TENDÊNCIA VEGANA NO COMPORTAMENTO DE COMPRA DOS CONSUMIDORES

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O veganismo é uma tendência crescente nos últimos 50 anos. A demanda por alimentos veganos está sendo impulsionada por uma base de consumidores muito mais ampla, seja por razões de saúde, meio ambiente , ou simplesmente o desejo de comer menos carne. O aumento do interesse em um estilo de vida livre de carne e sem crueldade se tornou mais forte ao longo dos anos, principalmente na indústria de alimentos. De acordo com a The Vegan Society, a demanda por alimentos à base de plantas teve um aumento substancial de 987% em 2017, com o veganismo previsto como a tendência alimentar mais significativa em 2019.  E, de fato, a revista Forbes e The Economist nomeou 2019 como “O ano do Vegano”. 

A tendência vegana não parou no setor de alimentos. Ela acabou sendo introduzida no setor não-alimentar (roupas, calçados, cosméticos e utensílios domésticos). Entre as categorias não alimentares, os cosméticos são considerados os próximos holofotes no mercado vegano, com uma movimentação estimada de US$ 20,8 bilhões até 2025. 

  1. O MERCADO

Donald Watson cunhou o termo “vegan” em 1944. Desde então, o interesse pelo veganismo experimentou um crescimento contínuo.

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O veganismo tornou-se mais popular na década de 2010, como demonstrado pelo aumento contínuo no número de produtos rotulados como veganos entre 2015 e 2020. A parcela de lançamentos de produtos com o termo “vegano” também continuou a aumentar exponencialmente.

Nos EUA, aqueles consumidores que se identificam como veganos aumentaram 600% entre 2014 e 2017. Uma tendência que repercutiu em todo o mundo. Em 2019 um quarto da geração Y (também chamada geração do milênio, geração da internet, ou milênicos, que se refere aos nascidos após o início da década de 1980 e até 1995) passou a se identificar como vegano.

Esses ecos são sentidos muito além da categoria de alimentos, pois os consumidores buscam adotar um estilo de vida vegano, que é uma tendência apoiada pela ascensão do consumismo ético e baseado em plantas e alimentada por uma vasta gama de comunidades online. Isso não é mais uma tendência de nicho e certamente não mostra sinais de desaceleração. A propensão desse mercado é de crescimento.

Apenas a título de informação faremos referência a algumas marcas mundiais que estão se destacando nesse setor, adotando esse ponto de vista holístico, fornecendo produtos que são ótimos para os consumidores e que os fazem sentir-se bem com as compras. Tais marcas mantêm-se firmes contra a exploração de animais. É o caso da Milk Milk de Nova York que em 2018 mudou suas fórmulas para 100% veganas, removendo todos os ingredientes de origem animal de sua linha de produtos e defendendo a posição de que bons ingredientes proporcionam uma recompensa épica para a pele e que a beleza limpa é legal. O design da embalagem dos seus produtos é brilhante, arrojado e minimalista, exatamente de acordo com a proposta da marca.

Nessa mesma visão, a linha de produtos para cuidados com a pele de superalimentos da Elemis é um ótimo exemplo de uma marca que alavanca a tendência baseada em plantas, combinando produtos botânicos selecionados com ingredientes veganos, fazendo uma proposta poderosa.

Outro gigante que está adotando essa categoria de destaque é a marca parisiense Clarins, que lançou recentemente a submarca My Clarins. Direcionada a um consumidor mais jovem, a marca é outra oferta “amiga do vegano”, embora em todo o crédito à marca eles se recusem a vender seus produtos em mercados que ainda permitem testes em animais, como a China.

A L’Oréal Professional abalou o setor de cuidados com os cabelos naturais com o lançamento de sua marca 100% vegana de tintura capilar Botanea, usando apenas três ingredientes naturais: Índigo, Cássia e Henna. A Botanea vem em pó para ser misturada com água. Um processo que permite a criação de diferentes níveis de concentrado para obter uma ampla gama de tons de cores. A remoção de água da cadeia de suprimentos também tem um efeito extremamente positivo nas emissões de dióxido de carbono. A própria embalagem também é feita com 50% de plástico PET reciclado.

A marca vegana da Unilever, Love Beauty and Planet, é digna de nota devido à sua abordagem holística, que abrange cuidados com o corpo e o planeta em todo o ciclo de vida do produto. A embalagem física é feita de plástico 100% reciclado, todos os ingredientes são veganos, nunca testados em animais e adquiridos com responsabilidades éticas.

