociais difíceis, como drogas e gravidez na adolescência;  hoje, seus filmes e programas televisivos são projetados, pelo menos em parte, para promoverem marcas; venderem produtos, além de buscarem direcionar o que elas  comem, bebem, usam e brincam. 

Simplesmente, colocam produtos nos filmes e programas de TV para que quando um personagem tome uma bebida, transmita para a criança a ideia de que ele está bebendo uma determinada marca de bebida ou, quando fala em um celular, transmita a ideia de que se trata de um modelo específico. Isso, quando bem feito, parece que faz parte da vida dos personagens, o que leva a menos contra-argumentação de #consumidores adultos, incluindo os pais. O reflexo disso, é a presença da imagem de personagens de TV nas embalagens de salgadinhos e doces; materiais escolares; brinquedos; acessórios de celular, etc.

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Também tem sido uma constante a presença de marcas na maioria dos filmes infantis, como foi no filme “A Pantera Cor de Rosa”, que contou com mais de 30 marcas, de acordo com Brandchannel.com (site que conta referências de marca em filmes). Foram elas: Adidas, Apple, Axe, Chanel, Citroën, Dell, Gretsch, Holiday Inn, Kodak, Lion King, McDonald’s, Montblanc, MSN, Newsweek, Nextel, Nikon, Perrier, Philips, Piaggio, Pilot, Post-It Notes, PPS Publications, Renault, Smart, Star Magazine, T.G.I. Friday’s, Toyota, USA Today, Viagra, Virgin, Volkswagen, Waldorf-Astoria.

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Uma coisa é certa, os profissionais de marketing não deixam nada ao acaso, e têm aproveitado o entusiasmo das #crianças pela internet para colocar na Rede Mundial as marcas e produtos de patrocinadores. Assim, é virtualmente impossível passar o tempo navegando na web e não ser interrompido por um vídeo de um anunciante.

Muitas marcas têm até seus próprios sites comerciais oferecendo testes, jogos e entretenimento para crianças. Os Kellogg’s Frosties, por exemplo, têm um website chamado Earn Your Stripes, com uma extensa variedade de jogos, em que as pontuações altas ganham adesivos;  IPod e computadores. Através deste site, elas são incentivadas a promoverem competições entre amigos, para ver quem ganha mais adesivos e orientadas a enviarem emails contando como eles foram usados. O resultado é que milhões de crianças estão, a todo momento, visitando esses sites comerciais que promovem alimentos e bebidas.

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Com relação ao uso de celulares, um ponto crucial, é que, em média, as crianças recebem seu primeiro aparelho aos 8 anos de idade, o que impulsiona o surgimento de #empresas produzindo acessórios infantis, como capas temáticas, toques e ícones personalizados. Através dos celulares, elas recebem anúncios por mensagem de texto, incentivando-as a comprarem produtos e enviarem por mensagens de texto o “número da sorte” que encontraram nas embalagem, para poderem participar de sorteios de prêmios. Esse tipo de procedimento é tão eficaz, que a  McDonalds a se uniu à Microsoft para produzir uma versão de marca do MSN Messenger.

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Duas, entre três crianças de 10 a 12 anos, gostam de colecionar coisas. Os marketers têm se aproveitado disso para encorajá-las nessa prática, com lançamentos de brinquedos colecionáveis, adesivos ou cartões. Eles não apenas incentivam a compra de um determinado produto, mas exigem compras repetidas. Os pacotes de cereais são o esconderijo favorito desses itens colecionáveis.

Nas bancas de jornal, é muito fácil encontrar revistas especializadas para crianças de até quatro anos. Numa delas, uma Princesa da Disney convida meninas de 4 a 8 anos a “entrar no mundo de suas heroínas favoritas”. Editoras também já adotam a prática de colocação de anúncios de produtos, escondidos no texto de romances.

