A INFORMAÇÃO É A MOEDA DO SÉCULO XXI

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A tecnologia digital acionou uma explosão na quantidade, profundidade e valorização da informação de todos os tipos. O Google processa 40.000 pesquisas por segundo; 456.000 tweets são enviados a cada minuto; 16 milhões de mensagens de texto são enviadas a cada minuto; 1,5 bilhão de pessoas estão ativas no Facebook todos os dias, compartilhando informações. Nos próximos anos, espera-se que o volume global de informações se multiplique por 40 vezes ou mais.

Nesse cenário, a informação é a moeda do século XXI, como evidenciado pelas cinco empresas mais valiosas do mundo atualmente – Apple, #amazon, Facebook, Microsoft e a empresa-mãe do Google, a Alphabet. À medida que usamos suas plataformas (que parecem ser de graça, mas na verdade não são, pois nós os pagamos com nossos dados pessoais) esses gigantes corporativos estão coletando informações sobre todos os aspectos da nossa vida, nosso comportamento e nossa tomada de decisões – onde estivemos; que produtos compramos; que filmes gostamos e que candidatos apoiamos – a lista é quase infinita. Até mesmo cada foto de nós mesmos, nossos parentes ou amigos, dão a eles informações sobre nós.

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Todos esses eventos que tornamos públicos, fornecem dados valiosos de maneira comercial, política e militar. São informações que dão às corporações mais poder e mais lucro. Se por um lado, esses dados podem ser usados ​​para melhorar suas ferramentas e serviços, o que é bom para os consumidores; por outro lado, acabam sendo vendidos para os órgãos de governo e para empresas terceirizadas, das quais somos clientes em potencial, ou para empresas chamadas de data brokers, que agregam dados de várias fontes, tornando-as ainda mais valiosas.

1 – AS INFORMAÇÕES, SÃO REALMENTE MOEDAS?

Quando as pessoas se referem a moedas, elas tendem a pensar em notas de papel – dólares americanos, ienes japoneses ou euros. O dinheiro impresso, no entanto, é apenas um tipo de moeda. Ao longo da história, as moedas apareceram em muitas formas, desde as célebres rodas de pedra dos ilhéus, Yap até os cowries, as conchas de moluscos, que se tornaram um meio popular de troca na China há mais de três milênios.

As moedas evoluíram ao longo do tempo; de pedras e conchas para as sofisticadas formas de #moeda legal, que permitem as transações financeiras globais de hoje, como por exemplo, o bitcoin e o pó sagrado do World of Warcraft.

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Para entender como as informações se encaixam nessa evolução, precisamos repensar nossa concepção de moedas. Moeda é a forma como criamos e trocamos valor econômico em toda a geografia e ao longo do tempo. É qualquer coisa que possa servir como meio de troca, algo que possa ser “sacado” para bens e serviços, ou usado para pagar dívidas ou para armazenar valor para uso futuro.

As informações pessoais têm cada uma dessas características essenciais, já que em muitas transações comerciais on line, que envolvem compra e venda, elas servem como meio de troca. É o caso do setor varejista. De acordo com o Aite Group, os varejistas americanos pagaram até o ano de 2018 a quantia de US $ 1,7 bilhão aos principais bancos dos Estados Unidos para que enviassem ofertas de desconto direcionadas aos clientes, com base em informações pessoais sobre os hábitos de compra com cartão de crédito.

Como se vê, as empresas estão trabalhando duro para lucrar com o mercado de informações pessoais. Elas variam de empresas iniciantes, como a Personal.com, que ajuda indivíduos a controlar e fazer uso de seus próprios dados pessoais a empresas  gigantes, como a Rapleaf e a Acxiom, que detêm informações sobre até 500 milhões de consumidores em todo o mundo.

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No mundo digital nada é gratuito. Quando usamos serviços como Facebook, Twitter ou Google, pagamos pelo privilégio fornecendo a eles nossas informações pessoais. Dentre eles, o Facebook é talvez o mais prolífico “coletor de informações pessoais”, para emprega-las em modelos de negócios publicitários que geram de US $ 55 bilhões a US $ 116,3 bilhões de lucro. Isso não quer dizer que a Apple, a Microsoft e a Amazon também não estejam se beneficiando de informações pessoais coletadas dos consumidores. A Amazon, em particular, “é líder na coleta, armazenamento, processamento e análise de informações pessoais de milhões de consumidores” e usa esses dados para alimentar sua abordagem centrada no cliente, apresentando produtos que são personalizados de acordo com suas preferências. E esse é apenas o lado certo do modelo de negócios deles. As operações e a logística da Amazon também contam com informações. Em 2018, eles faturaram US $ 123 bilhões em vendas on-line, resultados desse mecanismo criado em torno da coleta de informações.