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A Paris oferece uma impressionante seleção de 54 esmaltes veganos de cores diferentes sob a linha “Verde”. Todos feitos com 84% de ingredientes naturais. A mensagem da marca é autêntica e transparente. 

Carter e Jane é uma marca vegana de produto único, o Everything Oil, criado para substituir todos os outros produtos na rotina de cuidados com a pele dos consumidores, podendo ser usado nas partes mais sensíveis, como nos olhos, rosto, lábios e pescoço. A sua fórmula contém óleo de semente de pera espinhosa orgânica e de origem sustentável, combinada com óleo de abacate orgânico, óleo de amêndoa doce e aloe vera.

A Modern Mineral Makeup usa recipientes de metal e vidro que são facilmente reciclados para reduzir a pegada de carbono de suas embalagens, enquanto o Urban Decay adota uma forte postura anti-teste de animais e não testa em animais nem permite que outros testem em seu nome. Eles também exigem que seus fornecedores de ingredientes certifiquem que as matérias-primas usadas não são testadas em animais.

A start-up americana de depilação em casa Wakse é livre de crueldade e 100% vegana. As mensagens são claras – maquiagem é para humanos, não para animais. A marca também só funciona para os fabricantes quando eles estão 100% confiantes de que não afiliam ou não adquirem ingredientes de lugares que não são livres de crueldade.

A marca britânica Clockface Beauty é uma marca de produtos para a pele vegana natural, que oferece uma seleção diversificada de produtos para homens e mulheres. Enquanto os produtos tradicionais para a pele são compostos por cerca de 80% de água, a linha Clockface Beauty é livre de água. Essa marca está comprometida em incluir apenas ingredientes que promovam ativamente uma ótima pele. A marca também apóia o movimento holístico mais amplo de “cuidar de você, cuidar do planeta”, com 100% de suas embalagens podendo ser recicladas.

    2. O QUE ESTÁ IMPULSIONANDO A DEMANDA?

A geração y ou millennials é responsável por dois terços do poder de compra global, e as percepções e crenças dessa geração estão direcionando grande parte de suas decisões quando se trata de escolher quais produtos comprar. Suas escolhas refletem suas preocupações com a crueldade animal, as emissões de carbono e a pressão sobre os recursos naturais que estão esgotando o planeta. Em suma, o consumismo ético está impulsionando a demanda por produtos veganos.

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E não são mais apenas os millennials. A maioria dos outros consumidores está cada vez mais levando em consideração os direitos dos animais e a segurança dos ingredientes antes de fazer uma compra. A crueldade animal geralmente é motivo suficiente para não comprar um determinado produto e os substitutos artificiais são considerados prejudiciais ou até tóxicos aos olhos da maioria dos clientes. O consumidor de hoje está rejeitando produtos químicos e toxinas irreconhecíveis e, em vez disso, está optando por produtos de base natural.

Agora, os consumidores têm muito mais conhecimento dos efeitos nocivos de alguns ingredientes comumente usados em produtos cosméticos e estão evitando ativamente esses produtos, em vez de simplesmente comprar com base no que parece ser bom. Eles estão baseando suas decisões no que é melhor para sua própria saúde geral e para seu ambiente. Com tantas informações e recursos disponíveis ao toque de um aplicativo, também é fácil para os consumidores pesquisar produtos e conhecer as circunstância em que foram feitos e do que são feitos antes de fazer uma compra.

Desde então, e especialmente nos últimos anos, essa tendência fez surgir muitas novas marcas que oferecem produtos veganos e naturais, enquanto as marcas há mais tempo no mercado também estão introduzindo novas linhas em paralelo com as gamas existentes.

    3. RAZÕES PARA ADERIR AO VEGANISMO

Um número crescente de empresas está expandindo seu apelo ao consumidor, afastando-se dos ingredientes de origem animal sempre que possível. A crescente demanda e tendência por proteínas vegetarianas indica para onde o mercado está se movendo no momento. Então, quais as razões que impulsionaram os consumidores a aderir ao movimento  vegano nos últimos anos? 

