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A INFORMAÇÃO É A MOEDA DO SÉCULO XXI

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A tecnologia digital acionou uma explosão na quantidade, profundidade e valorização da informação de todos os tipos. O Google processa 40.000 pesquisas por segundo; 456.000 tweets são enviados a cada minuto; 16 milhões de mensagens de texto são enviadas a cada minuto; 1,5 bilhão de pessoas estão ativas no Facebook todos os dias, compartilhando informações. Nos próximos anos, espera-se que o volume global de informações se multiplique por 40 vezes ou mais.

Nesse cenário, a informação é a moeda do século XXI, como evidenciado pelas cinco empresas mais valiosas do mundo atualmente – Apple, #amazon, Facebook, Microsoft e a empresa-mãe do Google, a Alphabet. À medida que usamos suas plataformas (que parecem ser de graça, mas na verdade não são, pois nós os pagamos com nossos dados pessoais) esses gigantes corporativos estão coletando informações sobre todos os aspectos da nossa vida, nosso comportamento e nossa tomada de decisões – onde estivemos; que produtos compramos; que filmes gostamos e que candidatos apoiamos – a lista é quase infinita. Até mesmo cada foto de nós mesmos, nossos parentes ou amigos, dão a eles informações sobre nós.

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Todos esses eventos que tornamos públicos, fornecem dados valiosos de maneira comercial, política e militar. São informações que dão às corporações mais poder e mais lucro. Se por um lado, esses dados podem ser usados ​​para melhorar suas ferramentas e serviços, o que é bom para os consumidores; por outro lado, acabam sendo vendidos para os órgãos de governo e para empresas terceirizadas, das quais somos clientes em potencial, ou para empresas chamadas de data brokers, que agregam dados de várias fontes, tornando-as ainda mais valiosas.

1 – AS INFORMAÇÕES, SÃO REALMENTE MOEDAS?

Quando as pessoas se referem a moedas, elas tendem a pensar em notas de papel – dólares americanos, ienes japoneses ou euros. O dinheiro impresso, no entanto, é apenas um tipo de moeda. Ao longo da história, as moedas apareceram em muitas formas, desde as célebres rodas de pedra dos ilhéus, Yap até os cowries, as conchas de moluscos, que se tornaram um meio popular de troca na China há mais de três milênios.

As moedas evoluíram ao longo do tempo; de pedras e conchas para as sofisticadas formas de #moeda legal, que permitem as transações financeiras globais de hoje, como por exemplo, o bitcoin e o pó sagrado do World of Warcraft.

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Para entender como as informações se encaixam nessa evolução, precisamos repensar nossa concepção de moedas. Moeda é a forma como criamos e trocamos valor econômico em toda a geografia e ao longo do tempo. É qualquer coisa que possa servir como meio de troca, algo que possa ser “sacado” para bens e serviços, ou usado para pagar dívidas ou para armazenar valor para uso futuro.

As informações pessoais têm cada uma dessas características essenciais, já que em muitas transações comerciais on line, que envolvem compra e venda, elas servem como meio de troca. É o caso do setor varejista. De acordo com o Aite Group, os varejistas americanos pagaram até o ano de 2018 a quantia de US $ 1,7 bilhão aos principais bancos dos Estados Unidos para que enviassem ofertas de desconto direcionadas aos clientes, com base em informações pessoais sobre os hábitos de compra com cartão de crédito.

Como se vê, as empresas estão trabalhando duro para lucrar com o mercado de informações pessoais. Elas variam de empresas iniciantes, como a Personal.com, que ajuda indivíduos a controlar e fazer uso de seus próprios dados pessoais a empresas  gigantes, como a Rapleaf e a Acxiom, que detêm informações sobre até 500 milhões de consumidores em todo o mundo.

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No mundo digital nada é gratuito. Quando usamos serviços como Facebook, Twitter ou Google, pagamos pelo privilégio fornecendo a eles nossas informações pessoais. Dentre eles, o Facebook é talvez o mais prolífico “coletor de informações pessoais”, para emprega-las em modelos de negócios publicitários que geram de US $ 55 bilhões a US $ 116,3 bilhões de lucro. Isso não quer dizer que a Apple, a Microsoft e a Amazon também não estejam se beneficiando de informações pessoais coletadas dos consumidores. A Amazon, em particular, “é líder na coleta, armazenamento, processamento e análise de informações pessoais de milhões de consumidores” e usa esses dados para alimentar sua abordagem centrada no cliente, apresentando produtos que são personalizados de acordo com suas preferências. E esse é apenas o lado certo do modelo de negócios deles. As operações e a logística da Amazon também contam com informações. Em 2018, eles faturaram US $ 123 bilhões em vendas on-line, resultados desse mecanismo criado em torno da coleta de informações.

As informações pessoais dos consumidores se tornaram um recurso tão valioso, que até algumas empresas de marketing constroem, hoje, vastos bancos de dados com informações sobre preferências e comportamentos dos consumidores. Combinando essas informações com aquelas informações de registros públicos, junto com o escape digital coletado de mídias sociais, transmissões móveis e outras fontes, essas empresas faturam milhares de dólares, fornecendo aos anunciantes novos insights sobre o público-alvo.

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Você já se perguntou como alguém entra na televisão? Netflix certamente fez. Quando os executivos da empresa decidiram que era hora da Netflix começar a oferecer conteúdo original, eles aumentaram sua chance de sucesso, usando sua ferramenta mais poderosa: as informações pessoais dos clientes. Com esses dados em mãos, a empresa descobriu quais produtores, atores e shows seus espectadores mais gostavam. Com este relatório, a Netflix definiu a sua primeira produção: House of Cards. Essa série se tornou o programa mais popular já produzido. Usando essas informações, a Netflix passou a desenvolver novas estratégias de negócios bem-sucedida, para atrair clientes.

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Essa realidade nos dá a certeza de que, cada vez mais, as informações pessoais estão sendo utilizadas como moedas de troca.

2 – COMO AS INFORMAÇÕES ESTÃO SEGMENTANDO OS CONSUMIDORES

Como foi demonstrado acima, as informações são a moeda do século 21 e, no entanto, o valor delas depende muito de como as empresas a exploram, peneiram, interpretam e agem, com base na grande quantidade de dados oriundas de um número crescente de fontes digitais.

