CORONAVÍRUS ESTÁ MUDANDO A FORMA COMO OS CONSUMIDORES COMPRAM

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À medida que a incerteza sobre o coronavírus continua a crescer, os consumidores estão se tornando mais cautelosos ao fazer compras em locais públicos. Esse tipo de comportamento tem sido padrão nos países onde há registro de infectados, como nos Estados Unidos. No Brasil não será diferente e a expectativa é de que as lojas físicas se esvaziem, talvez fechem temporariamente, enquanto as lojas virtuais faturem alto com a venda de produtos básicos, incluindo os de higiene pessoal. Neste artigo analisaremos a reação dos consumidores no mercado norte-americano, onde a epidemia está mais avançada, e que servirá de lastro de previsão para o que irá acontecer no Brasil.

1 –  CONSUMIDORES DO MERCADO NORTE-AMERICANO

Quase metade (47,2%) dos internautas norte-americanos consultados no mês passado disseram que atualmente estão evitando shopping centers e supermercados. Se o surto piorar, cerca de três quartos (74,6%) disseram que se afastarão completamente dos locais públicos.

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O mesmo vale para as lojas em geral. Cerca de 32,7% dos entrevistados disseram que estão evitando lojas físicas e mais da metade disse que as evitará se o COVID-19 se espalhar ainda mais. É mais provável que os consumidores mais velhos tomem essas precauções, pois em quase nove de cada dez consumidores, com mais de 45 anos de idade, consideram que a epidemia irá se agravar, embora um número significativo de consumidores mais jovens pensem de forma contrária.

“É compreensível, dada a incerteza em torno do coronavírus, que populações vulneráveis estejam evitando ambientes físicos que aumentam a chance de exposição, mas as necessidades de suas famílias não desaparecem e podem até aumentar diante da necessidade de estocar recursos”, disse Andrew Lipsman, analista principal da eMarketer.

2 – ATRASOS NA ENTREGA DE PRODUTOS COMPRADOS EM LOJAS VIRTUAIS

À medida que mais consumidores recorrerem às compras online, mais atrasos ocorrerão nas entregas dos produtos. Isso já está acontecendo com os clientes da Amazon, que no início deste mês receberam notificações com a seguinte informação: “Lamentamos muito pelo atraso na entrega do seu produto. Estamos trabalhando para que a maioria dos pacotes atrasados cheguem em um dia. Se você não receber seu pacote até amanhã, poderá nos contactar no dia seguinte para obter o reembolso do valor pago ou a substituição da mercadoria”.

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Aqueles que desejam encomendar itens domésticos e mantimentos do Amazon Prime Now também podem esperar um atraso. O site e o aplicativo móvel têm informado aos consumidores que “no momento, a disponibilidade da entrega pode ser limitada”.

3 – AUMENTO DAS VENDAS

Nesse período de crise sem precedente, que está gerando um ambiente de incertezas no mercado mundial, as vendas de bens de consumo embalados (conhecido em inglês como Consumer Packaged Goods – CPG) estão aumentando, o que tem pressionado as empresas que atuam nesse segmento a se reestruturarem rapidamente para poderem atender melhor os consumidores.

Surpreendentemente, porém, mais consumidores estão estocando o inesperado, como leite de aveia – sim, leite de aveia – em vez de água. Segundo dados da Nielsen (empresa global de informação, dados e medição germânico-americana com sede em Nova Iorque, nos Estados Unidos), as vendas de leite de aveia aumentaram 305,5% na semana que terminou em 22 de fevereiro de 2020 (num sábado). Por outro lado, as vendas de água aumentaram apenas 5,1% – bem abaixo dos feijões secos, bebidas energéticas e biscoitos.

Sem surpresa, a Nielsen também informou que estão aumentando as vendas de itens embalados de CPG relacionados à saúde. As vendas de máscaras, por exemplo, cresceram 78% durante a primeira semana de quatro semanas, terminando em 22 de fevereiro, em comparação com o mesmo período do ano passado. Já na quarta semana, as vendas aumentaram 319%.

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A primeira semana de março mostram aumentos, semana a semana (até 67%), no número de pedidos enviados pela empresa Emeals a seus parceiros de mercado, incluindo Amazon, Instacart, Kroger, Shipt e Walmart. Além disso, durante o mesmo período, a empresa encontrou compras crescentes de produtos específicos, como desinfecção de lenços (até 353%), ibuprofeno (até 236%) e sopa de macarrão com frango (até 37%). A empresa de software Bloomreach, que analisou os dados de vendas online de 23 a 29 de fevereiro, também encontrou aumentos nesses produtos.

Embora o tráfego nas lojas físicas esteja diminuindo, os comerciantes estão informando aos consumidores as medidas preventivas necessárias que estão tomando para manter saudáveis ​​e seguros os compradores e seus funcionários. Marcas como Drybar, Nordstrom e Equinox já enviaram e-mails aos clientes descrevendo as etapas dessas medidas.

4 – CONCLUSÃO

Estudos sobre o mercado dos EUA mostram que a epidemia do coronavírus contribuiu para impulsionar as vendas, em especial para produtos de saúde e segurança doméstica, ao mesmo tempo em que provocou uma demanda mais alta por itens essenciais para a alimentação estável. As vendas medidas pela Nielsen na última semana, encerradas em 29 de fevereiro de 2020, confirmam isso.

As preparações da despensa entre os consumidores dos EUA, impulsionaram vendas recordes de mais do que apenas máscaras e desinfetantes para as mãos, atingindo o pico  de anti-sépticos, produtos de limpeza, remédios para resfriado vendidos sem receita e outros itens essenciais relacionados à saúde. Os consumidores também correram para estocar feijão seco (+ 37%), carne enlatada (+ 32%) e arroz (+ 25%), contribuindo para um grande salto de vendas. Esse aumento nas vendas obrigaram as empresas a trabalharem muito mais para manter os níveis de oferta de itens sob demanda. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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