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Pesquisas de acadêmicos da Universidade de Leicester, como parte do programa Cultures of Consumption, descobriram  que a influência da cultura popular, especialmente pop stars e jogadores de futebol, funcionam como uma importante referência para crianças. Por isso, que muitas delas apreciam estrelas pop, celebridades e os melhores esportistas, especialmente os jogadores de futebol, cujos cartazes adornam milhões de paredes infantis. Com isso, os profissionais de marketing exploram ao máximo a imagem dessas celebridads em produtos que são vendidos para as crianças, que esperam emular seus heróis.

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Os profissionais de marketing adoram definir padrões de beleza para as crianças, promovendo imagens de como devem ser e do que devem possuir. Imagens de corpo, que são retratadas como legais na mídia. Geralmente, as mulheres magras e altas continuam a ser veneradas pelos publicitários e pela TV, filmes, revistas, outdoors e cartazes. As crianças são introduzidas neste mundo, em uma idade jovem e encorajadas a aceitar o que eles consideram como padrão de beleza, e que deve ser almejado por elas durante toda a sua vida.

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Por exemplo, a Revista Go Girl se autodenomina uma “revista de estilo de vida”, contendo artigos sobre moda, beleza, histórias de leitores, celebridades, palavrões … tudo que eles acham que é importante na vida das meninas de 7 a 11 anos.

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Sue Palmer em seu livro “Infância Tóxica” escreve: “Para começar, elas aspiram a ser heroínas da Disney – com vestidos de baile em palácios de fadas – então há, é claro, muitas bonecas e acessórios para esse sonho, mas a estratégia é levar rapidamente as crianças a uma apreciação da moda contemporânea e do “estilo”.

Fica cada vez mais evidente que as imagens transmitidas para crianças através da TV, revistas e internet direcionam elas para a indústria varejista de roupas que oferece kits infantis, ideal para a aparência certa (padrão de beleza definido pela mídia). Ter a aparência certa, desempenha um papel importante na vida das meninas de 7 a 11 anos, e passa a definir como elas se relacionam.

Uma tática que está sendo muito adotada pelas empresas é recrutar crianças como “profissionais de marketing de guerrilha” ou “marketeiros infantis” para que através de pequenos vídeos inseridos em jogos e desenhos, elas convençam o telespectador infantil de que um determinado produto é necessário para a sua sobrevivência social. Nesses vídeos publicitários, as crianças assistem outras crianças mais sortudas, que compram muitos #brinquedos caros, e brincam sem ter que se preocupar com a escola. É um padrão de vida que está sendo definido como modelo para os telespectadores infantis.

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Existem até sites que promovem esses “marketeiros infantis”. O site da Dubit (agência de pesquisa infantil e estúdio de desenvolvimento digital, que ajuda a criar produtos para marcas globais e startups inovadoras) é um excelente exemplo disso. Nele, a criança pode se inscrever para se tornar um “informante Dubit” e ser recompensada por isso, com  coisas grátis, prêmios, dinheiro, acesso livre a concertos e shows.

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São essas mensagens que adentram facilmente no subconsciente da criança, que ainda não têm a capacidade de entender a sua dimensão, e nem a intenção dos profissionais de marketing. Mais preocupante, é que a maioria dos pais parece inconsciente – ou em negação – sem visualizar que por trás dos programas de TV e jogos de computador que mantêm seus filhos entretidos, espreita um exército de manipuladores profissionais – executivos de marketing e psicólogos infantis, empregados por grandes empresas para capturar os corações e mentes dos menores.

2 – PRESSÃO SOBRE OS PAIS

Os profissionais de marketing se conscientizaram do fato de que as crianças não são apenas valiosas para eles por seu próprio poder, mas também por sua influência sobre as carteiras dos pais.

A Food Standards Agency concluiu numa pesquisa que “a influência da insistência, durante compras no supermercado foi percebida como poderosa. As mães relataram que seus filhos não apenas as incomodavam por diferentes tipos de produtos (por exemplo, batatas fritas, chocolates, refrigerantes), mas também as importunavam, exigindo produtos com #marcas específicas. Para essas mães,  a ida aos supermercados passou a ser uma experiência estressante, tendo elas que fazer compras enquanto resistiam para “não ceder às exigências de seus filhos”.