As informações pessoais dos consumidores se tornaram um recurso tão valioso, que até algumas empresas de marketing constroem, hoje, vastos bancos de dados com informações sobre preferências e comportamentos dos consumidores. Combinando essas informações com aquelas informações de registros públicos, junto com o escape digital coletado de mídias sociais, transmissões móveis e outras fontes, essas empresas faturam milhares de dólares, fornecendo aos anunciantes novos insights sobre o público-alvo.

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Você já se perguntou como alguém entra na televisão? Netflix certamente fez. Quando os executivos da empresa decidiram que era hora da Netflix começar a oferecer conteúdo original, eles aumentaram sua chance de sucesso, usando sua ferramenta mais poderosa: as informações pessoais dos clientes. Com esses dados em mãos, a empresa descobriu quais produtores, atores e shows seus espectadores mais gostavam. Com este relatório, a Netflix definiu a sua primeira produção: House of Cards. Essa série se tornou o programa mais popular já produzido. Usando essas informações, a Netflix passou a desenvolver novas estratégias de negócios bem-sucedida, para atrair clientes.

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Essa realidade nos dá a certeza de que, cada vez mais, as informações pessoais estão sendo utilizadas como moedas de troca.

2 – COMO AS INFORMAÇÕES ESTÃO SEGMENTANDO OS CONSUMIDORES

Como foi demonstrado acima, as informações são a moeda do século 21 e, no entanto, o valor delas depende muito de como as empresas a exploram, peneiram, interpretam e agem, com base na grande quantidade de dados oriundas de um número crescente de fontes digitais.

Com a chegada, há alguns anos, do que hoje conhecemos como Big Data (se refere às bases de dados, com grande volume de informações) é possível as empresas cruzarem essas informações de maneira rápida e eficiente, para definirem uma imagem mais clara de quem são seus clientes e o que os motiva. Além disso, informações cristalizadas ajudam as empresas a tomarem decisões estratégicas futuras, criar produtos e serviços mais relevantes, como também, proteger-se de riscos futuros.

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“A explosão de dados disponibilizados pelo mundo, cada vez mais conectado, está trazendo mudanças sem precedentes para as empresas”, diz Roy Jubraj, diretor de digital e inovação da Accenture.

Nos próximos anos, espera-se que mais de 50 bilhões de dispositivos estejam conectados à internet. Com bilhões de sensores e dispositivos conectados ao mundo digital, as empresas estão começando a usar as informações coletadas para fazer três coisas: administrar-se de maneira mais eficaz, preparar seus negócios para o futuro e reformar o relacionamento com seus clientes.

Para agrupar tantas informações e extrair resultados concretos, as empresas estão analisando toda a jornada ou ciclo dos consumidores na sua interação com órgãos do governo, sites, redes sociais, etc. Ao combinar esses conjuntos, é possível entender mais sobre como os consumidores interagem com os negócios, em todas as etapas do caminho.

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“Estamos preocupados com a jornada do cliente, de ponta a ponta, em vários canais e dispositivos digitais. Extraímos informações de várias fontes para obtermos uma visão mais holística do comportamento do cliente e da sua interação com a empresa.”, explica Jason Ryan, sócio-fundador da agência de marketing para clientes, Brilliant Noise.

Aprender sobre os consumidores, a quem se quer vender, não é novidade. Muitas décadas atrás, os executivos de desenvolvimento de negócios, passaram a pesquisar as histórias que existiam por trás de suas vendas, para entender o que os fazia funcionar e quais as necessidades dos clientes que eles poderiam suprir.

Mas a era digital criou um sistema no qual esse processo pode ser automatizado e executado em escala industrial. Há cinquenta anos, os vendedores economizavam energia para suas maiores perspectivas de gastos, agora é rentável fazer descobertas sobre pessoas que gastam com moderação também.