Com a chegada, há alguns anos, do que hoje conhecemos como Big Data (se refere às bases de dados, com grande volume de informações) é possível as empresas cruzarem essas informações de maneira rápida e eficiente, para definirem uma imagem mais clara de quem são seus clientes e o que os motiva. Além disso, informações cristalizadas ajudam as empresas a tomarem decisões estratégicas futuras, criar produtos e serviços mais relevantes, como também, proteger-se de riscos futuros.

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“A explosão de dados disponibilizados pelo mundo, cada vez mais conectado, está trazendo mudanças sem precedentes para as empresas”, diz Roy Jubraj, diretor de digital e inovação da Accenture.

Nos próximos anos, espera-se que mais de 50 bilhões de dispositivos estejam conectados à internet. Com bilhões de sensores e dispositivos conectados ao mundo digital, as empresas estão começando a usar as informações coletadas para fazer três coisas: administrar-se de maneira mais eficaz, preparar seus negócios para o futuro e reformar o relacionamento com seus clientes.

Para agrupar tantas informações e extrair resultados concretos, as empresas estão analisando toda a jornada ou ciclo dos consumidores na sua interação com órgãos do governo, sites, redes sociais, etc. Ao combinar esses conjuntos, é possível entender mais sobre como os consumidores interagem com os negócios, em todas as etapas do caminho.

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“Estamos preocupados com a jornada do cliente, de ponta a ponta, em vários canais e dispositivos digitais. Extraímos informações de várias fontes para obtermos uma visão mais holística do comportamento do cliente e da sua interação com a empresa.”, explica Jason Ryan, sócio-fundador da agência de marketing para clientes, Brilliant Noise.

Aprender sobre os consumidores, a quem se quer vender, não é novidade. Muitas décadas atrás, os executivos de desenvolvimento de negócios, passaram a pesquisar as histórias que existiam por trás de suas vendas, para entender o que os fazia funcionar e quais as necessidades dos clientes que eles poderiam suprir.

Mas a era digital criou um sistema no qual esse processo pode ser automatizado e executado em escala industrial. Há cinquenta anos, os vendedores economizavam energia para suas maiores perspectivas de gastos, agora é rentável fazer descobertas sobre pessoas que gastam com moderação também.

“Conhecer os clientes de dentro para fora, sempre foi vital para o sucesso nos negócios. Este princípio se aplica, mesmo que você esteja lidando com uma pessoa ou mil pessoas. A disponibilidade de informações, hoje, nos permite entender melhor os clientes e criar relacionamentos lucrativos com eles.”, informou Jon Cano-Lopez, diretor executivo de uma empresa independente de comunicação de dados.

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Então, que tipo de informação está sendo mais coletada agora? Sem dúvida, são as informações transacionais, de estilo de vida e comportamentais. Estas representam os três principais conjuntos de informações que são mais comumente registrados e usados ​​para insight.

  • Informações transacionais – Estão relacionadas ao que as pessoas gastam, onde gastam, com que frequência e quanto;
  • Informações de estilo de vida – Referem-se a quem são as pessoas, onde moram, quais são seus interesses e o que é importante para elas;
  • Informações comportamentais – Estão relacionadas à atividade das pessoas, tanto on-line quanto off-line; o que elas fazem e por meio de quais canais.

Com o passar dos anos, a quantidade de informações disponíveis aumentou, de modo que as empresas precisam se adaptar e evoluir para acompanhar esse imenso fluxo de dados. Elas vêm adotando novos sistemas de captura de informações e novos softwares analíticos, bem como novos incentivos para os consumidores compartilhem suas informações pessoais, sem medo, sem desconfiança.

Podemos apontar como exemplo dessa estratégia, a criação do “cartão fidelidade” pelos supermercados,  que foi uma das primeiras inovações bem-sucedidas para capturar informações dos consumidores na era digital emergente. Na realidade, essa estratégia configura uma “troca de valor” oferecida aos clientes: estes fornecem suas informações pessoais em troca de pontos para trocar por prêmios. É mais uma confirmação de que a informação é a moeda do século XXI.

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Essa estratégia revolucionou a forma como os supermercados vendiam seus produtos – eles deixaram de operar no escuro e se tornaram capazes de atingir o coração dos clientes, estimulando estes a comprarem qualquer produto que eles quisessem vender mais.

Ao longo dos anos, isso foi se aperfeiçoando. E como as pessoas gastam, cada vez mais tempo on-line e em smartphones, a adição de informações digitais se tornou uma necessidade fundamental, com fontes demográficas, psicográficas, comportamentais e outras fontes de informações, capazes de enriquecer o entendimento sobre o comportamento dos consumidores.

3 – O ALTO VALOR DAS INFORMAÇÕES PESSOAIS. UM MERCADO LUCRATIVO

Na internet, as informações pessoais que os consumidores dão de graça, são transformadas em um bem precioso. As perguntas que fazem ao Google revelam os sentimentos mais profundos da humanidade. E suas histórias e experiências compartilhadas dirão aos investidores, quais lojas atraem mais compradores. Até mesmo aquelas atividades aparentemente benignas, como ficar em casa e assistir a um filme, geram montanhas de informações. Um tesouro a ser aproveitado, mais tarde, por empresas de todos os tipos. Esse mercado é muito lucrativo.

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As informações pessoais costumam ser comparadas ao petróleo, pois elas fornecem energia às empresas mais lucrativas da atualidade, assim como os combustíveis fósseis energizaram as corporações do passado. Mas, infelizmente, os consumidores dos quais elas são extraídas, pouco sabem sobre o quanto de suas informações são coletadas, quem irão ter acesso a elas e o quanto elas valem.

Registros de saúde, números de seguridade social e detalhes bancários, compõem as informações online armazenadas, mais confidenciais e mais valorizadas, no entanto, as mensagens de mídia social, os dados de localização e consultas de mecanismos de pesquisa podem ser tão reveladores, que se tornam muito valiosas para pesquisadores acadêmicos, hackers, agentes da lei e nações estrangeiras – assim como, para muitas empresas que tentam lhe vender coisas.

A internet pode parecer um grande pesadelo para a privacidade, mas todas essas #informações são coletadas em um amplo espectro de consentimento, já que elas são bifurcadas conscientemente (fica claro para todos nós, que algo está sendo coletado), apesar que muitas vezes, os detalhes estão ocultos em acordos de termos de serviço, difíceis de analisar.

Considere o que acontece quando alguém envia um frasco de saliva para a empresa 23andme ou para a empresa MyHeritage. A pessoa sabe que está compartilhando seu DNA com uma empresa de genômica, mas pode não perceber que as informações coletadas serão revendidas a empresas farmacêuticas. São suas informações que estarão sendo comercializadas, sem você saber.

