Arquivos Mensais: maio 2019

A IMPORTÂNCIA DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

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Quantas empresas realmente entendem os insights do consumidor, quando se trata de desenvolver novos produtos e serviços, ou comercializar esses produtos para clientes em potencial? Isso não se refere apenas a entender os consumidores no sentido tradicional, de como um produto atrai um grupo demográfico específico. Significa, realmente, chegar ao âmago da questão, de entender por que os consumidores agem de determinada maneira; como eles compartilham informações uns com os outros e quais influências culturais estão atuando na formação de suas percepções e entendimentos. Os insights permitem que as marcas se conectem com seus consumidores em um nível emocional mais profundo.

1 – ENTENDER O CONSUMIDOR É CRUCIAL PARA QUALQUER NEGÓCIO

Os consumidores de hoje mudaram drasticamente na forma como optam por seguir as empresas e marcas que usam. Eles têm diferentes origens e fundações culturais; recebem e processam informações de novas maneiras e querem interagir em um nível mais pessoal.

Assim sendo, as empresas e os profissionais de marketing que não pesquisam insights dos consumidores ou que não entendem seu histórico antropológico, não poderão se conectar ou se envolver com clientes em potencial e nem motivá-los a se tornarem clientes.

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A abordagem antropológica do marketing é toda sobre a compreensão da cultura. Em vez de tentar mudar comportamentos, os profissionais de marketing podem aprender a usá-los e utilizá-los em seu benefício. Dessa forma, a construção de uma marca passa a ser baseada no estabelecimento de um relacionamento intelectual e emocional.

Planejadores de negócios, desenvolvedores de produtos e profissionais de marketing devem levar em consideração o contexto cultural. Todavia, observando que “Cultura” não é apenas linguagem, mas uma combinação de caracterizações históricas, tribais e mitológicas. Enfim, uma maior compreensão de insights culturais e fatores antropológicos aumentará a capacidade do profissional de marketing de motivar ações e efetuar mudanças comportamentais dos consumidores.

2 – O QUE SÃO INSIGHTS DO CONSUMIDOR?

Insights se referem ao comportamento dos consumidores, em uma dimensão mais aprofundada:  suas mentalidades, humores, motivações, desejos, aspirações subjacentes, que motivam e acionam suas atitudes e ações. O porquê eles se identificam com uma marca.

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Podemos então definir “insights” como “um entendimento não óbvio sobre os consumidores, que, se aplicado, tem o potencial de alterar o comportamento deles para benefício mútuo”. Esta definição aponta quatro elementos:

1º elemento – Os insights “não são óbvios”, ou seja, normalmente não vem apenas de uma fonte de informação; apenas da análise ou da pesquisa. Daí a necessidade de convergir várias evidências,  para coletar insights; 

É importante notar que há certos fatos ou até mesmo suposições sobre determinados mercados-alvo, que podem ser óbvios, mas jamais darão uma verdadeira compreensão do consumidor.

2º elemento – Os insights verdadeiros precisam ser “capazes de agir”. Aquelas hipóteses que permanecem teóricas e não podem ser testadas na prática não são insights; 

3º elemento – As percepções dos consumidores devem ser poderosas o suficiente para que quando elas sejam postas em prática, os consumidores possam ser persuadidos a “mudar seu comportamento”. Apenas se baseando na análise do comportamento passado do consumidor e considerando que eles são criaturas de hábitos, não revelará qualquer profundidade de compreensão deles, e consequentemente, não contribuirá para mudança de seus comportamentos.

4º elemento – Para ser sustentável, o objetivo de mudança dos comportamentos dos consumidores deve ser para “benefício mútuo”, logo, um entendimento não óbvio sobre os consumidores, sendo considerado, tem o potencial de mudar o comportamento deles para benefício mútuo.

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Estes quatro elementos, unidos, dão uma direção de avaliação às empresas para que prevejam o comportamento futuro dos clientes, com base em ações anteriores e ajuda elas a entenderem a probabilidade de um cliente se comportar de determinada maneira.

3 – POR QUE A AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE?

Sem insights do consumidor, os fabricantes, produtores e marqueteiros mal conseguirão entender o que seus consumidores estão procurando em um produto. Isso geralmente leva a produtos mal direcionados que são projetados sem um público específico em mente.

No entanto, quando os insights dos consumidores são utilizados e gerenciados adequadamente, eles podem encontrar produtos que atendam perfeitamente às suas necessidades, gostos e desejos. Essas percepções podem ser usadas desde a concepção do produto, da sua formulação, indo até o design da embalagem.

Por exemplo, uma empresa que fabrica sobremesas pode descobrir, através do uso de insights, que um número de seus consumidores está preocupado com a adequação de um ingrediente em particular ou prefere que o produto tenha menos calorias. Se a empresa optar por agir de acordo com isso e divulgar a mudança em sua publicidade e embalagem, ela estará segmentando ativamente esses consumidores, oferecendo a eles um benefício mútuo.

