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O USO DE REDES SOCIAS E A DEPRESSÃO

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Durante a última década, as Redes Sociais causaram mudanças profundas na maneira como as pessoas se comunicam e interagem, facilitando até mesmo a relação comercial entre empresas e consumidores. Vários estudos indicaram que o uso prolongado de Redes Sociais pode estar relacionado a sinais e sintomas de depressão, como também, que certas atividades podem estar associadas à baixa autoestima, especialmente em crianças e adolescentes. Estes resultados não são definitivos, já que ainda não está claro se algumas dessas mudanças podem afetar certos aspectos normais do comportamento humano e causar transtornos psiquiátricos. Com isso, a relação entre o uso de Redes Sociais e os problemas mentais até hoje permanece controversa, e a pesquisa sobre essa questão enfrenta inúmeros desafios. Este artigo enfoca as descobertas recentes sobre a conexão sugerida entre as Redes Sociais e os problemas de saúde mental, como sintomas depressivos, mudanças na auto-estima e dependência da Internet. 

1 – OS PRIMEIROS ESTUDOS SOBRE O USO DA INTERNET

De acordo com estudos já realizadas, há muitas razões potenciais pelas quais um usuário de Redes Sociais pode ter uma tendência a ficar deprimido. 

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Em 1998, foi publicado um dos primeiros estudos para indicar que o uso da #internet em geral afeta significativamente as relações sociais e a participação na vida da comunidade. Nesta pesquisa, os autores descobriram que o aumento do tempo gasto online está relacionado ao declínio na comunicação com os membros da família, bem como a redução do círculo social do usuário da Internet, o que pode levar a um aumento dos sentimentos de depressão e solidão.

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Posteriormente, este trabalho foi seguido por várias outras publicações, nas quais se sugeriu que o uso de computadores pode ter efeitos negativos sobre o desenvolvimento social das crianças.

No momento em que esses estudos foram realizados, a maioria das #RedesSociais de hoje não existia. Por exemplo, o Facebook foi fundado em 2004 e se tornou popular entre crianças e adolescentes alguns anos depois. Em vez disso, a maioria dos trabalhos estava focada na investigação de possíveis efeitos da navegação na Internet, verificação de e-mails e outros comportamentos online e offline (isto é, videogames violentos) sobre a saúde mental.

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2 – USO DE REDES SOCIAIS E TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS. 

Durante os últimos 10 anos, o rápido desenvolvimento de sites de Redes Sociais como Facebook, Twitter, MySpace e assim por diante, causou várias mudanças profundas na forma como as pessoas se comunicam e interagem. O Facebook, como o maior site de Redes Sociais, tem hoje mais de um bilhão de usuários ativos, e estima-se que, no futuro, esse número aumente significativamente, especialmente nos países em desenvolvimento. O Facebook é usado tanto para comunicação comercial quanto pessoal, e sua aplicação trouxe inúmeras vantagens em termos de aumento de conectividade, compartilhamento de ideias e aprendizado online.

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Também, com o desenvolvimento das Redes Sociais, o tempo que as crianças e os adolescentes passam diante das telas dos computadores aumentou significativamente. Isso levou a uma redução ainda maior da intensidade da comunicação interpessoal, tanto na família quanto no ambiente social mais amplo. Embora, as Redes Sociais permitam que um indivíduo interaja com um grande número de pessoas, essas interações são superficiais e não podem substituir adequadamente a comunicação cara a cara, do dia a dia.

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Uma das razões pelas quais o tempo gasto em Redes Sociais pode estar associado a sintomas depressivos, é o fato de que a comunicação mediada por computador pode levar à impressão alterada (e muitas vezes errada) dos traços físicos e de personalidade de outros usuários. Isso pode levar a conclusões incorretas sobre aparência física, nível educacional, inteligência, integridade moral, bem como muitas outras características dos amigos online.

Recentemente, foi publicado um artigo sobre o impacto potencial do uso de Redes Sociais na percepção dos alunos sobre a vida de outras pessoas. O estudo realizado com 425 estudantes de graduação de uma universidade estadual em Utah, nos EUA, relatou que o uso de Redes Sociais está ligado à impressão dos participantes de que outros usuários são mais felizes, assim como a sensação de que “a vida não é justa”. Percebendo os outros como mais felizes e mais bem sucedido, não resulta necessariamente em depressão. No entanto, em indivíduos que já têm certas predisposições depressivas, bem como outras comorbidades psiquiátricas, isso pode ter um impacto negativo na saúde mental.