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Muitos aplicativos exibem anúncios personalizados, mas eles não deixam claro para as pessoas que elas estão sendo rastreadas; que estão registrando não apenas seus cliques, mas também os movimentos exatos do mouse. As informações de localização colhidas, servirão para identificar quais lojas de varejo (e-commerce) são mais acessadas. São informações muito valiosas, que serão vendidas a outras empresas.

Em cada um desses cenários, o consumidor, usuário de internet, recebe algo em troca (direito a acessos; comodidade; prêmios, descontos, etc) para permitir que uma empresa monetizasse suas informações pessoais. Esse é o mesmo tipo de barganha oferecida pelo Facebook e pelo Google. Seus principais produtos, incluindo Instagram, Messenger, Gmail e Google Maps, não custam dinheiro, mas as pessoas pagam com suas informações pessoais, usadas ​​para segmentá-lo com anúncios.

As informações que os #consumidores dão e os serviços que eles recebem, pode ou não valer a pena, mas para os corretores de dados, qualquer informação tem seu valor. São eles que coletam, analisam, compram e vendem informações, sem dar absolutamente nada aos consumidores.

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Os corretores de dados compilam informações de fontes disponíveis publicamente, como registros de propriedade, licenças de casamento e casos judiciais. Eles também podem coletar seus registros médicos, histórico de navegação, conexões de mídia social e compras on-line. Dependendo de onde você mora, os corretores de dados podem até mesmo comprar suas informações no Departamento de Veículos Motorizados. Não tem carteira de motorista? As lojas de varejo também vendem informações aos corretores de dados.

O mercado mundial de informações é amplo e cresce a cada dia. As informações coletadas podem ser imprecisas ou desatualizadas, ainda assim, podem ser incrivelmente valiosas para corporações, profissionais de marketing, investidores e até para pessoas físicas. Somente nos E.U.A., estima-se que as empresas americanas gastaram mais de US $ 19 bilhões em 2018, somente adquirindo e analisando dados de consumidores, de acordo com o Interactive Advertising Bureau (IAB).

Até as pesquisas feitas no #google e nas redes sociais têm importância, já que suas informações são capazes de indicar o nível de interesse das pessoas por determinados assuntos. Dessa maneira, com base em muitas informações aleatórias sobre viagens, as empresas conseguem identificar que uma determinada pessoa é um viajante frequente.  Esses dados, então, poderão ser vendidos para empresas do setor turístico.

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Em seu livro “Everybody Lies: Big Data, Novos Dados e O que a Internet pode nos dizer sobre quem realmente somos”, Seth Stephens-Davidowitz argumenta que há muitos cenários em que os humanos são mais honestos com sites, como o Google, do que em pesquisas tradicionais. Por exemplo, diz ele, menos de 20% das pessoas admitem que assistem a pornografia, mas há mais pesquisas no Google por “pornografia” do que por “clima”.

Há algo chamado “cookies” em todos os sites, incluindo plataformas de mídia social. Os cookies são instalados em nossos dispositivos e são responsáveis por rastrear o que fazemos online. Mesmo que os excluamos com frequência, eles continuam a funcionar. Às vezes, os cookies são ativados aleatoriamente e podem acessar nossas fotos e vídeos pessoais. Quando aceitamos cookies, basicamente estamos afirmando que estamos bem com tudo isso.

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Dados pessoais, também são usados ​​por pesquisadores de inteligência artificial (IA) para treinar seus programas automatizados. Sobre a importância da Inteligência Artificial (IA), já tratamos em um artigo específico (veja aqui). Todos os dias, usuários em todo o mundo enviam bilhões de fotos, vídeos, postagens de texto e clipes de áudio para sites como #youtube, Facebook, #instagram e Twitter. Essa mídia, é então alimentada para algoritmos de aprendizado de máquina, para que eles possam aprender a “ver” o que está em uma fotografia ou determinar, automaticamente, se uma postagem viola a Política de Uso do Facebook. São mecanismos e procedimentos que estão literalmente tornando os robôs mais inteligentes.

4 – A HISTÓRIA DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Por milhares de anos, foram usados dispositivos tecnológicos para coletar e processar dados sobre o mundo. Cientistas gregos desenvolveram o “primeiro computador” – um complexo sistema de engrenagens chamado “Mecanismo Antikythera”, para traçar padrões astrológicos em 150 aC. Dois milênios depois, no final da década de 1880, Herman Hollerith inventou a “máquina de tabulação” – um dispositivo de cartões perfurados, que ajudou a processar dados do Censo dos Estados Unidos de 1890. Hollerith criou uma empresa para comercializar sua invenção, que mais tarde se transformou na poderosa IBM.
Na década de 1960, o governo dos EUA passou a usar poderosos computadores mainframe para armazenar e processar uma enorme quantidade de informações dos cidadãos americanos. As corporações, então passaram a usar essas máquinas para analisar informações confidenciais, incluindo os hábitos de compra dos consumidores.

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Não havia leis que ditassem que tipo de informações poderiam ser coletados. Preocupações com a vigilância logo surgiram, especialmente em 1964 após a publicação do livro “The Naked Society” de Vance Packard, que argumentava que a mudança tecnológica estava causando a erosão sem precedentes da privacidade. A partir daí, surgiram vários regulamentos exigindo transparência, mas nada impediu que os governos e as empresas coletassem informações pessoais.

No final da década de 1960, alguns acadêmicos, incluindo o cientista político do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Ithiel de Sola Pool, previram que novas tecnologias de computação continuariam a facilitar a coleta de informações pessoais, de forma ainda mais invasiva. Essa previsão começou a tomar forma em meados da década de 1990, quando muitos americanos começaram a usar a internet.

Quando a maioria das pessoas já estava on-line, uma das primeiras batalhas de privacidade sobre corretores de dados digitais já havia sido travada: em 1990, a Lotus Corporation e a agência de crédito Equifax se uniram para criar o Lotus MarketPlace, um produto de marketing em CD-ROM que seria usado para garantir a privacidade de informações sobre nomes, rendas, endereços e outros dados sobre mais de 120 milhões de americanos. Isso causou um alvoroço entre os defensores da privacidade, levando mais de 30.000 pessoas a contratarem a Lotus para sair do banco de dados do governo e das grandes corporações. Infelizmente, esse movimento em “defesa da privacidade das informações” não impediu que a coleta de informações dos consumidores continuassem sendo feitas.