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Os profissionais de marketing, além de buscarem explorar o desejo das crianças, também estão buscando explorar a preocupação dos pais com seus filhos. Nesse sentido, é que muitas marcas e varejistas, durante o período de Natal, estão construindo listas de desejos das crianças e enviando para seus pais.

Em um site chamado “Land Of Toys” (Terra dos Brinquedos), as crianças são solicitadas a criar uma lista de itens que, convenientemente, estão disponíveis nas lojas Walmart. Em seguida, o site incentiva as crianças a inserir os endereços de e-mail dos pais para que eles possam enviar essa lista.

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3 – O ESTADO DE ESPÍRITO DAS CRIANÇAS

Ao preparar as crianças para comprar marcas e imergi-las em mensagens que as convencem de que elas precisam ser felizes, os profissionais de marketing estão cimentando e promovendo o materialismo nelas.

Existe uma quantidade significativa de evidências e um amplo consenso entre os #psicólogos de que expor as crianças à #publicidade, com uma orientação de valor fortemente materialista, é prejudicial ao bem-estar psicológico dela. Como resultado dessa exposição, teremos crianças  com níveis mais altos de estresse e ansiedade; menor satisfação com si mesmas; relacionamentos mais fracos com os outros e menos preocupação com o meio ambiente. É essa conclusão, robusta e confiável, que está  sendo replicada em todo o mundo.

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O Office For National Statistics concluiu que a publicidade tem deixado as crianças doentes e infelizes. De acordo com o relatório desse estudo feito, uma em cada dez crianças, tem um “transtorno mental”, decorrente de muitos fatores que contribuem para problemas de saúde mental em crianças, entre eles o bombardeio de mensagens, definindo como elas devem ser; o que elas devem almejar e o que elas devem consumir. Também considerou que  as crianças se sentem pressionados pela indústria para terem produtos da moda; que é popular; que é tendência. As meninas, em particular, experimentam sentimentos de inadequação e desconforto como resultado de “imagens de perfeição” promovidas pela publicidade.

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Esse materialismo traz consequências negativas para o futuro das crianças. Pesquisadores da Universidade da Califórnia entrevistaram cerca de 200.000 estudantes universitários do primeiro simestre e descobriram que 70% deles pensavam que “estar bem financeiramente é o objetivo mais importante da vida”. Em outras palavras, com a idade média de 18 anos, a maioria desses estudantes adotavam uma visão marcadamente materialista da vida que colore não apenas seu comportamento agora, mas suas aspirações para o futuro.

No passado, garotinhas tinham suas mães como referência. Agora, os profissionais de marketing e a mídia, encorajam elas a ter celebridades como referência, exigindo delas que tenham estilos que imitem suas heroínas. Essa comercialização da infância tem gerado problemas de saúde mental, tão prevalentes entre as crianças, que os psicólogos já reconhecem a existência de uma crise mundial.

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Um projeto desenvolvido por acadêmicos do Departamento de Sociologia da Leicester University concluiu que vender tendências de moda adulta para crianças, inevitavelmente leva à sexualização prematura das meninas, com crianças de cinco e seis anos chegando às escolas usando calcinhas sexy e sutiãs rendados, e pré-adolescentes usando maquiagem muito chamativas.

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Não é apenas na roupa que reflete a sexualização da infância, pois os brinquedos das crianças estão cada vez mais refletindo essa tendência. Enquanto #bonecas como Barbie, por décadas, promoveram uma imagem estereotipada e esguia, elas hoje estão dando um passo adiante. Tomemos, por exemplo, a máquina de fazer gloss labial da Barbie, que proporciona às menina a oportunidade de brincar com maquiagem, internalizando a ideia de usá-la.

Juliet B Schorpoint, em seu livro “Nascido Para Comprar” afirma que a #barbie está sendo substituída por bonecas Bratz (bonecas estadunidense desenvolvida pela MGA Entertainment), que são um sucesso contemporâneo, com estilo moderno e sensual. É indicada para crianças a partir de seis anos.

