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A IMPORTÂNCIA DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

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Quantas empresas realmente entendem os insights do consumidor, quando se trata de desenvolver novos produtos e serviços, ou comercializar esses produtos para clientes em potencial? Isso não se refere apenas a entender os consumidores no sentido tradicional, de como um produto atrai um grupo demográfico específico. Significa, realmente, chegar ao âmago da questão, de entender por que os consumidores agem de determinada maneira; como eles compartilham informações uns com os outros e quais influências culturais estão atuando na formação de suas percepções e entendimentos. Os insights permitem que as marcas se conectem com seus consumidores em um nível emocional mais profundo.

1 – ENTENDER O CONSUMIDOR É CRUCIAL PARA QUALQUER NEGÓCIO

Os consumidores de hoje mudaram drasticamente na forma como optam por seguir as empresas e marcas que usam. Eles têm diferentes origens e fundações culturais; recebem e processam informações de novas maneiras e querem interagir em um nível mais pessoal.

Assim sendo, as empresas e os profissionais de marketing que não pesquisam insights dos consumidores ou que não entendem seu histórico antropológico, não poderão se conectar ou se envolver com clientes em potencial e nem motivá-los a se tornarem clientes.

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A abordagem antropológica do marketing é toda sobre a compreensão da cultura. Em vez de tentar mudar comportamentos, os profissionais de marketing podem aprender a usá-los e utilizá-los em seu benefício. Dessa forma, a construção de uma marca passa a ser baseada no estabelecimento de um relacionamento intelectual e emocional.

Planejadores de negócios, desenvolvedores de produtos e profissionais de marketing devem levar em consideração o contexto cultural. Todavia, observando que “Cultura” não é apenas linguagem, mas uma combinação de caracterizações históricas, tribais e mitológicas. Enfim, uma maior compreensão de insights culturais e fatores antropológicos aumentará a capacidade do profissional de marketing de motivar ações e efetuar mudanças comportamentais dos consumidores.

2 – O QUE SÃO INSIGHTS DO CONSUMIDOR?

Insights se referem ao comportamento dos consumidores, em uma dimensão mais aprofundada:  suas mentalidades, humores, motivações, desejos, aspirações subjacentes, que motivam e acionam suas atitudes e ações. O porquê eles se identificam com uma marca.

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Podemos então definir “insights” como “um entendimento não óbvio sobre os consumidores, que, se aplicado, tem o potencial de alterar o comportamento deles para benefício mútuo”. Esta definição aponta quatro elementos:

1º elemento – Os insights “não são óbvios”, ou seja, normalmente não vem apenas de uma fonte de informação; apenas da análise ou da pesquisa. Daí a necessidade de convergir várias evidências,  para coletar insights; 

É importante notar que há certos fatos ou até mesmo suposições sobre determinados mercados-alvo, que podem ser óbvios, mas jamais darão uma verdadeira compreensão do consumidor.

2º elemento – Os insights verdadeiros precisam ser “capazes de agir”. Aquelas hipóteses que permanecem teóricas e não podem ser testadas na prática não são insights; 

3º elemento – As percepções dos consumidores devem ser poderosas o suficiente para que quando elas sejam postas em prática, os consumidores possam ser persuadidos a “mudar seu comportamento”. Apenas se baseando na análise do comportamento passado do consumidor e considerando que eles são criaturas de hábitos, não revelará qualquer profundidade de compreensão deles, e consequentemente, não contribuirá para mudança de seus comportamentos.

4º elemento – Para ser sustentável, o objetivo de mudança dos comportamentos dos consumidores deve ser para “benefício mútuo”, logo, um entendimento não óbvio sobre os consumidores, sendo considerado, tem o potencial de mudar o comportamento deles para benefício mútuo.

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Estes quatro elementos, unidos, dão uma direção de avaliação às empresas para que prevejam o comportamento futuro dos clientes, com base em ações anteriores e ajuda elas a entenderem a probabilidade de um cliente se comportar de determinada maneira.

3 – POR QUE A AVALIAÇÃO DO COMPORTAMENTO DO CONSUMIDOR É IMPORTANTE?

Sem insights do consumidor, os fabricantes, produtores e marqueteiros mal conseguirão entender o que seus consumidores estão procurando em um produto. Isso geralmente leva a produtos mal direcionados que são projetados sem um público específico em mente.