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As preocupações dos defensores da “privacidade” acabaram se tornando realidade. Em 2008, o Google adquiriu oficialmente a DoubleClick (gigante de anúncios digitais) e, em 2016, revisou sua Política de Privacidade para permitir a identificação e o rastreamento de pessoas, via Web. Antes disso, o Google mantinha os dados de navegação da DoubleClick separados das informações pessoais, coletadas de serviços como o Gmail. Hoje, o Google e o #facebook podem segmentar anúncios com base no nome das pessoas, exatamente o que as pessoas temiam que a DoubleClick fizesse duas décadas atrás. E isso não é tudo: como a maioria das pessoas carrega dispositivos de rastreamento em seus bolsos na forma de smartphones, essas empresas e muitas outras também podem nos seguir onde quer que formos.

5 – O FUTURO DA COLETA DE INFORMAÇÕES PESSOAIS

Atualmente, as informações pessoais são coletadas principalmente por meio de telas, quando as pessoas usam computadores e smartphones. Os próximos anos trarão a adoção generalizada de novos dispositivos que consomem dados, como alto-falantes inteligentes, vestimentas embutidas na censura e monitores de saúde vestíveis. Mesmo aqueles que se abstêm de usar esses dispositivos, provavelmente terão seus dados reunidos por meio de câmeras de vigilância, habilitadas para reconhecimento facial, instaladas nas esquinas das ruas.

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À medida que os cientistas ultrapassam os limites do que é possível com a inteligência artificial, também precisamos aprender a compreender os dados pessoais que não são reais, pelo menos porque não vieram de seres humanos. Por exemplo, os algoritmos já estão gerando dados “falsos”. A chamada tecnologia deepfake permite que os propagandistas e fraudadores aproveitem as fotos das mídias sociais para criar vídeos, que mostram eventos que nunca aconteceram. A Inteligência Artificial (IA) agora pode criar milhões de rostos sintéticos que não pertencem a ninguém, alterando o significado da identidade roubada. Esses dados fraudulentos podem distorcer ainda mais as mídias sociais e outras partes da Internet. Imagine, tentar discernir se um jogo do Tinder ou a pessoa que você seguiu no Instagram, realmente existe.

Quer as informações sejam fabricadas por computadores ou criadas por pessoas reais, uma das maiores preocupações será a forma como elas são analisadas. Não importa apenas que informação é coletada, mas também quais inferências e previsões são feitas com base nela. As informações pessoais são usadas ​​por algoritmos para tomar decisões incrivelmente importantes, como por exemplo, se alguém deve manter seus benefícios de assistência médica ou ser liberado sob fiança. Essas decisões podem ser facilmente tendenciosas, e pesquisadores e empresas como o Google estão trabalhando para tornar os algoritmos mais transparentes e justos.

As empresas de tecnologia também estão começando a reconhecer que a coleta de informações pessoais precisa ser regulamentada. A #microsoft pediu a regulamentação federal do reconhecimento facial, enquanto o CEO da Apple, Tim Cook, argumentou que a FTC deveria intervir e criar uma câmara de compensação onde todos os corretores de dados precisem se registrar. No entanto, nem todas as declarações da Big Tech podem ser de boa fé.

Em 2018, nos E.U.A. foi aprovada uma “lei de privacidade estrita”, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020, a menos que uma lei federal a substitua. Empresas como Amazon, #apple, Facebook e Google estão pressionando o Congresso Americano para aprovar uma nova legislação de privacidade, menos rigorosa,  antes que a “lei de privacidade estrita” entre em vigor.

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Algumas empresas e pesquisadores argumentam que não é suficiente para o governo, simplesmente proteger informações pessoais, porque segundo eles, consumidores precisam possuir suas informações e serem compensados ​​quando usados. É o que ocorre com as Redes sociais, Minds e Steemit, que experimentaram recompensar os usuários com criptomoedas, quando compartilharem conteúdo ou gastarem tempo, usando suas plataformas. Já outras empresas, decidiram pagar pelo compartilhamento de informações e transações bancárias, feitas com elas.

Uma coisa é certa, antes que se possa descobrir o futuro da coleta de informações pessoais, é preciso entender mais sobre o seu presente. A grande quantidade de escândalos de privacidade que surgiram nos últimos anos, que inclusive, já foram discutido num artigo publicado (veja aqui), demonstra que os consumidores ainda não sabem de que maneira suas informações pessoais estão sendo vendidas, comercializadas e compartilhadas. Até que os consumidores realmente entendam esse ecossistema do qual eles, inconscientemente, se tornaram parte, não será possível frear o avanço das ações de coleta de informações.

6 – CONCLUSÃO

A partir do momento em que acessamos a internet, existem sistemas que reúnem todas as informações sobre o que fazemos. Eles praticamente coletam todas as informações sobre como nos comportamos. Eles fazem isso porque nossas informações têm um valor comercial, sendo geralmente vendidas para determinadas empresas das quais somos clientes em potencial. Em seguida, implementam estratégias de marketing específicas, dependendo dos interesses que temos. 

A informação é a moeda do século XXI. Ela é tão valiosa que, em troca, as empresas nos oferecem um conjunto completo de serviços que parecem ser gratuitos. Por exemplo, mecanismos de pesquisa. Qualquer um pode usá-las “de graça”, mas na verdade não é esse o caso. Na realidade, nós pagamos o seu acesso com nossos dados pessoais. O mesmo vale para as plataformas de mídia social: Facebook, #twitter e Instagram, que não cobram um centavo para usarmos suas plataformas, no entanto, eles estão sempre nos lembrando de fornecer informações, incluindo as particulares. E eles não fazem isso apenas por curiosidade. A razão, é que nossos dados pessoais têm um alto valor comercial, que irão lhes proporcionar lucros com suas vendas.

Para concluir, devemos começar a ser mais cuidadosos quando se trata de compartilhar nossas informações pessoais. Vamos aceitar #cookies apenas em sites seguros. Além disso, não devemos compartilhar tudo sobre nossas vidas nas plataformas de mídia social. Eles são uma ótima maneira de se comunicar com outras pessoas, mas não devemos expor dados confidenciais. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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O CONSUMIDOR E OS INFLUENCIADORES DIGITAIS

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O crescimento das mídias sociais na última década, mudou o marketing e a publicidade de várias maneiras. Uma parte importante disso, tem sido o surgimento de influenciadores digitais ou influenciadores de mídia social, que publicam tutoriais em vídeo, geralmente, no YouTube, Instagram e Facebook, promovendo marcas e produtos que afirmam usarem. Desde então, as empresas têm se afastado mais das tradicionais campanhas publicitárias de TV e revistas para adotarem a “publicidade por influência” como prioridade estratégica. Mas, afinal, o conteúdo dessas “celebridades online”, influenciam mesmo os consumidores nas suas decisões de compra? Qual a dimensão dessa influência?