  • Desejo de transparência. As pessoas estão perguntando: “De onde vem minha comida?”;
  • Maior conscientização sobre os benefícios à saúde devido à disponibilidade de informações na internet, na mídia e em celebridades influenciadoras;
  • Foco mais forte no sabor e na qualidade dos produtos à base de plantas, juntamente com uma ampla gama de opções disponíveis atualmente (em lojas e restaurantes). Essa mudança está afastando as percepções do estereótipo “hippie” e levando essas dietas para o mainstream;
  • Os consumidores buscam mais criatividade, flexibilidade e variedade em suas dietas, misturando combinações tradicionais de refeições e experimentando novos sabores;
  • Desejo de contribuir com a proteção do meio ambiente.

    4. ALIMENTOS VEGANOS

O movimento baseado em plantas está claramente em ascensão. O principal motivo declarado pelas pessoas que ainda não aderiram a esse estilo de vida foi que os restaurantes não estavam servindo para elas. Mas parece que isso pode estar mudando, pois muitos fabricantes, varejistas e restaurantes em todo o mundo já estão desenvolvendo opções para atender à crescente demanda dos consumidores.

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Um exemplo que nos dá uma noção clara de crescimento é a Austrália, que continua como o terceiro mercado vegano de crescimento mais rápido do mundo. À medida que a demanda aumenta rapidamente, o mercado de alimentos veganos embalados da Austrália deve chegar, neste ano de 2020, a US$ 215 milhões.

No ano passado, o número de australianos veganos aumentou de 1,7 milhão para 2,1 milhões em apenas quatro anos. O Google Trends também afirmou que a Austrália, já em 2016, liderava as pesquisas mundiais do Google com a palavra “vegano”. A editora de alimentos da Australian Financial Review, Jill Dupleix (diretora do Top Restaurants Awards da Austrália) foi citada recentemente como tendo dito: “É algo que os chefs de restaurantes ficam bastante animados, porque oferece a eles uma arena totalmente nova para a criatividade, surgindo um mercado mais jovem que adora sair para um lugar casual para tomar uma bebida e um lanche vegano. Daí o surgimento de hambúrgueres veganos nos quais a jaca substitui a carne de porco desfiada “.

Na Europa não faltam novidades no setor alimentício. No Reino Unido, Tesco e Sainsbury’s lançaram faixas veganas de marca própria após um salto na demanda por produtos refrigerados sem leite e sem carne em até 25%, enquanto o McDonalds lançou um hambúrguer vegano (feito de soja) para atender à crescente demanda, ao lado do grupo nórdico de alimentos, Orkla.

Para evitar limitar o apelo do produto vegano à ampla base de consumidores, as indústrias alimentícias estão se concentrando em destacar os principais benefícios do seu consumo, como por exemplo, informando que “possui proteínas”, em vez de simplesmente usar a etiqueta “produto vegano”. 

“As proteínas vegetais podem estar crescendo, mas se a alimentação sustentável se tornar popular e as empresas maximizarem as vendas, elas devem evitar rótulos veganos”, alerta Bruce Friedrich, diretor executivo do Good Food Institute. Nesse mesmo sentido é o pensamento de Amit Tewari, proprietário do Soul Burger (lanchonete gourmet baseada em vegetais de Sydney): “Temos o cuidado de não agrupar a comida à base de plantas com palavras de ordem orgânicas, saudáveis ou  cruas. Em vez disso, apresentamos a comida vegana como saciante; saborosa; satisfatória e gratificante”.

    5. COSMÉTICOS VEGANOS

Como vimos com a crescente demanda por alimentos à base de plantas, há uma mudança de comportamento no campo da beleza, com os cosméticos veganos se tornando cada vez mais populares entre os consumidores com consciência ética. Esse sinal aponta para uma tendência vegana que não mostra sinais de diminuir. Estamos vendo marcas experimentarem e inovarem para acompanhar a demanda do consumidor, enquanto novos players entram no mercado, aumentando a concorrência.

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“A indústria da beleza está melhorando ano a ano graças às novas tecnologias, pesquisa e inovação”, diz Diego Ortiz de Zevallos, diretor da marca global, The Body Shop, que no último ano vendeu mais de três milhões de produtos veganos, somente no Reino Unido.

Com a crescente concorrência nesse mercado, as marcas estão se esforçando mais do que nunca para alcançar os mesmos padrões de qualidade (que tinha nos produtos não vegano) em seu portfólio de produtos vegano. 