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A venda de uma Coelinha da Playboy, da marca Hottie Tottie, fabricada pela Design Costumes, é uma prova de que os brinquedos das crianças estão ficando cada vez mais indecorosos.

A música também reflete essa tendência. Susan Linn em seu livro “Consumindo Crianças” observa que nos últimos anos, cantoras como Britney Spears, MandyMoore e Christina Aguilera, se vestem com fantasias, por excelência, de prostitutas adolescentes, cantando canções sobre sexo escrito por homens de meia idade, e que são comercializados para crianças.

Não são apenas as aspirações das crianças e o bem-estar psicológico que estão sendo afetados. Os novos tipos de brinquedos comercializados para crianças, muitas vezes com valor educacional ou de desenvolvimento, são cada vez menos capazes de estimular a imaginação ou a capacidade das crianças.

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Michael Brody, presidente do comitê de TV e mídia da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente, disse que, embora contar histórias seja a essência do brincar, os brinquedos de hoje, com sua natureza comercial, atuam como “bloqueadores de histórias”. Para ele, os brinquedos criados comercialmente estão incentivando um estilo de vida cada vez mais sedentário, jogando nos pais receios de que os perigos podem espreitar dentro de casa; que os brinquedos que os profissionais de marketing indicam para as crianças cobiçarem, não são mais instrumentos de criatividade, mas de entretenimento sedentário.

Sem dúvida, essa é a realidade. Para os meninos, os profissionais de marketing concentram-se em nutrir o instinto competitivo e apelar para seus desejos embutidos de poder, força, domínio, dominação e controle, bem como seu interesse natural em gadgets e tecnologia. A enorme indústria de jogos de computador é prova disso, resultando em crianças dispostas para ações de violência contra os próprios colegas de classe e professores.

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Ter “novidades tecnológicas” ou usar “tendências de moda” passou a ser fatores importantes na forma como as crianças se socializam e se relacionam umas com as outras. E isso pode gerar competitividade entre elas, pela busca de um diferencial que lhe proporcione status, importância; como por exemplo, ter o melhor aparelho celular, ou ter um tênis que um determinado personagem usou num filme; ou pode gerar atração ou identificação entre crianças que têm estilos de vida parecidos: como por exemplo, usar uma determinada marca. Isso é muito evidente no playground da escola, no período de intervalo (recreio), onde a pressão dos colegas é mais gritante.

4 – A RESPONSABILIDADE DO GOVERNO

Não há como contornar o fato de que as políticas governamentais, ou a falta delas, contribuíram para a atual situação, em que os profissionais de marketing tivessem como alvo as crianças.

Muitos países já têm se posicionado contra a comercialização da infância. O Quebec proíbe o marketing para crianças menores de 13 anos de idade; a Suécia e a Noruega proíbem o marketing televisivo para crianças com menos de 12 anos de idade; a Grécia proíbe anúncios de brinquedos na televisão entre as 07:00 e as 22:00 e os anúncios de armas e tanques de brinquedo não são permitidos a qualquer momento; nas áreas de língua flamenga da Bélgica, nenhuma publicidade é permitida dentro dos programas de televisão infantil; os regulamentos de publicidade propostos pela União Europeia proíbem os comerciais infantis; a Finlândia proíbe anúncios veiculados por crianças ou por personagens de desenhos animados; recentemente, o governo francês proibiu todas as máquinas de venda automática nas escolas de ensino fundamental e médio, além de proibir programas de televisão destinados a crianças com menos de três anos de idade; na Grã-Bretanha, a BBC parou de usar seus adorados personagens de quadrinhos para comercializar alimentos não saudáveis ​​para crianças; a Ofcom, a agência reguladora britânica, proibiu a publicidade de “comidas não saudáveis” na televisão, em programas infantis e em programas para adultos, que são populares entre crianças.

Essas ações governamentais são necessárias e de extrema importância para impedir que nossas crianças continuem sendo manipuladas e transformadas em consumidoras vorazes, por profissionais de marketing inescrupulosos.