“Conhecer os clientes de dentro para fora, sempre foi vital para o sucesso nos negócios. Este princípio se aplica, mesmo que você esteja lidando com uma pessoa ou mil pessoas. A disponibilidade de informações, hoje, nos permite entender melhor os clientes e criar relacionamentos lucrativos com eles.”, informou Jon Cano-Lopez, diretor executivo de uma empresa independente de comunicação de dados.

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Então, que tipo de informação está sendo mais coletada agora? Sem dúvida, são as informações transacionais, de estilo de vida e comportamentais. Estas representam os três principais conjuntos de informações que são mais comumente registrados e usados ​​para insight.

  • Informações transacionais – Estão relacionadas ao que as pessoas gastam, onde gastam, com que frequência e quanto;
  • Informações de estilo de vida – Referem-se a quem são as pessoas, onde moram, quais são seus interesses e o que é importante para elas;
  • Informações comportamentais – Estão relacionadas à atividade das pessoas, tanto on-line quanto off-line; o que elas fazem e por meio de quais canais.

Com o passar dos anos, a quantidade de informações disponíveis aumentou, de modo que as empresas precisam se adaptar e evoluir para acompanhar esse imenso fluxo de dados. Elas vêm adotando novos sistemas de captura de informações e novos softwares analíticos, bem como novos incentivos para os consumidores compartilhem suas informações pessoais, sem medo, sem desconfiança.

Podemos apontar como exemplo dessa estratégia, a criação do “cartão fidelidade” pelos supermercados,  que foi uma das primeiras inovações bem-sucedidas para capturar informações dos consumidores na era digital emergente. Na realidade, essa estratégia configura uma “troca de valor” oferecida aos clientes: estes fornecem suas informações pessoais em troca de pontos para trocar por prêmios. É mais uma confirmação de que a informação é a moeda do século XXI.

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Essa estratégia revolucionou a forma como os supermercados vendiam seus produtos – eles deixaram de operar no escuro e se tornaram capazes de atingir o coração dos clientes, estimulando estes a comprarem qualquer produto que eles quisessem vender mais.

Ao longo dos anos, isso foi se aperfeiçoando. E como as pessoas gastam, cada vez mais tempo on-line e em smartphones, a adição de informações digitais se tornou uma necessidade fundamental, com fontes demográficas, psicográficas, comportamentais e outras fontes de informações, capazes de enriquecer o entendimento sobre o comportamento dos consumidores.

3 – O ALTO VALOR DAS INFORMAÇÕES PESSOAIS. UM MERCADO LUCRATIVO

Na internet, as informações pessoais que os consumidores dão de graça, são transformadas em um bem precioso. As perguntas que fazem ao Google revelam os sentimentos mais profundos da humanidade. E suas histórias e experiências compartilhadas dirão aos investidores, quais lojas atraem mais compradores. Até mesmo aquelas atividades aparentemente benignas, como ficar em casa e assistir a um filme, geram montanhas de informações. Um tesouro a ser aproveitado, mais tarde, por empresas de todos os tipos. Esse mercado é muito lucrativo.

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As informações pessoais costumam ser comparadas ao petróleo, pois elas fornecem energia às empresas mais lucrativas da atualidade, assim como os combustíveis fósseis energizaram as corporações do passado. Mas, infelizmente, os consumidores dos quais elas são extraídas, pouco sabem sobre o quanto de suas informações são coletadas, quem irão ter acesso a elas e o quanto elas valem.

Registros de saúde, números de seguridade social e detalhes bancários, compõem as informações online armazenadas, mais confidenciais e mais valorizadas, no entanto, as mensagens de mídia social, os dados de localização e consultas de mecanismos de pesquisa podem ser tão reveladores, que se tornam muito valiosas para pesquisadores acadêmicos, hackers, agentes da lei e nações estrangeiras – assim como, para muitas empresas que tentam lhe vender coisas.

A internet pode parecer um grande pesadelo para a privacidade, mas todas essas #informações são coletadas em um amplo espectro de consentimento, já que elas são bifurcadas conscientemente (fica claro para todos nós, que algo está sendo coletado), apesar que muitas vezes, os detalhes estão ocultos em acordos de termos de serviço, difíceis de analisar.

