Arquivos de tags: #esporte

A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) E O CONSUMIDOR DE MODA ESPORTIVA

moda-esportiva

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) pode ser considerada uma ferramenta de marketing que, quando bem gerenciada e comunicada, colabora para estimular reações positivas do consumidor. Embora, às vezes se confunda com termo “greenwasing ou lavagem verde”, ela é muito mais abrangente, já que envolve a integração proativa nas ações sociais, ambientais ou culturais das empresas que geram impactos positivos para a marca, que, por sua vez, podem manter os consumidores leais.

Assim, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) não é apenas um imperativo ético e ideológico,  é também um imperativo econômico. Em outras palavras, as empresas agora estão cada vez mais conscientes de que as realidades sociais e comerciais os convidam a projetar ações nesse sentido, não apenas para reforçar o “bem”, mas também para dar o melhor de si para os consumidores.

Este artigo contribuirá para a literatura existente com uma análise de uma pesquisa  empírica quantitativa feita na Espanha no setor de moda esportiva, dominado por marcas globais que praticam a Responsabilidade Social Corporativa (RSC).

1 – A ESTRUTURA CONCEITUAL DA RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) E DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR

A origem da estrutura conceitual da RSC é antiga. Evidências do interesse da comunidade empresarial pelos aspectos sociais podem ser encontradas em estudos, a partir de meados do século XX (Carroll, 1999; van Marrewijk, 2003). Desde então, o conceito do termo “Responsabilidade Social Corporativa” tem sido muito diverso.

moda-esportiva

Enquanto, por um lado, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é vista como o reflexo de um novo contrato social entre as empresas e a sociedade, por outro lado, é vista como uma reação às pressões sociais que as empresas agora enfrentam por parte de governos, órgão de defesa do consumidor, e até mesmo de ambientalistas. Alguns estudos colocam a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) no campo estritamente voluntário, enquanto outros a veem como obrigatória. 

Na atualidade, a pesquisa acadêmica sobre o binômio “Responsabilidade Social Corporativa e o consumidor” se concentra basicamente em duas linhas: no ponto de vista do consumidor (o que o consumidor deve perceber para considerar que uma empresa é socialmente responsável) e na forma como a Responsabilidade Social Corporativa pode influenciar nas decisões dos consumidores. Quanto a este último ponto, resultados de pesquisas concluíram que embora se pense que a RSC esteja basicamente relacionada às respostas afetivas dos consumidores à empresa (maior comprometimento e maior identificação com a marca), foi demonstrado que os programas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) podem ter efeitos puramente cognitivos (por exemplo, melhorar a memória da marca e aumentar a sua conscientização) e efeitos comportamentais (por exemplo, influenciar a intenção de compra, a intenção de recomendar e na defesa da imagem da empresa).

2 – AS REAÇÕES DOS CONSUMIDORES À RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC)

moda-esportiva

É público e notório que os consumidores tendem a aceitar positivamente as iniciativas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) das empresas, mas são inicialmente céticos em relação a elas. Ocorre da seguinte forma: por meio da RSC, a empresa tenta mostrar uma personalidade caracterizada, até certo ponto, por valores altruístas, no entanto, os consumidores iniciam um processo de elaboração cognitiva, de maneira muito simples, com uma intenção principal de obter garantias em relação à boa-fé da empresa em seu compromisso social, verificando se a maneira como a empresa se apresenta, através do seu programa de RSC, é consistente com seus reais valores corporativos.

Esse processo cognitivo é baseado em uma série de julgamentos básicos do consumidor sobre a credibilidade da organização, sua reputação ou congruência entre a principal atividade da empresa, seu programa de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e o seu posicionamento de marca, exibidos em publicidades, sites e mídias sociais. A partir daí será possível afirmar se o processo cognitivo de verificação, acabará levando os consumidores a estarem cada vez mais inclinados a agir de maneira a recompensar as boas práticas de RSC das empresas e também a rejeitar e punir práticas ruins de RSC.

As boas práticas são sempre bem vindas no mercado de consumo e geram reações positivas. Com boas práticas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), as empresas além de incentivar clientes fiéis a se tornarem endossantes da marca (leais a ela), melhorando as suas vendas, elas também fazem seus funcionários a considerarem como um local atraente para trabalhar e seus investidores a considerarem como um local atraente para seus investimentos. Assim, a utilização da RSC só traz benefícios para as empresas, já que incentiva a construção de relacionamentos com todas as partes interessadas, expressos através de recompensas ou lealdade.