No entanto, quando os insights dos consumidores são utilizados e gerenciados adequadamente, eles podem encontrar produtos que atendam perfeitamente às suas necessidades, gostos e desejos. Essas percepções podem ser usadas desde a concepção do produto, da sua formulação, indo até o design da embalagem.

Por exemplo, uma empresa que fabrica sobremesas pode descobrir, através do uso de insights, que um número de seus consumidores está preocupado com a adequação de um ingrediente em particular ou prefere que o produto tenha menos calorias. Se a empresa optar por agir de acordo com isso e divulgar a mudança em sua publicidade e embalagem, ela estará segmentando ativamente esses consumidores, oferecendo a eles um benefício mútuo.

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Uma maneira de usar os insights é prever como os consumidores se comportarão no futuro. Isso pode ser uma previsão de comportamentos durante um determinado período de tempo, como no decorrer de um mês ou no decorrer de um ano, ou pode até prever o comportamento deles ao longo da vida.

Por exemplo, na moderna indústria de alimentos, percebe-se que os consumidores estão tendo um interesse maior em conhecer e entender os produtos que compram. Esta necessidade de transparência indica que mais consumidores desejam ver rotulagem e certificações precisas, listadas na embalagem de alimentos. Isso significa, que os fabricantes que atenderem a esse interesse, com transparência e integridade, terão a vantagem de impulsionarem suas vendas.

Outra maneira, é segmentar a base de consumidores e pesquisar os atributos de um grupo específico. Empregando os insights do consumidor, as empresas descobrirão que tem uma melhor compreensão do seu mercado-alvo e que é capaz de criar uma situação vantajosa para ela e para seus clientes.

Todas essas estratégias trarão benefícios, tanto para as empresas como para os consumidores de um modo geral.

4 – AS FORÇAS POR TRÁS DA ASCENSÃO DOS INSIGHTS DO CONSUMIDOR

À medida que os negócios crescem e evoluem, os profissionais de marketing sabem muito bem que não podem mais tentar dar aos consumidores “a cor que quiserem, desde que sejam pretos”, como Henry Ford gostava tanto de dizer.

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Atualmente, as empresas entendem que precisam oferecer uma ampla variedade de produtos, serviços, cores e modelos para atrair uma base de clientes, que estão em constante mudança de comportamento. Mas por que alguns produtos saltam das prateleiras, enquanto outros definham na obscuridade? Cada empresa pode afirmar que fez uma pesquisa de mercado aprofundada, capaz de tornar seu produto mais desejável?

A composição do público comprador mudou drasticamente na última década. Agora, todos os consumidores competem pela atenção dos planejadores corporativos. Cada grupo de consumidores tem suas próprias necessidades e desejos específicos. Sem obter insights sobre esses grupos, as empresas nunca poderão desenvolver produtos que eles desejam ou promovê-los de maneira a ganhar sua atenção. 

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Mesmo dentro desses grupos, pode haver uma ampla diversidade de características, o que exigirá delas a buscarem entender o porquê de cada grupo ser diferente.

Nesta diversidade, inclui o complexo quebra-cabeça demográfico em que se encontra a nova economia global, onde os consumidores podem virtualmente vir de qualquer parte do mundo que tenha uma conexão com a Internet. Isso levará a uma compreensão mais maciça sobre os insights do consumidor, que moldam os padrões de compra em vários países.

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Por exemplo, enquanto os consumidores americanos podem valorizar certas características, os europeus podem ter diferentes necessidades e desejos.

Se formos restringir essa avaliação, constataremos que mesmo a Europa não pode ser vista como um mercado gigante, já que antropólogos serão necessários para estudar as diferenças, de país para país, e até mesmo dentro das várias regiões de cada país europeu.

Fica evidente, que as empresas precisam buscar entender como cada grupo de consumidores (seja ele, local, regional ou continental) se relaciona com os produtos e serviços usados, ​​antes que os planos de marketing possam ser implantados. O que estava acontecendo enquanto cada geração de consumidores crescia? O que moldou seus valores morais? Como os consumidores interagem uns com os outros e corporações?