1 – O MERCADO

Para se ter uma ideia de quão populares os influenciadores digitais se tornaram, basta considerar que o termo “marketing de influência” aumentou em mais de 325% nas pesquisas do Google em relação a 2018. Isso faz dele o método de aquisição on-line de maior crescimento.  

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Essa tendência deve continuar no futuro, já que cerca de 2/3 dos departamentos de marketing estão procurando aumentar seu orçamento para o marketing de influenciadores nos próximos anos. Com isso, a previsão para este ano é que os profissionais de marketing invistam de US$ 25.000 a US$ 50.000 em campanhas de influenciadores. Nesse tipo de investimento o ganho médio das empresas é de US$ 7,65 para cada US$ 1 gasto. 

A maior plataforma para marketing de influenciadores pode ser encontrada no Instagram. No ano passado, foram mais de 12,9 milhões de posts de influenciadores patrocinados. E esse número deve dobrar neste ano, criando um mercado estimado em cerca de US $ 1,7 bilhão.

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Compreensivelmente, as marcas estão se alinhando para serem associadas a personagens populares de mídia social. Na verdade, essa alta demanda criou toda uma indústria própria, com agências intermediárias surgindo a todo instante para servir de intermediários entre empresas e seus influenciadores desejados.

É um mercado, realmente grandioso! Mas quem são essas pessoas que estão revolucionando a forma das empresas se comunicarem com os consumidores?

2 – OS INFLUENCIADORES DIGITAIS

Este é atualmente um tema quente em marketing digital, gerando muita discussão, e até controvérsia. Na última década, vimos a mídia social crescer rapidamente em importância. Atualmente, mais de 3.028 bilhões de pessoas fazem uso dela – ou seja, 40% da população mundial. Inevitavelmente, surgiram os #InfluenciadoresDigitais buscando guiar esses usuários em suas decisões de compra.

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Enquanto não for credenciado ou institucionalizado essa atividade, o rótulo relativamente novo do influenciador digital não tem uma definição precisa e pode ser medido de várias maneiras. Alguns acreditam que isso tem a ver com o número de seguidores que se tem nas redes sociais; outros sugerem que isso se aplica apenas àqueles que fazem parceria com marcas para comercializar ou anunciar para seus seguidores, não importa quantos tenham; enquanto outros acreditam que se aplica àqueles que se comprometeram a construir, promover e comercializar suas presenças on-line em tempo integral.

Podemos conceituar “influenciadores digitais” ou “influenciadores de mídia social” ou “digital influencers”, como pessoas que têm um grande público de seguidores em suas contas de mídia social, e usam isso para criar tendências e influenciar ou persuadir esses seguidores para comprarem determinados produtos ou serviços. Hipoteticamente, esses influenciadores construiram autoridade em um nicho específico, estabelecendo credibilidade, de modo que seus seguidores consideram suas opiniões como autênticas e confiáveis.

3- TIPOS DE INFLUENCIADORES DIGITAIS

Os influenciadores digitais se apresentam de muitas formas diferentes e falam para diferentes públicos: de blogueiros e maquiadores a escritores de viagens, atletas profissionais, especialistas do setor, cantores, chefs, conhecedores, empresários, modelos, fotógrafos e praticamente qualquer outra pessoa que tenha a atenção de um ou mais grupos de público-alvo, por meio das mídias sociais.

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A maioria desses influenciadores se encaixam nas seguintes categorias:

  • Artistas;
  • Especialistas,
  • Blogueiros e criadores de conteúdo;
  • Microinfluenciadores;

Hoje, a maior parte do marketing de influência social ocorre nas mídias sociais, predominantemente com microinfluenciadores e blogueiros.

Os especialistas, como por exemplo, os jornalistas, também podem ser considerados influenciadores e ocupam uma posição importante para as marcas. Estes foram os influenciadores originais, entretanto sua importância vem diminuindo com a valorização no mercado dos microinfluenciadores.

Enquanto os especialistas continuam sendo a fonte de informações mais confiável sobre empresas, produtos e serviços, a atenção dos internautas em #blogueiros e microinfluenciadores vêm aumentando significativamente. Assim, são os blogueiros e #microinfluenciadores em mídias sociais que passaram a ter uma relação mais próxima e ativa com seus fãs, atraindo os vultosos investimentos neste setor.

3.1 – ARTISTAS

O #marketing de influência cresceu a partir do endosso de artistas em ascensão na mídia televisiva. As empresas descobriram por muitos anos que suas vendas geralmente aumentavam quando um artista promovia ou endossava seu produto. Ainda há muitos casos de empresas, particularmente marcas de alto nível, que usam artistas como influenciadores.

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O problema para a maioria das marcas é que existem poucos artistas tradicionais dispostos a participar desse tipo de campanha de influenciadores, além de não ser barato o custo de suas contratações. Quando o artista gosta e usa um produto, a situação é mais cômoda, pois neste caso  ele já se encontra preparado para usar sua influência para dizer ao público o quão bom ele acredita que o produto seja. É o caso, por exemplo, de um produtor de instrumentos musicais que tem seus instrumentos tocados, por opção, por músicos famosos.

3.2 – ESPECIALISTAS

Especialistas ganham respeito por causa de suas qualificações, posição ou experiência sobre seu tópico de especialização.

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Muitas vezes, esse respeito é ganho mais por causa da reputação de onde eles trabalham. Por exemplo, um jornalista provavelmente não é especialista em todos os assuntos sobre os quais escreve uma reportagem, mas pelo fato de trabalhar em um grande jornal, faz dele um escritor de prestígio, competente e preparado para tratar sobre qualquer assunto. Isso torna o conteúdo de suas publicações mais fácil de ser absorvido pelo público. Assim, se um jornalista fala positivamente de uma empresa em um artigo, então ele está agindo como um influenciador, da mesma maneira que faria um blogueiro.