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Uma maneira de usar os insights é prever como os consumidores se comportarão no futuro. Isso pode ser uma previsão de comportamentos durante um determinado período de tempo, como no decorrer de um mês ou no decorrer de um ano, ou pode até prever o comportamento deles ao longo da vida.

Por exemplo, na moderna indústria de alimentos, percebe-se que os consumidores estão tendo um interesse maior em conhecer e entender os produtos que compram. Esta necessidade de transparência indica que mais consumidores desejam ver rotulagem e certificações precisas, listadas na embalagem de alimentos. Isso significa, que os fabricantes que atenderem a esse interesse, com transparência e integridade, terão a vantagem de impulsionarem suas vendas.

Outra maneira, é segmentar a base de consumidores e pesquisar os atributos de um grupo específico. Empregando os insights do consumidor, as empresas descobrirão que tem uma melhor compreensão do seu mercado-alvo e que é capaz de criar uma situação vantajosa para ela e para seus clientes.

Todas essas estratégias trarão benefícios, tanto para as empresas como para os consumidores de um modo geral.

4 – AS FORÇAS POR TRÁS DA ASCENSÃO DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

À medida que os negócios crescem e evoluem, os profissionais de marketing sabem muito bem que não podem mais tentar dar aos consumidores “a cor que quiserem, desde que sejam pretos”, como Henry Ford gostava tanto de dizer.

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Atualmente, as empresas entendem que precisam oferecer uma ampla variedade de produtos, serviços, cores e modelos para atrair uma base de clientes, que estão em constante mudança de comportamento. Mas por que alguns produtos saltam das prateleiras, enquanto outros definham na obscuridade? Cada empresa pode afirmar que fez uma pesquisa de mercado aprofundada, capaz de tornar seu produto mais desejável?

A composição do público comprador mudou drasticamente na última década. Agora, todos os consumidores competem pela atenção dos planejadores corporativos. Cada grupo de consumidores tem suas próprias necessidades e desejos específicos. Sem obter insights sobre esses grupos, as empresas nunca poderão desenvolver produtos que eles desejam ou promovê-los de maneira a ganhar sua atenção. 

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Mesmo dentro desses grupos, pode haver uma ampla diversidade de características, o que exigirá delas a buscarem entender o porquê de cada grupo ser diferente.

Nesta diversidade, inclui o complexo quebra-cabeça demográfico em que se encontra a nova economia global, onde os consumidores podem virtualmente vir de qualquer parte do mundo que tenha uma conexão com a Internet. Isso levará a uma compreensão mais maciça sobre os insights do consumidor, que moldam os padrões de compra em vários países.

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Por exemplo, enquanto os consumidores americanos podem valorizar certas características, os europeus podem ter diferentes necessidades e desejos.

Se formos restringir essa avaliação, constataremos que mesmo a Europa não pode ser vista como um mercado gigante, já que antropólogos serão necessários para estudar as diferenças, de país para país, e até mesmo dentro das várias regiões de cada país europeu.

Fica evidente, que as empresas precisam buscar entender como cada grupo de consumidores (seja ele, local, regional ou continental) se relaciona com os produtos e serviços usados, ​​antes que os planos de marketing possam ser implantados. O que estava acontecendo enquanto cada geração de consumidores crescia? O que moldou seus valores morais? Como os consumidores interagem uns com os outros e corporações?

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Com tantas mudanças, é bem provável que embora uma geração mais velha de consumidores possa ter sido mais aberta a aceitar a avaliação brusca de Ford, os consumidores mais jovens certamente não consentirão em tal arranjo.

Todas essas avaliações devem ser realizadas num “piscar de olhos virtuais”, porque o universo da mídia social se tornou o ponto de encontro dos implacáveis consumidores, que estão sempre em busca de respostas rápidas sobre produtos, serviços e empresas.

5 – CONCLUSÃO

Os insights buscam ler e interpretar tendências no comportamento dos consumidores, com o objetivo final de ajustar as operações, usando essas observações para aumentar as vendas. Eles ligam a pesquisa e o marketing para conectar os interesses e as características dos consumidores aos recursos ou benefícios que uma marca tem a oferecer. 

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O marketing centrado no consumidor é mais do que apenas um chavão. O mundo mudou drasticamente e continua a evoluir rapidamente. O que atrai os consumidores um dia, pode não funcionar no dia seguinte. Compreender as suas necessidades e desejos, se tornou uma das coisas mais importantes, antes mesmo de se criar produtos de consumo. Portanto, as empresas precisam despertar para esse fato e melhorar suas percepções sobre o comportamento do consumidor. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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O BITCOIN E SUAS IMPLICAÇÕES PARA O CONSUMIDOR

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Bitcoin tem sido descrito como uma versão descentralizada (de pessoa para pessoa) de movimentação financeira com uso de dinheiro eletrônico, que facilita a compra de bens e serviços on-line sem uma instituição financeira intermediária. Essa definição destaca as principais diferenças entre a moeda digital e as moedas tradicionais ( dólar americano, real, euro, etc.) e as formas comumente usadas de pagamento on-line, como cartões de crédito e débito. Ele pode ser diretamente trocado entre as partes, sem a necessidade de um banco intermediário ou uma câmara de compensação para validar a transferência. Além disso, ele não está vinculado a nenhum governo, ou seja, ele não é criado, controlado ou regulado por um órgão central.