Considere o que acontece quando alguém envia um frasco de saliva para a empresa 23andme ou para a empresa MyHeritage. A pessoa sabe que está compartilhando seu DNA com uma empresa de genômica, mas pode não perceber que as informações coletadas serão revendidas a empresas farmacêuticas. São suas informações que estarão sendo comercializadas, sem você saber.

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Muitos aplicativos exibem anúncios personalizados, mas eles não deixam claro para as pessoas que elas estão sendo rastreadas; que estão registrando não apenas seus cliques, mas também os movimentos exatos do mouse. As informações de localização colhidas, servirão para identificar quais lojas de varejo (e-commerce) são mais acessadas. São informações muito valiosas, que serão vendidas a outras empresas.

Em cada um desses cenários, o consumidor, usuário de internet, recebe algo em troca (direito a acessos; comodidade; prêmios, descontos, etc) para permitir que uma empresa monetizasse suas informações pessoais. Esse é o mesmo tipo de barganha oferecida pelo Facebook e pelo Google. Seus principais produtos, incluindo Instagram, Messenger, Gmail e Google Maps, não custam dinheiro, mas as pessoas pagam com suas informações pessoais, usadas ​​para segmentá-lo com anúncios.

As informações que os #consumidores dão e os serviços que eles recebem, pode ou não valer a pena, mas para os corretores de dados, qualquer informação tem seu valor. São eles que coletam, analisam, compram e vendem informações, sem dar absolutamente nada aos consumidores.

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Os corretores de dados compilam informações de fontes disponíveis publicamente, como registros de propriedade, licenças de casamento e casos judiciais. Eles também podem coletar seus registros médicos, histórico de navegação, conexões de mídia social e compras on-line. Dependendo de onde você mora, os corretores de dados podem até mesmo comprar suas informações no Departamento de Veículos Motorizados. Não tem carteira de motorista? As lojas de varejo também vendem informações aos corretores de dados.

O mercado mundial de informações é amplo e cresce a cada dia. As informações coletadas podem ser imprecisas ou desatualizadas, ainda assim, podem ser incrivelmente valiosas para corporações, profissionais de marketing, investidores e até para pessoas físicas. Somente nos E.U.A., estima-se que as empresas americanas gastaram mais de US $ 19 bilhões em 2018, somente adquirindo e analisando dados de consumidores, de acordo com o Interactive Advertising Bureau (IAB).

Até as pesquisas feitas no #google e nas redes sociais têm importância, já que suas informações são capazes de indicar o nível de interesse das pessoas por determinados assuntos. Dessa maneira, com base em muitas informações aleatórias sobre viagens, as empresas conseguem identificar que uma determinada pessoa é um viajante frequente.  Esses dados, então, poderão ser vendidos para empresas do setor turístico.

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Em seu livro “Everybody Lies: Big Data, Novos Dados e O que a Internet pode nos dizer sobre quem realmente somos”, Seth Stephens-Davidowitz argumenta que há muitos cenários em que os humanos são mais honestos com sites, como o Google, do que em pesquisas tradicionais. Por exemplo, diz ele, menos de 20% das pessoas admitem que assistem a pornografia, mas há mais pesquisas no Google por “pornografia” do que por “clima”.

Há algo chamado “cookies” em todos os sites, incluindo plataformas de mídia social. Os cookies são instalados em nossos dispositivos e são responsáveis por rastrear o que fazemos online. Mesmo que os excluamos com frequência, eles continuam a funcionar. Às vezes, os cookies são ativados aleatoriamente e podem acessar nossas fotos e vídeos pessoais. Quando aceitamos cookies, basicamente estamos afirmando que estamos bem com tudo isso.

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Dados pessoais, também são usados ​​por pesquisadores de inteligência artificial (IA) para treinar seus programas automatizados. Sobre a importância da Inteligência Artificial (IA), já tratamos em um artigo específico (veja aqui). Todos os dias, usuários em todo o mundo enviam bilhões de fotos, vídeos, postagens de texto e clipes de áudio para sites como #youtube, Facebook, #instagram e Twitter. Essa mídia, é então alimentada para algoritmos de aprendizado de máquina, para que eles possam aprender a “ver” o que está em uma fotografia ou determinar, automaticamente, se uma postagem viola a Política de Uso do Facebook. São mecanismos e procedimentos que estão literalmente tornando os robôs mais inteligentes.