3.3 – BLOGUEIROS E CRIADORES DE CONTEÚDO

Os blogs estão conectados ao marketing de influência há algum tempo. Um blogueiro pode ser um influenciador se tiver um blog influente. No mundo dos blogs, a influência é frequentemente medida por quantidade de visitantes mensais e métricas de engajamento, como compartilhamentos, comentários, cliques, etc.

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Existem muitos blogs altamente influentes na internet que construíram seguidores importantes em setores específicos, como de desenvolvimento pessoal, finanças, saúde, criação de filhos, música e muitos outros tópicos. Assim, se um blogueiro popular menciona positivamente um produto em uma postagem, isso pode levar leitores a desejarem experimentar esse respectivo produto.

3.4 – MICROINFLUENCIADORES

Os microinfluenciadores são “pessoas comuns” que tratam de assuntos relacionados a algum nicho específico. Como tal, eles geralmente ganharam uma considerável mídia social entre os devotos desse nicho. Claro, não é apenas o número de seguidores que indica o nível de influência de um microinfluenciador, e sim o seu relacionamento e interação com esses fãs.

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Microinfluenciadores estão se tornando cada vez mais famosos. Alguns passaram da obscuridade virtual para quase tão conhecidos quanto as celebridades tradicionais. Este é o resultado do comportamento dessa geração, que passa mais tempo na #internet do que assistindo televisão ou indo a esportes ou filmes.

Em toda a realidade, os microinfluenciadores são os influenciadores do futuro. A internet levou à fragmentação da #mídia em muitos pequenos tópicos de nicho. Mesmo se você estiver em algo relativamente obscuro, é provável que você encontre um grupo do Facebook ou um fórum do Pinterest dedicado a ele. E são nesses grupos e conselhos de nicho que os microinfluenciadores se estabelecem como genuínos influenciadores.

Propositadamente, as marcas estão buscando os influenciadores para criarem conteúdo, que sutilmente impulsionem #produtos ou serviços. Essa parceria entre a marca e o #influenciador é mutuamente benéfica: a #empresa atinge com sucesso o seu público-alvo, enquanto o influenciador é pago e continua a crescer.

4 – POR QUE OS INFLUENCIADORES DIGITAIS SE TORNARAM TÃO INFLUENTES?

Até agora, foi estabelecido quem são os influenciadores digitais e como eles estão em ascensão no campo do #marketing online. Mas você ainda pode questionar o porquê eles se tornaram tão atraentes para os profissionais de marketing on-line. O que faz a opinião deles ser tão poderosa?

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Para explicar sua eficácia, podemos encontrar todas as respostas no campo da psicologia. E é muito simples! Estudos demonstraram que a credibilidade de um influenciador  digital depende dos fatores de confiabilidade, especialização, atratividade e similaridade. Considerando os dois primeiros (confiabilidade e especialização), podemos notar que o grau de influência que eles possuem estão associados ao grau de poder percebido. Por exemplo, um blogueiro que se concentra em um assunto específico, digamos a culinária, será percebido, como tendo mais autoridade quando se trata de uma determinada marca de comida (em oposição a um blogueiro de tecnologia ou esporte).

Essa posição autoritária é reforçada pela atratividade: um grande número de seguidores, compartilhamentos e curtidas, fornecendo aos espectadores uma forma de prova social, de que os #consumidores valorizam a opinião de um influenciador, e aderem aos seus julgamentos. Logo, se a maioria está agindo nesse sentido (similaridade nas reações), é a prova de que eles devem estar certos.

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O fator atratividade, que configura a capacidade de atrair pessoas, é uma estratégia que os profissionais de marketing já usam há muito tempo. Não é difícil encontrar vários exemplos de anúncios, com belos atores e belas atrizes, recomendando um determinado produto de luxo.

Como os seres humanos são suscetíveis ao viés da atratividade, subconscientemente se atribui pessoas atraentes ou carismáticas a muitas outras qualidades, simplesmente porque são bonitas. Além disso, induz a associações positivas entre a pessoa e a marca. A opinião dessas pessoas acabam influenciando o subconsciente do espectador, preparando-o quando confrontado com uma decisão relacionada ao produto.

Mas o que realmente diferencia os influenciadores de mídia social de outros tipos de endossantes, é sua identificação. Apesar de ter uma grande popularidade e seguir a internet, os influenciadores ainda são vistos como pessoas normais e práticas. É o caso dos “microinfluenciadores”. Eles postam sobre sua vida cotidiana, ficam 24 horas conectados com seus seguidores e são capazes de interagir diretamente com eles. Essa transparência é fundamental para se estabelecer confiança.

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Outro ponto que tornam os influenciadores digitais influentes, é o fato deles geralmente compartilharem a mesma faixa etária, dados demográficos, interesses e comportamentos de seu público-alvo. Isto está intimamente ligado à teoria da identidade social, a parte da psicologia que lida com a forma como as pessoas se vêem como pertencendo a um grupo de indivíduos semelhantes, e baseando parte de sua identidade pessoal em sua afiliação ao referido grupo. Naturalmente, as opiniões dos membros do mesmo grupo valem mais para as pessoas do que as de um grupo diferente.

É importante também considerar que a maioria dos influenciadores pertence à faixa etária mais jovem da geração do milênio, uma demografia que é notoriamente difícil de alcançar para os profissionais de marketing. Eles são um grupo que valoriza fortemente a formação de sua própria identidade, uma das partes mais importantes do crescimento. Para fazer isso, os adolescentes muitas vezes procuram modelos para moldar seu próprio comportamento. Logo, ter um modelo que seja compreensível e fácil de identificar, aumenta ainda mais a probabilidade dos adolescentes copiarem seu comportamento.

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5 – QUAL A DIMENSÃO DESSA INFLUÊNCIA SOBRE AS DECISÕES DE COMPRA DOS CONSUMIDORES?

Os consumidores sempre valorizaram opiniões, expressas diretamente a eles. Os profissionais de marketing podem gastar milhões de dólares em campanhas publicitárias bem elaboradas, mas o que realmente direciona a mente de um #consumidor é uma recomendação, boca a boca, de uma fonte confiável.

De fato, o boca a boca é o principal fator por trás de 20 a 50% de todas as decisões de compra. Sua influência é maior quando os #consumidores estão comprando um produto pela primeira vez ou quando os produtos são relativamente caros, fatores que tendem a fazer com que eles realizem mais pesquisas, busquem mais opiniões e deliberem mais do que fariam.