5 – LICENCIAMENTO DE MARCAS

Provavelmente, o método mais popular de marketing para crianças pequenas é o licenciamento de marcas, em que uma imagem de mídia é vendida a outras empresas, para comercializar brinquedos, alimentos, roupas e acessórios.

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A maioria dos personagens da mídia infantil se tornou uma ferramenta para o marketing de outros produtos. Com isso, aproximadamente 97% das crianças, menores de seis anos, possuem alguma coisa – como boneca, bichinho de pelúcia, boneco de ação, roupa de cama ou roupa – que apresenta a imagem de personagens da mídia. Assim, é cada vez mais difícil encontrar produtos para crianças – de alimentos a brinquedos – sem adornos com personagens e logotipos da mídia. Até os livros infantis costumam estar ligados à mídia.

Como resultado, as brincadeiras, a leitura, a arte e a música das crianças são moldadas principalmente por personagens, tramas e temas pré-criados. O que antes eram ferramentas para a auto-expressão, agora é projetado para lembrar constantemente às crianças, os programas de mídia e seus produtos, ensinando-as a valorizar aquilo que pode ser comprado.

6 – CONCLUSÃO

O mercantilismo infantil é um fator, entre os muitos dos problemas sociais e de saúde pública, enfrentados pelas crianças. Atualmente, a mensagem do marketing comercial – de que as coisas que as crianças comprarem, lhes deixarão felizes – tem sido considerada por especialistas, como a responsável pela formação de valores materialistas, que consequentemente tem sido associado à depressão; redução da auto-estima das crianças; obesidade infantil; descontentamento com a imagem corporal; transtornos alimentares; sexualização; violência juvenil; estresse familiar; consumo de bebidas alcoólicas e uso de tabaco por menores de idade; destruição da base do aprendizado, da criatividade e da capacidade de dar sentido à vida.

As crianças têm o direito básico de viver em ambientes que promovam seu bem-estar social, emocional e intelectual. Elas têm o direito de crescer e os pais têm o direito de criá-los, sem serem prejudicados pela ganância. Sendo assim, proibir o marketing para crianças pode parecer extremo, mas não é – extremo é permitir a comercialização da infância. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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O CONSUMIDOR E OS INFLUENCIADORES DIGITAIS

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O crescimento das mídias sociais na última década, mudou o marketing e a publicidade de várias maneiras. Uma parte importante disso, tem sido o surgimento de influenciadores digitais ou influenciadores de mídia social, que publicam tutoriais em vídeo, geralmente, no YouTube, Instagram e Facebook, promovendo marcas e produtos que afirmam usarem. Desde então, as empresas têm se afastado mais das tradicionais campanhas publicitárias de TV e revistas para adotarem a “publicidade por influência” como prioridade estratégica. Mas, afinal, o conteúdo dessas “celebridades online”, influenciam mesmo os consumidores nas suas decisões de compra? Qual a dimensão dessa influência?

1 – O MERCADO

Para se ter uma ideia de quão populares os influenciadores digitais se tornaram, basta considerar que o termo “marketing de influência” aumentou em mais de 325% nas pesquisas do Google em relação a 2018. Isso faz dele o método de aquisição on-line de maior crescimento.  

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Essa tendência deve continuar no futuro, já que cerca de 2/3 dos departamentos de marketing estão procurando aumentar seu orçamento para o marketing de influenciadores nos próximos anos. Com isso, a previsão para este ano é que os profissionais de marketing invistam de US$ 25.000 a US$ 50.000 em campanhas de influenciadores. Nesse tipo de investimento o ganho médio das empresas é de US$ 7,65 para cada US$ 1 gasto. 

A maior plataforma para marketing de influenciadores pode ser encontrada no Instagram. No ano passado, foram mais de 12,9 milhões de posts de influenciadores patrocinados. E esse número deve dobrar neste ano, criando um mercado estimado em cerca de US $ 1,7 bilhão.

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Compreensivelmente, as marcas estão se alinhando para serem associadas a personagens populares de mídia social. Na verdade, essa alta demanda criou toda uma indústria própria, com agências intermediárias surgindo a todo instante para servir de intermediários entre empresas e seus influenciadores desejados.