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Ao se considerar a possibilidade do uso de Redes Sociais ser um fator que influencia o desenvolvimento de sintomas depressivos, também se assume a possibilidade de que certas características do comportamento online, ser fatores preditivos na identificação e avaliação da depressão.

Hoje, está claro que através das Redes Sociais é possível avaliar sintomas de depressão em indivíduos. Em outras palavras, certas características comportamentais depressivas de um usuário de Rede Social podem ser quantificadas, e essa quantificação tem um valor preditivo, potencialmente alto, para um possível rastreamento futuro da depressão.

Estudos também têm identificado uma relação entre o uso das Redes Sociais e a diminuição da “autoestima”. Esta pode ser definida como “o componente avaliativo do self – o grau em que alguém valoriza, aprova ou gosta de si mesmo”. É um fator importante no desenvolvimento e manutenção da saúde mental e da saúde geral.

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Já a baixa autoestima está associada à patogênese de inúmeras #DoençasMentais, incluindo depressão, distúrbios alimentares e dependência. Uma das possíveis explicações para que isso ocorra é que todas as plataformas de Redes Sociais, onde a auto-apresentação é a principal atividade do usuário, causam ou pelo menos promovem o comportamento narcisista. Numa pesquisa, que envolveu  100 usuários do Facebook da Universidade de Nova York, indicou que os indivíduos com baixa autoestima são mais ativos online, em termos de ter mais conteúdo de auto-promoção em seus perfis. 

De acordo com dados da literatura recente, existem vários modelos / teorias sobre o possível efeito da comunicação mediada por computador na autoestima da população em geral. Uma delas é a Teoria da Autoconsciência que sugere que qualquer estímulo que faça com que o “eu” se torne o objeto (em vez do sujeito) da consciência, levará a uma impressão diminuída do “eu”. É o caso do indivíduo que por vários dias visita sua própria página de perfil do Facebook, durante a qual ele visualizará suas fotografias já postadas, dados biográficos, status de relacionamento e assim por diante. Todos esses eventos, especialmente à luz de dados semelhantes obtidos de perfis de outros usuários, podem levar a uma redução, de curto prazo ou de longo prazo, da autoestima.

É provável, no entanto, que o impacto geral do uso de Redes Sociais na #autoestima seja muito mais complexo. Autoavaliação constante no dia-a-dia, competição e comparação das próprias realizações com as de outros usuários, percepção incorreta das características físicas / emocionais / sociais dos outros, sensação de ciúme e comportamento narcisista – todos esses fatores podem influenciar, positiva ou negativamente, a autoestima. 

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Da mesma forma, estão sendo investigados e discutidos na literatura científica o vício em Redes Sociais, assim como o vício em Internet em geral, de pessoas que passam a negligenciar o seu relacionamento social offline com familiares e amigos. Trata-se de uma questão relativamente nova na pesquisa em psiquiatria e, assim como outros distúrbios potencialmente relacionados, muitas questões permanecem sem resposta. De acordo com as primeiras observações, a cessação súbita do uso das Redes Sociais (isto é, a falta de conexão com a Internet) pode, em alguns usuários crônicos, causar sinais e sintomas que se assemelham, pelo menos parcialmente, aos observados durante a síndrome de abstinência de drogas / álcool / nicotina.

Provavelmente, a questão mais importante é identificar se o vício do uso de Redes Sociais é realmente um transtorno mental, e se deve ser diagnosticado e tratado como tal. A Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças e Problemas de Saúde (ICD-10) definiu vários critérios específicos para a síndrome de dependência, como um forte desejo ou sensação de compulsão, dificuldades no controle do comportamento de consumo, estado fisiológico de abstinência após a redução ou cessação, tolerância e assim por diante. Sendo identificado três ou mais dos critérios acima mencionados, um diagnóstico deve ser feito.

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No entanto, é preciso ter muito cuidado com essa abordagem, já que no futuro pode ser muito difícil distinguir o vício do uso de Redes Sociais do vício em Internet, que é um distúrbio muito mais geral (desordem de dependência da Internet, uso problemático da Internet ou uso compulsivo da Internet).

Também deve-se considerar que nem a dependência da Internet nem do uso de Redes Sociais foram incluídas nos manuais mais recentes de classificação de doenças, como o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Além disso, os problemas mentais relacionados à Internet são freqüentemente vistos em conjunto com outras doenças mentais diagnosticáveis. Portanto, ainda não está claro se a dependência potencial do uso de Redes Sociais é uma doença independente ou meramente uma manifestação de outras questões mentais, como, por exemplo, transtornos de personalidade.