Esses benefícios são indiscutíveis, mas temos que considerar que a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) geram muitos efeitos variados sobre os consumidores que só podem ser tratados ou demonstrados de maneira difusa e não compacta. De fato, alguns consumidores reagem a algumas ações de RSC de acordo com o seu nível de conhecimento da congruência entre eles, a empresa e as características do produto e da marca. A reação deles também varia com relação às ações de RSC e a sua percepção da confiabilidade da fonte de informação. Além desses efeitos relacionados ao consumidor, também existem efeitos que variam de acordo com o contexto e a fatores culturais, tecnológicos, econômicos, políticos e sociais. Ou seja, cada consumidor tem uma bagagem de informação, de experiência de compra, de princípios culturais, de influências políticas e de histórico financeiro que irá gerar neles reações positivas ou negativas às ações de RSC. Daí suas reações terem que ser tratadas ou demostradas de maneira difusa e jamais compacta.

Uma observação importante a considerar é que apesar das empresas que estão num nível elevado no uso de RSC conseguirem  desenvolver uma avaliação mais positiva da sua marca e consequentemente, um comportamento de lealdade mais forte dos consumidores, estudos mostram que ainda existem lacunas em nossa compreensão das variáveis ​​que mediam o vínculo entre iniciativas de RSC e a lealdade do consumidor.

3 – COMO AS INICIATIVAS DE RSC DESENCADEIAM A LEALDADE DO CONSUMIDOR?

moda-esportiva

Como visto anteriormente, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) tem um impacto direto e positivo no reconhecimento da marca, que por sua vez influencia a atitude do consumidor. A percepção do consumidor da RSC é um atributo singular e diferenciador da marca,  que ajuda a aumentar a conscientização, tornando a marca mais memorável e reconhecível. Vejamos outros benefícios:

3.1. AS ASSOCIAÇÕES DE CONSUMIDORES COMPROMETIDAS COM A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) DIRETA E POSITIVA, INFLUENCIAM O RECONHECIMENTO DA MARCA

moda-esportiva

Essas associações contribuem para que os consumidores tenham uma percepção mais positivas da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e recompensem as ações de RSC em termos de atitude. Assim, é de se esperar que as iniciativas de Responsabilidade Social Corporativa construam associações de marcas fortes e distintas.

3.2. A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) INFLUENCIA DIRETA E POSITIVAMENTE A ATITUDE DE COMPRA DO CONSUMIDOR

moda-esportiva

A Responsabilidade Social Corporativa (RSC) contribui para a sensação de bem-estar e satisfação social dos consumidores e para que eles recompensam esse benefício no mercado, ou seja, a RSC é uma fonte de satisfação, pois, ao experimentar um relacionamento com a marca envolvida em ações sociais, os consumidores satisfazem seus desejos e interesses em ajudar a melhorar a comunidade por meio do seu comportamento de compra. Essa realidade comprova que a relação direta entre a RSC e a avaliação positiva do cliente, traz benefícios comerciais para as empresas.

3.3. MARCA FORTALECIDA PELA RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) GERA SATISFAÇÃO AO CONSUMIDOR 

moda-esportiva

É indiscutível a influência direta e positiva da percepção e satisfação de uma marca na atitude do consumidor. A RSC tem um grande potencial como gerador de valor da marca, devido ao seu caráter ambivalente. Portanto, as ações de RSC geram não apenas o fortalecimento da marca em mercados maduros e globalizados, mas também uma atitude positiva em relação a ela, capaz de exercer influência positiva sobre as compras. Estudos confirmaram que o grau geral de satisfação, resultante da habilidade da marca em atender aos desejos dos clientes, às suas expectativas e às sua necessidades, foi identificado como um antecedente significativo da atitude do consumidor.

