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USO DO “BLOCKCHAIN” MELHORA A TRANSPARÊNCIA NO VAREJO

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A mudança mais significativa do avanço tecnológico é a crescente demanda por máxima transparência em todas as fases do varejo. Ao investir na tecnologia blockchain, as empresas varejistas estão fornecendo as informações que os consumidores desejam, como qualidade, segurança, ética, impacto ambiental e muito mais. Isso, acaba promovendo relacionamentos mais fortes e mais autênticos, entre varejistas e clientes, melhorando a experiência de compra.

1 – O QUE É A TECNOLOGIA BLOCKCHAIN?

O blockchain é, nos mais simples termos, uma série de registros de #dados (informações) imutáveis que são gerenciados por grupos de #computadores que não pertencem a qualquer entidade. Utilizando princípios criptográficos, cada um destes blocos de dados são seguros e ligados uns aos outros, formando uma grande rede de informações.

blockchain-transparência-no-varejoA rede blockchain não tem autoridade central – ela é a própria definição de um sistema democratizado, já que as informações registradas são imutáveis e podem ser compartilhadas, ou seja,  estão disponibilizadas para qualquer pessoa e todos podem ver. Portanto, tudo o que é construído no #blockchain é, por sua própria natureza, transparente e todos os envolvidos são responsáveis por suas ações.

O blockchain é uma maneira simples, porém engenhosa, de passar informações de A para B, de forma totalmente automatizada e segura. Uma parte de uma transação inicia o processo criando um bloco. Esse bloco é verificado por milhares, talvez milhões de computadores distribuídos pela rede.

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O bloco verificado é adicionado a uma cadeia, que é armazenado na rede, criando um registro exclusivo. Falsificar um único registro, significaria falsificar toda a cadeia em milhões de instâncias. Isso é virtualmente impossível. O #bitcoin usa essa tecnologia para transações monetárias, mas pode ser implantada em muitos outros setores, incluindo o varejista. (O Bitcoin e suas implicações para o consumidor – Leia este artigo, clicando aqui).

A razão pela qual o blockchain ganhou tanta admiração no mercado, é que ele não pertence a uma única entidade;  ele é descentralizado; nele, os dados são armazenados criptograficamente; ele é imutável, já que ninguém pode alterar os #dados lá inseridos; ele é transparente, já que qualquer pessoa pode ter acesso às #informações nele existentes.

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Uma cadeia de suprimentos engloba todas as etapas do ciclo de vida de um produto, desde a  sua produção até a entrega ao #consumidor final. Fazem parte dessas etapas: os fornecedores de matéria prima; os fabricantes; os distribuidores; os varejistas e os consumidores. O recente aumento do #consumismo ético e o interesse pelas origens dos produtos estão frequentemente em desacordo com o desenvolvimento da cadeia de suprimentos, que vem se tornando cada vez mais complexa, e difícil de ser acompanhada pelos consumidores. Mas, através do blockchain é possível suprir essa falha, já que ele permite aos #consumidores rastrearem as #mercadorias em todas as fases da cadeia de suprimentos, desde as matérias-primas utilizadas na produção até a chegada do produto na prateleira.

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É o caso de um #supermercado que vende bolo de banana. Os dados do blockchain incluem informações sobre os ingredientes utilizados na sua fabricação. Isso, permite ao consumidor identificar se os #fabricantes estão usando banana e açúcar orgânicos; se os alérgenos (substâncias de origem natural, que provocam uma reação exagerada do sistema imunológico e causam a inflamação) foram incluídos e, também, se os ingredientes estavam frescos.

Essas informações não só podem adicionar um novo nível de confiança no relacionamento entre empresas e consumidores, como também, um registro digital inalterável de cada estágio do processo da cadeia de suprimentos, o que ajudará a garantir autenticidade, segurança e reduzir o risco de falsificação. Daí, muitas #empresas já estarem oferecendo a tecnologia blockchain com o fim de ajudar o consumidor a rastrear a cadeia de suprimentos, tornando o processo completamente mais seguro e sem necessidade do uso de registros em papel.