4 – A HISTÓRIA DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Por milhares de anos, foram usados dispositivos tecnológicos para coletar e processar dados sobre o mundo. Cientistas gregos desenvolveram o “primeiro computador” – um complexo sistema de engrenagens chamado “Mecanismo Antikythera”, para traçar padrões astrológicos em 150 aC. Dois milênios depois, no final da década de 1880, Herman Hollerith inventou a “máquina de tabulação” – um dispositivo de cartões perfurados, que ajudou a processar dados do Censo dos Estados Unidos de 1890. Hollerith criou uma empresa para comercializar sua invenção, que mais tarde se transformou na poderosa IBM.
Na década de 1960, o governo dos EUA passou a usar poderosos computadores mainframe para armazenar e processar uma enorme quantidade de informações dos cidadãos americanos. As corporações, então passaram a usar essas máquinas para analisar informações confidenciais, incluindo os hábitos de compra dos consumidores.

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Não havia leis que ditassem que tipo de informações poderiam ser coletados. Preocupações com a vigilância logo surgiram, especialmente em 1964 após a publicação do livro “The Naked Society” de Vance Packard, que argumentava que a mudança tecnológica estava causando a erosão sem precedentes da privacidade. A partir daí, surgiram vários regulamentos exigindo transparência, mas nada impediu que os governos e as empresas coletassem informações pessoais.

No final da década de 1960, alguns acadêmicos, incluindo o cientista político do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Ithiel de Sola Pool, previram que novas tecnologias de computação continuariam a facilitar a coleta de informações pessoais, de forma ainda mais invasiva. Essa previsão começou a tomar forma em meados da década de 1990, quando muitos americanos começaram a usar a internet.

Quando a maioria das pessoas já estava on-line, uma das primeiras batalhas de privacidade sobre corretores de dados digitais já havia sido travada: em 1990, a Lotus Corporation e a agência de crédito Equifax se uniram para criar o Lotus MarketPlace, um produto de marketing em CD-ROM que seria usado para garantir a privacidade de informações sobre nomes, rendas, endereços e outros dados sobre mais de 120 milhões de americanos. Isso causou um alvoroço entre os defensores da privacidade, levando mais de 30.000 pessoas a contratarem a Lotus para sair do banco de dados do governo e das grandes corporações. Infelizmente, esse movimento em “defesa da privacidade das informações” não impediu que a coleta de informações dos consumidores continuassem sendo feitas.

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As preocupações dos defensores da “privacidade” acabaram se tornando realidade. Em 2008, o Google adquiriu oficialmente a DoubleClick (gigante de anúncios digitais) e, em 2016, revisou sua Política de Privacidade para permitir a identificação e o rastreamento de pessoas, via Web. Antes disso, o Google mantinha os dados de navegação da DoubleClick separados das informações pessoais, coletadas de serviços como o Gmail. Hoje, o Google e o #facebook podem segmentar anúncios com base no nome das pessoas, exatamente o que as pessoas temiam que a DoubleClick fizesse duas décadas atrás. E isso não é tudo: como a maioria das pessoas carrega dispositivos de rastreamento em seus bolsos na forma de smartphones, essas empresas e muitas outras também podem nos seguir onde quer que formos.

5 – O FUTURO DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Atualmente, as informações pessoais são coletadas principalmente por meio de telas, quando as pessoas usam computadores e smartphones. Os próximos anos trarão a adoção generalizada de novos dispositivos que consomem dados, como alto-falantes inteligentes, vestimentas embutidas na censura e monitores de saúde vestíveis. Mesmo aqueles que se abstêm de usar esses dispositivos, provavelmente terão seus dados reunidos por meio de câmeras de vigilância, habilitadas para reconhecimento facial, instaladas nas esquinas das ruas.

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À medida que os cientistas ultrapassam os limites do que é possível com a inteligência artificial, também precisamos aprender a compreender os dados pessoais que não são reais, pelo menos porque não vieram de seres humanos. Por exemplo, os algoritmos já estão gerando dados “falsos”. A chamada tecnologia deepfake permite que os propagandistas e fraudadores aproveitem as fotos das mídias sociais para criar vídeos, que mostram eventos que nunca aconteceram. A Inteligência Artificial (IA) agora pode criar milhões de rostos sintéticos que não pertencem a ninguém, alterando o significado da identidade roubada. Esses dados fraudulentos podem distorcer ainda mais as mídias sociais e outras partes da Internet. Imagine, tentar discernir se um jogo do Tinder ou a pessoa que você seguiu no Instagram, realmente existe.