3.4. O RECONHECIMENTO DA MARCA ATRAVÉS DA RSC TEM UMA INFLUÊNCIA DIRETA E POSITIVA NA LEALDADE DO CONSUMIDOR

moda-esportiva

As diferentes conceituações de lealdade do consumidor caracterizam o construto como um comportamento repetido ao longo do tempo, de natureza não aleatória, na qual existe uma resposta comportamental para recomprar o mesmo,  todavia impulsionada por uma atitude favorável em relação à marca. Ou seja, a lealdade do consumidor envolve um certo grau de envolvimento e comprometimento psicológico por parte dele em relação à marca, expressa através do comportamento repetido de compra. A lealdade é o resultado de fatores exógenos, como experiência anterior, satisfação, atitude, custo, atratividade, conhecimento e familiaridade com a marca.

A lealdade do consumidor é definida por seis condições conjuntas: (1) comportamento; (2) ação ponderada; (3) expressão ao longo do tempo; (4) reconhecimento em unidades de decisão; (5) comportamento em relação a uma ou mais marcas alternativas; e (6) resposta a um processo psicológico, baseado em uma avaliação e uma decisão. 

A lealdade é uma das variáveis ​​de marketing que são reconhecidas como parte das respostas diretas dos consumidores à percepção da Responsabilidade Social Corporativa (RSC).  Ações decorrentes da RSC, com a participação do cliente, podem ser uma ferramenta para obter nova lealdade à marca no setor, que pode superar a lealdade anterior a uma marca líder. Em contrapartida, deve-se destacar que o ceticismo do consumidor em relação a uma indústria (fabricante) pode levar a um baixo nível de conscientização das ações de RSC, pois essas ações serão percebidas como não consistentes em relação a uma marca e provocarão distância, não-atitude e não-lealdade por razões sociais. Essa resposta negativa à Responsabilidade Social Corporativa (RSC) pode ocorrer para marcas que não são credíveis num setor, por causa do seu histórico, de eventos recentes com impacto negativo na comunidade ou devido a valores não associados ao setor.

3.5. A RESPONSABILIDADE SOCIAL CORPORATIVA (RSC) AJUDA NO RECONHECIMENTO DA MARCA

moda-esportiva

O grau de reconhecimento da marca será um antecedente direto da lealdade. Quanto mais familiar uma marca é para os consumidores, ou quanto mais reconhecimento ela tem no mercado, maior a probabilidade dela ser incluída no conjunto de opções de um indivíduo, que consequentemente desenvolverá lealdade atitudinal ou comportamental em relação a ela.

Estudos destacam que atributos de marca como valores, personalidade e grau de consciência são os preditores mais críticos de lealdade atitudinal e comportamental nos consumidores. Neste artigo, dando sequência à nossa linha de pensamento, adotaremos como atributos: a intenção de compra, o nível de despesa e a intenção de recomendar. Assim sendo, a atitude da marca é um antecedente do comportamento do consumidor, refletido na intenção de consumir o produto; de utilizar o serviço e de ser leal à marca, com seus diferentes componentes: lealdade atitudinal, intenção de compra, nível de gasto e intenção de recomendar.

3.6. A ATITUDE DA MARCA TEM UMA INFLUÊNCIA DIRETA E POSITIVA NA LEALDADE À MARCA

moda-esportiva

Por fim, na relação entre satisfação e lealdade à marca, podemos afirmar que a satisfação aliada à confiança influencia diretamente a lealdade do consumidor. Neste caso, a satisfação é um antecedente da renovação da confiança e, por extensão, da lealdade. Empresas com clientes satisfeitos tendem a desfrutar de uma maior lealdade de atitude, fazendo o boca a boca de forma positiva e desejando pagar preços mais altos, se necessário para obter um produto ou serviço. Esse comportamento do consumidor pode aumentar substancialmente o valor de mercado da empresa.

4 – O CONSUMIDOR DE MODA ESPORTIVA

Sobre esse tema, uma pesquisa empírica quantitativa foi feita na Espanha e se concentrou no estudo  dos relacionamentos e da influência que a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) provoca na conscientização, satisfação, atitude e lealdade à marca.

moda-esportiva

A estimativa foi baseada na análise de estruturas de covariância, utilizando o programa EQS 6.1. O setor de moda esportiva foi escolhido para testar o modelo proposto, uma vez que esse setor é dominado por marcas globais que praticam a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) com reações positivas e negativas, de acordo com o comportamento do consumidor.

