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AS REDES SOCIAIS SE TORNARAM OS PRINCIPAIS CANAIS DE FRAUDES ONLINE

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Bilhões de consumidores em todo o mundo estão ativos nas Redes Sociais. É um fenômeno moderno que revolucionou a maneira como os consumidores buscam informações, comunicam uns com os outros e interagem nos negócios, ao mesmo tempo que abre uma variedade de oportunidades para criminosos cometerem fraudes, usando táticas que ocasionam danos significativos em termos de perda financeira, emocional, bem-estar e degradação da confiança.
Dessa forma, ações urgentes são necessárias para proteger os consumidores e minimizar os prejuízos. Uma dessas ações foi um estudo pioneiro implantado em nove países em dois anos consecutivos, visando identificar boas práticas para resolver os problemas e recomendar soluções, cujo relatório sinalizou uma presença maciça de golpistas nas Redes Sociais, se apresentando como marcas autênticas, autoridades ou amigos para enganar as vítimas. A seguir será transcrito um resumo detalhado do referido relatório.

1. POR QUE AS REDES SOCIAIS?

As Redes Sociais são plataformas ideais para os fraudadores. Três bilhões de pessoas, que equivale a 40% da população global, estão ativas no Facebook, Twitter, WhatsApp e  Instagram, com um milhão de novos usuários estimado a cada dia.

Essa popularidade, combinada com a natureza aberta das plataformas de Rede Social, torna fácil para os criminosos alcançarem uma grande quantidade de pessoas, dando a eles acesso rápido a dados pessoais que serão usados ​​para direcionar grupos demográficos e personalizar ações mais convincentes. Por exemplo, usando o nome verdadeiro de uma pessoa, fazendo referência à sua cidade natal, às férias recentes, a hobbies e amigos.

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WhatsApp e Facebook são as plataformas através das quais as fraudes mais se propagam, seguido pelo Instagram e Twitter.

As Redes Sociais oferecem aos fraudadores a capacidade de ocultar suas verdadeiras identidades e motivos por trás do anonimato de perfis e contas falsas, que eles usam para enganar os consumidores.

São fraudes difíceis de serem identificadas, pois parecem vir de fontes confiáveis, como família, amigos, seguidores virtuais, membros de comunidades online ou marcas conhecidas, que se espalham com uma velocidade alarmante nas Redes Sociais para uma ampla gama de públicos.

2. FRAUDES MAIS COMUNS NAS REDES SOCIAIS

O objetivo principal dessas fraudes é induzir as pessoas a revelarem seus dados pessoais, como  endereços de email, senhas e datas de nascimento para facilitar o roubo de ID (conhecido como “phishing”), que serão usados para ganho financeiro. Os golpistas usam técnicas cada vez mais sofisticadas para atingir os consumidores, assim, qualquer pessoa pode se tornar uma vítima. É comum eles terem grupos demográficos específicos como alvo, se acharem que terão mais êxito em suas ações. Daí não serem verificadas tantas diferenças no número de vítimas, em termos de idade ou gênero.

Existem três categorias de fraudes. São elas:

• Fraude no comércio eletrônico – Os fraudadores afirmam serem genuínos vendedores online, em sites como o Facebook Marketplace, induzindo os consumidores a pagarem por produtos falsificados ou de baixa qualidade. Em alguns casos, os produtos comprados, simplesmente, nunca chegam.
• Fraude no investimento – Os fraudadores anunciam verdadeiras oportunidades de investimento, às vezes usando notícias e anúncios que parecem ser de fontes genuínas. Consumidores que são tentados a investir, perdem parte ou todo o seu dinheiro.
• Fraude do impostor – Os fraudadores se apresentam como autênticos amigos ou familiares, para obterem a confiança do consumidor, para depois pedirem que ele compre bens, envie dinheiro ou clique em links que baixam malware para o computador.

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Dentro dessas três categorias acima descritas, se enquadram os seguintes tipos de fraudes:

CATFISH: Os fraudadores criam perfis falsos para fazer contato com indivíduos e atrair eles para um relacionamento online. Eles levam tempo para construir essa confiança e depois pedem a eles que enviem dinheiro ou compartilhem seus dados pessoais;

CRYPTOCURRENCY: Anúncios, notícias ou mensagens falsas buscam induzir os consumidores a investirem em criptomoeda, como bitcoin. Como resultado, eles acabam perdendo seus investimentos ou seus dados pessoais ou ambos;

CLICKBAIT SCAM: Postagens nas Redes Sociais com emocionantes notícias sobre celebridades, incentivam os consumidores a clicarem em links ou URLs ocultos. Isso leva a um site externo que baixa malware no computador da vítima.