Muitas marcas veganas são, por sua própria natureza, livres de subproduto animal, como cera de abelha, leite, claras de ovos, mel, lanolina e colágeno ou crina de cavalo, que são alguns dos ingredientes mais comuns usados ​​em produtos cosméticos. Atentos nesse detalhe, cada vez mais os consumidores estão ficando conscientes com relação aos produtos que compram, e isso está afetando diretamente o comportamento de compras e o desenvolvimento dos produtos. Felizmente, essa conscientização tem despertado o interesse sobre os testes de cosméticos em animais, levando muitos consumidores a dar as costas aos varejistas antiéticos, que fazem uso desse procedimento. 

São crescentes as ações das empresas para minimizar o uso de subprodutos animais, como retirar todos os ovos da sua linha de produtos para cabelos. Também visam que suas linhas de maquiagem sejam 100% livres de produtos de origem animal.

Mas o compromisso com o veganismo vai além dos ingredientes dos produtos. Ele inclui a preocupação com o impacto que as embalagens dos produtos têm no bem-estar animal e no ambiente em que esses animais vivem. Infelizmente ainda não vemos uma quantidade enorme de marcas considerando isso quando se trata de se posicionar como uma marca responsável em termos de bem-estar animal.

Os produtos veganos estão disponíveis há muitos anos, confinados nas lojas especializadas. Agora, eles estão invadindo as ruas, fazendo com que as marcas antigas e novas se esforcem para comercializá-las mais abertamente. Dessa forma, as empresas estão ampliando seu portfólio vegano como parte de sua estratégia para renovar a experiência de beleza nas ruas e competir com o aumento dos pureplays online.

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“Com grandes desenvolvimentos ocorrendo na beleza vegana, é importante ouvir nossos clientes para oferecer a eles os produtos mais recentes e inovadores”, diz Joanna Rogers, diretora comercial e vice-presidente de beleza da Boots.

A maioria da gama de marcas de propriedade da Unilever já é produzida sem ingredientes derivados de animais. Mas estabeleceu o objetivo de tornar os 20% restantes de seus produtos veganos até este ano de 2020, algo que espera abrir caminho e estabelecer um padrão para outros nas categorias de beleza.

“Vegano é o termo de pesquisa número um em nosso site. Essa é uma indicação clara para nós de que há interesse nesse setor e que os consumidores estão chegando até nós. Indica que há um impulso crescente em procurar produtos de beleza de qualidade, mas também veganos. Queremos realmente capacitar essa nova geração de consumidores e mostrar que beleza e integridade podem ser sinônimos e podemos conscientizar nossa missão, apoiando inovadores na comunidade de direitos dos animais e também descobrindo novas formulações que ainda oferecem desempenho inabalável.”, diz Heather Duchowny, diretora de marketing da Hourglass.

Para dar vida a esse projeto, a Hourglass lançou sua campanha “Eye to Eye” utilizando fotos em close de humanos e cavalos, lado a lado, para mostrar a humanidade nos olhos do animal, a fim de incentivar os consumidores a “pensar duas vezes” em comprar algo feito com ingredientes derivados de animais.

“Essa campanha é uma abordagem que adotamos para ajudar nossos clientes a entender a autenticidade com a qual tratamos esse assunto e não apenas uma jogada de marketing. É essencial para todas as decisões que tomamos.” explica Duchowny.

Esse é o tipo de inovação disruptiva que manterá as grandes marcas de cosmético em alerta e sem dúvida inspirará muitos empreendedores na categoria de beleza vegana a pensar fora da caixa, afinal, se alguém pode descobrir como fazer um hambúrguer vegano parecer, provar e sangrar como seu equivalente animal, não há razão para que as marcas não possam fabricar produtos de beleza e cosméticos sem usar ingredientes derivados de animais.

    6. DESAFIOS E OPORTUNIDADES 

Os consumidores estão se tornando cada vez mais conscientes sobre o que estão colocando na pele e, como tal, o mercado vegano de cuidados com a pele cresceu nos últimos anos, com os consumidores exigindo mais clareza dos produtos que estão comprando. A crescente popularidade neste mercado trouxe seus próprios desafios para as marcas veganas, competindo em um mercado onde a terminologia pode ser confusa para os consumidores.

Apesar de constarem nos produtos veganos, termos como “amigável ao vegano” e “livre de crueldade”, os consumidores ainda se sentem inseguros, sem ter a certeza de que determinado produto adquirido, rotulado como “vegano”, se trata realmente de um produto livre de subproduto animal.