2 – USO DO BLOCKCHAIN NO SETOR VAREJISTA

Embora o setor financeiro venha, há anos, utilizado com sucesso o blockchain, é no setor #varejista que essa tecnologia promete muitos benefícios. Experimentos recentes com o blockchain, feitos por grandes varejistas, como Walmart, Amazon e Alibaba, identificou muitas possibilidades dessa #tecnologia resolver os antigos desafios do setor de varejo, como ajudar as empresas a melhorar a forma de armazenar informações sobre seus fornecedores; facilitar a execução de pagamentos e contratos e até mesmo reforçar a autenticidade do produto, para evitar a falsificação de mercadorias.

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Como as vendas no varejo estão cada vez mais online, os varejistas estão buscando fazer uso do blockchain, desde o gerenciamento da cadeia de suprimentos até a melhoria dos programas de fidelidade do cliente. A seguir, estão quatro benefícios garantidos com o uso do blockchain no varejo.

2.1. Impedir o comércio de produtos falsificados

Em 2017, as perdas no #varejo mundial, devido às fraudes, foram estimadas em US $ 23 bilhões. Os varejistas do setor de bens de #consumo de luxo, são os mais vulneráveis a fraudes, com uma média de 20 a 30% de prejuízos, devido às suas margens de lucro, excepcionalmente altas.

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Com os falsificadores e a fraude no varejo em ascensão em todo o mundo, a tecnologia blockchain oferece às empresas uma maneira de atribuir um código criptografado para cada #produto e permitir que seus #clientes acessem, com total segurança, todo o histórico desse produto: do #fabricante ao consumidor final.

A IBM desenvolveu recentemente a TrustChain, um blockchain que prova a autenticidade das joias,  ao permitir que os consumidores acompanhem todos os passos da cadeia de fornecimento, da mina à loja.

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2.2. Rastrear o produto em todas as fases da cadeia de suprimentos

A capacidade de rastrear produtos através da cadeia de suprimentos é um dos usos mais populares da tecnologia blockchain no varejo até hoje. Além de ajudar a verificar a origem e eliminar os produtos falsificados, também está causando impacto na segurança alimentar.

A Walmart é pioneira no uso da tecnologia blockchain na cadeia de fornecimento de alimentos para reduzir o desperdício, reduzir os tempos de rastreamento e melhorar o gerenciamento e a transparência da contaminação. Essa gigante do varejo registrou várias patentes relacionadas à tecnologia blockchain, incluindo uma para um sistema “Smart Package”, ou dispositivos que contêm informações sobre o conteúdo de um pacote, suas condições ambientais, sua localização e muito mais.

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A empresa Starbucks também está explorando a tecnologia blockchain com programas piloto na Colômbia, Costa Rica e Ruanda que ajudam a rastrear seu café e #compartilhar informações, em tempo real, sobre sua cadeia de suprimentos.

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A grande rede de supermercados francesa Carrefour também lançou o primeiro “blockchain de alimentos” da Europa, que usa a tecnologia para rastrear suas linhas de #produtos animais e vegetais. Os consumidores poderão digitalizar um código QR com seus smartphones e visualizar toda a jornada de um #produto até a prateleira.

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Espera-se que o #mercado de tecnologia de rastreabilidade de alimentos continue crescendo a 7,15% anualmente e atinja os 20,95 bilhões de dólares em 2026. À medida que os consumidores se preocupam mais com a origem dos produtos, varejistas de todas as #indústrias adotam práticas mais éticas de suprimento e usam blockchain para fornecer mais transparência em suas cadeias de suprimentos.

2.3. Permitir o pagamento com moedas criptografadas

Em 2014, a Overstock tornou-se um dos primeiros varejistas online a aceitar pagamentos com Bitcoin. Hoje, varejistas on-line de todos os tamanhos começaram a aceitar #moedas criptografadas como uma das forma de pagamento. No entanto, ainda vai levar algum tempo para que as carteiras digitais e os pagamentos com #criptomoeda alcancem posição de predominância no varejo.

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A grande maioria dos varejistas on-line ainda prefere oferecer métodos tradicionais de pagamento, principalmente devido às drásticas flutuações nos valores de criptomoeda, enquanto outros consideram a sua implantação muito complicada. No entanto, isso também significa que o espaço de pagamentos online ainda está praticamente inexplorado.