O questionário foi aplicado online a um painel de uma empresa profissional. Os entrevistados foram residentes de todas as regiões autônomas da Espanha. O tamanho total da amostra foi de 351 indivíduos para um nível de confiança de 95% (z = 2) e erro de estimativa abaixo de 5,2% para uma população infinita no caso mais desfavorável de p = q = 0,5. 

Na pesquisa, os entrevistados foram solicitados a identificar sua marca preferida de roupas esportivas, dentre as dez marcas globais internacionais já selecionadas (incluindo duas marcas particulares e duas marcas de distribuidores). 

Em seguida, os entrevistados visualizaram as ações de RSC desenvolvidas por suas marcas preferidas de roupas esportivas por meio de cenários de texto, em três categorias de RSC: atividades econômicas, sociais e ambientais. Essas atividades reais foram obtidas nos Relatórios de Sustentabilidade e de RSC das dez marcas de roupas esportivas. Assim, os entrevistados não avaliaram suas percepções gerais de RSC, mas sim, avaliaram as ações de RSC nas quais essas empresas realmente se envolveram.

Com base nas reações desses consumidores às iniciativas visualizadas de RSC, o questionário mediu as relações entre as ações de RSC da marca preferida de roupas esportivas de cada consumidor e as diferentes variáveis ​​do modelo: satisfação do consumidor, reconhecimento da marca, atitude e lealdade à marca.

5 – CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES

A seguir, são apresentadas as principais conclusões a serem extraídas desta pesquisa, que tenta fornecer informações profundas e valiosas para acadêmicos e profissionais sobre associações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e lealdade do cliente. Vejamos:

  • As associações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) não são um antecedente significativo da atitude da marca. Elas são capazes de gerar, embora com menos intensidade, maior lealdade do consumidor, provavelmente devido ao fato de que seu papel na formação de atitudes é diminuído pelo papel preponderante da conscientização e satisfação da marca. Duas explicações adicionais podem ser atribuídas. Primeiro, é que quando os consumidores estão cientes das práticas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC), eles podem considerar isso uma iniciativa necessária como parte do atual papel social das marcas. Segundo, é que uma falta de responsabilidade ou mesmo irresponsabilidade pode atenuar a influência na atitude da marca;
  • Consciência e satisfação da marca do consumidor são antecedentes poderosos da lealdade, no entanto, a atitude da marca não parece ser um dos principais preditores de lealdade do consumidor. Esse resultado destaca que, atualmente, os consumidores não atribuem valor à sua atitude em relação à marca com base na Responsabilidade Social Corporativa (RSC), provavelmente devido ao fato de que o papel social é necessário como norma social, e não como uma iniciativa excepcional. Além disso, a maior influência da conscientização e satisfação da marca pode atenuar a influência da atitude da marca na lealdade;
  • Os consumidores de roupas esportivas reagem positivamente de maneira geral em seu comportamento de compra às ações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC). Eles se relacionam com a dimensão social da marca por meio de diferentes variáveis ​​complementares: aumento do prazer da satisfação social, aumento do reconhecimento da consciência social da marca e comportamento social, incentivado pela lealdade como uma variável composta por reações positivas na lealdade atitudinal, intenção de compra, nível de despesa e intenção de recomendar;
  • As ações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) das marcas de #ModaEsportiva aumentam a intensidade do relacionamento positivo entre responsabilidade social e lealdade, através da conscientização e satisfação; mas a atitude da marca não aumenta ou incentiva a RSC em sua relação com a lealdade. O que se percebeu é que a satisfação, conscientização e lealdade (com seu componente atitudinal) estão ofuscando o suposto papel da atitude em relação à marca socialmente responsável. Isso pode acontecer devido ao fato de que esta pesquisa omitiu da análise dos antecedentes das atitudes da marca de RSC, outros construtos como confiança, identificação e legitimação da marca (atribuição altruísta); 
  • Quando as empresas adotam a RSC, os consumidores estão dispostos a ser leais à marca. Essa lealdade é impulsionada por duas variáveis-chave de marketing, a saber: o reconhecimento da marca e a satisfação. Portanto, o ganho da adoção da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) afeta a lealdade e, mais interessante, o estudo mostra quais variáveis ​​são impulsionadas por esse relacionamento. A dupla via de associações de RSC para a lealdade à marca, que é direta e indireta por meio do reconhecimento da marca e satisfação do consumidor, não apenas fornece robustez ao relacionamento, mas também mostra quais variáveis ​​estão provocando esse relacionamento;
  • A atitude do consumidor não tem uma influência significativa no efeito da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) na lealdade. Esse resultado pode lançar luz sobre a utilidade de medir atitudes em relação às marcas com RSC. Argumentamos que a atitude não captura com precisão a influência da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) das empresas na lealdade, devido a duas possíveis explicações. Primeiro, os consumidores podem estar céticos quanto aos verdadeiros motivos para uma empresa adotar a RSC. Segundo, a Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é vista pelos consumidores como parte dos papéis sociais das empresas atuais e, por sua vez, não valoriza isso muito na decisão de serem leais às marcas;
  • Os resultados desta pesquisa sugerem uma série de conclusões e implicações para a gestão estratégica e de negócios. Primeiro, o papel da RSC como fonte de vantagem competitiva é confirmado pelo aumento no valor da marca e no posicionamento diferencial por meio de um maior reconhecimento do consumidor pelas ações sociais da empresa e pela repercussão no comportamento de compra. Segundo, é importante construir estratégias de marketing que integrem a RSC com a orientação do consumidor usando as três dimensões do modelo validado na pesquisa (reconhecimento da marca, satisfação e as muitas dimensões da lealdade) e fazê-lo de forma integrada;
  • Os resultados desta pesquisa também sugerem o reforço de ações de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) que melhoram o impacto na atitude da marca e da atitude à lealdade à marca com suas quatro subvariáveis ​​explicativas: lealdade-atitude, intenção de compra, nível de gastos e intenção de recomendar. O cumprimento desse objetivo seria auxiliado pelo desenvolvimento de ferramentas de marketing relacional para segmentar os consumidores em relação ao seu perfil social, que integram a dimensão do comportamento social da compra;
  • Foram identificadas limitações, além das já mencionadas, referentes à não integração no modelo de pesquisa de outros antecedentes de atitude (além do conhecimento e satisfação da marca), como confiança e identificação com a marca. Por exemplo, uma possível limitação poderia ser a de não explorar as respostas dos consumidores a diferentes formas de RSC e de não explorar a criação de maneiras mais eficientes de medir o valor que os consumidores recebem de uma troca;
  • As conclusões e limitações desta pesquisa sugerem a necessidade de abordar novas linhas de estudo para avaliar os assuntos tratados aqui com maior profundidade, por exemplo, aplicando o modelo de pesquisa noutras indústrias, além do setor de moda esportiva, onde predominam as marcas globais na massa popular. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo) 

    NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

blog-baner

O PERFIL DIFERENCIADO DO TORCEDOR-CONSUMIDOR

perfil-diferenciado-do-consumidor-esportivo

Hoje em dia, as empresas, marcas e corporações buscam, a todo momento, inserir em seus bancos de dados, o maior número possível de pessoas, com o fim de torná-los futuros clientes leais. Mas será que este procedimento funciona no mundo esportivo? Existe algum laço que prende o coração  do torcedor-consumidor a uma marca?

1 – A LEALDADE DO CONSUMIDOR

A lealdade comportamental do consumidor há muito tempo é reconhecida como um fator-chave para a retenção de clientes. A lealdade, no contexto do consumo, é um compromisso profundo de recomprar um produto, de maneira consistente. As empresas têm consciência que o aumento na retenção de consumidores, levam a um maior lucro; e que os custos de retenção de clientes são substancialmente menores do que os custos de aquisição de novos clientes. E como isso acontece com o torcedor-consumidor?

2 – O PERFIL DO TORCEDOR-CONSUMIDOR

O torcedor-consumidor é diferente de um #consumidor comum, especialmente quando se trata de lealdade a longo prazo. A lealdade do torcedor-consumidor vai além da simples observação do seu #time ou da comemoração da vitória. Para ele, o clube, os jogadores são muito mais importantes, ao ponto de continuar apoiando sua equipe, mesmo em fase ruim de desempenho. Este comportamento, resultado de um apego emocional forte e intenso, é muito diferente do comportamento do consumidor em geral, que não pensa duas vezes em mudar para outra marca quando confrontado com uma qualidade inferior.