Em suma, resta saber se o vício do uso de Redes Sociais será reconhecido como um distúrbio mental separado. Pode-se esperar que, no futuro, essa questão seja um ponto focal de muitos estudos de pesquisa e que, nos próximos anos, ela se torne objeto de um amplo debate entre psiquiatras, psicólogos e outros especialistas. Os resultados e conclusões finais terão um impacto substancial na organização futura do sistema de saúde mental, particularmente considerando que as Redes Sociais afetam uma proporção tão grande da população mundial.

3 – PONTOS A CONSIDERAR E AS PERSPECTIVAS FUTURAS

Pode-se esperar que pesquisas futuras sobre os possíveis efeitos das Redes Sociais sobre a #SaúdeMental sejam enfrentadas com inúmeras dificuldades. Primeiro, até o momento, muitos pesquisadores utilizaram uma abordagem de estudo transversal em sua metodologia, seguida de análise de correlação. Ocorre, que a existência de uma correlação não é necessariamente igual à causalidade. Por exemplo, alguns estudos indicam que o uso de Redes Sociais pode causar uma baixa autoestima, mas isso também pode significar que as pessoas com baixa autoestima usam essas plataformas com mais frequência.

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Em outras palavras, é muito difícil, e algumas vezes impossível, concluir qual variável é a causa e qual é o efeito. No futuro, desenhos longitudinais seriam muito mais úteis para determinar os efeitos do uso de Redes Sociais na saúde mental. Em última análise, os dados obtidos a partir de estudos experimentais nos permitirão tirar conclusões definitivas sobre essa relação.

Deve-se notar que a maioria das pesquisas feitas até agora sobre Redes Sociais e saúde mental, foi feita em uma população saudável (ou seja, estudantes do ensino médio, estudantes universitários, adolescentes em geral). Quando se afirma que, por exemplo, “o tempo gasto em Redes Sociais está relacionado à depressão”, os pesquisadores geralmente dizem que esse tempo se correlaciona com oscilações de humor fisiológicas (medidas com várias escalas psicológicas), ao invés de depressão como uma entidade clínica. De fato, até onde sabemos, nenhuma pesquisa deste tipo foi conduzida até agora em pacientes psiquiátricos. Portanto, uma possível conexão entre as Redes sociais e as questões de saúde mental só pode ser discutida em termos de variações fisiológicas (psicofisiológicas) normais das funções psíquicas.

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Devemos sempre ter em mente que nem todas as Redes Sociais são iguais. A maior e mais popular entre as existentes, sem dúvida, é o Facebook, que é baseado na criação e atualização de perfis pessoais, onde os usuários podem fazer upload de fotos, vídeos, comentários, status e notas. É o mais completo em termos de ferramentas. Outra Rede Social popular é o Twitter, que é baseado em um conceito diferente, onde os usuários postam e leem mensagens de texto curtas, nas quais expressam seus pensamentos e opiniões.

A maioria dos estudos mencionados neste artigo tem sido focada no Facebook, pelo fato de ainda ser a Rede Social mais predominante. Até mesmo nas pesquisas que se referem a “Internet”, na maioria dos casos, o Facebook é o principal alvo de investigação. Não encontramos nenhuma base de pesquisa científica voltada para o Twitter e seu impacto potencial na saúde mental. No futuro, com certeza, tanto o Twitter como as demais Redes Sociais se tornarão objetos de pesquisa, com a implementação de escalas novas e avançadas que serão ajustadas para avaliar potenciais problemas mentais à luz do rápido desenvolvimento da tecnologia da informação.

4 – CONCLUSÃO

Como resultado dos avanços tecnológicos, as Redes  Sociais permitiram novas maneiras das pessoas se comunicarem e interagirem, além de facilitar a interação comercial entre empresas e consumidores. Em decorrência dessas mudanças, surgiram estudos sobre a relação do uso de Redes Sociais com os sintomas de depressão, tendo como base principal de pesquisa, o Facebook, que ainda é a plataforma mais popular e mais completa em termos de ferramentas.

De acordo com os estudiosos,  existe uma correlação direta entre o tempo online, a satisfação com a vida e o vício em Redes Sociais. As pessoas estão tão ligadas à vida virtual que às vezes nem percebe isso. Com isso, certas características do comportamento online podem ser fatores preditivos na identificação e avaliação da doença.

Considerando que ainda não existe um parecer conclusivo desses estudos; que o uso das Redes Sociais pode ser um dos fatores que influenciam o desenvolvimento de sintomas depressivos nos usuários e que a #depressão não se autodestrói, mas é tratável, o mais correto é diminuir a quantidade de tempo gasto nas Redes Sociais e voltar ao mundo real. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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