Os varejistas que estiverem dispostos a experimentar pagamentos com criptomoeda, podem aproveitar um fluxo de receita adicional e alcançar mais clientes em todo o mundo. Além disso, a tecnologia blockchain também fornece aos varejistas mais controle sobre como eles distribuem cupons ou descontos e como os clientes os resgatam. A Mastercard, por exemplo, registrou uma patente para um sistema que usa a tecnologia blockchain para autenticar cupons. O sistema fornece uma maneira para os varejistas reduzirem a fraude de cupons e emitir descontos altamente direcionados, de maneira mais eficaz.

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De todos os usos atuais da tecnologia blockchain, a capacidade de ajudar os varejistas a simplificar os #pagamentos on-line e reduzir as fraudes é uma das mais promissoras.

2.4. Garantir segurança no uso dos programas de fidelidade

Da coleta de pontos de supermercado a milhas aéreas, os programas de fidelidade e recompensa são uma forma fundamental dos varejistas engajarem seus clientes e se manterem competitivos. No ano passado, apenas nos EUA, havia 3,8 bilhões de usuários de programas de fidelidade de consumidores. A American Express também está experimentando a tecnologia blockchain para renovar seu programa de recompensas por fidelidade.

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Os programas existentes costumam ser propensos a uso incorreto ou fraude e podem causar uma série de desafios e prejuízos para os varejistas, se não forem implementados ou mantidos corretamente. Do lado do consumidor, muitos usuários (57%) sentem-se insatisfeitos com os programas de fidelidade ou os abandonam rapidamente, principalmente porque acham o processo de inscrição excessivamente complicado ou porque demoram demais para ganhar pontos.

O blockchain está lidando com vários desses problemas, oferecendo novas maneiras de gerenciar, proteger e, por fim, centralizar os dados do programa de fidelidade. Ele não só permite o resgate seguro e imediato de pontos de recompensa de fidelidade, mas também simplifica o desenvolvimento e a troca de pontos entre varejistas e programas. Com um banco de dados de transações à prova de adulterações e com registro de data e hora, os varejistas podem proteger e rastrear transações de programas de fidelidade, de maneira fácil e transparente. Em última análise, isso pode reduzir os custos associados a programas complexos de fidelidade e evitar erros e fraudes.

2.5. Permitir o uso dos Contratos inteligentes

O Blockchain permite o uso dos chamados contratos inteligentes, que ajudam a facilitar as dificuldades associadas à cobrança e ao cumprimento das estruturas de transação tradicionais. Por exemplo, coleta e pagamento instantâneos; reembolsos automatizados; liquidação de seguro automatizada e pagamento, e assim por diante.

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Enfim, o potencial no setor varejista é notavelmente evidente, à medida que o uso do  blockchain continua a ganhar a confiança de grandes empresas em todo o mundo, o que fará aumentar a demanda por essa tecnologia nos próximos anos.

3 – CONCLUSÃO

Todo mundo está falando sobre blockchain nos dias de hoje, e alguns até o rotularam como a próxima tecnologia disruptiva que mudará fundamentalmente o setor de varejo. No entanto, muitos varejistas ainda não tomaram as medidas necessárias para entender como essa tecnologia pode ajudar seus negócios e o que será necessário para adotá-lo em toda a sua extensão.

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Estudos sugerem que o público em geral aceitará completamente essa nova tecnologia até 2025. Isso torna ainda mais necessário usá-lo nos diversos setores industriais. Um desses setores proeminentes é o setor de varejo, que está em plena expansão, devido às #compras online.

O blockchain oferece aos varejistas a oportunidade de aumentar a eficiência, manter a autenticidade dos produtos, criar confiança com os clientes, minimizar a burocracia e aumentar a transparência em todas as fases da cadeia de suprimentos. Já, aos consumidores oferece possibilidades voltadas para melhorar a experiência de compra. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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CONSUMIDORES IGNORAM OS TERMOS DE USO E POLÍTICA DE PRIVACIDADE