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Essa prática de rotular os produtos como vegano se tornou popular, mas isso nem sempre é garantia da veracidade da informação. A fim de sanar essa insegurança no mercado e oferecer mais clareza aos clientes, as grandes marcas globais estão se registrando na Vegan Society – isso garante a veracidade  das informações sobre como os produtos são testados, fabricados e o que contêm neles. Outra iniciativa das empresas tem sido listar os ingredientes nas embalagens com seus nomes comuns para que os consumidores saibam o que estão comprando, dando-lhes total transparência. 

    7. CONCLUSÃO

O veganismo agora se tornou popular. À medida que os consumidores ficam mais preocupados com a vida sustentável, tornam-se cada vez mais conscientes dos ingredientes e métodos de produção por trás de seus produtos favoritos. Hoje, eles estão bem informados e possuem à sua disposição uma grande variedade de produtos para escolher e muitas informações em mãos para ajudá-los a decidir o que comprar.

A indústria da beleza sentiu os efeitos desse movimento nos últimos anos e está profundamente ciente desse novo senso entre os consumidores, de responsabilidade pela saúde pessoal e questões ambientais mais amplas. Desde então, ela busca entender melhor o comportamento e as interações dos consumidores e monitorar tendências emergentes.

Na mente dos consumidores modernos, excelentes produtos cosméticos e um planeta saudável andam de mãos dadas. Essa tendência vegana que permeou a sociedade deixa evidente a todas as marcas de cosméticos que elas precisam usar a tomada de decisões éticas a cada passo, mas sem sacrificar a qualidade. Os consumidores esperam que os produtos sejam igualmente eficazes e atraentes, mas também sustentáveis. Sendo assim, a qualidade geral desses produtos não deve ser comprometida no processo de fabricação.

Essa expansão do mercado de cosméticos é uma tendência que não pode mais ser vista como nicho. Veganismo, direitos dos animais, sustentabilidade e preocupações éticas são questões que vieram para ficar. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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SUCO DE FRUTAS COM ARSÊNIO,CÁDMIO E CHUMBO

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Quão perigoso é para você ou seu filho beber esses sucos industrializados? E se o seu filho bebe todos os dias, durante vários anos? Para obter essas respostas, foram analisados os possíveis riscos à saúde, com base em vários fatores.

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1 – Suco de caixa e de garrafa é um risco à saúde

Já era de conhecimento público que o risco do suco de frutas industrializado, popularmente conhecido como “suco de caixa ou de garrafa”, se  resumia à grande quantidade de #açúcar e calorias, mas há outro risco à nossa #saúde, que é menos conhecido: a presença de arsênio, cádmio e chumbo, com níveis potencialmente perigosos (além do limite recomendado), de acordo com os novos testes realizados nos EUA.

Foram testados 45 sucos de #frutas industrializados – incluindo, de várias marcas vendidas no Brasil, como por exemplo o Great Value da Walmart e o Juicy Juice da Harvest Hill Beverage Company.

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Ao todo, foram testados 24 marcas: 365 Everyday Value (Whole Foods); Apple & Eve; Big Win (Rite Aid); Capri Sun; Clover Valley (Dollar General); Great Value (Walmart); Gerber; Good2Grow; Gold Emblem (CVS); Goya; Honest Kids; Juicy Juice; Looza; Market Pantry (Target); Minute Maid; Mott’s; Nature’s Own; Ocean Spray; Old Orchard; R.W. Knudsen; Simply Balanced (Target); Trader Joe’s; Tree Top; e Welch’s.

Em todos os #sucos submetidos ao teste, foram encontrados níveis elevados de elementos químicos, comumente conhecidos como metais pesados. Parte destes sucos são destinados a crianças.

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“Em muitos dos sucos testados, os níveis dos metais pesados ​​combinados, são mais preocupantes do que o nível de qualquer metal pesado específico. Cada um desses metais tem se mostrado prejudiciais ao desenvolvimento do cérebro e sistema nervoso da criança. Outra questão: a quantidade de metais pesados ​​em um determinado tipo de alimento pode ser baixa, mas como metais pesados ​​são encontrados em outros alimentos e no meio ambiente – a consequência é que se acumulem no corpo humano. Nos sucos analisados, os níveis de metais pesados ​​chegaram ao nível máximo, sem deixar pouco ou nenhum espaço para o acúmulo de outros #metaispesados, oriundos de outras fontes, como água potável, comida e ar”, diz o químico CR Akinleye.