Quer as informações sejam fabricadas por computadores ou criadas por pessoas reais, uma das maiores preocupações será a forma como elas são analisadas. Não importa apenas que informação é coletada, mas também quais inferências e previsões são feitas com base nela. As informações pessoais são usadas ​​por algoritmos para tomar decisões incrivelmente importantes, como por exemplo, se alguém deve manter seus benefícios de assistência médica ou ser liberado sob fiança. Essas decisões podem ser facilmente tendenciosas, e pesquisadores e empresas como o Google estão trabalhando para tornar os algoritmos mais transparentes e justos.

As empresas de tecnologia também estão começando a reconhecer que a coleta de informações pessoais precisa ser regulamentada. A #microsoft pediu a regulamentação federal do reconhecimento facial, enquanto o CEO da Apple, Tim Cook, argumentou que a FTC deveria intervir e criar uma câmara de compensação onde todos os corretores de dados precisem se registrar. No entanto, nem todas as declarações da Big Tech podem ser de boa fé.

Em 2018, nos E.U.A. foi aprovada uma “lei de privacidade estrita”, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020, a menos que uma lei federal a substitua. Empresas como Amazon, #apple, Facebook e Google estão pressionando o Congresso Americano para aprovar uma nova legislação de privacidade, menos rigorosa,  antes que a “lei de privacidade estrita” entre em vigor.

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Algumas empresas e pesquisadores argumentam que não é suficiente para o governo, simplesmente proteger informações pessoais, porque segundo eles, consumidores precisam possuir suas informações e serem compensados ​​quando usados. É o que ocorre com as Redes sociais, Minds e Steemit, que experimentaram recompensar os usuários com criptomoedas, quando compartilharem conteúdo ou gastarem tempo, usando suas plataformas. Já outras empresas, decidiram pagar pelo compartilhamento de informações e transações bancárias, feitas com elas.

Uma coisa é certa, antes que se possa descobrir o futuro da coleta de informações pessoais, é preciso entender mais sobre o seu presente. A grande quantidade de escândalos de privacidade que surgiram nos últimos anos, que inclusive, já foram discutido num artigo publicado (veja aqui), demonstra que os consumidores ainda não sabem de que maneira suas informações pessoais estão sendo vendidas, comercializadas e compartilhadas. Até que os consumidores realmente entendam esse ecossistema do qual eles, inconscientemente, se tornaram parte, não será possível frear o avanço das ações de coleta de informações.

6 – CONCLUSÃO

A partir do momento em que acessamos a internet, existem sistemas que reúnem todas as informações sobre o que fazemos. Eles praticamente coletam todas as informações sobre como nos comportamos. Eles fazem isso porque nossas informações têm um valor comercial, sendo geralmente vendidas para determinadas empresas das quais somos clientes em potencial. Em seguida, implementam estratégias de marketing específicas, dependendo dos interesses que temos. 

A informação é a moeda do século XXI. Ela é tão valiosa que, em troca, as empresas nos oferecem um conjunto completo de serviços que parecem ser gratuitos. Por exemplo, mecanismos de pesquisa. Qualquer um pode usá-las “de graça”, mas na verdade não é esse o caso. Na realidade, nós pagamos o seu acesso com nossos dados pessoais. O mesmo vale para as plataformas de mídia social: Facebook, #twitter e Instagram, que não cobram um centavo para usarmos suas plataformas, no entanto, eles estão sempre nos lembrando de fornecer informações, incluindo as particulares. E eles não fazem isso apenas por curiosidade. A razão, é que nossos dados pessoais têm um alto valor comercial, que irão lhes proporcionar lucros com suas vendas.

Para concluir, devemos começar a ser mais cuidadosos quando se trata de compartilhar nossas informações pessoais. Vamos aceitar #cookies apenas em sites seguros. Além disso, não devemos compartilhar tudo sobre nossas vidas nas plataformas de mídia social. Eles são uma ótima maneira de se comunicar com outras pessoas, mas não devemos expor dados confidenciais. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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