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O ritmo acelerado em que a tecnologia está progredindo, significa que mais pessoas estão “transacionando” em um ambiente global. Os contratos online, aceito e concluído com o clique de um mouse, são comuns para os consumidores quando estão comprando acessórios de moda por meio de lojas de varejo on-line; assinando softwares específicos do setor; reservando voos de negócios ou férias em família; criando uma conta no Facebook, Instagram, Twitter ou Google. Apesar de todo esse avanço, uma coisa não mudou: o consumidor raramente lê um contrato muito extenso. Uma pesquisa feita pela Fairer Finance mostrou que as pequenas letras dos Termos de Uso e Política de Privacidade de algumas empresas chegam a formar mais de 30.000 palavras (o tamanho de um romance curto) e, sem surpresa, 73% das pessoas admitem não ler o seu conteúdo. Entre aqueles que o fazem, apenas 17% dizem que o entendem. É uma situação preocupante, já que deixar o consumidor de conhecer o conteúdo destes contratos, poderá lhe trazer problemas futuros.

1 – TESTANDO O COMPORTAMENTO DO USUÁRIO EM LABORATÓRIO

Num estudo de comportamento, 543 estudantes de graduação foram informados de que sua universidade tinha sido convidada a avaliar um novo site de rede social conhecido como NameDrop. Para acessar o site, os alunos foram solicitados a dar seu consentimento a termos específicos de uso e políticas de privacidade como parte do processo de inscrição.

As palavras na tela do #computador, em letras pequenas, eram tão inocentes e familiares quanto uma chave da casa. Ao clicarem em Termos de Uso e Política de Privacidade, os estudantes viram um imenso texto e logo abaixo, duas opções, “Eu aceito / Eu não aceito. Centenas desses estudantes, sem ler o seu conteúdo, imediatamente clicaram no botão “aceito” para se tornarem membros da NameDrop, uma nova rede social. Mas de acordo com o parágrafo 2.3.1 dos Termos de Uso, ao aceitar, eles concordaram em dar à NameDrop seus futuros filhos primogênitos.

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Apenas 1/4 dos 543 alunos, chegou a se incomodar em ver as letras tão miúdas. Mas “olhar” não é “ler”: Esses colaboradores (um pouco mais cuidadosos, mas não o suficiente para entender o texto em toda a sua dimensão) gastaram cerca de 2 (dois) minutos lendo as milhares de palavras que integravam os Termos de Uso e Política de Privacidade da NameDrop, quando o tempo exigido para ler todo o seu conteúdo, deveria ser de 29 a 32 minutos. No final, todos os alunos aceitaram os termos destes contratos.

Felizmente, o NameDrop não existe. Os alunos foram submetidos a um experimento conduzido por dois professores de comunicação, Jonathan Obar, da York University, em Toronto, e Anne Oeldorf-Hirsch, da University of Connecticut. Eles estavam confirmando, em laboratório, o que outros estudiosos descobriram ao vasculhar meticulosamente dados sobre o comportamento real do usuário de #internet – ninguém lê contratos on-line, acordos de licença, termos de uso e política de privacidade. As pessoas dizem que “sim”, com seus milhões de cliques obedientes, mas sem saber o que realmente estão aceitando, isto é, como Obar e Oeldorf-Hirsch escreveram  em seu artigo sobre o experimento, “a maior mentira da internet”.

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Ao final do estudo, alguns dos participantes apresentaram suas razões porque deixaram de ler os Termos de Uso e Política de Privacidade: “É um incômodo lidar com uma enorme quantidade de páginas entediantes sobre privacidade e segurança, quando o #site em que você está se cadastrando, está lá para fazer algo muito mais interessante”, escreveu um aluno. “Parece uma norma cultural não lê-los e tenho preguiça de lê-los detalhadamente”, disse outro estudante.

2 – O PARADOXO DA PRIVACIDADE

As descobertas desse experimento são interessantes e muito convincentes, considerando que a maioria das pessoas diz que valoriza a sua privacidade e quer protegê-la, mas quando acessam a #internet, a cautela acaba ficando no esquecimento, como revelou o estudo. É o chamado “paradoxo da privacidade”, que nada mais é que a ideia de que dizemos uma coisa e fazemos outra quando se trata de privacidade.

É o que ocorre no dia a dia, com a maioria dos consumidores. Afirmam que a privacidade é importante e que estão interessados ​​em proteger suas informações, mas seu comportamento não corrobora essas intenções, quando ignoram a leitura dos #TermosDeUso e Política de Privacidade, e sem ler, aceitam facilmente as regras das empresas, correndo o risco de no futuro serem vítimas de todo tipo de ilegalidade.