É um mercado, realmente grandioso! Mas quem são essas pessoas que estão revolucionando a forma das empresas se comunicarem com os consumidores?

2 – OS INFLUENCIADORES DIGITAIS

Este é atualmente um tema quente em marketing digital, gerando muita discussão, e até controvérsia. Na última década, vimos a mídia social crescer rapidamente em importância. Atualmente, mais de 3.028 bilhões de pessoas fazem uso dela – ou seja, 40% da população mundial. Inevitavelmente, surgiram os #InfluenciadoresDigitais buscando guiar esses usuários em suas decisões de compra.

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Enquanto não for credenciado ou institucionalizado essa atividade, o rótulo relativamente novo do influenciador digital não tem uma definição precisa e pode ser medido de várias maneiras. Alguns acreditam que isso tem a ver com o número de seguidores que se tem nas redes sociais; outros sugerem que isso se aplica apenas àqueles que fazem parceria com marcas para comercializar ou anunciar para seus seguidores, não importa quantos tenham; enquanto outros acreditam que se aplica àqueles que se comprometeram a construir, promover e comercializar suas presenças on-line em tempo integral.

Podemos conceituar “influenciadores digitais” ou “influenciadores de mídia social” ou “digital influencers”, como pessoas que têm um grande público de seguidores em suas contas de mídia social, e usam isso para criar tendências e influenciar ou persuadir esses seguidores para comprarem determinados produtos ou serviços. Hipoteticamente, esses influenciadores construiram autoridade em um nicho específico, estabelecendo credibilidade, de modo que seus seguidores consideram suas opiniões como autênticas e confiáveis.

3- TIPOS DE INFLUENCIADORES DIGITAIS

Os influenciadores digitais se apresentam de muitas formas diferentes e falam para diferentes públicos: de blogueiros e maquiadores a escritores de viagens, atletas profissionais, especialistas do setor, cantores, chefs, conhecedores, empresários, modelos, fotógrafos e praticamente qualquer outra pessoa que tenha a atenção de um ou mais grupos de público-alvo, por meio das mídias sociais.

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A maioria desses influenciadores se encaixam nas seguintes categorias:

  • Artistas;
  • Especialistas,
  • Blogueiros e criadores de conteúdo;
  • Microinfluenciadores;

Hoje, a maior parte do marketing de influência social ocorre nas mídias sociais, predominantemente com microinfluenciadores e blogueiros.

Os especialistas, como por exemplo, os jornalistas, também podem ser considerados influenciadores e ocupam uma posição importante para as marcas. Estes foram os influenciadores originais, entretanto sua importância vem diminuindo com a valorização no mercado dos microinfluenciadores.

Enquanto os especialistas continuam sendo a fonte de informações mais confiável sobre empresas, produtos e serviços, a atenção dos internautas em #blogueiros e microinfluenciadores vêm aumentando significativamente. Assim, são os blogueiros e #microinfluenciadores em mídias sociais que passaram a ter uma relação mais próxima e ativa com seus fãs, atraindo os vultosos investimentos neste setor.

3.1 – ARTISTAS

O #marketing de influência cresceu a partir do endosso de artistas em ascensão na mídia televisiva. As empresas descobriram por muitos anos que suas vendas geralmente aumentavam quando um artista promovia ou endossava seu produto. Ainda há muitos casos de empresas, particularmente marcas de alto nível, que usam artistas como influenciadores.

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O problema para a maioria das marcas é que existem poucos artistas tradicionais dispostos a participar desse tipo de campanha de influenciadores, além de não ser barato o custo de suas contratações. Quando o artista gosta e usa um produto, a situação é mais cômoda, pois neste caso  ele já se encontra preparado para usar sua influência para dizer ao público o quão bom ele acredita que o produto seja. É o caso, por exemplo, de um produtor de instrumentos musicais que tem seus instrumentos tocados, por opção, por músicos famosos.