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Com tantas mudanças, é bem provável que embora uma geração mais velha de consumidores possa ter sido mais aberta a aceitar a avaliação brusca de Ford, os consumidores mais jovens certamente não consentirão em tal arranjo.

Todas essas avaliações devem ser realizadas num “piscar de olhos virtuais”, porque o universo da mídia social se tornou o ponto de encontro dos implacáveis consumidores, que estão sempre em busca de respostas rápidas sobre produtos, serviços e empresas.

5 – CONCLUSÃO

Os insights buscam ler e interpretar tendências no comportamento dos consumidores, com o objetivo final de ajustar as operações, usando essas observações para aumentar as vendas. Eles ligam a pesquisa e o marketing para conectar os interesses e as características dos consumidores aos recursos ou benefícios que uma marca tem a oferecer. 

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O marketing centrado no consumidor é mais do que apenas um chavão. O mundo mudou drasticamente e continua a evoluir rapidamente. O que atrai os consumidores um dia, pode não funcionar no dia seguinte. Compreender as suas necessidades e desejos, se tornou uma das coisas mais importantes, antes mesmo de se criar produtos de consumo. Portanto, as empresas precisam despertar para esse fato e melhorar suas percepções sobre o comportamento do consumidor. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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O FUTURO DO CONSUMIDOR BANCÁRIO

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Até pouco tempo, os Bancos com o maior número de metros quadrados dominavam o mercado, reunindo uma enorme base de clientes em cada local físico. Olhando para o futuro, essa infraestrutura física não será o fator determinante para um novo consumidor bancário, considerando que hoje a inovação tecnológica é de fundamental importância para o setor bancário e o ritmo da mudança está destinado a aumentar. Com isso, os profissionais de marketing financeiro precisam responder às expectativas dos consumidores e tornar a atividade bancária, parte do seu estilo de vida digital.

1 – O IMPACTO DO VAREJO NO SETOR BANCÁRIO

O consumidor bancário está aprendendo, cada vez mais, sobre os benefícios de um estilo de vida conectado à web, à medida que as grandes marcas, como Amazon, Facebook, Walmart, Apple e Google estão buscando maneiras de envolver as pessoas, além das interações comerciais tradicionais, com adoção de medidas que facilitem e tornem mais cômoda a vida delas no setor varejista, por meio de novas tecnologias, como dispositivos ativados por voz, compras com base em resultados de pesquisa e uso de aparelhos móveis em todos os estágios do processo de compra.

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Essa evolução, que se consolida no setor varejista, está impactando as demandas do consumidor bancário, que se sente cada vez mais frustrado com o “atrito” existente no processo de contratação de serviços. Isso inclui formulários longos, falta de transparência das informações, cláusulas contratuais confusas e a incapacidade de concluir procedimento inteiramente digital.

Dessa forma, a expectativa do #ConsumidorBancário têm sido por rapidez na prestação de serviços, engajamento personalizado, simplicidade dos procedimentos e a remoção do atrito no processo de contratação. Como exemplo de “rapidez e remoção de atrito”, citarei o fornecimento de recursos pelas instituições financeiras para abertura de contas de ponta a ponta, via internet, sem exigência de comparecimento a uma filial. E como exemplo de “engajamento personalizado e simplicidade de procedimentos”, citarei a contratação de #serviços financeiros por meio de canais de mídia social, que resultem em satisfação quase imediata.

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2 – OS BENEFÍCIOS DA TECNOLOGIA NO SETOR BANCÁRIO

O Big data (volume crescente de dados armazenados) pode ser aplicado no setor bancário para impulsionar a personalização dos serviços prestados aos clientes. Se grande parte da saúde financeira de um consumidor bancário gira em torno do seu histórico de crédito, à medida que os #bancos avançarem no sentido de utilizar seu imenso volume de dados, será possível avaliar melhor os riscos das operações financeiras, como também fornecer serviços mais personalizados aos clientes. Por exemplo, ao acessar informações das redes sociais, um Banco será capaz de prever comportamentos de clientes, identificar seus interesses e necessidades, permitindo  fornecer a eles incentivos específicos ou ofertas que lhes ajudem no processo orçamentário. Deste modo, o Big Data não apenas permite que os Bancos avaliem o risco, mas também forneça um serviço melhor ao cliente.