O Bitcoin atrai os consumidores porque a sua característica descentralizada (de pessoa para pessoa) elimina o pagamento de taxas, reduzindo, assim,  os custos da operação. Além disso, os consumidores são atraídos a investir nessa moeda digital devido à possibilidade de maior retorno sobre o investimento, à medida que o tempo avança. Mas, afinal, como funciona esse mercado? O lucro é realmente garantido para o consumidor, ou há riscos na operação?

1 – USANDO O BITCOIN

O Bitcoin tem sido utilizado principalmente como moeda de troca em compras online. Para começar a usá-lo, o consumidor deve primeiro criar uma carteira virtual (é o que o termo significa – carteira para guardar algo, neste caso, a moeda Bitcoin). 

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Depois que a carteira virtual for criada, ele já pode iniciar o processo de aquisição de bitcoin. Uma vez que os bitcoins estejam na carteira virtual – o equivalente a dinheiro em uma conta – o consumidor pode comprar bens ou serviços on-line ou em qualquer local físico, que aceite a referida moeda como método de pagamento.

2 – CRIANDO UMA CARTEIRA VIRTUAL

É útil pensar em uma carteira virtual como uma combinação de uma carteira tradicional e um endereço de e-mail. Semelhante a uma carteira tradicional, a carteira virtual armazena os bitcoins do consumidor e permite que ele mantenha o controle do seu saldo. Assim, como um endereço de e-mail, as carteiras virtuais permitirão, que através delas, os consumidores enviem e recebam bitcoins. 

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Cada carteira vem com uma chave privada (que está disponível apenas para o dono da carteira virtual) e um número infinito de chaves públicas, que são usadas para enviar e registrar a transferência de bitcoins. A “chave pública” criptografa a moeda, para garantir a sua chegada ao destinatário, de forma segura, enquanto a “chave privada” descriptografa os bitcoins quando eles atingem a carteira virtual pretendida. Vejamos um exemplo deste processo:

Um consumidor (B) compra um produto da Seller (S) pelo preço de dois bitcoins. A Seller (S) dá ao consumidor (B) a sua chave pública, o que permitirá ao consumidor (B) enviar dois bitcoins criptografados para pagar pelo produto. A Seller (S) então aceita os dois bitcoins inserindo sua chave privada, que descriptografa a transação e coloca os bitcoins em sua carteira virtual. Todos os usuários de Bitcoin verão essa transação, mas somente a Seller (S) será capaz de aceitar os bitcoins, por causa de sua única chave privada.

3 – ADQUIRINDO BITCOIN

Após a criação de uma carteira virtual, um consumidor pode começar a aquisição de bitcoins, usando qualquer um dos seguintes métodos: mineração; compra usando moeda tradicional, através de sites de troca; venda de produtos e serviços.

3.1. MINERAÇÃO É a parte integrante do Bitcoin e serve a vários propósitos. O processo de mineração cria bitcoins adicionais, valida as transações e mantém o registro de transações dentro do Bitcoin. O processo de mineração é melhor explicado com o seguinte cenário:

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Um consumidor (B) compra um produto da Seller (S) pelo preço de dois bitcoins. Para completar esta transação, um minerador deve garantir que o consumidor (B) possua dois bitcoins no momento da compra. Para isso, o minerador utiliza um software de programação para resolver um algoritmo Bitcoin complexo. Se o consumidor (B) tem os bitcoins, o minerador registra a transação entre o consumidor (B) e a Seller (S) num sistema conhecido como uma “cadeia de blocos”.

A “cadeia de blocos” nada mais é que o registro de todas as transações que ocorreram na rede Bitcoin. Depois que o minerador validou a transação e a transação foi concluída, o minerador é recompensado por seu trabalho recebendo bitcoins recém-produzidos.

O ato de mineração é bastante competitivo, porque os mineiros, dentro do Bitcoin, estão essencialmente “correndo” para resolver o algoritmo e receber os bitcoins. Quanto mais poder de processamento, maior a probabilidade de resolver o algoritmo e registrar a transação.

Em resposta aos mineradores que adquirem mais poder de processamento e resolvem os algoritmos mais rapidamente, o algoritmo Bitcoin torna-se mais difícil em um esforço para estabilizar a quantidade de bitcoins criados e premiados. A quantidade de #bitcoins concedidos aos mineiros, diminui ao longo do tempo, semelhante ao ouro que está sendo extraído. Assim como o suprimento de ouro é limitado, o número de Bitcoins é limitado a 21 milhões; os últimos bitcoins serão extraídos em 2140.