O torcedor-consumidor tem conexões psicológicas com as marcas parceiras do seu clube, e são resistentes a qualquer mudança. Passam, então, a ser um cliente valioso e atraente para os profissionais de marketing, que se empenham em avaliá-lo a todo momento, para entender como se relaciona com o seu time do coração,  e como essa relação pode gerar engajamento, comprometimento e principalmente, lucro.

Esses torcedores, que podemos classifica-los de “consumidores diferenciados”, demonstram acreditar profundamente na atitude, nas aspirações e no comprometimento do seu time, por meio de atos tangíveis, como a compra de ingressos ou de produtos das marcas patrocinadoras.

3 – LUCRO GARANTIDO

Como exemplo, podemos citar o Fortaleza Esporte Clube, que disputou a segunda divisão no ano passado. Somente no mês de outubro/2018, foram vendidos mais de R$ 1 milhão em produtos licenciados, como camisetas, bonés, tênis, mochilas, relógios, etc. O faturamento bruto dos quiosques e lojas oficiais foi de R$ 1,3 milhão. O carro-chefe da marca “Leão 1918” é a camisa oficial tricolor. Entre outros produtos que se destacam em vendas no Castelão, em dia de jogo, estão os copos colecionáveis, que rendem R$ 145 mil líquido.

perfil-diferenciado-do-consumidor-esportivo

Para Stênio Gonçalves, diretor de planejamento do Clube Fortaleza, o sucesso da equipe em campo aquece o mercado. “Hoje trabalhamos o conceito de que a paixão do #torcedor é constante e por isso ele deve saber que a compra de produtos oficiais e licenciados ajuda no crescimento perene do clube, fazendo com que se tenha um ciclo virtuoso onde a compra de uma camisa ou um copo ajuda a bola a entrar”, afirma o dirigente.

4 – CONCLUSÃO

Mas, quando se sai do meio esportivo, essa conexão não é replicada em #produtos comuns de consumo. Como se vê, nada é comparável à lealdade de um #torcedorconsumidor ao seu time de futebol. Enquanto o consumidor comum procura a satisfação que o produto pode lhe proporcionar, o torcedor-consumidor busca sempre estabelecer um vínculo com o seu time: ele quer fazer parte da história do clube, quer promover a equipe, quer externar a sua lealdade, o seu amor. E o produto esportivo é parte desse processo. Enfim, o consumidor comum dá o dinheiro, e o torcedor-consumidor dá o coração. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. Nº 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa esportiva, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

consumidor-radical

HIGENAMINE. ALERTA DE RISCO

higenamine-alerta-de-risco

Produtos com higenamine contém doses, extremamente altas, de um estimulante com segurança desconhecida e potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos, alertaram os pesquisadores da organização mundial de saúde pública, NSF International; da Harvard Medical School; e do National Institute for Public Health and the Environment (RIVM).

higenamine-alerta-de-risco

1 – O QUE DIZEM OS CIENTISTAS SOBRE A HIGENAMINE

Menos de dois anos depois, que a Agência Mundial Antidoping (WADA) adicionou a higenamine à sua lista de substâncias proibidas no esporte, uma equipe internacional de pesquisadores de saúde pública, divulgou o mais recente estudo sobre essa substância, que é muito utilizada como suplemento esportivo, energético, e para perda de peso.

De acordo com os pesquisadores, foram identificadas doses imprevisíveis, e imprecisamente rotuladas desse estimulante cardiovascular, potencialmente prejudicial. Com base neste resultado, os pesquisadores estão pedindo aos consumidores que tenham cautela ao consumir suplementos, contendo higenamine. A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Toxicology.

“Estamos incentivando os atletas amadores e competidores, assim como os consumidores em geral, a pensar duas vezes antes de consumir um produto que contenha higenamine“, disse John Travis, cientista da NSF International.

Segundo ele, “além do risco de doping para atletas, estes produtos contêm doses extremamente altas do estimulante, cuja segurança é completamente desconhecida e com potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos. O que descobrimos com o estudo, é que muitas vezes não há como o consumidor saber quanto de #higenamine está inserido naquele produto que está usando. Aí está o perigo”.

Na pesquisa, foram analisados  24 produtos que contém higenamine na sua composição. Foram encontradas quantidades imprevisíveis e potencialmente prejudiciais do estimulante, variando de níveis de rastreamento a 62 mg por porção. Dos 24 produtos testados, apenas cinco listaram uma quantidade específica de higenamine no rótulo, e nenhuma dessas cinco quantidades foram precisas.