“Beber apenas 118 ml. de suco industrializado por dia – ou meia xícara – já é suficiente para aumentar a preocupação. Nunca é tarde demais para mudar hábitos alimentares, mesmo que você ou seus #filhos já vinham bebendo esses sucos há muito tempo. O risco concreto vem da exposição crônica (consumo diário). Minimizar o consumo de sucos e outros alimentos que têm metais pesados, ​​pode reduzir a chance de resultados negativos no futuro”, disse James Dickerson, Ph.D., diretor científico e um dos encarregados da pesquisa.

Os teste realizados nos sucos de frutas, se concentraram nos elementos cádmio, chumbo, mercúrio e arsênico inorgânico (o tipo mais prejudicial à saúde), porque eles apresentam alguns dos maiores riscos, e pesquisas feitas anteriormente indicaram que, hoje em dia, eles são comuns em alimentos e bebidas.

Essa realidade faz lembrar os mais velhos dizendo que, “no passado, se comia e bebia de tudo, e não se via tantos problemas de saúde como hoje, quando os alimentos estão  infectados de produtos químicos”. Infelizmente, é a mais pura verdade!

Durante as últimas décadas, as empresas investiram pesado em publicidade para doutrinar os #consumidores a aceitarem alimentos #industrializados em suas mesas, sem qualquer resistência. Para isso, tiveram que conquistá-lo pelo visual da embalagem, e principalmente, pelo sabor artificial dos produtos. Quanto mais atraente a embalagem e mais saboroso o alimento (resultado da presença de ingredientes químicos na sua composição), melhor é a sua aceitação no mercado. É esta a conclusão de um estudo, cujo resumo foi publicado na revista Periódicos Eletrônicos em Psicologia:

RESUMO: Propagandas de alimentos anunciadas pela televisão, podem influenciar hábitos alimentares de crianças e adolescentes. O objetivo deste estudo foi avaliar escolhas alimentares de crianças e adolescentes expostos e não expostos a propagandas de alimentos, veiculadas pela televisão. Grupos controle e experimental foram pareados segundo sexo e idade. Participantes, assistiram a um desenho animado de 21 minutos, com dois intervalos comerciais que veicularam oito diferentes propagandas. O grupo controle assistiu a propagandas de brinquedos, e o grupo experimental, de alimentos. Imediatamente logo após, fotos dos alimentos anunciados foram apresentadas com imagens de um produto: similar, mais saudável e uma fruta. O método mostrou efeito significativo de categoria. O teste demonstrou que alimentos anunciados foram mais escolhidos do que os outros produtos. Além disso, o grupo controle escolheu mais produtos similares do que o experimental. Conclui-se que a exposição a propagandas de alimentos pode influenciar nas escolhas alimentares de crianças e adolescentes”.

De acordo com o Professor Robert Lustig da Universidade da Califórnia, “as indústrias​​ alimentícias conseguiram aumentar o consumo de alimentos não saudáveis ​​e também o seu fluxo de caixa, mas falharam drasticamente quando se trata do quesito saúde. Nos últimos 50 anos, elas apresentaram a hipótese da comida processada, como sendo melhor que a comida real ”.

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Os metais pesados podem prejudicar os adultos, mas as #crianças são particularmente as mais vulneráveis a eles. “A exposição da criança a estes metais, no início de sua vida, pode afetar toda a sua trajetória”, diz Jennifer Lowry, presidente do Conselho de Saúde Ambiental da Academia Americana de Pediatria; diretor de farmacologia clínica, toxicologia e inovações terapêuticas em Children’s Mercy, Cidade de Kansas.

Os efeitos nocivos dos metais pesados ​​são bem documentados, e plenamente comprovados. Dependendo de quanto tempo as crianças fiquem expostas a essas toxinas, elas poderão ter o seu QI reduzido; problemas comportamentais (como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade); #diabetes tipo 2; #câncer e outros problemas de saúde.

Mesmo que a quantidade de metais pesados nos #alimentos seja pequena, não podemos desconsiderar que quando as pessoas ficam, diariamente, expostas a essas pequenas quantidades através do consumo de alimentos, com o passar do tempo o risco à sua saúde se multiplicará.