3.2. COMPRANDO BITCOIN – Um consumidor pode comprar bitcoins através de uma troca on-line. Essas trocas on-line operam da mesma forma que as trocas de moedas tradicionais. A taxa atual de bitcoins, que flutua dramaticamente, é trocada por uma moeda tradicional. O site de troca recebe uma comissão pelo serviço de conversão da moeda tradicional em bitcoins e o consumidor recebe bitcoins pela carteira virtual.

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3.3. VENDA DE BENS E SERVIÇOS – O consumidor também pode adquirir bitcoins, aceitando a moeda em troca de bens e serviços. Em troca de um bem ou serviço, seja on-line ou pessoalmente, o vendedor é compensado com bitcoins que são transferidos para sua carteira virtual. Além das transações on-line, um número crescente de estabelecimentos comerciais e profissionais liberais vêm aceitando essa #MoedaCriptografada como forma de pagamento.

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4 – RISCOS PARA O CONSUMIDOR

Bitcoin representa vários riscos para o consumidor. Os riscos mais notáveis, incluem: ações de hackers em carteiras virtuais ou plataformas Bitcoin; o valor flutuante do Bitcoin; transações fraudulentas; a falta de proteção legal e recurso para o consumidor.

4.1. AÇÕES DE HACKERS Como acontece com muitos sistemas que operam online, a rede Bitcoin é suscetível a hackers. Os hackers podem roubar os bitcoins dos consumidores, por meio de acesso às plataformas ou comprometendo as carteiras virtuais do consumidor. Sobre o ataque de hachers, já tratamos num artigo específico (acesso ao artigo).

Esta ameaça se atualizou várias vezes, desde o surgimento do Bitcoin. Um dos exemplos mais notáveis ​​dessa ameaça é o Monte. Gox.  (uma bolsa baseada em Tóquio) que já foi a plataforma dominante para a troca de Bitcoin., e que em fevereiro de 2014 pediu proteção contra falência, depois que hackers obtiveram acesso à plataforma e roubaram quase US $ 480 milhões em bitcoins.

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Os bitcoins roubados pertenciam a centenas de  consumidores, que dependiam do site de troca para armazenamento e conversão de sua moeda. Além da invasão de carteiras virtuais e plataformas de troca, o malware foi distribuído para os computadores dos consumidores.

Também houve casos em que os consumidores excluíram, acidentalmente, suas carteiras virtuais armazenadas em seus computadores.

4.2. VALOR FLUTUANTE O Bitcoin não é apoiado por um governo e não é baseado em qualquer commodity do mundo real, como ouro ou banco central, o que faz com que o seu valor flutua constantemente.

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O Bitcoin não é uma oferta legal – nenhuma lei exige que empresas ou indivíduos a aceitem – assim, ela se torna inútil se nenhuma entidade a aceitar como forma de pagamento. Além disso, o #bitcoin acabou se tornando uma moeda de escolha para transações ilegais.

Em um esforço para combater transações ilegais, a aplicação da lei poderia interromper ou restringir o uso de plataformas e trocas a qualquer momento. Tal ação limitaria a capacidade do #consumidor de gastar bitcoins, diminuiria o valor dessa moeda digital ou faria com que o consumidor perdesse bitcoins.

Este tipo de ação foi recentemente adotada na China. O Banco Central daquele país, ordenou que processadores de pagamentos terceirizados, encerrassem transações envolvendo moedas digitais, logo após proibir as instituições financeiras de aceitar o Bitcoin. O Banco Central da China argumentou que o uso ilegal da moeda poderia prejudicar a maioria dos consumidores chineses.

Os consumidores são frequentemente atraídos para investir no Bitcoin devido à percepção de que ele irá espelhar outras oportunidades inovadoras de investimento, aumentando em valor ao longo do tempo. Há pouco tempo atrás, após a cobertura positiva da mídia Bitcoin, o valor dos bitcoins saltou de US $ 1 para US $ 28. No entanto, o valor drasticamente flutuante do Bitcoin torna-o especialmente perigoso para potenciais investidores. Por exemplo, depois que a China anunciou que as transações do Bitcoin não seriam toleradas por suas instituições financeiras, o valor da #MoedaDigital caiu quase 40% em menos de 24 horas. Em suma, os lucros ou perdas associados ao investimento em Bitcoin são virtualmente impossíveis de prever devido ao seu valor volátil.

4.3. TRANSAÇÕES FRAUDULENTAS A novidade do Bitcoin o torna atraente para os fraudadores, devido à natureza evolutiva do sistema. Essa característica atrai fraudadores porque eles são capazes de se apresentar facilmente como entidades legítimas de Bitcoin em meio a mudanças e crescimento. Os fraudadores são capazes de se apresentar como um intermediário de troca ou um operador de Bitcoin, em um esforço para atrair consumidores e induzi-los a enviar dinheiro.