O uso da higenamine já foi proibido no esporte pela Agência Mundial Antidoping (WADA), por representar um risco para as carreiras de atletas competidores.

“Algumas plantas, como a efedrina, contêm estimulantes. Se você tomar muitos dos estimulantes encontrados na efedrina, pode ter consequências fatais. Da mesma forma, a higenamine, que também é um estimulante encontrado nas plantas. Quando se trata de higenamine, ainda não sabemos ao certo quais os reais efeitos que as altas dosagens terão no corpo humano, mas uma série de estudos preliminares sugerem que podem ter efeitos profundos no coração e outros órgãos.”, disse o Dr. Pieter Cohen, professor de Medicina na Harvard Medical School, e integrante da Cambridge Health Alliance.

Importante destacar, que nos EUA o uso de suplementos dietéticos e esportivos, levam 23.000 pessoas por ano ao setor de emergência dos hospitais. É um índice muito alto e preocupante, quando se verifica que essa situação foi causada por produtos comercializados e taxados como “produtos naturais, benéficos para a saúde”.

“A higenamine é um constituinte natural de vários remédios botânicos tradicionais, como a raiz de acônito e Aristolochia brasiliensis. Embora a higenamine seja considerada um ingrediente dietético legal quando presente como componente de plantas, nossa pesquisa identificou os níveis do estimulante e informações de dosagem e rotulagem altamente imprecisas. E, como substância proibida pela WADA, qualquer quantidade de higenamine em um #suplemento dietético deve ser motivo de preocupação para o atleta.”, disse Travis.

higenamine-alerta-de-risco

A NSF International desenvolveu um único Padrão Nacional Americano para suplementos alimentares (NSF / ANSI 173), que se tornou a base do programa de certificação de suplementos dietéticos da NSF em 2001. Para obter a certificação da NSF, os produtos são testados quanto à formulação; reivindicações de rótulos e níveis prejudiciais de contaminantes específicos; e ingredientes potencialmente perigosos. Além disso, #suplementosdietéticos certificados pela NSF devem ser produzidos em uma instalação própria que é inspecionada duas vezes por ano para cumprir os requisitos das Boas Práticas de Fabricação (BPF) dos EUA.

O atendimento a essas exigências, é determinante para que os produtos utilizados na #perdadepeso, em #suplementosesportivos e #energéticos sejam comercializados no mercado norte americano; devendo importadores, distribuidores e lojistas, como também autoridades governamentais de todo o mundo, ficarem atentos às informações, publicadas em revistas e jornais científicos, sobre o resultado das análises destes produtos. Infelizmente isso não acontece, e muitas empresas estrangeiras acabam importando esses produtos, colocando em risco a saúde da população.

Alguns produtos com higenamine:

higenamine-alerta-de-risco

2 – USO DO HIGENAMINE NO BRASIL

No Brasil, os produtos contendo higenamine são muito utilizados, como #suplemento natural, com a promessa de ajudar no aumento da energia, a ganhar massa muscular e a queimar gordura. A maioria deles, são importados dos EUA.

A procura por estes produtos tem aumentado no país, mas nenhuma informação (de importadores, distribuidores, lojistas, órgãos de saúde, etc) é transmitida à população sobre os potenciais riscos cardiovasculares; e nem sobre  a inclusão da higenamine na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial #Antidoping.

Essa omissão de informação é uma grave erro, já que o artigo 9º do nosso Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que os fornecedores de produtos, potencialmente nocivos ou perigosos à saúde, deverão informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis.

Infelizmente, o que se vê é muita propaganda anunciando dezenas de benefícios resultantes do seu uso:

higenamine-alerta-de-risco

Se renomados pesquisadores identificaram riscos à saúde da população, o mínimo que poderíamos esperar das autoridades competentes, seria a proibição de sua comercialização, já que o Código de Defesa do Consumidor é claro, quando estabelece no art.10 que o fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo, produto que sabe ou deveria saber, que apresenta alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde.

Diante da ausência de medidas preventivas ou coercitivas para impedir a comercialização da higenamine no Brasil, caberá a cada um de nós, decidir ou não, pelo uso dos produtos.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. Nº 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

consumidor-radical