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Acredito que o futuro dos Bancos girará em torno dos serviços de personalização descritos acima, sendo disponibilizadas mais ofertas que melhor atendam seus clientes individuais e suas necessidades. Para os consumidores bancários da geração do milênio (que representa os nascidos entre o período da década de 80 até o começo dos anos 2000), isso pode significar “ofertas a la carte”, já que esses clientes estão mais abertos a experimentarem novas ferramentas e soluções.

Acompanhar as demandas do cliente por meio da tecnologia é de extrema importância. É o caso da população idosa – com 60 anos ou mais – cuja demanda por novas formas de interação pode aumentar à medida que esses consumidores bancários, grande parte deles já aposentados, reduzem suas idas às agências bancárias, muitas vezes até por limitações físicas decorrentes de problemas de saúde. Daí, então, os Bancos precisarão utilizar ferramentas como videoconferência, em vez de exigir que eles se desloquem a uma filial. Isso, também, significa ajudar os clientes envelhecidos a planejar a sucessão patrimonial.

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Os clientes esperam uma experiência de Banco multicanal, tendo como referência a  evolução tecnológica que acontece no setor varejista. Eles querem que a eles sejam disponibilizadas ferramentas, como aplicativos móveis que lhes permitam acessar, monitorar e movimentar seu dinheiro com o toque de um dedo; inclusive a avaliar o crédito e fazer transações bancárias por meio das mídias sociais.

3 – POR QUE OS BANCOS PRECISAM ACELERAR A TRANSIÇÃO DIGITAL?

A tecnologia em si é uma plataforma em rápida mudança, que é imprevisível e evolui a um ritmo inacreditável. Competição agressiva, inovação rápida e expectativas extremas do usuário, tornam o desenvolvimento de aplicativos em plataformas modernas, um trabalho extremamente difícil. A volatilidade sempre ameaça, que um aplicativo se torne obsoleto em pouco tempo, logo, as organizações não podem ter sucesso apenas seguindo as tendências. Elas precisam criar estratégias e recursos de aplicação muito antes das inovações técnicas serem introduzidas no mundo. E no setor bancário não é diferente!

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Todos esses desafios valem a pena, já que as possibilidades de negócios que a inovação tecnológica traz aos Bancos, são infinitas. Para os Bancos permanecerem relevantes, ganharem participação de mercado e apelo ao consumidor, eles precisam transformar-se completamente em uma entidade diferente, aproveitando os avanços modernos da computação, como nuvem; análise de dados; automação; inteligência artificial, etc., para construir soluções sustentáveis ​​centradas no cliente.

O modelo bancário tradicional está perdendo relevância e precisa de uma atualização rápida. Os Bancos não podem confiar mais nos negócios habituais para crescimento e lucratividade sustentáveis ​​a longo prazo, e necessitam se transformar radicalmente em organizações mais eficientes e centradas no cliente. Para conseguir isso, eles devem investir em inovação; alinhar o digital às estratégias de negócios e começar a explorar soluções de múltiplos provedores.

Aqui, reitero que um Banco não pode ser inovador, se sua tecnologia estiver ancorada no passado. As mudanças precisam ser aprimoradas, continuamente, para oferecer melhores serviços e experiências aos clientes. Embora, a lentidão em relação a mudanças, o alto custo em investimento tecnológico e a complexidade, tornem o processo inovador em Bancos tradicionais, uma tarefa onerosa – a modernidade é fundamental para reduzir os custos de manutenção de TI e alocar mais recursos para criar inovação real, ofertas digitais convincentes e melhorar a lucratividade. 

4 – CONCLUSÃO

O setor de serviços financeiros está passando por mudanças drásticas como consequência da mudança do comportamento do consumidor bancário, aumento das expectativas, proliferação de canais, interrupção, uso inovador e adoção de novas tecnologias e a digitalização dos negócios e da sociedade em geral. Reduções de custos, aumento de receita e redução de risco continuam sendo os principais fatores, inclusive no varejo.