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O anonimato do Bitcoin e a irreversibilidade das transações, resultam em uma perda permanente para os consumidores e pouca ou nenhuma consequência para os fraudadores. Ainda mais que não existe uma legislação específica para regular o uso dessa moeda digital. Geralmente os governos utilizam as leis que regulam o mercado financeiro tradicional, permitindo a existência de lacunas ou brechas que facilitam essas ações fraudulentas. Com isso, os fraudadores perpetuaram esquemas de investimento ilícitos, que prometem aos consumidores o acesso a oportunidades de ponta, com retornos garantidos, através de investimentos elevados.

Nos Estados Unidos, a Comissão de Valores Mobiliários tomou medidas para combater essas oportunidades de investimento fraudulentas. Foi identificado um suposto esquema que prometia a investidores, um retorno de 7% em seus investimentos, e que estes recursos seriam usados ​​para promover as atividades do Bitcoin. No entanto, esses fraudadores usaram os fundos de novos investidores para pagar o lucro esperado dos investidores anteriores e apropriaram-se de parte deles para seu uso pessoal. Esses tipos de esquemas são comuns porque os consumidores têm dificuldade em diferenciar oportunidades legítimas de fraudes.

4.4. FALTA DE PROTEÇÃO LEGAL E RECURSOS PARA O CONSUMIDOR Os consumidores ficam com pouco ou nenhum recurso legal quando os riscos acima mencionados se materializam, pois inexistem seguros para casos de fraude envolvendo o uso do Bitcoin. E aqueles seguros existentes no mercado financeiro, não se estendem a bitcoins e nem à carteira virtual dos consumidores.

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Infelizmente, a aplicação da lei enfrenta obstáculos substanciais na identificação e punição de indivíduos, responsáveis ​​por roubo ou fraude do Bitcoin.Um desses obstáculos é o anonimato da moeda digital, dificultando o seu rastreamento; outro obstáculo é o fato das transações serem genuinamente de pessoa para pessoa, o que faz eliminar a necessidade de bancos, tornando ainda mais difícil acompanhar o seu fluxo. Temos também como obstáculo, o anonimato e a falta de autoridade central o que significa que não há coleta de informações de identidade daqueles que operam com o Bitcoin.

É nesse ambiente sombrio, que os investigadores terão que  confiar nos sites de troca de Bitcoin e outras fontes potencialmente não confiáveis, ​​em suas tentativas de identificar aqueles consumidores que sofreram perdas.

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Ademais, o escopo internacional das transações de Bitcoin, torna extremamente difícil para os investigadores obter informações. Lembrando também que, caso fossem localizados bitcoins roubados, é difícil apreender ou congelar a moeda, por causa da #criptografia de carteiras virtuais.

Os #consumidores também têm opções limitadas na recuperação de #bitcoins perdidos ou roubados. Por exemplo, os consumidores de Tóquio não puderam recuperar seus bitcoins após a violação do Mt. Gox. Eles tiveram que suportar os prejuízos, em decorrência de confiarem a sua propriedade a uma instituição financeira que não os protegiam contra negligência, quebra de contrato ou fraude. Para agravar ainda mais a situação, os passivos do Mt. Gox. superaram amplamente seus ativos, tornando impossível os consumidores pelos prejuízos sofridos.

5 – AUTOPROTEÇÃO DO CONSUMIDOR

Os consumidores podem tomar medidas preventivas para se protegerem de possíveis perdas. Tais medidas são de baixo custo para o consumidor e incluem: Investigar o broker antes de investir; buscar maior proteção de carteiras virtuais e adquirir quantidades mínimas de Bitcoin.

5.1. INVESTIGAR O BROKER Broker é aquela pessoa física ou jurídica ou, ainda, um grupo de pessoas que atua como intermediário nas transações entre um comprador e um vendedor, recebendo uma comissão quando o negócio é concluído.

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O consumidor deve realizar uma investigação minuciosa dos antecedentes das empresas ou indivíduos, antes de aceitar uma oportunidade de investimento. É importante que leia atentamente o material apresentado por um corretor, verificando todas as declarações e promessas. Necessário, também, pesquisa diligentemente sobre o potencial investimento em Bitcoin, assim como faria em qualquer outra oportunidade de investimento.

5.2. PROTEÇÃO DE CARTEIRAS VIRTUAIS O consumidor, normalmente, não carrega milhares de dólares em sua carteira, bolsa ou bolso, e o mesmo vale para as carteiras virtuais. Se uma carteira virtual é hackeada, o consumidor irá mitigar as perdas por ter apenas uma pequena quantidade de Bitcoin em uma carteira virtual on-line e armazenar a maior parte de seu Bitcoin em locais mais seguros, que serão discutidos abaixo.