Com a revolução digital, o boca a boca não é mais um ato de comunicação íntima e individual. Hoje, as análises de produtos e #serviços por influenciadores digitais são postadas on-line e suas opiniões são disseminadas por meio das redes sociais. A dimensão dessa influência é verificável nos números abaixo, resultados de pesquisas feitas com consumidores:

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6 – CONCLUSÃO

Os influenciadores digitais são usuários avançados que podem “influenciar” consumidores a tomarem uma decisão de compra por meio de redes sociais. Independentemente de serem um blogueiro, um revisor de produtos, um especialista de um determinado nicho, esses influenciadores de mídia social se transformaram em máquinas de vendas. Grandes marcas estão dedicando uma parcela considerável de seus orçamentos de marketing aos influenciadores – pessoas com um forte relacionamento com um público que pode influenciar decisões, como hábitos de compra.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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CONSUMIDORES IGNORAM OS TERMOS DE USO E POLÍTICA DE PRIVACIDADE

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O ritmo acelerado em que a tecnologia está progredindo, significa que mais pessoas estão “transacionando” em um ambiente global. Os contratos online, aceito e concluído com o clique de um mouse, são comuns para os consumidores quando estão comprando acessórios de moda por meio de lojas de varejo on-line; assinando softwares específicos do setor; reservando voos de negócios ou férias em família; criando uma conta no Facebook, Instagram, Twitter ou Google. Apesar de todo esse avanço, uma coisa não mudou: o consumidor raramente lê um contrato muito extenso. Uma pesquisa feita pela Fairer Finance mostrou que as pequenas letras dos Termos de Uso e Política de Privacidade de algumas empresas chegam a formar mais de 30.000 palavras (o tamanho de um romance curto) e, sem surpresa, 73% das pessoas admitem não ler o seu conteúdo. Entre aqueles que o fazem, apenas 17% dizem que o entendem. É uma situação preocupante, já que deixar o consumidor de conhecer o conteúdo destes contratos, poderá lhe trazer problemas futuros.

1 – TESTANDO O COMPORTAMENTO DO USUÁRIO EM LABORATÓRIO

Num estudo de comportamento, 543 estudantes de graduação foram informados de que sua universidade tinha sido convidada a avaliar um novo site de rede social conhecido como NameDrop. Para acessar o site, os alunos foram solicitados a dar seu consentimento a termos específicos de uso e políticas de privacidade como parte do processo de inscrição.

As palavras na tela do #computador, em letras pequenas, eram tão inocentes e familiares quanto uma chave da casa. Ao clicarem em Termos de Uso e Política de Privacidade, os estudantes viram um imenso texto e logo abaixo, duas opções, “Eu aceito / Eu não aceito. Centenas desses estudantes, sem ler o seu conteúdo, imediatamente clicaram no botão “aceito” para se tornarem membros da NameDrop, uma nova rede social. Mas de acordo com o parágrafo 2.3.1 dos Termos de Uso, ao aceitar, eles concordaram em dar à NameDrop seus futuros filhos primogênitos.

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Apenas 1/4 dos 543 alunos, chegou a se incomodar em ver as letras tão miúdas. Mas “olhar” não é “ler”: Esses colaboradores (um pouco mais cuidadosos, mas não o suficiente para entender o texto em toda a sua dimensão) gastaram cerca de 2 (dois) minutos lendo as milhares de palavras que integravam os Termos de Uso e Política de Privacidade da NameDrop, quando o tempo exigido para ler todo o seu conteúdo, deveria ser de 29 a 32 minutos. No final, todos os alunos aceitaram os termos destes contratos.

Felizmente, o NameDrop não existe. Os alunos foram submetidos a um experimento conduzido por dois professores de comunicação, Jonathan Obar, da York University, em Toronto, e Anne Oeldorf-Hirsch, da University of Connecticut. Eles estavam confirmando, em laboratório, o que outros estudiosos descobriram ao vasculhar meticulosamente dados sobre o comportamento real do usuário de #internet – ninguém lê contratos on-line, acordos de licença, termos de uso e política de privacidade. As pessoas dizem que “sim”, com seus milhões de cliques obedientes, mas sem saber o que realmente estão aceitando, isto é, como Obar e Oeldorf-Hirsch escreveram  em seu artigo sobre o experimento, “a maior mentira da internet”.

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Ao final do estudo, alguns dos participantes apresentaram suas razões porque deixaram de ler os Termos de Uso e Política de Privacidade: “É um incômodo lidar com uma enorme quantidade de páginas entediantes sobre privacidade e segurança, quando o #site em que você está se cadastrando, está lá para fazer algo muito mais interessante”, escreveu um aluno. “Parece uma norma cultural não lê-los e tenho preguiça de lê-los detalhadamente”, disse outro estudante.

2 – O PARADOXO DA PRIVACIDADE

As descobertas desse experimento são interessantes e muito convincentes, considerando que a maioria das pessoas diz que valoriza a sua privacidade e quer protegê-la, mas quando acessam a #internet, a cautela acaba ficando no esquecimento, como revelou o estudo. É o chamado “paradoxo da privacidade”, que nada mais é que a ideia de que dizemos uma coisa e fazemos outra quando se trata de privacidade.

É o que ocorre no dia a dia, com a maioria dos consumidores. Afirmam que a privacidade é importante e que estão interessados ​​em proteger suas informações, mas seu comportamento não corrobora essas intenções, quando ignoram a leitura dos #TermosDeUso e Política de Privacidade, e sem ler, aceitam facilmente as regras das empresas, correndo o risco de no futuro serem vítimas de todo tipo de ilegalidade.

3 – O CONSUMIDOR EM POSIÇÃO DE DESVANTAGEM

“Há uma preocupação real de que a lei de proteção ao #consumidor esteja basicamente sendo engolida por cláusulas de concordância”, disse David Hoffman, professor da Faculdade de Direito da Universidade da Pensilvânia, que pesquisa a lei e a psicologia dos contratos online. Tem razão! O usuário online que clica em “aceito”, sem ler o conteúdo do contrato, pode estar dando direito à #empresa de analisar, manter e vender seus dados pessoais; e até mesmo concordando em não exercer seu direito de reclamar na Justiça, caso algo dê errado.

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Além dessa abordagem, há outros fatores a considerar: Temos que reconhecer que os  contratos online produzem uma carga de informação excessiva sobre o consumidor, pois geralmente seus textos são longos com fontes muito pequenas, obrigando eles a uma leitura demorada.