CASH GRABS: O fraudador invade a conta de Rede Social de alguém e envia mensagens para seus amigos, alegando estar precisando desesperadamente de ajuda e pedindo que enviem dinheiro. Por exemplo, informa aos amigos da vítima que se encontra em viagem de férias, que teve sua carteira roubada e que precisa urgentemente de dinheiro para chegar em casa. Este é um dos tipos mais comuns de fraude.

FAKE COMPETITIONS OR GIVEAWAYS: Fraudadores apresentam negócios, geralmente no Facebook, pedindo aos usuários que “curtam e compartilhem” postagens ou cliquem em links para ganhar prêmios inexistentes. Geralmente, clicar nesses links pode baixar malware.

MEMBERSHIP SCAMS: O consumidor é convidado a participar de um grupo falso ou página de fãs, sendo necessário para compartilhar detalhes pessoais, que envie mensagens de texto premium ou que pague para se tornar um associado.

QUIZ SCAMS: O consumidor vê um “teste divertido”, aparentemente inocente no feed de um amigo, onde lhe é solicitado a inserir certos dados pessoais, como o nome de solteira da mãe, mês do seu aniversário e nome do primeiro animal de estimação, que são geralmente usados em perguntas de segurança da conta.

SUBSCRIPTION TRAPS: Os consumidores são induzidos a se inscreverem numa página para adquirir produtos ou serviços que eles nunca recebem. Débitos são feitos em sua conta ou são direcionados a demandas de pagamento.

3. AÇÕES EFICAZES CONTRA FRAUDES NAS REDES SOCIAIS

À medida que cresce o uso da internet, também cresce a quantidade de fraudes online nas Redes Sociais. Plataformas como Facebook e Instagram se tornaram os principais canais utilizados pelos golpistas. Hoje, o cybercrime é o maior motivo de preocupação para 81% dos usuários da Internet no mundo.

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Desde então várias medidas estão sendo aplicadas com a finalidade de impedir as ações de golpistas e  minimizar os prejuízos dos consumidores. Neste tópico iremos destacar algumas dessas medidas.

3.1. COMPARTILHAMENTO DE ALERTAS E ORIENTAÇÕES NAS REDES SOCIAIS

Como os consumidores passam a maior parte do seu tempo, fazendo uso das Redes Sociais, eles estão buscando interagir entre si para compartilhar informações sobre suspeitas de fraudes, alertas, orientações e histórias sobre vítimas, em vez de buscar informações em sites oficiais de órgãos de segurança. Estes órgãos, por sua vez, pouco se envolvem nas Redes Sociais para se comunicar com  os consumidores, alertá-los, por exemplo, sobre fraudes emergentes.

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Muito diferente ocorre na Espanha, onde a Polícia Nacional estabeleceu as Redes Sociais como um meio de contato confiável para aqueles consumidores que procuram aconselhamento sobre como evitar fraudes ou desejam relatar incidentes. Com isso, eles se envolvem com sucesso com os consumidores no Twitter, publicando avisos bem-humorados e alegres para aumentar a conscientização e incentivar usuários de Redes Sociais para interagirem diretamente com eles.

Este é um modelo que pode ser adotado pelas autoridades em outros países como forma de construir confiança entre os órgão de defesa e os consumidores,  ajudando a reduzir o estigma social associado à vítima de uma farsa.

O setor privado também pode ter um papel fundamental na educação e orientação dos consumidores através das Redes Sociais. Os prestadores de serviços financeiros, por exemplo, podem através delas, oferecer oportuna e relevantes informações e alertas regulares aos clientes sobre o risco de fraudes. É o caso das instituições bancárias, que podem ir além de simples avisos e incluir conteúdo interativo para envolver os consumidores, como faz o Banco NatWest, realizando pesquisas no Twitter, perguntando aos seguidores se certas mensagens são seguras ou são fraudes.

3.2. RELATÓRIOS OFICIAIS

Especialistas estimam que os casos de fraudes trazidos a público são apenas a ponta de um iceberg, já que grande parte das vítimas não fazem registro dos fatos nos órgão oficiais, devido a  vários fatores, incluindo constrangimento, apatia e incerteza sobre onde denunciar fraudes ou procurar reparação. São pouquíssimas, mas já existem agências que coletam dados sobre fraudes em diferentes setores, para emissão de relatórios oficiais que servirão de base de pesquisas para implantação de medidas mais eficazes de combate aos golpistas.