3 – O CONSUMIDOR EM POSIÇÃO DE DESVANTAGEM

“Há uma preocupação real de que a lei de proteção ao #consumidor esteja basicamente sendo engolida por cláusulas de concordância”, disse David Hoffman, professor da Faculdade de Direito da Universidade da Pensilvânia, que pesquisa a lei e a psicologia dos contratos online. Tem razão! O usuário online que clica em “aceito”, sem ler o conteúdo do contrato, pode estar dando direito à #empresa de analisar, manter e vender seus dados pessoais; e até mesmo concordando em não exercer seu direito de reclamar na Justiça, caso algo dê errado.

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Além dessa abordagem, há outros fatores a considerar: Temos que reconhecer que os  contratos online produzem uma carga de informação excessiva sobre o consumidor, pois geralmente seus textos são longos com fontes muito pequenas, obrigando eles a uma leitura demorada.

A maioria deles, também são difíceis de se compreender. Até mesmo as pessoas que leem, lutam para compreendê-los, porque geralmente exigem habilidades de leitura no nível universitário. Os Termos de Uso e #PolíticaDePrivacidade frequentemente abrangem vários #serviços oferecidos por uma empresa, resultando em declarações vagas que dificultam a localização de informações concretas sobre como são usados os dados pessoais coletadas e com quem são compartilhados. Isso, se torna muito exaustivo para quem lê.

Levando em conta toda essa situação, é razoável perguntar: Por que um indivíduo que depende do Google, Facebook, Instagram, Amazon, Apple ou Twitter, gastaria tempo na leitura dos Termos de Uso e Política de Privacidade, se ele não pode mudar seu conteúdo, negociar e nem se recusar a aceitá-lo?

Errado pensar dessa forma, pois quando se trata de contrato de adesão, em que suas cláusulas são estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de #produtos ou serviços, o consumidor jamais pode ser compelido (obrigado) a aceitá-lo, sem que possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. Esse tipo de imposição, em que há um desequilíbrio entre as partes contratantes, é totalmente repelido pela legislação que regula as relações contratuais de consumo.

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Veja o que diz o Código de Defesa do Consumidor (CDC):

“Art.51º “São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: (…)

IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade;.”.

Para o jurista Nelson Nery Junior, cláusulas abusivas “são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na relação contratual de consumo. São sinônimas de cláusulas abusivas, as expressões cláusulas opressivas, onerosas, vexatórias ou, ainda, excessivas…”.

Neste mesmo sentido, é o posicionamento do jurista Hélio Zagheto Gama: “As cláusulas abusivas são aquelas que, inseridas num contrato, possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam, se utilizadas, causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreçam”.

Assim, nesse formato de negociação, em que o consumidor é colocado numa posição de desvantagem, acarretando desequilíbrio contratual, não resta a ele outra saída, senão,  entregar o trabalho da leitura do Contrato de Adesão (redigido somente pelo fornecedor, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo) a um especialista (advogado), da mesma forma que milhões de pessoas entregam a preparação da Declaração do Imposto de Renda (DIR) a um contador. Essa medida vai garantir ao consumidor tomar ciência prévia do conteúdo dos Termos de Uso e Política de Privacidade, além de poder exigir na Justiça a anulação das cláusulas consideradas abusivas. 

4 – JUSTIFICATIVAS PARA NÃO LER

Uma pesquisa da Deloitte Touche Tohmatsu Limited com #consumidores, descobriu que 91% das pessoas concordam com os Termos de Uso e Política de Privacidade, sem ler o seu conteúdo. Para pessoas mais jovens, com idades entre 18 e 34 anos, a taxa é ainda maior, com 97% concordando com as condições, antes de ler. Para essas pessoas, a justificativa para deixar de ler é que o texto é longo e a linguagem é muito complexa e prolixa.

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É verdade que os Termos de Uso e Política de Privacidade costumam ser longos demais para serem lidos, mas é importante o consumidor entender que eles não podem negligenciar a sua leitura, pois ali estão informações significativas, definindo os direitos e obrigações das partes, que terão eficácia durante todo o período de validade do contrato.