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Armazenar uma carteira virtual off-line, conhecida como “armazenamento em disco”, fornece o mais alto nível de segurança para o Bitcoin. Uma carteira offline é protegida contra malware ou outras ferramentas da Internet usadas por hackers para comprometer carteiras virtuais e roubar  moeda digital. Além disso, uma carteira offline que é criptografada, armazenada regularmente e armazenada em mídia alternativa (como uma unidade USB) reduzirá bastante a probabilidade de roubo de Bitcoin.

5.3. ADQUIRIR QUANTIDADES MÍNIMAS DE BITCOIN A dica mais importante para os consumidores é investir apenas aquela quantidade de dinheiro que podem perder. Os consumidores não devem investir ou transformar economias ou quantias monetárias substanciais em bitcoins.

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Os investimentos devem ser sólidos, mas conscientes da realidade de que, se ocorrer fraude ou roubo, eles provavelmente não poderão recuperar quaisquer perdas.

6 – RECEITA FEDERAL DO BRASIL

No dia 07/05/2019, a Receita Federal do Brasil publicou no Diário Oficial da União a Instrução Normativa nº 1888/19, que institui e disciplina a obrigatoriedade das corretoras brasileiras de prestarem informações mensais, a partir do mês de agosto/2019, sobre as operações realizadas com moedas criptografadas. 

7 – CONCLUSÃO

O potencial do Bitcoin é vasto e, infelizmente, também são vastos os riscos para os consumidores. A inexistência de leis específicas, que regulam o seu uso e que garantam proteção e ressarcimento aos investidores que sofreram prejuízos financeiros, contribui para o surgimento indivíduos, prometendo investimento fraudulentos. Até que surja regulamentação suficiente,  a melhor defesa contra as falhas do Bitcoin, é ser um consumidor informado e cauteloso. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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A IDENTIDADE DIGITAL DOS CONSUMIDORES

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Com o avanço tecnológico, já nos acostumados a divulgar pequenos detalhes sobre nós mesmos, enquanto navegamos em nosso mundo digital.  São informações de cartão de crédito para uma compra; um endereço de e-mail para receber descontos; um número de segurança social em um formulário médico. São informações espalhadas por toda a paisagem digital, distribuídas em diferentes sistemas, em dispositivos de armazenamento, em redes sociais, em servidores corporativos, em bancos de dados governamentais, que juntos, formam uma imagem mais rica e completa sobre nós – o que gostamos, o que fazemos, quem somos, com quem nos relacionamos, o que planejamos, quais as nossas pretensões profissionais e tendências políticas. É um enorme volume de dados pessoais, que torna nossa identidade digital mais detalhada, mais precisa, mais útil e cada vez mais valiosa, possibilitando avanços na capacidade de agregar, processar e obter insights a partir dela.

1 – DEFINIÇÃO DA IDENTIDADE DIGITAL

A identidade digital é a soma de todos os dados disponíveis digitalmente sobre um indivíduo, independentemente do seu grau de validade, da sua forma ou da sua natureza. Esses dados podem apresentar atributos ou características inerentes, adquiridas ou individuais.

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  • Inerentes – Definem a identidade de um indivíduo, como por exemplo, a sua data de nascimento, o seu gênero e a sua nacionalidade;
  • Adquiridas – Estão relacionadas à história de um indivíduo. Aqui incluem o seu endereço, a sua profissão, o local onde trabalha, a quantidade de filhos, o seu registro médico, o seu relatório de compras, etc.
  • Individuais – Dizem respeito aos desejos e interesses do indivíduo, como hobbies, a marca de blusa favorita; seu modelo de carro preferido, o restaurante mais frequentado, o site mais acessado, etc.

Em uma sociedade cada vez mais digital, à medida que essas informações crescem em volume e variedade, elas acabam se tornando um banco de dados valioso, e consequentemente, numa nova forma de moeda.

2 – O VALOR DA IDENTIDADE DIGITAL PARA EMPRESAS E CONSUMIDORES

Embora os varejistas e os negócios on-line possam ter sido os primeiros a avaliar – e buscar – o potencial de valor na identidade digital, eles agora têm bastante companhia. Mesmo as organizações dos setores mais tradicionais e menos intensivos em dados, receberam a mensagem: A identidade digital dá oportunidade para melhorar o atendimento ao cliente, gerar eficiência de marketing, desenvolver novos produtos que atendam melhor às necessidades do consumidor. Em suma, as oportunidades que a identidade digital apresenta são enormes. Ela proporciona crescimento em todos os setores.

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Aplicativos que aproveitam dados pessoais podem aumentar a eficiência, ajudar a concentrar esforços de pesquisa e marketing e estimular a criação de produtos e serviços personalizados que, por sua vez, estimulam as receitas. Para os consumidores, os benefícios também são atraentes. Podemos citar alguns, como: serviço mais rápido, preços mais baixos e produtos mais adequados às suas necessidades.