Além dos sucos de frutas, testes anteriores já identificaram  níveis elevados de metais pesados ​​em alimentos para #bebês e crianças pequenas.

“No decorrer de uma vida, a pessoa média entrará em contato com esses metais muitas vezes, de muitas fontes. Estamos expostos a esses metais, com tanta frequência durante nossas vidas, que é vital limitar a exposição precoce a eles. Metais pesados ​​podem ser menos arriscados para adultos, mas a exposição contínua, ainda pode levar a problemas de saúde. Por muitos anos, mesmo quantidades modestas de metais pesados, ​​podem aumentar o risco de câncer de bexiga, pulmão e pele; problemas cognitivos e reprodutivos; e diabetes tipo 2, entre outros problemas de saúde. E o #arsênio, o #cádmio e o #chumbo representam o seu próprio conjunto de danos potenciais. O chumbo, por exemplo, está associado a pressão alta, doenças cardíacas e problemas de fertilidade. O arsênico está ligado à doença cardiovascular. E a exposição a longo prazo ao cádmio aumenta o risco de dano ósseo e doença renal, entre outras questões.”, diz Tunde Akinleye, químico de Segurança Alimentar que conduziu os testes aqui analisados. “

2 – RECOMENDAÇÕES

Diante dessa situação, para evitar problemas de saúde, no futuro, o mais correto é eliminar o consumo de suco industrializado, e passar a fazer uso do suco feito de #polpa, ou da própria fruta. Já, quem decidir manter o uso do suco de caixa (não é o recomendado!), deve reduzir a sua quantidade.

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“Preocupante, é que muitos pais ainda dão suco industrializado aos #filhos, diariamente”, diz Akinleye, pesquisadora da CR.

A Academia Americana de Pediatria vem orientando, há muito tempo, a eliminação ou redução do consumo de suco industrializado por crianças, principalmente porque contém muito açúcar, contribuindo para a cárie dentária e calorias, levando à obesidade, diz Steven A. Abrams, MD, diretor do Instituto de #pediatria da Dell e co-autor do guia de suco da AAP. Para ele, “Muitos consideram o #sucodecaixa como saudável, mas não é um bom substituto para a fruta fresca”, diz ele. Embora, o suco de caixa tenha alguns nutrientes, como a vitamina C, ele não tem fibra. Portanto, a dica é evitar o consumo do suco industrializado, substituindo-o pelo consumo de suco feito com frutas frescas, ou polpas de frutas. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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HIGENAMINE. ALERTA DE RISCO

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Produtos com higenamine contém doses, extremamente altas, de um estimulante com segurança desconhecida e potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos, alertaram os pesquisadores da organização mundial de saúde pública, NSF International; da Harvard Medical School; e do National Institute for Public Health and the Environment (RIVM).

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1 – O QUE DIZEM OS CIENTISTAS SOBRE A HIGENAMINE

Menos de dois anos depois, que a Agência Mundial Antidoping (WADA) adicionou a higenamine à sua lista de substâncias proibidas no esporte, uma equipe internacional de pesquisadores de saúde pública, divulgou o mais recente estudo sobre essa substância, que é muito utilizada como suplemento esportivo, energético, e para perda de peso.

De acordo com os pesquisadores, foram identificadas doses imprevisíveis, e imprecisamente rotuladas desse estimulante cardiovascular, potencialmente prejudicial. Com base neste resultado, os pesquisadores estão pedindo aos consumidores que tenham cautela ao consumir suplementos, contendo higenamine. A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Toxicology.

“Estamos incentivando os atletas amadores e competidores, assim como os consumidores em geral, a pensar duas vezes antes de consumir um produto que contenha higenamine“, disse John Travis, cientista da NSF International.

Segundo ele, “além do risco de doping para atletas, estes produtos contêm doses extremamente altas do estimulante, cuja segurança é completamente desconhecida e com potenciais riscos cardiovasculares quando consumidos. O que descobrimos com o estudo, é que muitas vezes não há como o consumidor saber quanto de #higenamine está inserido naquele produto que está usando. Aí está o perigo”.

Na pesquisa, foram analisados  24 produtos que contém higenamine na sua composição. Foram encontradas quantidades imprevisíveis e potencialmente prejudiciais do estimulante, variando de níveis de rastreamento a 62 mg por porção. Dos 24 produtos testados, apenas cinco listaram uma quantidade específica de higenamine no rótulo, e nenhuma dessas cinco quantidades foram precisas.