Informação detalhada sobre a escala e a natureza das fraudes online é crucial para fundamentar estratégias para ações preventivas e corretivas.

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Quando se trata de fraude em nível global ou transfronteiriço, os relatórios de fraude ainda são fragmentados, inconsistentes e não confiáveis. Assim, necessário que as seguintes melhorias sejam feitas:

• Os consumidores precisam entender que qualquer um pode ser vítima de fraudes online e que trazer a público os fatos, pode rapidamente beneficiar outras pessoas. Para facilitar isso, vítimas precisam de informações claras e oportunas sobre onde denunciar essas fraudes e a quem enviar as reclamações. As plataformas de Redes Sociais devem facilitar aos consumidores a possibilidade de sinalizar fraudes e outros conteúdos prejudiciais. Como exemplo, podemos citar as operações do Facebook no Reino Unido que estão desenvolvendo uma nova ferramenta de relatório de “anúncios fraudulentos” como parte de uma ação legal;

• Sistemas abrangentes de coleta de dados precisam ser instalados para gravar e analisar todos os incidentes online de fraude, incluindo seus canais de origem. Um único ponto de coleta de dados por fraude em cada país seria o ideal. Para facilitar o compartilhamento dessas informações, entre agências nacionais e globais, as classificação de dados devem ser consistentes;

• Se os consumidores puderem ver evidências de que esses relatórios levam a ações positivas, sob a forma de aplicação e reparação, isso ajudará a criar confiança no sistema. Daí a importância de mais publicidade e orientações nas Redes Sociais.

3.3. FERRAMENTA QUE DETECTA CONTEÚDO NOCIVO

A identificação rápida de informações fraudulentas, ofensivas ou prejudiciais é essencial para proteger os usuários de Redes Sociais. Para eficácia desse procedimento, importante seria que as autoridades impusessem a obrigatoriedade de verificar a legitimidade de pessoas físicas e jurídicas, antes deles  criarem uma conta, anunciar ou publicar nas Redes Sociais.

Também o ideal seria que as próprias plataformas de Redes Sociais fossem mais proativas no uso de ferramentas digitais para detectar sites e anúncios fraudulentos. Isso é possível, se tomarmos como exemplo a ScamAdviser.com, desenvolvido pelo Ecommerce Foundation.

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Trata-se de uma ferramenta gratuita disponibilizada para os consumidores verificarem a legitimidade de um site. Quando um consumidor entra num endereço online, os algoritmos verificam 40 fatores como o endereço IP, análises de sites, segurança e reputação de spam para gerar um relatório geral de confiança. Atualmente, a ScamAdviser.com tem mais de 55 milhões de sites em seu banco de dados e 2,5 milhões de usuários únicos por mês.

Infelizmente, esse tipo de procedimento, que pode ser implantado nas plataformas de Rede Social, cria um potencial conflito de interesses quando se trata de autopoliciamento eficaz. Assim, reguladores independentes poderiam exercer melhor essa função.

Para encerrar este tópico, não poderíamos deixar de citar o Trustworthy Accountability Group (tag), que apesar de estar fora das Redes Sociais, ajuda o consumidor em caso de consulta.

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Trata-se de um programa de autorregulação entre indústrias para combater crimes digitais. As plataformas de Redes Sociais podem verificar o Trustworthy Accountability Group (tag) para garantir que as empresas foram autenticadas, que o conteúdo hospedado não é fraudulento. Vem crescendo o número de empresas que se inscrevem voluntariamente neste serviço, o que aumenta a viabilidade do sistema como uma solução.

3.4. LEGISLAÇÃO DE PROTEÇÃO TRANSFRONTEIRIÇA

A responsabilidade pelo monitoramento de fraudes nas Redes Sociais e aplicação das medidas de segurança podem ser compartilhadas entre a polícia, órgãos de defesa do consumidor, órgãos do governo e plataformas de Redes. No entanto, quando as ações criminosas são transfronteiriças e inexiste legislação de proteção para coibi-las, a localização dos responsáveis é dificultada.

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Sem acordos de proteção bilaterais entre países, as autoridades nacionais de defesa do consumidor ficam limitadas na sua capacidade de investigar fraudes transfronteiriças, tornando difícil, cara e demorada a comprovação da responsabilidade.