A maioria deles, também são difíceis de se compreender. Até mesmo as pessoas que leem, lutam para compreendê-los, porque geralmente exigem habilidades de leitura no nível universitário. Os Termos de Uso e #PolíticaDePrivacidade frequentemente abrangem vários #serviços oferecidos por uma empresa, resultando em declarações vagas que dificultam a localização de informações concretas sobre como são usados os dados pessoais coletadas e com quem são compartilhados. Isso, se torna muito exaustivo para quem lê.

Levando em conta toda essa situação, é razoável perguntar: Por que um indivíduo que depende do Google, Facebook, Instagram, Amazon, Apple ou Twitter, gastaria tempo na leitura dos Termos de Uso e Política de Privacidade, se ele não pode mudar seu conteúdo, negociar e nem se recusar a aceitá-lo?

Errado pensar dessa forma, pois quando se trata de contrato de adesão, em que suas cláusulas são estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de #produtos ou serviços, o consumidor jamais pode ser compelido (obrigado) a aceitá-lo, sem que possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo. Esse tipo de imposição, em que há um desequilíbrio entre as partes contratantes, é totalmente repelido pela legislação que regula as relações contratuais de consumo.

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Veja o que diz o Código de Defesa do Consumidor (CDC):

“Art.51º “São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: (…)

IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa fé ou a equidade;.”.

Para o jurista Nelson Nery Junior, cláusulas abusivas “são aquelas notoriamente desfavoráveis à parte mais fraca na relação contratual de consumo. São sinônimas de cláusulas abusivas, as expressões cláusulas opressivas, onerosas, vexatórias ou, ainda, excessivas…”.

Neste mesmo sentido, é o posicionamento do jurista Hélio Zagheto Gama: “As cláusulas abusivas são aquelas que, inseridas num contrato, possam contaminar o necessário equilíbrio ou possam, se utilizadas, causar uma lesão contratual à parte a quem desfavoreçam”.

Assim, nesse formato de negociação, em que o consumidor é colocado numa posição de desvantagem, acarretando desequilíbrio contratual, não resta a ele outra saída, senão,  entregar o trabalho da leitura do Contrato de Adesão (redigido somente pelo fornecedor, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu conteúdo) a um especialista (advogado), da mesma forma que milhões de pessoas entregam a preparação da Declaração do Imposto de Renda (DIR) a um contador. Essa medida vai garantir ao consumidor tomar ciência prévia do conteúdo dos Termos de Uso e Política de Privacidade, além de poder exigir na Justiça a anulação das cláusulas consideradas abusivas. 

4 – JUSTIFICATIVAS PARA NÃO LER

Uma pesquisa da Deloitte Touche Tohmatsu Limited com #consumidores, descobriu que 91% das pessoas concordam com os Termos de Uso e Política de Privacidade, sem ler o seu conteúdo. Para pessoas mais jovens, com idades entre 18 e 34 anos, a taxa é ainda maior, com 97% concordando com as condições, antes de ler. Para essas pessoas, a justificativa para deixar de ler é que o texto é longo e a linguagem é muito complexa e prolixa.

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É verdade que os Termos de Uso e Política de Privacidade costumam ser longos demais para serem lidos, mas é importante o consumidor entender que eles não podem negligenciar a sua leitura, pois ali estão informações significativas, definindo os direitos e obrigações das partes, que terão eficácia durante todo o período de validade do contrato.

5 – FORMATO PADRÃO DE CONTEÚDO

O consumidor vem clamando por informações significativas com linguagem simples, que lhes direcionem em suas decisões. Logo, é necessário que o governo brasileiro apresente uma solução urgente, que defina um formato padrão de conteúdo para serem aplicados nos Termos de uso e Política de Privacidade. Não adianta mais permitir que as empresas continuem, livremente, fazendo uso de um formato de contrato online que permanece impenetrável para um leitor comum. Essa é a solução para transformar esses documentos em algo útil  e agradável para as pessoas lerem.

Um exemplo a ser seguido, é o Regulamento Geral de Proteção de Dados da Europa, chamado de General Data Protection Regulation (GDPR), que entrou em vigor em maio de 2018 e é aplicável a todas as empresas (independente do seu país de origem) que operam no espaço econômico europeu, impondo requisitos rigorosos ao conteúdo da Política de Privacidade.

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Agora, o conteúdo deste documento online para ter validade, precisa estar em “forma concisa, transparente, inteligível e de fácil acesso, usando linguagem clara e simples”.

Com a implantação da GDPR, o governo europeu também passou a regular a maneira como as empresas coletam, armazenam e exportam dados pessoais dos seus clientes. Tais mudanças atingiram até mesmo as maiores empresas americanas de tecnologia sediadas na Europa, como o #facebook e o #google – mesmo que os EUA não façam o mesmo.

“Isso é um avanço incrível e está mudando o equilíbrio de poder das grandes empresas, para se concentrar nas necessidades dos indivíduos e da sociedade democrática”, disse Jeffrey Chester, fundador do Center for Digital Democracy. 

“Os consumidores foram abusados durante anos. Essas empresas conseguiram fazer com que as pessoas se sentissem impotentes. A GDPR oferece aos #consumidores a chance de renegociarem os termos de contrato, considerados muito injusto.”, disse David Carroll, professor associado da Parsons School of Design, em Nova York.

“É um regulamento que exige das #empresas a proteção dos dados pessoais e a privacidade dos residentes nos países da União Europeia. Isso é muito positivo”, acrescentou David Carroll.

6 – CONCLUSÃO

Como foi provado empiricamente o que muitos suspeitavam há tempo, a maioria dos consumidores, simplesmente, não se interessa em ler os extensos textos dos Termos de Uso e Política de privacidade que encontram na Internet. Na verdade, eles veem este tipo de contrato #online como um passo necessário, mas inconveniente, que atrasa sua busca pelo download de coisas que mais lhe interessam, como o mais recente aplicativo para dispositivos móveis, videogame ou site de namoro, por exemplo.

Em um momento em que há uma crescente preocupação com o compartilhamento indevido de informações de clientes em todos os setores, é especialmente importante que as pessoas permaneçam vigilantes ao concordar com esses contratos online. Por outro lado, muito precisa ser feito para melhorar o processo de consentimento das pessoas, quando se cadastram em sites, como tem acontecido na Europa com a implantação do Regulamento Geral de Proteção de Dados,  que exige que o conteúdo da Política de Privacidade para ter validade, precisa estar em “forma concisa, transparente, inteligível e de fácil acesso, usando linguagem clara e simples”. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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