Com muita frequência, os Bancos tradicionais retransmitem processos manuais de aplicação, baseados em papel. Isso não é mais aceitável, em um mundo onde as expectativas dos clientes estão sendo elevadas por outros setores, como tecnologia e comércio eletrônico de varejo. Nestes setores, os #consumidores são cada vez mais capazes de fazer compras, onde e quando quiserem, durante suas atividades cotidianas, com apenas um clique de um botão. À medida que os consumidores se acostumam com essas inovações tecnológicas no setor varejista, eles esperam dos Bancos uma disponibilidade comparável, como recursos digitais em tempo real, capazes de fornecer soluções financeiras personalizadas. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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COMO O GOOGLE ESTÁ CORROENDO A LIBERDADE DE ESCOLHA DOS CONSUMIDORES

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A pesquisa do Google, se tornou a porta de entrada para a Internet. Está em todos os dispositivos que os consumidores colocam em suas casas, bolsos ou escritórios. O domínio do Google no mercado de buscas é incomparável. É o serviço mais popular da Internet, sendo o ponto de entrada para muitas outras partes da web. Mas, afinal, se as pessoas gostam e usam os serviços do Google, onde estão os danos que ele causa aos consumidores? Simplesmente, o dano é evidente e resulta do seu comportamento anticompetitivo que afeta diretamente os consumidores, ao minar a liberdade deles de escolherem entre uma variedade maior de empresas e produtos. Ou seja, os consumidores são prejudicados porque não podem obter os resultados mais relevantes, mas sim aqueles que são de interesse do Google.

1 – O DOMÍNIO DAS EMPRESAS AMERICANAS 

Os EUA é a maior economia do mundo, tem a mais poderosa força militar do planeta, e possui as maiores empresas transnacionais, dominando os setores da #informação (Google), da #mídia (Facebook); do #varejo (Amazon, E-Bay);  e da #tecnologia (Apple, Microsoft).

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Essas empresas são as meninas dos olhos do governo norte-americano que se empenha, através de acordos comerciais internacionais para: (1) estabelecer regras que as ajudem  a obter maiores lucros da economia global; (2) limitar a capacidade dos governos de  regular a atuação delas no interesse público, muitas vezes de forma que não poderiam conseguir através dos canais democráticos normais; (3) bloquear outros futuros concorrentes (por exemplo, querem minar o projeto da China – “Made in China 2025” – que já investe bilhões de dólares para se tornar uma  das grandes potencias no setor de alta tecnologia.

Tais empresas buscam impor suas regras no mundo, para garantir seu atual domínio tecnológico. Neste momento, eu poderia fazer uma análise de cada uma delas, mas vou me ater apenas à atuação da empresa Google.

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2 – CORROENDO A LIBERDADE DE ESCOLHA DOS CONSUMIDORES

Confiando no Google para dar a eles um resultado que corresponda à realidade do mercado, os consumidores encontrarão, de fato, apenas as empresas e produtos que estão dentro da caixa do Google Shopping. Muitos desses #consumidores não sabem é que pode haver outros sites de comparação que ofereçam outras empresas, produtos e preços que possam ser melhores ou mais relevantes para eles do que os exibidos no próprio serviço do Google, o que acaba corrompendo a sua liberdade de escolha.

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Isso é o que acontece se compararmos as ofertas disponíveis no Google Shopping e nos outros sites de comparação dos concorrentes, como o Bondfaro, Kelkoo, que acabam sendo prejudicados pelo comportamento anticompetitivo do Google.

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Se, por exemplo, você for pesquisar no Google “uma câmera digital”, somente obterá com destaque os resultados veiculados pelo #GoogleShopping que exibem as maiores empresas que operam no mercado brasileiro. No entanto, não há visão de qualquer outro site de comparação (Bondfaro, Kelkoo, etc). Portanto, para as empresas que estão de fora do Google Shopping, é quase impossível atingir os consumidores e competir com as maiores empresas de varejo.

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O Google abusa de seu domínio em um mercado (mecanismos de busca) para afastar seus concorrentes em outro mercado (sites de comparação). Como resultado, nega-se aos consumidores a possibilidade de encontrar ofertas que possam refletir melhor o que eles procuram do que os que aparecem nos sites do Google.

Uma coisa é certa, o #google está favorecendo injustamente seus serviços verticais em todos os tipos de mercados, incluindo compras, pesquisa local e viagens. É como caminhar por uma via comercial, e encontrar bloqueadas algumas ruas e calçadas que dão acesso às lojas, com exceção das lojas aprovadas pelo Google.