3.5. RESPONSABILIDADE DAS PLATAFORMAS

Há um intenso debate internacional sobre quem é responsável pelos conteúdos nas Redes Sociais e quais ações devem ser tomadas para combater os fraudulentos. As plataformas de Redes Sociais costumam reivindicar que elas são apenas intermediárias em um ambiente digital criado por seus usuários, e que não têm qualquer responsabilidade pelos conteúdos ali publicados e compartilhados. No entanto, há uma pressão crescente sobre essas plataformas para que assumam a responsabilidade pelo conteúdo fraudulento, ilegal ou prejudicial.

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No Brasil, a Constituição defende o direito à liberdade de expressão, que afeta sua abordagem legislativa sobre esse assunto. Também, o fato dos termos e condições das plataformas serem raramente adaptados a outras regiões nas quais as empresas operam, geram implicações de longo alcance para proteção transfronteiriça dos consumidores.

Na União Europeia (UE), por exemplo, a legislação de proteção do consumidor é particularmente bem desenvolvida.  As suas leis, relativas às práticas comerciais desleais, à transparência de informações e regras de venda à distância, são aplicadas a casos de fraudes nas Redes Sociais.

Nos últimos anos, foram feitos esforços para alinhar os termos de serviço das empresas com as regras de defesa do consumidor da União Europeia (UE), após essas plataformas estarem operando com o direito de excluir a sua responsabilidade por negligência e alterar seus termos e condições, sem aviso prévio.

Em 2016, a comissão de proteção do consumidor da União Europeia (UE) chegou a um acordo com plataformas de Redes Sociais, incluindo Facebook, Google e Twitter para estabelecer um “Procedimento de Aviso e Ação”, que permite às autoridades europeias de defesa do consumidor denunciar e solicitar a remoção de conteúdo ilegal, incluindo fraudes. A Comissão também desenvolveu orientação para essas plataformas  sobre como elas deve lidar com a detecção, notificação e remoção de conteúdo ilegal. A eficácia desses novos procedimentos ainda estão sendo avaliados.

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Também foi estabelecida a obrigação das plataformas de retirarem conteúdo ofensivo, relacionado a atividade terrorista ou que seja prejudicial para crianças, dentro de um curto espaço de tempo. Por exemplo, na Alemanha, a legislação permite que as plataformas de Redes Sociais que tenham mais de dois milhões de usuários, sejam multadas em € 50 milhões, se não excluírem dentro de 24 horas os posts com discurso de ódio.

No Reino Unido o Facebook está criando um projeto, cujo objeto é uma nova “ferramenta de relatório” de anúncios fraudulentos para seus usuários. Essa ferramenta de relatório ajuda os usuários a sinalizar, com facilidade e rapidez, os anúncios que acreditam serem fraudes, que violam as políticas de publicidade do Facebook ou outros padrões. Esse projeto, tem por finalidade:

• Aumentar a educação pública e a conscientização sobre anúncios digitais fraudulentos;
• Desenvolver o trabalho existente com organizações parceiras;
• Fornecer suporte personalizado individual, através de um telefone de apoio e webchat para ajudar as pessoas a identificar fraudes;
• Trabalhar com vítimas de fraudes online, que precisam de ajuda.

3.6. REPARAÇÃO RÁPIDA DO CONSUMIDOR

Atualmente, é praticamente impossível para os consumidores receberem (quando recebem) seu dinheiro de volta, depois de terem sido enganados. Na maioria das vezes, os fraudadores são difíceis de localizar, e isso dificulta o ressarcimento, daí as campanhas para que as plataformas sejam imediatamente responsáveis pelos danos sofridos pelos usuários de Redes Sociais.

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O Centro Canadense de Luta Antifraude lida com reclamações de consumidores sobre sites que vendem falsificações ou bens fraudulentos. Quando um consumidor registra uma reclamação, ele deve fornecer detalhes das mercadorias, endereço do site, data e valor da compra. Se o Centro Anti-Fraude confirma que os produtos não são autênticos, imediatamente transmite as informações para a operadora do cartão de crédito e para o Banco emissor para avaliarem outras suspeitas de cobranças na conta do comerciante varejista, enquanto a operadora do cartão de crédito inicia um estorno ou reembolso ao consumidor. Isso, normalmente, resulta na rescisão do contrato firmado entre a empresa varejista e o Banco, com o cancelamento da conta comercial para impedir que o fraudador não processe mais pagamentos.