5 – FORMATO PADRÃO DE CONTEÚDO

O consumidor vem clamando por informações significativas com linguagem simples, que lhes direcionem em suas decisões. Logo, é necessário que o governo brasileiro apresente uma solução urgente, que defina um formato padrão de conteúdo para serem aplicados nos Termos de uso e Política de Privacidade. Não adianta mais permitir que as empresas continuem, livremente, fazendo uso de um formato de contrato online que permanece impenetrável para um leitor comum. Essa é a solução para transformar esses documentos em algo útil  e agradável para as pessoas lerem.

Um exemplo a ser seguido, é o Regulamento Geral de Proteção de Dados da Europa, chamado de General Data Protection Regulation (GDPR), que entrou em vigor em maio de 2018 e é aplicável a todas as empresas (independente do seu país de origem) que operam no espaço econômico europeu, impondo requisitos rigorosos ao conteúdo da Política de Privacidade.

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Agora, o conteúdo deste documento online para ter validade, precisa estar em “forma concisa, transparente, inteligível e de fácil acesso, usando linguagem clara e simples”.

Com a implantação da GDPR, o governo europeu também passou a regular a maneira como as empresas coletam, armazenam e exportam dados pessoais dos seus clientes. Tais mudanças atingiram até mesmo as maiores empresas americanas de tecnologia sediadas na Europa, como o #facebook e o #google – mesmo que os EUA não façam o mesmo.

“Isso é um avanço incrível e está mudando o equilíbrio de poder das grandes empresas, para se concentrar nas necessidades dos indivíduos e da sociedade democrática”, disse Jeffrey Chester, fundador do Center for Digital Democracy. 

“Os consumidores foram abusados durante anos. Essas empresas conseguiram fazer com que as pessoas se sentissem impotentes. A GDPR oferece aos #consumidores a chance de renegociarem os termos de contrato, considerados muito injusto.”, disse David Carroll, professor associado da Parsons School of Design, em Nova York.

“É um regulamento que exige das #empresas a proteção dos dados pessoais e a privacidade dos residentes nos países da União Europeia. Isso é muito positivo”, acrescentou David Carroll.

6 – CONCLUSÃO

Como foi provado empiricamente o que muitos suspeitavam há tempo, a maioria dos consumidores, simplesmente, não se interessa em ler os extensos textos dos Termos de Uso e Política de privacidade que encontram na Internet. Na verdade, eles veem este tipo de contrato #online como um passo necessário, mas inconveniente, que atrasa sua busca pelo download de coisas que mais lhe interessam, como o mais recente aplicativo para dispositivos móveis, videogame ou site de namoro, por exemplo.

Em um momento em que há uma crescente preocupação com o compartilhamento indevido de informações de clientes em todos os setores, é especialmente importante que as pessoas permaneçam vigilantes ao concordar com esses contratos online. Por outro lado, muito precisa ser feito para melhorar o processo de consentimento das pessoas, quando se cadastram em sites, como tem acontecido na Europa com a implantação do Regulamento Geral de Proteção de Dados,  que exige que o conteúdo da Política de Privacidade para ter validade, precisa estar em “forma concisa, transparente, inteligível e de fácil acesso, usando linguagem clara e simples”. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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HACKERS ATACAM CONSUMIDORES

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Um ataque cibernético altamente sofisticado, chamado de Operação ShadowHammer, projetado para parecer uma atualização rotineira de software, enganou consumidores, proprietários de laptops da marca Asus, com o objetivo de instalar malwares que garantiam acesso “backdoor” a seus computadores. O ataque foi descoberto pela empresa de segurança Kaspersky Lab. Os hackers usaram uma ferramenta de atualização de software hospedada em um servidor oficial da própria empresa AsusTek Computer Inc., para enviar o malware para cerca de 1 milhão de proprietários de dispositivos.

1- ATUALIZAÇÃO COMPROMETIDA

“Para um usuário, isso parecia ser uma atualização de software legítima. Este é um ataque muito difícil para o consumidor médio detectar.”, disse Costin Raiu, diretor da equipe global de pesquisa e análise da Kaspersky Lab.

Brian Vecci, diretor de tecnologia de campo da empresa de segurança Varonis, acrescenta: “É um ataque profundamente insidioso. Os #hackers entraram na cadeia de suprimentos e enganaram até a fabricante Asus para entregar o malware diretamente aos consumidores, como se fosse a empresa. A responsabilidade é da fabricante para bloquear isso.”.