3.2 – ESPECIALISTAS

Especialistas ganham respeito por causa de suas qualificações, posição ou experiência sobre seu tópico de especialização.

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Muitas vezes, esse respeito é ganho mais por causa da reputação de onde eles trabalham. Por exemplo, um jornalista provavelmente não é especialista em todos os assuntos sobre os quais escreve uma reportagem, mas pelo fato de trabalhar em um grande jornal, faz dele um escritor de prestígio, competente e preparado para tratar sobre qualquer assunto. Isso torna o conteúdo de suas publicações mais fácil de ser absorvido pelo público. Assim, se um jornalista fala positivamente de uma empresa em um artigo, então ele está agindo como um influenciador, da mesma maneira que faria um blogueiro.

3.3 – BLOGUEIROS E CRIADORES DE CONTEÚDO

Os blogs estão conectados ao marketing de influência há algum tempo. Um blogueiro pode ser um influenciador se tiver um blog influente. No mundo dos blogs, a influência é frequentemente medida por quantidade de visitantes mensais e métricas de engajamento, como compartilhamentos, comentários, cliques, etc.

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Existem muitos blogs altamente influentes na internet que construíram seguidores importantes em setores específicos, como de desenvolvimento pessoal, finanças, saúde, criação de filhos, música e muitos outros tópicos. Assim, se um blogueiro popular menciona positivamente um produto em uma postagem, isso pode levar leitores a desejarem experimentar esse respectivo produto.

3.4 – MICROINFLUENCIADORES

Os microinfluenciadores são “pessoas comuns” que tratam de assuntos relacionados a algum nicho específico. Como tal, eles geralmente ganharam uma considerável mídia social entre os devotos desse nicho. Claro, não é apenas o número de seguidores que indica o nível de influência de um microinfluenciador, e sim o seu relacionamento e interação com esses fãs.

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Microinfluenciadores estão se tornando cada vez mais famosos. Alguns passaram da obscuridade virtual para quase tão conhecidos quanto as celebridades tradicionais. Este é o resultado do comportamento dessa geração, que passa mais tempo na #internet do que assistindo televisão ou indo a esportes ou filmes.

Em toda a realidade, os microinfluenciadores são os influenciadores do futuro. A internet levou à fragmentação da #mídia em muitos pequenos tópicos de nicho. Mesmo se você estiver em algo relativamente obscuro, é provável que você encontre um grupo do Facebook ou um fórum do Pinterest dedicado a ele. E são nesses grupos e conselhos de nicho que os microinfluenciadores se estabelecem como genuínos influenciadores.

Propositadamente, as marcas estão buscando os influenciadores para criarem conteúdo, que sutilmente impulsionem #produtos ou serviços. Essa parceria entre a marca e o #influenciador é mutuamente benéfica: a #empresa atinge com sucesso o seu público-alvo, enquanto o influenciador é pago e continua a crescer.

4 – POR QUE OS INFLUENCIADORES DIGITAIS SE TORNARAM TÃO INFLUENTES?

Até agora, foi estabelecido quem são os influenciadores digitais e como eles estão em ascensão no campo do #marketing online. Mas você ainda pode questionar o porquê eles se tornaram tão atraentes para os profissionais de marketing on-line. O que faz a opinião deles ser tão poderosa?

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Para explicar sua eficácia, podemos encontrar todas as respostas no campo da psicologia. E é muito simples! Estudos demonstraram que a credibilidade de um influenciador  digital depende dos fatores de confiabilidade, especialização, atratividade e similaridade. Considerando os dois primeiros (confiabilidade e especialização), podemos notar que o grau de influência que eles possuem estão associados ao grau de poder percebido. Por exemplo, um blogueiro que se concentra em um assunto específico, digamos a culinária, será percebido, como tendo mais autoridade quando se trata de uma determinada marca de comida (em oposição a um blogueiro de tecnologia ou esporte).

Essa posição autoritária é reforçada pela atratividade: um grande número de seguidores, compartilhamentos e curtidas, fornecendo aos espectadores uma forma de prova social, de que os #consumidores valorizam a opinião de um influenciador, e aderem aos seus julgamentos. Logo, se a maioria está agindo nesse sentido (similaridade nas reações), é a prova de que eles devem estar certos.