4. OUTRAS MEDIDAS

Não há soluções fáceis para combater fraudes nas Redes Sociais. Contudo, existem boas ações praticadas por algumas agências governamentais, autoridades de defesa do consumidor e empresas que, se aplicadas sistematicamente, poderão ajudar a capacitar e proteger os consumidores e aumentar a confiança deles nas plataformas de Redes Sociais. São elas:

4.1. DESENVOLVIMENTO DE REGRAS ESPECÍFICAS DE COMBATE A FRAUDES

A legislação de proteção ao consumidor, consistente e juridicamente vinculativa, contendo regras específicas, é uma ferramenta eficaz para ajudar na investida contra fraudes nas Redes Sociais, permitindo que seja estabelecida uma linha base  de boas práticas,  com definição clara das responsabilidades e dos procedimentos de execução.

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Dada a natureza transfronteiriça das fraudes nas Redes Sociais, como foi explanado acima, é essencial que paralelo à legislação local de proteção ao consumidor, exista a cooperação internacional, firmada através de acordos entre países para trocar informações coletadas por setores de inteligência e processar golpistas que operam além das fronteiras nacionais.

Por exemplo, a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio Desenvolvimento (UNCTAD) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estão conduzindo iniciativas para melhorar a regulamentação de comércio eletrônico, incluindo o desenvolvimento de diretrizes. A Execução Internacional de Proteção ao Consumidor Network (ICPEN) também promove a cooperação entre agências nacionais de aplicação da lei. Muitos países fizeram propostas para iniciar negociações formais para um acordo internacional de comércio eletrônico, que poderia incluir medidas para promover melhores consumidores e proteção necessária para ajudar a resolver os problemas.

4.2. DEFINIR BOAS PRÁTICAS PARA OS NEGÓCIOS

Empresas varejistas online têm a obrigação de proteger seus clientes contra fraudes nas Redes Sociais, o que também ajudará a melhorar sua reputação e aumentar a confiança do consumidor na sua marca.

Nas Redes Sociais, onde fraudadores personificam marcas para enganar os consumidores, as empresas devem ser rápidas em responder aos alertas de fraude e fornecer garantias e conselhos sobre que medidas tomar.

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Essas empresas, como custodiantes de dinheiro do consumidor, estão em uma posição ideal para aumentar conhecimento das fraudes atuais e minimizar o risco de transações fraudulentas.

No Brasil, o Código de Defesa do Consumidor ainda ajuda a  minimizar o risco de danos ao consumidor como resultado de fraudes, juntamente com as guias e orientações dos órgãos de defesa do consumidor, que definem boas práticas na entrega de serviços, sistemas e mercadorias online. Essas iniciativas também fornecem maior proteção para os consumidores que foram fraudado nas Redes Sociais, fornecendo meios para obterem o dinheiro de volta.

A Organização Internacional de Padrões (ISO) publica especificações e diretrizes para garantir qualidade e segurança para os consumidores. Normas ISO já existem para comércio eletrônico, pagamentos móveis, análises online e segurança da Internet, com o fim de proteger os consumidores contra phishing e malware.

4.3. IDENTIFICAR COM ANTECIPAÇÃO AS FRAUDES ONLINE

A capacidade de identificar e bloquear conteúdo fraudulento antes de atingir os consumidores pode ser um grande avanço na luta contra os golpistas.

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Soluções digitais, como Inteligência Artificial (IA) orientada por algoritmos e aprendizado de máquina, já estão sendo usadas para combater fraudes online de maneira mais ampla.

Embora não sejam 100% eficazes, algoritmos certamente podem ajudar a reduzir o risco de fraudes nas Redes Sociais. Alguns especialistas enfatizam que apenas as ferramentas habilitadas para Inteligência Artificial (IA) não são capaz de identificar todos os golpes e devem ser usadas em conjunto com moderadores humanos para verificar e bloquear aqueles conteúdos prejudiciais.

4.4. MELHORAR A COOPERAÇÃO DAS PARTES INTERESSADAS

Estabelecendo uma melhor colaboração e cooperação entre todas as partes interessadas em nível global é essencial para se fornecer uma solução eficaz para o crescente problema de golpes nas Redes Sociais.