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Os defensores da privacidade e segurança digital, dizem que ataques desse tipo são especialmente preocupantes porque deixam os #consumidores em dúvida, se devem ou não, confiar em atualizações de software solicitadas pelo sistema.

“Empresas como a Asus, precisam tomar as medidas de segurança necessárias para garantir que isso não aconteça novamente. Ela demorou de responder com orientação aos clientes, já que a empresa soube do ataque por quase dois meses e permaneceu em silêncio, até que  as notícias do ocorrido passaram a ser divulgadas, com bastante intensidade, a partir no mês de março/2019.”, diz Katie McInnis, diretora de políticas da Consumer Reports.

De acordo com especialistas em segurança, o ataque do ShadowHammer é muito incomum, pois geralmente os hackers buscam atacar empresas privadas, órgãos de governo, instituições financeiras e sistemas de defesa, mas neste caso, o ataque teve como alvo o #consumidor, usuário de laptop da marca Asus.

A #kaspersky Lab confirmou que dezenas de milhares de máquinas foram comprometidas quando as pessoas decidiram atender ao aviso falso de atualização do sistema Asus. Para qualquer consumidor seria um procedimento normal.

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Uma vez atualizado, o estrago estava feito; o malware usou o acesso de backdoor  para “direcionar cirurgicamente” 600 #computadores de uma única vez – identificados exclusivamente por meio de seus endereços de Media Access Control – com #malware adicional.  

2 – REINCIDÊNCIA DA ASUS

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Esta não é a primeira vez que uma falha de segurança digital, envolvendo a fabricante Asus, deixou os consumidores vulneráveis. Em 2016, a empresa assinou um termo de consentimento com a Federal Trade Commission (FTC), após “falhas críticas de segurança em seus roteadores, colocarem em risco as redes domésticas de centenas de milhares de consumidores”, segundo um comunicado da FTC.

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“Em muitos casos, a Asus não abordou as falhas de segurança de maneira oportuna e não notificou os consumidores sobre os riscos apresentados pelos roteadores vulneráveis”, acrescentou o FTC. Infelizmente, é uma postura de total omissão, que deixou os consumidores desprotegidos.

3 – MEDIDAS DE CORREÇÃO

Ainda não está claro quantos proprietários de #laptops foram infectados.

A Asus demorou de reagir ao ataque, por isso foi muito criticada, mas finalmente ela acaba de lançar uma ferramenta de diagnóstico on-line – disponível aqui – que os consumidores podem usar para verificar se seu laptop está entre os infectados. 

Se o seu #computador estiver infectado, a Asus sugere que você faça o backup de seus arquivos e, em seguida, restaure o sistema operacional para as configurações de fábrica. “Isso removerá completamente o malware do seu computador”, explica a empresa. Você também pode baixar a última versão do Asus Live Update (3.6.8) – clicando aqui – que é livre de malware, de acordo com a Asus. 

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Por último, a Asus disponibilizou em seu site, as seguintes perguntas e respostas:

3.1. Como saberei se o meu laptop foi ou não alvo do ataque de malware?

Apenas um número muito pequeno de grupos de usuários específicos foi alvo desse ataque e, como tal, é extremamente improvável que seu dispositivo tenha sido segmentado. No entanto, se ainda estiver preocupado com este assunto, sinta-se à vontade para usar a ferramenta de diagnóstico de #SegurançaDigital da #asus ou entre em contato com o SAC da empresa para obter assistência.

3.2. O que devo fazer se o meu dispositivo for afetado?

Execute imediatamente um #backup de seus arquivos e restaure seu sistema operacional para as configurações de fábrica. Isso removerá completamente o malware do seu computador. Para garantir a segurança de suas informações, a ASUS recomenda que você atualize regularmente suas senhas.

3.3. Como posso ter a última versão do ASUS Live Update?

Você pode descobrir se tem ou não a versão mais recente do ASUS Live Update seguindo as instruções mostradas aqui.

3.4. Outros dispositivos ASUS foram afetados pelo ataque de malware?

Não, somente a versão do Live Update usada para #notebooks foi afetada. Todos os outros dispositivos permanecem inalterados.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396, Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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