A imagem que ela fornece de um indivíduo está se tornando não apenas mais completa, mas também mais precisa e mais rastreável, por isso, perceber todo o potencial da identidade digital é muito importante.

À medida que cresce em importância os dados pessoais, e paralelamente, a preocupação das pessoas, quanto à segurança e privacidade, como já foi informado num artigo recentemente publicado aqui (veja o artigo), as empresas temem a reação dos consumidores, caso abordem de maneira errada a identidade digital. O desafio delas é estabelecer a confiança que mantém essa informação fluindo.

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Relatório de uma pesquisa feita pelo The Boston Consulting Group (empresa de consultoria empresarial, fundada pelo americano Bruce Henderson, em 1963), aborda de forma única a compreensão desse novo fenômeno. Ele quantifica, pela primeira vez, o valor econômico atual e potencial da identidade digital. Ele também explora, através de pesquisas envolvendo mais de 3.000 pessoas, o valor que os consumidores depositam em suas informações pessoais e como elas tomam decisões sobre compartilhá-las ou não. Com base nessas descobertas, o relatório apresenta um novo paradigma para desvendar o valor total da identidade digital, de maneira sustentável e centrada no consumidor.

O relatório mostra que o valor criado, através da identidade digital, pode ser de fato massivo: por exemplo, somente na Europa, € 1 trilhão de euros serão investidos em tecnologia de dados pessoais até 2020, ou aproximadamente 8% do PIB. Para empresas e governos europeus, o uso de dados pessoais trará um benefício anual de € 330 bilhões de euros até 2020 – trazendo crescimento para aquela economia. Para os indivíduos, o valor será mais que o dobro: € 670 bilhões.

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Esse avanço ocorre em todos os continentes. Muito desse crescimento econômico também se deve a serviços on-line como o Facebook e o Google, que podem ser oferecidos gratuitamente – graças a modelos de negócios que geram receita com dados pessoais, e que são altamente valorizados pelos consumidores.

A identidade digital é relevante, não apenas para as empresas da Web, mas para a economia como um todo. Conforme detalha o relatório, as seis principais tendências na aplicação da identidade digital – na automação de processos, capacitação do usuário, personalização, entrega aprimorada, P & D orientada por dados pessoais e monetização secundária – são relevantes para todos os setores. Na verdade, são os setores público e de saúde que devem lucrar mais, obtendo 40% do benefício total da organização. Assim, o relatório adota uma abordagem, setor a setor, para examinar como os #DadosPessoais estão sendo usados ​​e quantificar o potencial de valor desses aplicativos.

3 – ENTENDENDO A ATITUDE DO CONSUMIDOR

O risco também é quantificado: 2/3 do potencial de valor total da #IdentidadeDigital podem ser perdidos, se as partes interessadas não conseguirem estabelecer um fluxo confiável de dados pessoais.

As empresas sabem, que quando projetam um produto ou criam um serviço, entender a atitude do consumidor é um fator crítico de sucesso. O mesmo se aplica aos aplicativos de identidade digital. Para alavancá-los com sucesso e obter os benefícios e os valores ideais que eles podem trazer, é preciso entender como os consumidores veem sua identidade digital. Quais são as suas sensibilidades? Que fatores pesam, quando decidem se devem ou não compartilhar dados pessoais? E mais precisamente, como eles avaliam esses fatores?

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Tradicionalmente, as pesquisas sobre esse tópico concentram-se principalmente nas atitudes dos entrevistados, em suas reações, como por exemplo descobrir quantos #consumidores no ano de 2018, compartilharam seus dados pessoais para ter acesso gratuito a um dispositivo de segurança para mobile phone. Embora seja importante o resultado desse tipo de pesquisa, as atitudes dos consumidores nem sempre correspondem ao que eles realmente pensam. Diante dessa divergência entre o pensar e o agir, verifica-se  a necessidade de se pesquisar mais a fundo o comportamento deles. Quando é apresentada a opção de compartilhar – ou não compartilhar – dados pessoais, como eles realmente tomam suas decisões?

Numa pesquisa feita, também pelo The boston consulting group, foi tomado como base de avaliação essas três dimensões – preocupação, conscientização e controle – que afetam a vontade dos consumidores de fornecer seus dados pessoais. Os resultados, são evidências empíricas valiosas, de como os consumidores veem sua identidade digital.

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Portanto, observar de perto cada uma dessas dimensões e compreender o papel que desempenham na identidade digital, é essencial para as empresas desenvolverem aplicativos que não sejam apenas inovadores, mas que também funcionem de verdade. 

Os consumidores entrevistados foram apresentados a cenários e perguntas que enfocaram suas atitudes – e seu comportamento real – em relação ao compartilhamento de dados.