O uso da higenamine já foi proibido no esporte pela Agência Mundial Antidoping (WADA), por representar um risco para as carreiras de atletas competidores.

“Algumas plantas, como a efedrina, contêm estimulantes. Se você tomar muitos dos estimulantes encontrados na efedrina, pode ter consequências fatais. Da mesma forma, a higenamine, que também é um estimulante encontrado nas plantas. Quando se trata de higenamine, ainda não sabemos ao certo quais os reais efeitos que as altas dosagens terão no corpo humano, mas uma série de estudos preliminares sugerem que podem ter efeitos profundos no coração e outros órgãos.”, disse o Dr. Pieter Cohen, professor de Medicina na Harvard Medical School, e integrante da Cambridge Health Alliance.

Importante destacar, que nos EUA o uso de suplementos dietéticos e esportivos, levam 23.000 pessoas por ano ao setor de emergência dos hospitais. É um índice muito alto e preocupante, quando se verifica que essa situação foi causada por produtos comercializados e taxados como “produtos naturais, benéficos para a saúde”.

“A higenamine é um constituinte natural de vários remédios botânicos tradicionais, como a raiz de acônito e Aristolochia brasiliensis. Embora a higenamine seja considerada um ingrediente dietético legal quando presente como componente de plantas, nossa pesquisa identificou os níveis do estimulante e informações de dosagem e rotulagem altamente imprecisas. E, como substância proibida pela WADA, qualquer quantidade de higenamine em um #suplemento dietético deve ser motivo de preocupação para o atleta.”, disse Travis.

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A NSF International desenvolveu um único Padrão Nacional Americano para suplementos alimentares (NSF / ANSI 173), que se tornou a base do programa de certificação de suplementos dietéticos da NSF em 2001. Para obter a certificação da NSF, os produtos são testados quanto à formulação; reivindicações de rótulos e níveis prejudiciais de contaminantes específicos; e ingredientes potencialmente perigosos. Além disso, #suplementosdietéticos certificados pela NSF devem ser produzidos em uma instalação própria que é inspecionada duas vezes por ano para cumprir os requisitos das Boas Práticas de Fabricação (BPF) dos EUA.

O atendimento a essas exigências, é determinante para que os produtos utilizados na #perdadepeso, em #suplementosesportivos e #energéticos sejam comercializados no mercado norte americano; devendo importadores, distribuidores e lojistas, como também autoridades governamentais de todo o mundo, ficarem atentos às informações, publicadas em revistas e jornais científicos, sobre o resultado das análises destes produtos. Infelizmente isso não acontece, e muitas empresas estrangeiras acabam importando esses produtos, colocando em risco a saúde da população.

Alguns produtos com higenamine:

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2 – USO DO HIGENAMINE NO BRASIL

No Brasil, os produtos contendo higenamine são muito utilizados, como #suplemento natural, com a promessa de ajudar no aumento da energia, a ganhar massa muscular e a queimar gordura. A maioria deles, são importados dos EUA.

A procura por estes produtos tem aumentado no país, mas nenhuma informação (de importadores, distribuidores, lojistas, órgãos de saúde, etc) é transmitida à população sobre os potenciais riscos cardiovasculares; e nem sobre  a inclusão da higenamine na lista de substâncias proibidas pela Agência Mundial #Antidoping.

Essa omissão de informação é uma grave erro, já que o artigo 9º do nosso Código de Defesa do Consumidor (CDC) determina que os fornecedores de produtos, potencialmente nocivos ou perigosos à saúde, deverão informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis.

Infelizmente, o que se vê é muita propaganda anunciando dezenas de benefícios resultantes do seu uso:

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Se renomados pesquisadores identificaram riscos à saúde da população, o mínimo que poderíamos esperar das autoridades competentes, seria a proibição de sua comercialização, já que o Código de Defesa do Consumidor é claro, quando estabelece no art.10 que o fornecedor não poderá colocar no mercado de consumo, produto que sabe ou deveria saber, que apresenta alto grau de nocividade ou periculosidade à saúde.

Diante da ausência de medidas preventivas ou coercitivas para impedir a comercialização da higenamine no Brasil, caberá a cada um de nós, decidir ou não, pelo uso dos produtos.  (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. Nº 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

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