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O fator atratividade, que configura a capacidade de atrair pessoas, é uma estratégia que os profissionais de marketing já usam há muito tempo. Não é difícil encontrar vários exemplos de anúncios, com belos atores e belas atrizes, recomendando um determinado produto de luxo.

Como os seres humanos são suscetíveis ao viés da atratividade, subconscientemente se atribui pessoas atraentes ou carismáticas a muitas outras qualidades, simplesmente porque são bonitas. Além disso, induz a associações positivas entre a pessoa e a marca. A opinião dessas pessoas acabam influenciando o subconsciente do espectador, preparando-o quando confrontado com uma decisão relacionada ao produto.

Mas o que realmente diferencia os influenciadores de mídia social de outros tipos de endossantes, é sua identificação. Apesar de ter uma grande popularidade e seguir a internet, os influenciadores ainda são vistos como pessoas normais e práticas. É o caso dos “microinfluenciadores”. Eles postam sobre sua vida cotidiana, ficam 24 horas conectados com seus seguidores e são capazes de interagir diretamente com eles. Essa transparência é fundamental para se estabelecer confiança.

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Outro ponto que tornam os influenciadores digitais influentes, é o fato deles geralmente compartilharem a mesma faixa etária, dados demográficos, interesses e comportamentos de seu público-alvo. Isto está intimamente ligado à teoria da identidade social, a parte da psicologia que lida com a forma como as pessoas se vêem como pertencendo a um grupo de indivíduos semelhantes, e baseando parte de sua identidade pessoal em sua afiliação ao referido grupo. Naturalmente, as opiniões dos membros do mesmo grupo valem mais para as pessoas do que as de um grupo diferente.

É importante também considerar que a maioria dos influenciadores pertence à faixa etária mais jovem da geração do milênio, uma demografia que é notoriamente difícil de alcançar para os profissionais de marketing. Eles são um grupo que valoriza fortemente a formação de sua própria identidade, uma das partes mais importantes do crescimento. Para fazer isso, os adolescentes muitas vezes procuram modelos para moldar seu próprio comportamento. Logo, ter um modelo que seja compreensível e fácil de identificar, aumenta ainda mais a probabilidade dos adolescentes copiarem seu comportamento.

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5 – QUAL A DIMENSÃO DESSA INFLUÊNCIA SOBRE AS DECISÕES DE COMPRA DOS CONSUMIDORES?

Os consumidores sempre valorizaram opiniões, expressas diretamente a eles. Os profissionais de marketing podem gastar milhões de dólares em campanhas publicitárias bem elaboradas, mas o que realmente direciona a mente de um #consumidor é uma recomendação, boca a boca, de uma fonte confiável.

De fato, o boca a boca é o principal fator por trás de 20 a 50% de todas as decisões de compra. Sua influência é maior quando os #consumidores estão comprando um produto pela primeira vez ou quando os produtos são relativamente caros, fatores que tendem a fazer com que eles realizem mais pesquisas, busquem mais opiniões e deliberem mais do que fariam.

Com a revolução digital, o boca a boca não é mais um ato de comunicação íntima e individual. Hoje, as análises de produtos e #serviços por influenciadores digitais são postadas on-line e suas opiniões são disseminadas por meio das redes sociais. A dimensão dessa influência é verificável nos números abaixo, resultados de pesquisas feitas com consumidores:

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6 – CONCLUSÃO

Os influenciadores digitais são usuários avançados que podem “influenciar” consumidores a tomarem uma decisão de compra por meio de redes sociais. Independentemente de serem um blogueiro, um revisor de produtos, um especialista de um determinado nicho, esses influenciadores de mídia social se transformaram em máquinas de vendas. Grandes marcas estão dedicando uma parcela considerável de seus orçamentos de marketing aos influenciadores – pessoas com um forte relacionamento com um público que pode influenciar decisões, como hábitos de compra.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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