A pesquisa descobriu que a maioria dos consumidores está preocupada sobre como seus dados pessoais são usados: 88% consideram que pelo menos um setor é uma ameaça à sua privacidade quando estão on-line. Mas muito menos (30%) tem uma compreensão relativamente abrangente de quais setores estão coletando e usando suas informações. E menos ainda, estão no controle de sua identidade digital; apenas 10% dos entrevistados já adotaram seis ou mais, das oito medidas comuns de proteção da privacidade, como a alteração de suas configurações em uma rede social ou a desativação de determinados usos de dados.

a-identidade-digital-do-consumidorA pesquisa mostrou que a preocupação do consumidor não resulta necessariamente em uma menor disposição dele para compartilhar, e que em grande parte, eles desconhecem o que as #empresas estão fazendo com seus dados pessoais. Apenas 30% dos entrevistados tinham uma compreensão, relativamente abrangente dessa realidade.

A pesquisa sinalizou que os consumidores, com maior conscientização sobre coleta e uso de dados, estão menos dispostos a compartilhar seus dados. Especificamente, aqueles com consciência acima da média estavam, em geral, 26% menos dispostos a divulgar informações pessoais, além de exigirem mais benefícios em troca do compartilhamento de dados.

Essa descoberta pode induzir as empresas a pensarem que a ignorância é uma felicidade e que ela deve ser mantida – ou, dito de outra forma, que sejam mantidas em segredo as informações sobre uso de dados pessoais. Essa é uma proposta pouco promissora, já que nesta era de mídias sociais e comunicações virais, os consumidores sempre estão em busca de informações, além disso, esta correlação entre consciência e vontade de compartilhar varia de acordo com o setor. No varejo, por exemplo, os consumidores com alto nível de conscientização têm 53% menos probabilidade de compartilhar seus dados pessoais. Para os Bancos, no entanto, os consumidores com alto nível de conscientização, têm apenas 13% menos chances de compartilhar e, para os órgãos públicos, o número é de apenas 9%.

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Vale a pena notar que os Bancos e agências públicas já possuem um nível relativamente alto de conscientização do consumidor, sobre as práticas de coleta e uso de dados. Mais de 80% dos participantes da pesquisa, por exemplo, sabiam que os Bancos estavam coletando dados pessoais (ficando em primeiro lugar entre os setores). Já o varejo, por outro lado, apresenta o segundo menor nível de conscientização, com apenas 32%.

Para termos um exemplo notável da baixa percepção geral da coleta de dados e das práticas de uso, basta olharmos para os mecanismos de busca da Internet. Enquanto, 75% dos consumidores entrevistados disseram que compartilharam informações pessoais com empresas, apenas 1/4 (um quarto) desses participantes, disseram que compartilharam seus dados com os mecanismos de busca. Sem dúvida, isso demonstra a falta de conscientização do consumidor, já que os mecanismos de busca, quase sempre, armazenam o histórico de pesquisa, que inclui dados altamente confidenciais. A falta de conscientização, induzem eles ao erro de considerarem que não estão compartilhando seus dados pessoais quando utilizam o mecanismo de busca.

O controle de privacidade também tem um impacto na disposição do #consumidor em compartilhar dados, descobriu a pesquisa – mas de uma maneira positiva, se forem bem implementados. Foi constatado que aqueles consumidores que conseguem gerenciar sua privacidade, como por exemplo, realizar procedimentos primários, como a mudança de configurações em uma rede social, desativando os cookies em seu navegador, navegando na Web no modo “privado” ou optando por certos usos de dados, são até 52% mais dispostos a compartilhar informações do que aqueles que não conseguem realizar tais procedimentos.

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Importante esclarecer, que a correlação entre facilidade de uso e compartilhamento, não se aplica a informações altamente confidenciais, como as financeiras. Neste caso a resistência em compartilhar dados, ainda é evidente.

A pesquisa deixa ainda mais claro que a confiança do consumidor varia por setor. Os consumidores estão em média 30% mais dispostos a compartilhar dados com empresas de comércio eletrônico, operadoras de telefonia e fabricantes de automóveis, do que com as comunidades da Web.

O relatório dessa pesquisa nos mostra que as empresa precisam abraçar a responsabilidade, a transparência e o controle do usuário, disponibilizando a eles, informações transparentes, controles adequados de privacidade e benefícios suficientes, para garantir que o fluxo de informações pessoais continue existindo no ambiente digital.

4 – CONCLUSÃO

À medida que o número de dispositivos e o tempo gasto na internet cresce, a identidade digital dos consumidores torna-se mais importante do que nunca. Conhecer detalhes específicos sobre o ser físico (dados demográficos, psicográficos, atributos de estilo de vida, etc) que está por trás de algo, tão abstrato quanto pixel ou cookie, é essencial para satisfazê-lo de forma  direcionada, significativa e genuína, com a entrega daquilo que ele busca. Agora, todos estão correndo o mais rápido possível para chegar ao ponto de entender quem são essas pessoas e o que estimula elas a compartilhar seus dados pessoais. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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