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Comunicação aprimorada entre agências de execução facilitaria o compartilhamento de dados para focar recursos em áreas que são mais necessárias. Agências governamentais, autoridades de defesa do consumidor, plataformas de Redes Sociais também podem trabalhar juntas para identificar ameaças e garantir que as vítimas de fraude tenham acesso ao suporte apropriado e ações corretivas. Inclusive, já existem Bancos trabalhando em parceria com empresas de crédito, para garantir que os consumidores possam ser reembolsados, imediatamente; quando perderem dinheiro nas Redes Sociais, em decorrência de fraude.

4.5. SENSIBILIZAÇÃO DO CONSUMIDOR

Uma das maiores barreiras à compreensão e prevenção de fraudes nas Redes Sociais é a relutância em relatar. Dessa maneira, incentivar conversas sobre fraudes, por meio de informações, é extremamente importante. Isso faz parte da educação do consumidor e pode reduzir o número de vítimas e o nível de prejuízo.

As informações devem se concentrar no(a):

Reconhecimento de fraudes – informações atualizadas sobre como identificar fraudes, as fraudes mais recentes a serem observadas e os riscos potenciais;
Prevenção de fraudes – informações sobre como se proteger online e quais ações a serem tomadas para se identificar uma farsa;
Denúncia de fraudes – os consumidores precisam de informações claras sobre onde denunciar fraudes e sobre o porquê isso é importante.

Organizações de defesa do consumidor; autoridades; agências de aplicação da lei; setor privado; organizações, como bancos; e as próprias plataformas de Redes Sociais, têm a responsabilidade compartilhada para educar os consumidores.

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Essas organizações precisam pensar na melhor maneira de atingir os consumidores e garantir que as informações corretas cheguem às pessoas certas, no tempo certo. Isso pode incluir o uso criativo das Redes Sociais e outros canais para compartilhar informações. 

5. CONCLUSÃO

As fraudes nas Redes Sociais representam uma ameaça crescente para consumidores globais e desafios complexos para aqueles envolvido na proteção deles. Lidar com esse crescimento requer uma abordagem multifacetada, colaborativa e inovadora. Com isso, é preciso ter uma  base sólida das normas que integram a legislação de defesa do consumidor a nível nacional, definindo de forma clara as responsabilidades pelo seu monitoramento, fiscalização e aplicação dessas normas.

A experiência do consumidor com fraudes nas Redes Sociais varia de acordo com o país. Portanto, as autoridades de defesa do consumidor e governos deve levar em consideração as diferenças locais quanto ao desenvolvimento de estratégias para enfrentar os problemas. As soluções também devem adotar uma abordagem transfronteiriça quando se trata de rastrear criminosos que cometem fraudes nas Redes Sociais.  Cooperação e colaboração internacionais através de compartilhamento de dados de inteligência, são cruciais para garantir uma abordagem consistente, efetiva e de resultado.

Acordos voluntários entre as partes interessadas também ajudam a definir regras claras em termos de detecção, prevenção e resposta a fraudes. Os padrões internacionais podem ser ferramentas valiosas de combate às fraudes online, detalhando boas práticas para plataformas de Redes Sociais e outros negócios sobre como identificar e responder a conteúdo prejudicial. Já existem alguns padrões online, mas o potencial para novos padrões ainda deve ser explorado.

Na posição de destaque que se encontram, as plataformas de Redes Sociais têm a responsabilidade de entregar resultados positivos para os consumidores. Esse compromisso pode ser demonstrado através da implantação de políticas e sistemas seguros que detecta, minimiza e responde à altura aos casos de fraude.

Soluções tecnológicas inovadoras são vitais para acompanhar o ritmo acelerado das mudanças que ocorrem a todo instante. Inteligência artificial (IA) e ferramentas digitais têm grande potencial para proteger os consumidores.

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Como as plataformas de Redes Sociais e mercados online evoluem, essas salvaguardas digitais devem ser incorporadas para garantir que a segurança do consumidor seja inerente ao design do sistema.

Fraude online é crime e os consumidores devem ser incentivados a denunciá-lo como tal. À medida que as Redes Sociais continuam a crescer em tamanho e influência, é cada vez mais importante que a proteção do consumidor esteja no coração do design e entrega da plataforma.

Para enfrentar tantos desafios globais, aqueles encarregados da proteção (governos, órgãos de defesa do consumidor, plataformas de Redes Sociais, etc) devem trabalhar em conjunto para gerar melhorias, minimizar os prejuízos e construir um mundo digital seguro que os consumidores podem confiar. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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