Se o Google continuar favorecendo seus próprios serviços de comparação, os concorrentes, como a Kelkoo, que dependem da Pesquisa do Google para alcançar seus clientes, acabarão sendo eliminados do mercado. A conseqüência será menos inovação e menos competição nessa área. E é exatamente isso que prejudica o consumidor!

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A prática de favorecimento do Google não está dando oportunidades iguais às #empresas que desejam competir com base nos méritos e oferecer bons produtos inovadores aos consumidores. Com menos #sites de comparação, as empresas acabam tendo o Google como o único canal que elas podem usar para alcançar os consumidores, através do mecanismo de pesquisa.

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O Google, com sua posição dominante na pesquisa geral, tem a responsabilidade especial de não interromper a concorrência, tanto nos serviços de #pesquisa geral e local, quanto nos serviços de comparação.

Alguns dizem até que o Google não seria capaz de monetizar o espaço publicitário em seus resultados de mecanismos de busca, caso fosse forçado a tratar igualmente todos os sites de comparação. Considero isso uma falácia, mas não vou me aprofundar nesse tema, porque não estamos tratando aqui sobre a capacidade do Google de ganhar dinheiro com o espaço publicitário em seu mecanismo de pesquisa ou através do #serviço que oferece às empresas no Google Shopping. O que estou querendo mostrar e esclarecer neste artigo é que, havendo monetização ou não dos #serviços do Google, mas sendo garantido a todos os sites de comparação a mesma possibilidade de aparecerem nos resultados de busca quando os consumidores fizerem sua consulta na pesquisa do Google, se estaria promovendo uma competitividade justa que beneficiaria a todos nós.

A situação é tão preocupante, que nem mesmo o mecanismo de leilão do Google anula a sua conduta anticompetitiva. Esse modelo, no qual os “sites de comparação” fazem lances um contra o outro e contra o Google, para aparecer na Caixa de Compras, não garante que os consumidores obterão resultados com base no mérito, mas sim no poder de #compra dos concorrentes, arriscando-se, portanto, a mostrar apenas as maiores empresas de comércio eletrônico. Ou seja, esse modelo de #leilão do Google, tal como está, também acaba impedindo a competitividade e prejudicando os consumidores.

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3 – GOOGLE É MULTADO

A Comissão da União Europeia já se posicionou contra o comportamento anticompetitivo do Google, inclusive acusando-o de alterar deliberadamente seus algoritmos para que seus próprios serviços de comparação apareçam sempre no topo, e os resultados dos concorrentes obtenham automaticamente uma classificação mais baixa, às vezes até desaparecendo de vista. A consequência foi uma multa aplicada no gigante de tecnologia, no valor de € 2,42 bilhões por violar as regras antitruste da União Europeia.

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4 – E QUANTO ÀS OUTRAS ÁREAS, NAS QUAIS O GOOGLE USA ESTRATEGICAMENTE SUA POSIÇÃO DOMINANTE?

Também não é diferente. O caso do Google Shopping é apenas uma peça de um quebra-cabeças maior. Assim como os consumidores usam a pesquisa do Google para procurar câmeras ou sapatos, eles também a usam para procurar restaurantes, dentistas e hotéis. Nesta área (tecnicamente chamada de “Busca Local”), o Google faz praticamente a mesma coisa: aumenta seus próprios serviços de revisão rebaixando seus concorrentes.

5 – CONCLUSÃO

O comportamento anticompetitivo do Google acaba afetando diretamente os consumidores, ao minar a liberdade deles de escolherem entre uma variedade maior de #produtos e empresas. E esta realidade exige que as autoridades brasileiras ajam para impedir que o Google continue abusando do seu domínio no mecanismo de busca, para prejudicar os seus concorrentes. É importante que o Google garanta a liberdade de escolha aos consumidores e dê oportunidades iguais a todos os participantes do #mercado para competir com base em seu próprio mérito e conquistar a confiança da população em pé de igualdade. (Gilbert Lorens – Advogado: OAB/BA. 14.396 – Especialista em Relações de Consumo)

NOTA EDITORIAL: O conteúdo editorial desta matéria não foi fornecido ou comissionado por qualquer empresa, assim como, não foram revisadas, aprovadas ou endossadas por elas, antes da publicação. As opiniões, análises, resenhas, declarações ou recomendações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor.

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